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Casuística significa estudo, discussão e análise de casos particulares em que ocorrem dilemas morais, em geral relacionados a doutrinas religiosas ou filosóficas (Houaiss, 2001), parte da teologia que trata dos casos de consciência. Mas, em medicina, adota-se outro sentido especial: registro de casos clínicos ou cirúrgicos, como está no Aurélio (2004), ou ainda: relativo ao número de casos estudados, o mesmo que amostra em um trabalho científico. Talvez esse significado ocorra por analogia com caso e a terminação -ístico(a), relativo a, como em cabalística, logística, estatístico, jornalístico e semelhantes.
Em geral, -ístico(a) é união de -ista e -ico(a).Casuístico significa, em sentido próprio, relativo ao casuísta, isto é, o que aceita o casuísmo, ou seja, a aceitação passiva de ideias, doutrinas, princípios; daí, obediência à letra da lei, como se diz no meio jurídico. Por ser um desvio do sentido próprio da palavra, em lugar de casuística, em dições como “trabalho com uma grande casuística”. “O artigo tem uma casuística boa”, “casuística razoável”, “casuística e métodos”, por exemplos, na linguagem profissional, pode-se dizer amostra, número de casos, número de pacientes, grupo de pacientes, quantidade de doentes ou sujeitos e similares.
O uso de casuística como indicação de amostra, número de sujeitos ou subconjunto populacional em uma pesquisa é muito comum em medicina, de modo que se tornou um fato da língua e, assim, não se pode tomar esse uso como erro, uma vez que é bem compreendido entre os médicos. Todavia, em linguagem científica formal mais elaborada, convém, como seleção pessoal, buscar e usar os nomes em seu sentido exato, próprio, por apreço à melhor estrutura redacional.
Simônides Bacelar
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