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Estatístico, estatista ou estaticista.
Estaticista é um neologismo constante do VOLP (Voc. ort. da língua port, 2009), criado para designar pessoa profissionalmente dedicada à estatística.
Importa esclarecer que os dicionários dão estatístico primeiramente como adjetivo, sua função léxica principal, que significa relativo a estatística. Em segundo lugar, é indicado como substantivo com acepção de indivíduo que estuda ou se especializa em estatística. Com esse sentido, bons dicionários também dão registro de estatista, nome também pouco usado.
Embora o termo tradicional seja estatístico, como está nos dicionários, o significado mais exato do termo estaticista permite destacá-lo de estatístico como adjetivo. Embora a substantivação de adjetivos seja comum nos idiomas, adjetivos são definidos como termos que qualificam os substantivos, isto é, são nomes que servem de complemento adnominal. Esta condição pode enfraquecer a expressividade do adjetivo usado como substantivo, já que é função vicariante.
Com efeito, o uso de adjetivos como substantivos é questionado por bons gramáticos, tido como imperfeição, sobretudo quando existe um substantivo apropriado e amplamente usado para exprimir a mesma significação.
Em contrapartida, estatista e estaticista são termos de boa formação e função vocabular apropriada, pois o sufixo -ista, que procede do correspondente em grego -istes, indica adepto, seguidor, conexo com –ismós, que indica ação verbal, e que deu -ismo em português.
Importa acrescer que estaticista é um nome mais longo e dotado de outro sufixo, -ico (estat + , ic(o) + ista) próprio para formar adjetivos, o que faz estatista um nome mais aperfeiçoado do posto de vista ortográfico. Contudo, este é mais questionável pelo lado semântico, já que estaticista se deriva de estatístico ou ao menos pode ter sido criado com esse sentido, o que parece lhe dar mais expressividade que o termo estatista. Assim, o predomínio de utilização ficará em dependência dos usuários.
Pelo exposto, não é errôneo usar estatístico, tendo em vista seu uso tão difundido e consagrado. No entanto, estaticista ou mesmo estatista são bons nomes e são mais próprios como termos técnicos ou acadêmicos, por ser sua formação lexical mais adequada.
Embora a força do uso seja fator determinante e útil para a comunicação geral, o que favorece o nome estatístico, a orientação voltada ao aperfeiçoamento lingüístico pode ser um hábito cultural construtivo, o que apadrinha estaticista ou estatista, mas se não contiver preconceitos, inflexibilidades e intolerâncias às outras opções, atitudes próprias do purismo, uma orientação não recomendável e combatida por autorizados linguistas.
Simônides Bacelar Brasília, DF | |||
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