Estudo piloto ou estudo-piloto?

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Jul 21, 2014, 11:07:04 AM7/21/14
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Estudo piloto ou estudo-piloto?

 

Conforme a base XV, primeiro item, do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 14-16 dez de 1990, sobre o hífen em compostos (ABL, Volp, 2009, p. XXVI), "emprega-se o hífen nas palavras compostas por justaposição, que não contêm formas de ligação e cujos elementos, de natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal, constituem uma unidade sintagmática e semântica e mantêm acento próprio, podendo dar-se o caso de o primeiro elemento estar reduzido". Entre os exemplos, constam arcebispo-bispo, decreto-lei, médico-cirurgião, tio-avô, turma-piloto (casos de substantivo-substantivo).

Tendo em vista o Acordo, deve ser escrito estudo-piloto.

Esse Acordo ainda não é lei ordinária, mas decreto-lei promulgado e instituído no País em 2008, de natureza executiva (Presidência da República), e a presidente Dilma deixou para o presente ano providenciar a transformação do decreto em lei. Mas o Acordo já está em uso geral, nos dicionários, nas gramáticas, nos documentos oficiais, o que pode assinalar vontade pública. Existem ainda pendências contrárias (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Houaiss).

Seguem alguns argumentos que talvez sejam úteis:

Forma recomendável, estudo-piloto. Trata-se de um composto de sentido único, indica estudo principal em que piloto é elemento determinativo de valor adjetivo, o que indica a grafia hifenizada, assim como palavra-chave, população-alvo, abelha-rainha, sistema renina-angiotensina, sistema-tampão, país-membro e similares. Piloto é um substantivo. Não é de primeira escolha seu papel de adjetivo como se depreende do caso de estudo piloto sem hífen e exemplos similares. O mesmo deveria ser com: programa-piloto, projeto-piloto, estação-piloto, teste-piloto, ensaio-piloto, inquérito-piloto, experiência-piloto e análogos. O plural se faz com aditamento de s apenas ao primeiro elemento, como ocorre com a maioria de casos de compostos formados de dois substantivos: estudos-piloto, planos-piloto. Os dicionários são omissos quanto a esses compostos, mas existem numerosos exemplos nas páginas de busca da internet o que também dispõe as formas hifenizadas como fatos da língua.

Em suma, escrever estudo piloto ou estudo-piloto é uma escolha livre, pois ambas as formas são aceitas de acordo com o preceito linguístico em que a língua emana do povo e os usos devem ter predomínio e legitimidade na composição do idioma (Maria Helena de Moura Neves, Guia de Uso do Português: Confrontando Regras e Usos. São Paulo: Ed. Unesp, 2003, p. 9-12, prefácio escrito pelos Profs. doutores da USP, Francisco Savioli e José Luiz Fiorin. O livro é um monumento linguístico e muito bem feito sob pesquisa financiada pelo CNPq). Mas, salvo melhor juízo, em relatos formais, recomenda-se usar os preceitos legais ou oficiais. Por enquanto, o decreto-lei 6.583 de 29 set 2008 está promulgado (oficialmente publicado) e amplamente aceito (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6583.htm

 

Simônides Bacelar

Brasília, DF

 
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