Repassando informação[] , a pedido da Profª Jerusa...
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----- Original Message -----
From: Luciana Hartmann
Sent: Tuesday, April 06, 2010 4:02 PM
Subject: divulgação de GT na Reunião Brasileira de Antropologia - Belém/PA - 01 a 04.08.2010
Prezados amigos e colegas,
Gostaríamos de convidá-los a apresentarem trabalhos em forma de
comunicação/pôster no GT "Narrativas em performance: experiência,
subjetivação e etnografia", que ocorrerá no âmbito da 27º RBA - Reunião
Brasileira de Antropologia, de 01 a 04 de agosto de 2010, em Belém, PA.
Contamos com a participação de todos e pedimos divulgação.
As informações para inscrição e prazos estarão disponíveis em breve no sítio
eletrônico da RBA
www.abant.org.br/27rba/
Um forte abraço a todos,
Luciana Hartmann e Vânia Z. Cardoso
GT 50: Narrativas em performance: experiência, subjetivação e etnografia
Coordenadoras: Luciana Hartmann (UnB) luh...@yahoo.com.br
Vânia Zikán Cardoso (UFSC) vaniaz...@gmail.com
Debatedora: Esther Jean Langdon (UFSC)
Narrativas têm sido objetos privilegiados de análise na Antropologia.
Apesar desta centralidade, narrativas são tratadas, frequentemente, como fonte
de dados, uma dentre outras categorias de “objetos” a serem coletados,
tornando-se assim uma questão a ser discutida no contexto dos “métodos” do
trabalho de campo. No entanto, a própria concepção do que são “narrativas”, os
critérios a partir dos quais estas tornam-se foco da análise antropológica,
assim como a compreensão da relação entre narrativas, sujeitos, cultura e
sociedade, variam de acordo com as diversas perspectivas teóricas da
Antropologia. Para tratarmos a “narrativa” como um problema verdadeiramente
antropológico, é, então, necessário considerá-la como uma questão
epistemológica - e não apenas metodológica.
Seja qual for nossa perspectiva sobre narrativas, elas são, antes de tudo,
formas mediadoras do significado. Longe de serem formas discursivas neutras,
narrativas são formas discursivas que engendram “significados” no complexo ato
politico-social em que um narrador narra eventos para uma audiência (Stewart,
1996; Bauman, 1986). Narrativas, enquanto formas epistemológicas locais,
assumem diversos modos de dramatizar significados, localizar sujeitos,
experenciar o mundo, produzir a individuação e a coletivização, constituir o
real etc.
É a partir desta problematização da narrativa – tanto do seu estatuto enquanto
objeto de análise antropológica, quanto como prática discursiva dos sujeitos
etnográficos (‘antropólogos’ e ‘nativos’) – que buscamos fomentar reflexões em
que narrativas não são tomadas como instrumentos passivos de descrição ou
representação do mundo, mas são compreendidas como tendo papéis constituintes
do próprio mundo narrado. Neste sentido, a discusssão aqui proposta está em
diálogo com as várias perspectivas teóricas que provocaram um desvio do olhar
antropológico dos estudos da narrativa enquanto “textos”, para uma atenção aos
processos locais, dialógicos, tensos, heterogêneos e contraditórios, através
dos quais tanto o “texto” como o “contexto” narrativo emergem em
performances narrativas (Bauman e Briggs, 2008).
Este Grupo de Trabalho pretende oferecer um forum que avance o debate em torno
desta conceituação de narrativa. Para tanto, buscamos reunir pesquisas
etnográficas que considerem narrativas não apenas na perspectiva de reprodução
ou de espelhamento da vida social, mas que problematizem seu papel na “invenção
da cultura” (Wagner, 1981), ou seja, enquanto uma forma discursiva que reflete
e age sobre os discursos, códigos, relações, convenções, orientações, forças e
afetos que compõem aquilo que chamamos de “cultura”. Questões como a
intertextualidade, performance, texto/textualização, contexto/contextualização,
corporalidade, criatividade, subjetivação, experiência, etnobiografia,
metanarrativa, socialidade, poética e política, dentre outras, serão
tematizadas nesta problematização da narrativa.
Buscamos então reunir trabalhos que, inseridos em distintos contextos sociais,
geográficos, políticos, étnicos e estéticos, tenham em comum esta reflexão
sobre o papel da narrativa e do ato de narrar na constituição da vida social e
na construção da experiência e subjetividade.
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