Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009
DIFERENÇAS ENTRE OS MINKISI (plural de Nkisi) DAS CULTURAS E TRADIÇÕES BANTU E OS ORIXÁS (Orisá) DA CULTURA E TRADIÇÃO NAGÔ YORUBÁ.
Irmãos irei tentar mostrar as diferenças que existem entre Nkisi e Orixá além das diferenças comuns, normais como tradição, cultura, fundamento, as línguas e também as diferenças geográficas que existem entre os dois povos, Bantu e Nagô/Yorubá no grande continente Africano.
Além dessas citadas acima, existem também as diferenças diretas entre as Divindades Nkisi e Orisá que falarei à seguir:
Primeiro falarei sobre os Minkisi (Mahamba) da cultura e tradição dos povos bantu, pois será a base do tema......
Os povos bantu de uma maneira geral cultuam suas Divindades (Mahamba) de uma forma mais simples e natural, que se difere de outros povos, pois as Divindades adoradas, louvadas e cultuadas pelos povos bantu são os próprios elementos da natureza, ou seja a própria Divina Natureza.
As Divindades em seu estado natural, na própria natureza (estado bruto) são chamadas de Hamba (plural Mahamba) até serem, através de rezas (Jingorosi) e fundamentos (Kitungu) trazidas para o nosso meio, para serem iniciadas na cabeça (mutuê) do filho (mona) e no assentamento (kuxikama//kunda), onde será cultuada e seu filho nascerá novamente para ela, fazendo-se uma concentração e ligação direta de energias entre o filho e o assentamento de sua Hamba.
No processo de iniciação, essa Hamba passará a ser conhecida e cultuada como Nkisi, pois não está mais em seu estado bruto, natural... já está ligada ao seu filho iniciado para ela (muzenza) e no assentamento onde estará ligada através de todo o processo de fundamento (Kitungu) e obrigação (Mbebe) que foi destinado e elaborado naquele recipiente.
As Divindades bantu não tiveram passagem pela Terra e nem tão pouco forma humana, são a própria natureza com seus elementos como a chuva, o barro, a terra, as folhas, as pedras, a pedra de ferro, a pedra de raio, as raízes das plantas, o vento, o fogo, o raio, o ar, as fontes naturais, as nascentes de água, as mudanças naturais de temperatura e de tempo, a água, o mar, a larva vulcânica, e etc....
As línguas faladas pelos povos bantu são muitas, mas no Brasil as que mais tiveram destaque nas Jinzo (casas) religiosas de culto Kongo Ngola são o Kikongo, originária dos povos da região do Kongo (Congo) e o Kimbundu, originária dos povos da região de Ngola (Angola), principalmente acima do Rio Kuanza (Cuanza), ao redor de Luanda.
Falarei também das outras línguas e seus respectivos domínios territoriais, como por exemplo: Ajaua (Moçambique, Malauí e Zimbábue), Bemba (Zâmbia), Kuanhama (Sudoeste Africano-Angola, Namíbia), Ganguela (Fronteira leste de Angola, oeste de Zâmbia), Iaka (Zaire-Kuango, Casai), Língala (Congo, antigo Zaire e outras áreas da África central), Makua (Moçambique, entre o Rovuma e a Lurio), Nhungue (Moçambique), Nianja (Moçambique, Malauí, Zimbábue), Kioko e Luvate (Chokwe, Leste de Angola), Suaíle (Tanzânia, Zanzibar, Moçambique), Sutho (África do Sul), Tonga (Moçambique, Zimbábue), Umbundu (abaixo do rio Kuanza, principalmente na região de Benguela), Shona (Moçambique, Zimbábue e Botsuana), Zulu (África do Sul, Botsuana) e outras.....
As nações Congo e Angola no Brasil, em termos religiosos, ficaram por muito tempo com a influência do culto Nagô/Yorubá, como até hoje existem muitas Jinzo (casas) de Angola que continuam com essas misturas "nagotizadas", usando costumes, nomes, línguas, comidas, vestimentas das culturas e tradições Nagô.
A Mbutu (nação) Angola Bantu têm suas próprias tradições e culturas, entre essas suas próprias vestimentas e principalmente as vestimentas de suas Divindades.
A cerca de dez anos, vem sendo feito um trabalho sério por algumas pessoas de resgate dessas tradições e hoje já vemos em algumas casas de Ngola Kongo, Divindades (Minkisi) vestidas conforme suas próprias tradições.
Até mesmo o adjá instrumento de chamada, através de seu som pertence à cultura Nagô, o nosso instrumento de chamada através de som é o Kaxixi, chocalho cerimonial feito de coco ou cabaça com sementes e favas dentro, que tem um som menos agudo que o adjá Nagô.....
Por isso, meus irmãos e irmãs digo que são culturas e tradições muito diferentes e não há possibilidade alguma do culto das duas nações em uma única n'zo (casa).
A nação Nagô Yorubá cultua seus Orixás de uma forma mais "humanizada", pois seus Deuses em algum momento de suas existências tiveram passagem na Terra em forma humana, muitas vezes vistos ou imaginados como heróis, com suas lendas e histórias ....
Sua língua é o Yorubá e a maioria dos negros Nagôs que chegaram ao Brasil, vinham principalmente de Benin, hoje Nigéria. Seus Orixás (Orisá) se vestem com roupas e paramentos de muita beleza e exuberância, com seus adês, filás, coroas, espelhos, armas e indumentárias de extrema beleza, bem diferente dos Minkisi bantu que usam máscaras na face do filho que está vestido e tomado por seu Nkisi, as vestimentas são confeccionadas com panos modestos com indumentárias naturais, como favas, cabaças, ervas, etc....
As armas são feitas de madeira, pois o culto aos Minkisi antecedem a descoberta do ferro e as chapas de latões e alúminios.....
Nossos Minkisi usam máscaras para encobrirem o rosto, pois sendo eles elementos da Divina natureza, não possuem face humana, motivo pelo qual cobrem a face do filho........
Os assentamentos (Kuxikama//Kunda ou Mbenge) dos Minkisi de tradição Bantu, são implantados no barro, cabaça ou madeira ....... pois os cultos para as Divindades de origem Kongo Ngola são anteriores à descoberta das louças européias...... Assim sendo, a tradição religiosa dos povos bantu, não faz uso de nada que não seja de origem natural ............
Kukula mu kiri kia Nzambi!
(Crescer na verdade de Deus!)....
Tuasakidila Nzambi!
(Deus seja louvado!)....
Tata Kiretauã
[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]
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