estreia de obra de Paulo Chagas

2 views
Skip to first unread message

Heloisa e Wagner Valente

unread,
Nov 16, 2009, 3:52:34 PM11/16/09
to musica...@googlegroups.com, Diósnio Machado Neto 2, Edelton Gloeden, Eduardo Vicente, Edwin Pitre, Evelin Croce, Gil Nuno Vaz, Heloisa de Araujo Duarte Valente, Herom Vargas, Jorge Luiz Ribeiro de Vasconcelos 2, José Sidney Ferraz, José Sidney Ferraz 2, Júlio César Lancia, Leandro Quintério, Luiz Henrique Portela Faria, Marcos Júlio Sergl, Marta Fonterrada (principal), Mônica Rebecca F. Nunes, Nancy Alves, Paulo C. Chagas, Ricardo Santhiago, Rita Maria, Simei Paes, Simone Luci Pereira, Susana Ventura 2, Tânia Costa Garcia, Téo Ruiz, Teresinha e Marcos Prada, Carlos Sandroni, CYNTHIA GUSM Ã O, Daniel Göhn, Eduardo Seincman, Fátima Carneiro, Fernando Iazzetta, Janete El Haouli, Juan Pablo González, Lilian Zaremba, Márcia Costa, Marcia Taborda, Marcos Branda Lacerda, Marcos Napolitano, Marilia Laboissiere, Martha Ulhôa, Mônica Leme, Rosana Lanzelotte, Samuel Araujo, Silvia de Lucca, Silvio Ferraz, Susana Gonzales Aktories, Suzana Reck Miranda, Vera Terra, Wladmir mattos

Caros,

 

Nosso valoroso Paulo Chagas está de passagem pela capital paulista para a estréia de sua obra, pela Banda Sinfônica do Estado de S. Paulo, nesta quarta, 18, às 21h, no Teatro São Pedro.

Apareçam!

 

Abaixo, o texto que ele escreveu, sobre a obra:

Abraço, Heloísa

 

 

Sinfonia de Câmara Brasileira            2009

Paulo C. Chagas

 

Encomenda da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo

Duração: 25 minutos

 

A Sinfonia de Câmara Brasileira (2009), obra em quatro movimentos – Canção, Samba, Bossa Nova e Forró –, é inspirada da música brasileira, sobretudo a de tradição popular. A principal característica dessa “brasilidade” está na própria sonoridade da música, aquilo que escutamos e identificamos imediatamente. A obra tem ao mesmo tempo um caráter sinfônico e camerístico, na medida que os instrumentos atuam também como solistas.

 

A sonoridade brasileira constrói-se a partir de identidades, que aparecem como referências musicais e são combinadas de diversas maneiras. Essas referências colocam o ouvinte diante de situações familiares e, ao mesmo tempo, levam-no a explorar outros universos. Trata-se portanto de um jogo de sedução, de insinuações musicais que tentam cativar o ouvinte através de sua subjetividade.

 

O primeiro movimento – Canção – tem influências da canção brasileira, tanto erudita quanto popular. Logo no início, escutamos um pulso lento de onde emerge a batida de um surdo, o instrumento básico do samba, que é utilizado aqui com uma função simbólica. O som grave do surdo, ao mesmo tempo que em mantém os pés no chão, impulsiona a dança do corpo que se eleva e ocupa o espaço. Apoiada por esta batida vital, a música desenvolve texturas polifônicas compostas de melodias, harmonias e ressonâncias trimbrísticas.

 

O segundo movimento – Samba – começa com o ritmo do pandeiro sustentando uma seqüência melódica/rítmica tocada pelas duas trompas. A música constrói-se pouco a pouco sobre essa seqüência, que se repete como um loop. A cada repetição aparecem novos elementos, em um processo de acumulação que, na segunda parte, é quebrado por novas sonoridades e cortes dos repiniques. Aqui, a fonte de inspiração foi claramente o universo musical da escola de samba, sobretudo o efeito hipnótico da evolução da bateria, com o seu jogo de ritmos, pulsos, acelerações, cortes, etc.

