No primeiro semestre de 2010 a Preqaria Cia de Teatro teve que focar suas energias no processo de criação do espetáculo “Fausto(s!)” que precisava cumprir prazo de estréia do Prêmio Funarte de Teatro Miriam Muniz, com o qual foi contemplado. O dever foi cumprido e depois do sussesso de "Fausto(s!)" o grupo pode retomar os ensaios de “Nosso Estranho Amor”, fazendo mudanças no cenário, texto e caracterização dos personagens. Essa nova temporada acontece com o Patrocínio da Printertec Peças para Impressoras e Plotters e o apoio da Visual Sistemas Eletrônicos.
Realizado com recursos do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2008, “Nosso Estranho Amor” é uma livre adaptação do enredo da novela “Primeiro Amor” em diálogo com as novelas “O expulso”, “O Calmante” e “O fim” de Samuel Beckett. Os “sem teto” apresentados por Beckett foram o ponto de partida para que a companhia criasse a sua própria dramaturgia. Na montagem o grupo sugere uma leitura metafórica dos textos originais em que a situação de morador de rua do protagonista, ou seja, o fato de ele não ter uma casa, se evidencia com a falta do amor em sua vida. Com este universo, por cadeias de situações simples e pequenos diálogos cotidianos, a peça constrói uma fábula contemporânea sobre um dos sentimentos primordiais do homem como ser social: o amor, o absurdo que há no amor entre um homem e uma mulher.
A maior parte das palavras ditas na peça vieram de poemas do livro inédito “Clichês e Flores”, do ator e dramaturgo João Valadares, que antes havia publicado “Hipoteca”, pela Anome Livros. Em uma brincadeira com as canções de Caetano Veloso executadas ao vivo pelo violonista André Milagres e a violinista Luiza Anastácio, o texto falado pela atriz Fabiana Loyola é, em parte, retirado das letras de músicas do compositor baiano, como se a mulher encontrasse paralelo entre o homem por quem se apaixonou e os personagens das canções que tanto gosta.
Todo o trabalho de criação cênica foi desenvolvido através de pesquisa realizada pelo diretor Cláudio Dias, da Cia de Teatro Luna Lunera, que passa pelo método do processo colaborativo confrontando as técnicas de “Contato improvisação” do coreógrafo e bailarino Steve Preston que trabalha o movimento com troca de toques, peso e energias; e “View points” da bailarina e coreógrafa Ane Bogart que propõe jogos de relação entre corpo e espaço. A relação com a dança foi impressa no corpo dos atores e norteia a concepção de cenas importantes do espetáculo.
Enquanto seguem suas vidas os personagens de “Nosso Estranho Amor” parecem querer encobrir suas tragédias pessoais. O homem fala sem parar, confusamente e de modo entrecortado, mas o mais importante, o fato de ter sido despejado da casa onde viveu desde que nasceu, fica no segundo plano do seu discurso, como um silêncio eloqüente. A jovem se apronta, experimenta os sapatos, se prepara para um novo dia de trabalho, mas o sorriso fácil não deflagra a solidão em que se encontra. Nesse sentido a iluminação realizada por Felipe Cosse e Juliano Coelho busca encobrir o que está fora e descobrir o que está dentro, deixando para o público a percepção de atmosfera intimista a partir do espaço cênico proposto pelo cenógrafo Luiz Dias.
As pessoas normais, as pessoas que não são estranhas, elas dizem, elas olham nos olhos umas das outras e dizem: Eu te amo! Mas este não é o caso dos personagens de “Nosso Estranho Amor”, terceiro espetáculo da Preqaria Cia de Teatro. Trata-se aqui de pessoas que se apaixonam em situações extremas, personagens que se definem pelo que perderam, pelo que na têm, pelo que lhes falta.
Quando não se tem mais nada e já não se pode perder mais nada, é sinal que algo está por acontecer. Duas pessoas se permitem um abraço, deixando que os poros da pele troquem planos e sonhos, parece ser essa a hora em que o acaso assume o seu papel. Os clichês de sempre: alguns gestos, um olhar, um novo corte de cabelo e uma música cantarolada sem grandes pretensões, tipo de coisa que não faz muito sentido, mas que na presença de Deus e o universo e outros seres mitológicos como o amor, fazem toda diferença. Apesar das condições, apesar desses pequenos absurdos cotidianos, parecia coerente que se apaixonassem. E foi assim.
Pena, é que nenhuma história termina com um começo. O amor é sempre começo.
Serviço
Espetáculo: NOSSO ESTRANHO AMOR
Direção: Cláudio Dias
Dramaturgia: João Valadares
Elenco: Fabiana Loyola e João Valadares
Produção: Gabriela Dominguez e Raysner D’ Paula
Relização: Preqaria Cia de Teatro
Classificação: 12 anos
Local: Teatro Assembléia
Horário: Sexta a Domingo, às 20h
Ficha Técnica
Direção e preparação corporal: Cláudio Dias
Dramaturgia: João Valadares em colaboração com a equipe.
