Oi, Crys.
A melhor referência que conheço sobre locação de veículos é o
Caderno Técnico do CADTERC de São Paulo. São estudos bem elaborados e
com ótima referência de preços. Você encontra o mais recente
AQUI
Recomendo baixar o Caderno de Estudos, que fica disponível no final da página. Ou por
AQUI
Chamo atenção para alguns fatores fundamentais nesse tipo de contratação.
1. FRANQUIAQuando a locação envolve a disponibilização do veículo em tempo integral, a franquia é inútil. Não vejo vantagem
para a Administração em determinar uma quantidade mínima de serviço a
ser paga, independente do efetivo uso. Veja que nas locações de veículos para particulares, as empresas oferecem o sistema de franquia para pequenas distâncias, sendo mais comum o formato de quilometragem livre quando o cliente precisa rodar bastante.
Existem 2 tipos de custos na locação de veículos:
fixos e variáveis. Os fixos se referem a dispêndios que ocorrem até
mesmo se o carro ficar parado. São exemplos: depreciação, ipva,
licenciamento, seguro. Portanto, se o carro rodar 1km ou 1000km, a
empresa terá esses custos da mesma forma.
O outro tipo de custo depende do uso efetivo do veículo.
E aqui entram diversas variáveis como: tipo e condições de conservação
da estrada onde o carro vai rodar, regime de uso, consumo médio do
carro, etc. São exemplos de custos variáveis: combustível,
lubrificantes, pneus, manutenção, lavagem.
Se o veículo e o motorista ficarão o tempo
todo à disposição do órgão, a esmagadora maioria dos custos serão
FIXOS. Não importa se o carro rodar 1km ou 10.000km no mês. A franquia,
nesse caso, pouco influencia na proposta.
A
quantidade estimada de km por mês pode ser usada para o licitante
elaborar sua proposta, mas não precisa, necessariamente, ser usada como
franquia.
Se a locação, porém, envolve a disponibilização episódica do veículo - leia-se: de vez em quando - aí a franquia pode ser interessante.
2. DEPRECIAÇÃO (E IDADE MAXIMA)
Este é possivelmente o item de custo mais elevado. Um carro Zero perde o valor de mercado muito rapidamente, só de
sair da concessionária. A curva de depreciação de veículos é muito acentuada no primeiro ano.
Por isso, recomendo fortemente avaliar a idade máxima a ser permitida no contrato de locação. Minha sugestão é aceitar veículos com até 3 anos de uso. Explico.
Em 12 meses:
Veículo zero deprecia em torno de 20%
Veículo com 1 ano de uso deprecia cerca de 5% a 10%
Exemplo (com dados que pesquisei em julho de 2015).
A Amarok CD 0 km 2.0 16 V TDI 4x4 Diesel. Zero é R$ 91.000,00. Mas
uma 2014 cai para R$ 73.000,00. Depreciação de 20%.
O mesmo veículo 2013 a FIPE diz que custa R$ 70.700,00. Viu? No segundo ano, a depreciação foi de apenas 4%.
O
que eu quero dizer com isso? Que pode sair muito mais barato comprar
uma camionete de 1 ano, que já depreciou bastante o preço de mercado,
mas ainda está muito bem conservada.
E aí, com essa camionete de 1 ano, poderia ser cumprido o contrato.
Aí,
se for prorrogar, a empresa troca os carros por
mais novos, para continuar atendendo a exigência de tempo máximo de 2 ou 3
anos de uso.
A manutenção é mais cara? Não sei. O impacto disso pode ser bem menor do que o impacto da depreciação.
Veículo
que roda em estradas de terra perde muito valor de mercado. A depreciação é
muito maior do que um veículo em condições normais.
Mesmo
locadoras de veículos perdem muito mais em depreciação, porque todo
mundo sabe que o veículo rodou muito e em condições adversas.
Para cálculos de depreciação, deve-se usar a Tabela FIPE. O TCU decidiu que os preços de referência de veículos são aqueles divulgados pela FIPE (Acórdão 7502/2015-Segunda Câmara).
3. SUBSTITUIÇÃO DO VEÍCULO
Sobre
a substituição do veículo quando quebra. Isso é exigência que deve ser
cumprida se o carro tem 6 meses ou se tem 18 meses. Faz parte da
política da empresa contratada avaliar se é melhor um carro mais novo
com menor risco de quebrar ou um carro mais usado, que tem menor
depreciação, mas pode dar mais manutenção e mais custo de reposição. Isso é gerenciamento da empresa!
A
Amarok tem 3 anos de garantia e 100.000km para uso comercial. Isso
significa que daria pra comprar uma com 1 ano de uso e cumprir um contrato de 2 anos com a garantia, dependendo de quanto se roda por mês.
Por isso, exigir um carro com no
máximo 2 ou 3 anos de uso me parece mais adequado, mas tem que deixar a empresa
contratada decidir se compra carro zero ou com 6 meses ou com 1 ano ou
com 18 meses de uso. Ela só vai ter que trocar o carro toda vez que ele
chegar aos limite definido na licitação.
4. CUSTO DE MANUTENÇÃO
Nas páginas 84/85 do
Caderno do CADTERC tem a referência de custos de
manutenção.
Eles consideram 1% do valor do veículo a cada 10.000km para peças +
0,2% a cada 10.000km de custo com equipe de oficina (1 mecanico e 1
ajudante). Dá um total de 1,2% a cada 10.000km com
manutenção.
Embora trate de caminhões para transporte de carga,
este manual aqui dá algumas referências similares à do estudo de São Paulo: considera que o custo com peças, acessórios e material de
manutenção é de 1% do valor de veículo (sem pneus) por mês.
5. COMPARAÇÃO COM OUTROS CONTRATOS
A comparação com outros contratos é bastante complicada.
Cada contrato tem sua
peculiaridade e o valor R$/km é um parâmetro que deve ser relativizado.
Diferenças como: tipo de rodovias a serem percorridas, frequência de uso
no mês, finalidade do transporte, entre outros aspectos, podem impactar
severamente os custos e os preços dos serviços.
É
possível usar, claro, como indicador, mas é preciso achar contratos com
realidades similares. Se o contrato é de locação integral,
ou seja, o veículo fica o tempo todo à disposição do contratante, por exemplo, somente
contratos com essa característica servem como parâmetro de comparação.
Se
os contratos comparados tiverem outras diferenças (exemplo: fornecimento do combustível e motorista) então deve-se fazer o ajuste dessas
diferenças nas planilhas de custo. Por exemplo: o seu contrato tem
motorista, mas o outro não tem. Tira os custos do motorista do seu
contrato para fazer a comparação.
Espero ter contribuído.