 

O terceiro movimento explora o universo da Bossa Nova através de referências, citações e pseudo-citações que combinam músicas de estilos e épocas diversas. Por exemplo, a música de Chopin, de Stravinsky e de Antonio Carlos Jobim. A composição deixa transparecer conexões entre a Bossa Nova e outros estilos musicais. Por exemplo, as melodias doces e dolentes da Modinha, o gestos exaltados da música romântica, as harmonias surpreendentes do jazz, as cores orquestrais do impressionismo musical, o impacto cortante das melodias atonais, etc. 

 

O quarto movimento – Forró – explora diferentes aspectos do universo do forró, desde o forró pé-de-serra até o tecno-forró que mistura a música nordestina com a música pop contemporânea. O ritmo tecno permeia todo o movimento, onde a percussão tem um papel de destaque, com diferentes tipos de tambores e o som característico do triângulo. A sonoridade da safona, que é o instrumento básico do forró, inspirou a orquestração. A composição projeta o forró no mundo sinfônico, lançando mão tanto de clichês quanto desenvolvendo novos elementos que propiciam uma nova escuta desse gênero tão vigoroso e pouco explorado da música brasileira.

 

A composição da Sinfonia de Câmara Brasileira é também um tributo ao grande pensador brasileiro Mário de Andrade, que refletiu profundamente sobre a importância da música popular na construção de um estilo musical. Mário de Andrade influenciou direta ou indiretamente várias gerações de compositores brasileiros, como Luciano Gallet, Heitor Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, etc. Porém, o rótulo de “nacionalista” que lhe é geralmente atribuído, não faz jus à generosidade do seu pensamento. A lição que aprendemos de Mário, e que tratamos de colocar em prática nessa composição, é a de que devemos ouvir os sons e músicas do nosso ambiente, trazendo à tona e tornando audível a sua riqueza, ao mesmo tempo em que abrimos novas perspectivas para se ouvir e perceber o mundo.

 

Paulo C. Chagas

Riverside, 1º de outubro de 2009

 

 

Paulo C. Chagas

Biografia

 

Paulo C. Chagas (1953) é compositor brasileiro de reputação internacional. Sua música desenvolve uma estética pluralista compreendendo elementos das tradições européia e brasileira e incorporando também novas mídias digitais e formas de expressão.

 

Chagas estudou composição na Universidade de São Paulo, no Conservatório Real de Música de Liège, Bélgica e música eletrônica na Escola Superior de Música de Colônia, Alemanha. É doutor em Musicologia pela Universidade de Liège. Entre 1980-2004 viveu na Bélgica e Alemanha; entre 1990-1999 foi Diretor de Som do Estúdio de Música Eletrônica da Rádio WRD de Colônia. Desde 2004 é Professor de Composição da Universidade da Califórnia, Riverside, EUA, onde reside atualmente.

 

Paulo C. Chagas compôs mais de cem obras incluindo balés, óperas, teatro musical, multimídia, peças para orquestra, conjuntos instrumentais e vocais, instalações, música eletrônica e digital. É convidado regularmente para participar de festivais internacionais na Europa, Rússia e Estados Unidos. Em 1996, sua obra Exu: a porta dos infernos foi executada no Carnegie Hall de Nova York no festival Sonidos de las Americas. Em 1999, sua ópera RAW foi estreada na Ópera de Bonn. Em 2004 a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) estreou a sua obra Radiância.

 

Recentes estréias incluem: eros-ion!, ópera de câmera (2006, Festival Música Nova, São Paulo); Dreaming de Unknown, música de câmera (2007, Bienal de Música Contemporânea, Rio de Janeiro); Corpo, Carne e Espírito, oratório digital (2008, Festival de Teatro FIT, Belo Horizonte); Estudos Orbitais, piano e eletrônica ao vivo (2008, Festival Música Nova, São Paulo).

 

Chagas é também pesquisador em teoria e tecnologia musical. Seus textos escritos em vários idiomas (português, inglês, alemão e francês), publicados em livros e revistas internacionais, refletem sobre questões de semiótica musical, filosofia e fenomenologia da música, música eletroacústica e novas mídias digitais.

 

image001.gif
Reply all
Reply to author
Forward
0 new messages