|
Meningeoma ou meningioma? Craniofaringeoma ou craniofaringioma? Existem duas maneiras de escrever o nome de cada um desses tumores do sistema nervoso – meningeoma e meningioma, bem como craniofaringeoma e craniofaringioma. Como em inglês, nesses nomes, se usa mais o i que o e, a preferência dessas últimas grafias por grande número de autores médicos talvez tenha influência anglo-americana. Mas, na literatura em medicina, existem faringeano, craniofaringeano, meningeano ao lado de faringiano, craniofaringiano e meningiano, o que mostra serem fatos da língua, todos amplamente usados, como se vê na web. Assim, é complicado apontar como erro as formas craniofaringeoma e meningeoma. Para abonados linguistas, todas as formas existentes na língua são patrimônio do idioma e dizem, com razão, que quem faz a língua é o povo. No entanto, em redações científicas formais, os autores sobre esse tema são praticamente unânimes em afirmar nos seus livros que se devem usar as normas gramaticais para a produção de relatos técnicos científicos e é justo dar ouvidos a gramáticos profissionais, legalmente diplomados pela União. Sem dúvida, cada um pode usar a língua como quiser e então escolher a do povo ou a dos gramáticos. Mas tenho observado que bom número de pessoas que prestam concursos para funcionário público perdem pontos em língua portuguesa ao tempo em que acertam com louvor todos os quesitos da parte técnica e profissional. Desse fato podem surgir resultados desfavoráveis ao concorrente pouco familiarizado com a gramática. Por esse contexto, é recomendável conhecer alguns aspectos sobre ortografia dos nomes técnicos ou científicos. Faringioma é a única forma que está nos dicionários em geral, inclusos os dicionário médicos em português e, oficialmente, no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras (2009). Com o pseudoprefixo cranio-, compõe-se craniofaringioma, única forma registrada no Dic. Médico de H. Fortes e G. Pacheco (1968), no de R. Paciornik (1975), no de L. Rey (2003). Contudo, dois dicionários de termos médicos de autores portugueses consultados, o Climepsi (2012) e o de M. Freitas e Costa (2005), dão a grafia craniofaringeoma, o que comprova ser lexia variante e dicionarizada. O mesmo ocorre com meningioma. Os dicionários retrocitados dão a grafia com i (meningiano), exceto o Dicionário de Termos Médicos, de Manuel Freitas e Costa, que consigna as duas maneiras de escrever: meningioma e meningeoma. O Climepsi dá apenas meningioma. Quanto à avaliação dos valores dos afixos em questão, no dicionário Houaiss (2009), encontra-se o seguinte registro sobre o sufixo -iano: “...usado nas form. de adj. ou subst.; no âmbito da língua de cultura, vem impondo-se uma regra segundo a qual só se escreverá -eano quando a sílaba tônica do derivante for um -e-tônico ou ditongo tônico com base -e- ou, por fim, em que, mesmo átono, o -e- for seguido de vogal átona: arqueano (Arqueu) cuneano (Cuneo/Cúneo), daomeano (Daomé), egeano(Egeu), galileano (Galileu), lineano (Lineu); os demais, mesmo que as palavras de que tenham derivado se grafem com e, serão sempre em -iano: acriano (Acre), camiliano,ciceroniano, eciano, freudiano, zwingliano etc.” Como faringioma e meningioma são formas de lei, pois o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) tem suas edições regidas de lei federal (Lei 5.765 de 18-12-1971), que manda a Academia Brasileira de Letras atualizar o vocabulário comum, parece mais seguro ficar com a lei, pois em casos de críticas em julgamentos oficiais de teses de doutorado, de dissertações de mestrado e situações semelhantes, por exemplos, seria complicada a defesa de posições não oficializadas, embora muito usadas. Em suma, usar os sufixos -eoma e -ioma não é errado porque essas terminações fazem parte da língua portuguesa. Mas em relatos técnicos científicos formais, documentais e assemelhados, é recomendável e até preferencial usar as formas de lei dicionarizadas. Nesse caso, craniofaringioma e meningioma têm preferência em termos oficiais, sem que isso signifique que as outras formas sejam rejeitadas. Simônides Bacelar Brasília, DF | ||
|
|