Consultoria Dramatúrgica: Walmir José
Atuação: Fabiana Loyola e João Valadares
Trilha sonora e arranjos: André Milagres e Luiza Anastácio
Preparação Vocal: Iolanda Camilo
Cenário e Figurino: Luiz Dias
Costureira: Solange Otto
Cenotécnico: Artes Cênicas Produções - Joaquim Pereira
Iluminação: Felipe Cosse e Juliano Coelho
Programação Visual: Marcus Vinícius Souza
Fotos: Thiago Lima
Produção: Gabriela Dominguez e Raysner D’Paula
Realização: Preqaria Cia. de Teatro
Vendas de ingressos antecipada:
Preqaria Cia de Teatro - Currículo do Grupo
Nos últimos cinco anos a Preqaria Cia de Teatro realizou quatro espetáculos teatrais e três curtas Metragens. Percebe em sua trajetória um crescimento artístico que liga o comprometimento profissional ao amor à arte. Os frutos vieram e nos últimos dois anos conquistou dois prêmios Funarte de Teatro Miriam Muniz, realizou parcerias com artistas de renome nacional, teve a peça “Nosso Estranho Amor” convidada para a Mostra Oficial do Festival de Teatro de Curitiba, e atingiu em apenas uma temporada a marca de mil espectadores, lotando doze das treze apresentações do espetáculo Fausto(s!), em Belo Horizonte - MG. Abaixo a relação dos espetáculos e atividades do grupo:
Qorpo Santo (2006)
Em seu primeiro trabalho a Preqaria Cia de Teatro desenvolveu o espetáculo "Qorpo Santo" a partir dos textos do dramaturgo brasileiro José Joaquim de Campos Leão, considerado por vários estudiosos o precursor do Teatro do Absurdo. O espetáculo é uma farsa cômica, faz um cruzamento de três textos do dramaturgo: O Credor da Fazenda Nacional é uma paródia sobre a burocracia, conta sobre a absurda via-crúcis de um cidadão que tenta exaustivamente receber do governo o que lhe é devido, as agruras sofridas, que o deixa refém das resoluções de funcionários públicos. As Relações Naturais trata dos desejos reprimidos, do erotismo exacerbado e dos pecados da carne, praticamente um manifesto as avessas sobre religiosidade, sexualidade e a família. Mateus e Mateusa é sobre as irônicas relações de amor e ódio de um casal de velhos e suas três filhas em que os personagens se agridem mutuamente. Com “QORPO SANTO” o grupo se propôs uma investigação em torno da "precariedade da existência humana" através de uma releitura do grotesco no teatro e a caracterização dos personagens a partir da bufonaria. Sob direção de Yuri Simon, o espetáculo “QORPO SANTO” realizou várias temporadas em Belo Horizonte e cidades do interior de Minas Gerais obtendo grande sucesso de público e crítica. Participou ainda do Festival Estudantil de Teatro – FETO-BH, conquistando cinco prêmios (Ator, Ator Coadjuvante, Cenário, Iluminação e Figurino).
Tribunal Quarto de Zona (2008)
O segundo espetáculo do grupo foi "Tribunal Quarto de Zona" que teve dramaturgia e direção de João Valadares e investigou os princípios básicos do Teatro do Absurdo e seu diálogo estrito com o Existencialismo Filosófico. Com este espetáculo o grupo se propôs uma linguagem visceral, associando estudos de conteúdo filosófico com a estética de edição cinematográfica. A peça acontece durante uma festa de Cabaré onde homens solitários se divertem com prostitutas solitárias. Ou um ambiente fantástico e plastificado, onde as pessoas dançam alegremente para "iludir o tédio dos dias vazios e sempre iguais". O cabaré é a metáfora imediata do prazer. Dançar e se divertir é uma forma angustiada de combater o vazio da vida e o terror da morte. “O que podemos fazer”? Alguém responde: -“Dançar”. “Tribunal Quarto de Zona” fez sua estréia em Agosto de 2008 no Galpão Cine Horto e retornou em temporada no mês de Novembro no Odeon Espaço Cultural. Participou ainda do projeto Grupos em Trama, realizado pelo Grupo Trama de Teatro, se apresentando em bairros da periferia de Belo Horizonte através de intercâmbios entre diversos grupos teatrais da capital mineira.
