Aquisição de bens com entrega parcelada

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Darci C

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Oct 1, 2014, 8:11:00 AM10/1/14
to ne...@googlegroups.com
Prezados,

Quando da necessidade de se realizar um pregão para aquisição de material que terá entrega em remessa única, não há dúvida quanto a licitar pelo preço do lote completo (global), pois será realizado 1 único empenho.

No entanto, quando da aquisição de material que terá entrega parcelada, tenho algumas dúvidas:

1. O pregão deve ser feito pelo valor unitário, valor mensal estimado (valor unitário x qde mensal estimada) ou valor anual estimado (valor unitário x qde anual estimada)?

2. No caso de ser feito pregão pelo valor unitário, a quantidade prevista para o ano no contrato vincula a Administração, considerando a tolerância de +- 25%, ainda que haja cláusulas informando que a entrega será parcelada e que a quantidade é estimada?

3. Se positivo no caso da pergunta 2, seria melhor realizar um SRP, caso não tenhamos certeza da real necessidade?

4. No caso de ser feito pregão pelo valor unitário, pode-se prever que o pagamento será realizado de forma mensal, conforme fornecimento real?

Enfim, por enquanto é isso, pois as respostas a essas perguntas podem gerar mais dúvidas... Esse é o problema de entrar no serviço público e "cair" em Licitações sem um treinamento mais aprofundado. Agradeço a colaboração dos amigos.

Atenciosamente,

Darci C.

eng....@gmail.com

Franklin Brasil

unread,
Oct 3, 2014, 4:18:13 PM10/3/14
to NELCA
Oi, Darci. Dê uma olhada no debate que tivemos esses dias sobre o tema em https://groups.google.com/forum/#!searchin/nelca/Ades%C3%A3o$20%C3%A0$20Ata$20e$20passagens$20a%C3%A9reas/nelca/QuDdM8kukgo/tN8smBVPjBsJ

Leia especialmente os e-mails que eu e o Ronaldo trocamos, que reproduzo abaixo.

Mas, Ronaldo, num contrato, mesmo que ESTIMADO, a Administração é obrigada a cumprir pelo menos 75% do valor, certo? Porque a redução máxima unilateral é de 25%...

Ou estou equivocado?

Abraços,

Franklin Brasil 


Creio que para contratos estimativos, firmados para atender demandas naturalmente sazonais, como combustível (pelo menos para a PF), energia elétrica, água encanada, passagens aéreas (pelo menos para a PF), telefonia etc, não há (ou não deve haver) OBRIGAÇÃO da administração gastar nem mesmo os 75%.

Na minuta proposta pela AGU, tem uma Nota sugerindo usar uma cláusula específica para deixar isso mais claro, de que somente o que a Administração GASTAR efetivamente será pago.

Att.,

Ronaldo Corrêa

Esta é a Nota à qual me referi:

Nota explicativa: Caso se trate de contrato de valor estimativo, como os de lavanderia, manutenção em geral, etc., em que a própria demanda pelos serviços é variável, cabe inserir o seguinte subitem:

3.3. O valor acima é meramente estimativo, de forma que os pagamentos devidos à CONTRATADA dependerão dos quantitativos de serviços efetivamente prestados.


Não traz as mesmas palavras, mas entendo que advoga a mesma tese da não obrigatoriedade do efetivo consumo dos 75% do valor contratado.

Bem... pelo menos é o que ocorre de fato, em todos os contratos deste tipo, e nunca vi o TCU apontando isso como irregular.

Mas o fato de sempre termos feito isto, não tem o condão de "provar" que é certo... mas vou pesquisar mais sobre isto pra formar uma opinião melhor.

Att.,

Ronaldo Corrêa


É um tema polêmico, Ronaldo. Portanto, dos que eu gosto. 

Continuo entendendo que um contrato, ainda que estimativo, deve respeitar os quantitativos estimados. Por isso a exigência de estimativas adequadas. E deve se situar dentro da margem de até 75% do estimado, pois menos que isso só com acordo entre as partes. 

A lógica disso é que o fornecedor se prepara para arcar com os custos do fornecimento com base na estimativa. E pode tomar prejuízo se a utilização efetiva for muito diferente do previsto. 

Nos contratos por adesão (energia, água, gás) é diferente porque o próprio contrato de adesão prevê o pagamento conforme demanda e é o fornecedor quem estima o consumo dos clientes para se adequar à demanda geral e à específica. 

Por isso meso é que existe o SRP. Se não podemos estimar com razoável precisão a nossa necessidade, fazemos ARP e usamos conforme a efetiva demanda. Do contrário, a única diferença que existiria entre uma ARP e um contrato por estimativa é que para este último é obrigatório ter orçamento. 

Para mim, assinou contrato, tem que cumpri-lo. 

Veja, por exemplo, o caso do Acórdão 1.386/2005 - TCU - PLENÁRIO. Era um contrato de publicidade que foi aditivado em 300%. Olha o que o TCU disse a respeito:

Por outro lado, no que diz respeito ao aumento do valor contratual e, por conseqüência, ao acréscimo estimado do objeto, o termo aditivo é evidentemente ilegal. Em tese, a majoração do valor global do contrato, cujo quantitativo do objeto é mensurável por estimativa, considera-se acréscimo da obra, serviço ou compra, conforme o caso, e não poderá exceder os limites fixados no art. 65, §§ 1º e 2º.

No caso concreto, contrariou-se o limite estabelecido na lei e descurou-se do princípio da vinculação ao instrumento convocatório. O edital predetermina o contrato e serve de referência para os interessados em contratar com a Administração. Posteriores alterações de tal magnitude descaracterizam por completo o objetivo da contratação, prejudica o caráter competitivo do certame e, por conseqüência, a escolha da melhor proposta para a Administração.  


Ora, se esse argumento vale para ACRÉSCIMOS contratuais, deve valer, a meu ver, também para SUPRESSÕES. 

O que talvez ocorra com frequência é que os fornecedores não reclamem o direito de ver o contrato cumprido em sua integralidade (ou no limite do que pode ser suprimido). 

Abraços,

Franklin Brasil

Abraços,

Franklin Brasil

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