São Paulo, 6 de novembro de 2012.
NOTA PÚBLICA
A SOCIEDADE DE SÃO PAULO
As entidades de direitos humanos e movimentos sociais que subscrevem
por esta Nota Pública, manifesta sua profunda preocupação com a situação da
violência que tem ocorrido no Estado de São Paulo, o aumento crescente de
mortes de cidadãos pobres, preferencialmente negros que vivem na periferia, momento
em que assistimos diuturnamente um descontrole da segurança aos direitos da
população, sobretudo porque o direito a vida e a segurança encontram-se não
garantidos aos cidadãos e aos trabalhadores da segurança pública.
Compreendemos que a situação caótica ao qual se
chegou é fruto do tratamento dado pela banalização da vida, da violência e dos
direitos humanos, pois há tempos o Estado de São Paulo através de suas
autoridade constituídas não vem adotando medidas adequadas e necessárias para
proteção da vida, ações preventivas à violência e não responde nas suas
políticas públicas com a incorporação da promoção, proteção e defesa integral dos
direitos humanos.
Após os episódios de maio de 2006 em São Pulo, as autoridades
não se esforçam para passar a limpo o ocorrido e informar a sociedade como
dever que tem. Não promoveram as investigações e apuração das mais de 500
mortes de civis e agentes públicos neste episódio. Diagnosticamos como
perpetração da impunidade à violência institucional e a criação de um Estado de
Exceção o que atenta à democracia constitucional vigente.
Esta impunidade e ausência de debate com a
sociedade sobre o ocorrido e democratização das informações da segurança
pública, tornam esta omissão do Estado a causa central para a repetição desta
realidade covarde que vem ocorrendo desde então com aumento da letalidade das
atividades policiais e dos grupos criminosos.
Não podemos também deixar de registrar que há
tempos as entidades de Direitos Humanos que atuam no dia a dia vêem denunciando
a falta de investimentos em políticas públicas de qualidade por parte das
autoridades paulistas para inverter a desigualdade social, além de que o único
instrumento utilizado de 2006 para cá tem sido a repressão como forma de
controle social, em detrimento de uma ação de acolhimento e política pedagógica
para inclusão social.
A gestão de uma política de segurança pública pode estar demais centralizada
com enfoques militares repressivas vide o caso Pinheirinho e Cracolândia em 2012. A segurança como um
direito humano deve perpassar pela construção coletiva para se tornar uma política
pública que atendam aos direitos humanos e a democracia, e a gestação de ações
criadas por processos dialogados na conjuntura jurídica e política acena para
garantia da pacificação e da cultura de paz.
Ainda, não podemos deixar de registrar que há tempos as entidades de
direitos humanos que se quer são consideradas pelas autoridades, vem
denunciando a formação de grupos de extermínio com participação de agentes do Estado,
o que contraria o sistema político e jurídico contido na Constituição.
O Governo não deve sob qualquer hipótese promover
declarações que incentivam a violência e a morte de pessoas, sejam elas
criminosos ou não, pois tais atos vão contrários a uma cultura de paz e contra
a Constituição Federal, e na mesma direção a Policia que tem missão republicana
de garantir a segurança da sociedade não pode sob nenhum pretexto ser motivada
para servir como aparelho de retaliação ou de vingança.
Lamentamos profundamente os mortos sejam eles
civis e ou militares, e nos solidarizamos com os sofrimentos das famílias.
Assim propomos as autoridades:
1 – Que hajam esforços concentrados de todas as esferas de Governo
para a pacificação ocorra imediatamente, e que as ações sejam pautadas pela
legalidade ao qual está submetido o Sistema de Justiça e Segurança Pública;
2 – Que haja ações para garantia dos direitos humanos através de políticas
públicas inclusivas de educação, cultura, saúde, lazer, acesso a Justiça,
moradia e mobilidade urbana, sobretudo nos bolsões populacionais da periferia
que mais sofrem com a violência e lhes sejam proporcionados cultura de paz sem
violência e com valorização da vida de crianças, jovens adultos e idosos;
3 – Que todas as autoridades priorizem a promoção dos Direitos Humanos
em sua universalidade, interdependência e indivisibilidade;
4 - Que ocorra um mapeamento destas mortes, nome e local de onde
ocorreram.
5 – Que haja esforços da Justiça para não criminalizar o pobre,
incluindo as pessoas em programas de tratamento adequado de dependência química
quando for o caso, programas de saúde, programas de assistência social,
programas de habitação popular, programas de proteção a vida e programas de
justiça restaurativa;
6 – Que haja imediato dialogo para a construção de uma política de
segurança cidadã, pautada pelo respeito a dignidade e diversidade humana,
construindo-se uma ordem social inerente a constituição federal e do estado
democrático e de direito;
7 – Que haja o fim das chamadas resistências seguidas de mortes;
8 – Que sejam afastados todos os policiais envolvidos e suspeitos de
tomarem parte em execuções sumárias e participação em grupos de extermínio;
9 – Que os familiares dos policiais mortos sejam amparados pelo Estado
e incluídos em programas sociais adequados as suas necessidades;
10 – Que o estado reformule urgentemente o Código de Disciplina dos
policiais adequando-os aos direitos humanos e a Constituição Federal como
determina a portaria interministerial MJ/SDH nº. 02 de 10 de
dezembro de 2010.
11 – Que as famílias desses jovens que foram
mortos por agentes do Estado sejam indenizadas pelo Estado.
Assim, acreditando que o
Estado inicie uma escalada para a pacificação, priorizando a vida e superando a
violência, implemente urgentemente medidas que venham a garantir os direitos
humanos de todas as pessoas.
Pela
não violência Já!
Entidades Participantes
Movimento
Nacional de Direitos Humanos-MNDP
Arquidiocese de
São Paulo
Assembléia
popular de Osasco
Cáritas
Arquidiocesana
CDH-Baixada
Santista - Irmã Maria Dolores
CDHS Sapopemba
CEDECA
Interlagos
CEDECA Sapopemba
Centro Gaspar
Garcia de Direitos Humanos
CNP Central de
Movimentos Populares
Comissão contra
o genocídio
Comissão de
Direitos Humanos CMJH GCJP/SP
Comissão Justiça
e Paz de São Paulo
Comitê contra o
genocídio da juventude negra
Comitê Popular
da Copa
CONDEPE-
Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana
CDDH- Campinas
IATEDES/AP
região de Osasco
Instituto Padre
Batista
LEAP-UF-SCar
LEV/USP
Pastoral Afro
Brasileira
Pastoral da
moradia
Pastoral de rua
Pastoral do
Menor
Pastoral Carcerária
Rede de educação
cidadã
Rede de
Solidariedade
Rede 2 de
Outubro
SEFRAS
Tribunal Popular
União dos
Movimentos de Moradia
Centro Santo
Dias de Direitos Humanos
Instituto Popular de Educação de Direitos Humanos -
IPEDH