Nosso Estranho Amor (2009)
Vencedor do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz / 2008, o espetáculo “Nosso Estranho Amor”, terceiro trabalho da Preqaria Cia de Teatro, foi livremente inspirado nas novelas do escritor irlandês Samuel Beckett e teve direção de Cláudio Dias (Cia de Teatro Luna Lunera). Os “sem teto” apresentados por Beckett foram o ponto de partida para uma leitura metafórica dos textos originais, em que a situação de morador de rua do protagonista, ou seja, o fato de ele não ter uma casa, se evidencia com a falta do amor em sua vida. As pessoas normais, as pessoas que não são estranhas, elas dizem, elas olham nos olhos umas das outras e dizem: Eu te amo! Mas este não é o caso dos personagens de “Nosso Estranho Amor”, trata-se aqui de pessoas que se apaixonam em situações extremas, personagens que se definem pelo que perderam, pelo que na têm, pelo que lhes falta. A peça fez sua estréia em Outubro de 2009, em Belo Horizonte e foi indicada ao prêmio SESC/Sated na categoria Melhor Direção. No primeiro trimestre de 2010, participou da 36ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança, nos meses de Fevereiro e Março; e foi um dos dois únicos convidados mineiros para a Mostra Oficial do Festival de Teatro de Curitiba, em Março de 2010. Depois de se apresentar no interior de Minas Gerais e participar de outros festivais pelo país planeja sua volta a Belo Horizonte em Outubro de 2010.
Fausto(s!) (2010)
O espetáculo “Fausto(s!)” teve uma produção ousada, envolvendo dez atores de três companhias teatrais de Belo Horizonte além de uma equipe técnica de renome como Raul Belém Machado, Felipe Cosse, Juliano Coelho e Wladimir Medeiros. O espetáculo ocupou sete locações do grande galpão do Espaço Cento e Quatro, propondo uma encenação itinerante, possibilitando ao público diversas experiências cênicas em um mesmo espetáculo. Nessa proposta a cada locação o público estabelece uma relação diferente com a cena: palco italiano, corredor, passarela, arena, semi-arena ou mesmo de dentro da cena. Dramaturgicamente o espetáculo se propõe uma releitura contemporânea do “Fausto” de Goethe, em que o protagonista faz um pacto com Mefistófeles e tem todos os desejos realizados: torna-se jovem, rico e conquista a mulher por quem se apaixonou. Mas, em um momento de lucidez, o próprio Fausto questiona essa condição: "Ele (o demônio) criou em mim um fogo vivo que me atraí para todas as imagens da beleza. Assim me sinto transportado do desejo ao prazer e, em pleno prazer, anseio pelo desejo". Na opinião desse coletivo essa é uma característica de todo ser humano: "no auge do prazer, anseia pelo desejo", acaba de conquistar algo e já está pensando na próxima conquista. Isso é humano, embora Fausto atribua essa faculdade ao demônio, ela é humana, é ao mesmo tempo o motor do mundo e sua maneira de auto-destruição. Nesse sentido todos fizeram o pacto e todos são Fausto(s!). O projeto recebeu o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz / 2009 e fez sua temporada de estréia em Junho e Julho de 2010.
Cinema
Além da pesquisa teatral o grupo desenvolve trabalhos cinematográficos. O primeiro trabalho foi o curta-metragem “Waterapoc” que aborda temáticas em voga na pauta do jornalismo mundial: a provável escassez de água, o aquecimento global e o fim de recursos naturais como o petróleo. Sem a pretensão de salvar o mundo, o filme busca dar novo fôlego à discussão ambiental sem os glichês habituais ao tema. “Waterapoc” foi selecionado para o 17º Gramado Cine Vídeo, para a mostra competitiva do 1º Cine Neblina – Festival Latinoamericano de Cinema, entre outras mostras. Outras duas produções são os curta-metragens “Outros Dias” e “Pipoca” que estão em fase de edição e serão lançados no segundo semestre de 2010.
Escola Livre de Teatro
Desde Março de 2009 a Preqaria Cia de Teatro coordena a Escola Livre de Teatro no SESC de Sete Lagoas. A iniciativa é uma importante ferramenta de difusão e popularização do teatro e da arte na cidade e tem apoio institucional da Secretaria de Cultura e do Clube de Letras de Sete Lagoas. O objetivo é fazer uma introdução ao universo teatral visando o seu caráter coletivo, aplicando técnicas que estimule a desinibição, comunicação, sensibilidade, socialização e imaginação através da expressão corporal e vocal dos alunos. O curso regular de Iniciação Teatral oferecido pela escola tem duração de um ano e meio dividido em três módulos de seis meses. Nos dois primeiros módulos os alunos tem aulas integradas de Improvisação, Interpretação, Voz, Corpo, História do Teatro e Teoria da Interpretação. No último módulo os alunos aprovados em uma audição fazem a montagem de um espetáculo teatral, com apresentações abertas ao público.
No primeiro semestre de 2010 a Preqaria Cia de Teatro teve que focar suas energias no processo de criação do espetáculo “Fausto(s!)” que precisava cumprir prazo de estréia do Prêmio Funarte de Teatro Miriam Muniz 2009. O dever foi cumprido e depois do sussesso de "Fausto(s!)" o grupo pode retomar os ensaios de “Nosso Estranho Amor”, fazendo mudanças no cenário, texto e caracterização dos personagens. Essa nova temporada acontece com o Patrocínio da Printertec Peças para Impressoras e Plotters e o apoio da Visual Sistemas Eletrônicos.
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