>
> Concordo em gênero, número e grau...
> Primeiro porque penso que o caminho não é esse (de divisão). Se
assim fosse, Sergipe seria o Estado mais desenvolvido do Brasil...
> Segundo por causa da nossa rica tradição histórica... e, como
dizia o poeta português Fernando Pessoa, "somos o futuro do passado".
> E eu diria que, mesmo morando longe, em estados mais distantes,
nosso olhar permanece nos campos do Marajó, nas águas cristalinas do
Tapajós, nas nossas tradições
> maravilhosas, desde dormir numa rede gostosa, dançar com o
boi-bumbá ou tomar banho de cheiro na véspera de São João para
trazer felicidade.
> Sentimos - ainda que distantes - o cheiro da nossa terra e da
maresia dos nossos rios, o sabor das nossas comidas maravilhosas, a
sensualidade das nossas danças (como o
> carimbó e a marujada).
> Mesmo longe, continuamos a sentir preocupação por sermos o Estado
brasileiro mais rico economicamente (sobretudo em minérios) e mais
pobre financeiramente, sem infra-
> estrutura, sem sistema de saúde, transporte, moradia, etc. que
preste.
> E, no entanto, o paraoara é um povo sofrido mas risonho que, à
semelhança da diáspora dos judeus da Antiguidade, espalhados pelo
mundo conhecido de então, sempre
> voltavam (e sonhavam voltar, bastando que as condições fossem
propícias) à Jerusalém...
> Nós sempre voltamos (ou sonhamos voltar), ainda que seja para
participar do Círio de Nazaré!
> Querem acabar com as nossas memórias e raízes.
> Onde estaria a nossa identidade?...
> Que se respeite o povo do Grão-Pará!
> BJS
>
> On Qui 8/12/11 05:06 , Antonio Fernando Araujo
a.fern...@hotmail.com sent:
> > Amigos, tá chegando a hora da onça beber água: "O Pará e os
> > novos donatários"; no final, um recadinho pro governador.
> >
> > Antonio Fernando
> > -------------------------
> > Date: Wed, 7 Dec 2011 23:50:31 -0200
> > To:
a.fern...@hotmail.com
> > Subject: Fwd: ENC: O Estado de S.Paulo - 04/12/2011
> > Assunto: ENC: O Estado de S.Paulo - 04/12/2011
> > Enviada: 07/12/2011 23:02
> > Enviada em: segunda-feira, 5 de dezembro de 2011 10:42
> > Antonio, segue artigo "O Pará e os novos donatários", do Prof.
> > Gaudêncio Torquato, publicado em 04/12, n'O Estado de S.Paulo.
> > A galeria de nossas grandezas começa com a dimensão continental
do
> > Brasil. Só quatro países - Rússia, Canadá, China e EUA - têm
> > território maior. Fiquemos por aqui na comparação, pois é
sabido
> > que cada nação, mesmo estruturada sob a forma de federação,
como a
> > nossa, abriga singularidades que explicam sua organização
política
> > e institucional e sua divisão em mais ou menos unidades. Usar
como
> > referência os 8,5 milhões de km2 do nosso espaço ou se valer da
> > dimensão territorial de algumas regiões para justificar a
> > necessidade de expandir o número de Estados não é um critério
que
> > mereça crédito.
> > Vamos ao fato. Um grupo de políticos quer repartir o Pará para
> > criar mais dois Estados, Carajás e Tapajós. Pelo visto, fecha os
> > olhos para esta continha feita pelo Ipea: o Pará tem hoje um
> > superávit anual de cerca de R$ 300 milhões, já excluídas as
> > despesas da receita orçamentária. Carajás, se for criado, teria
um
> > déficit anual de R$ 1 bilhão e Tapajós, de R$ 864 milhões,
> > enquanto o novo Pará começaria com um buraco de R$ 850 milhões.
E
> > por que alguns pretendem transformar a atual receita em estupenda
> > despesa? A justificativa mais plausível aponta para o complexo da
> > chupeta, a inclinação dos filhotes do patrimonialismo a mamar
nas
> > tetas do Estado.
> > A divisão do Pará, a ser submetida a plebiscito dia 11, é mais
uma
> > tentativa entre os 23 projetos de fracionar regiões que tramitam
no
> > Congresso e cuja motivação é preponderantemente política:
ampliar
> > domínios políticos regionais. Quase sempre as arrancadas
> > legislativas desprezam princípios de racionalidade e viabilidade
> > econômica para a divisão de Estados.
> > No caso da repartição do Pará, seria forjado um mapa de
> > desigualdades: Carajás ficaria com 21% da população, 24% do
> > território e 33% das riquezas; Tapajós, com 58% do território,
15%
> > da população e 11% das riquezas; e o Pará remanescente
abrigaria
> > 56% do PIB, 64% da população e apenas 17% do território. A
> > disparidade apareceria também na esfera do desmatamento, gerando
> > modelos de ocupação diferentes: Carajás, com alta
concentração
> > fundiária e enormes áreas de mineração, enfrentaria o risco de
> > sérios conflitos (muita terra em mãos de poucos) nos 46% do
> > território desmatado; Tapajós, com grande concentração de
> > assentamentos, teria só 7,8% de área desmatada e abrigando
> > comunidades tradicionais e indígenas; o novo Pará contaria com
35%
> > de área desmatada.
> > O argumento da igualdade só se sustenta na balança da política,
> > eis que os novos entes ganhariam máquinas governamentais:
prédios,
> > estruturas dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário,
milhares
> > de funcionários - a serem certamente indicados pelos chefões
> > eleitorais. De uma tacada só, o País veria a expansão do Custo
> > Brasil do Mandonismo Político no momento em que a sociedade clama
por
> > uma gestão mais responsável da coisa pública.
> > O discurso da racionalização administrativa toma corpo em todos
os
> > espaços da vida nacional. A contínua troca de nomes na Esplanada
dos
> > Ministérios sugere em breve uma reforma ministerial mais
profunda,
> > ancorada em mudanças de sistemas e processos, sob o parâmetro da
> > eficiência e eficácia, maior produtividade e menor custo para os
> > cofres do Tesouro. Esse é o horizonte do amanhã, que destoa,
como se
> > aduz, de iniciativas ou gestos na direção do alongamento das
pernas
> > do Estado. Pôr na agenda nacional a pauta da divisão do Pará ou
de
> > outras unidades da Federação é, na expressão popular, jogar
farofa
> > no ventilador do governo, no instante em que a presidente Dilma se
> > esforça para conferir maior organicidade ao Estado e imprimir
ajustes
> > ao mercado via políticas de incentivo aos setores produtivos.
> > Alguém argumentará: essa é a nossa cultura política. É
verdade.
> > Quanto mais extensos os braços do Estado, maiores serão os
abrigos
> > patrimonialistas onde impera a velha política. Ademais, estamos
> > vivendo a era da política como empreendimento. Nunca se viu tanta
> > disposição (e ambição) para disputar eleições. Por
conseguinte,
> > uma nova geração de capitães hereditários sobe ao palco para
> > reivindicar seu papel de atores na peça da democracia
representativa.
> > Não se nega a hipótese de o Brasil, mais adiante, abrigar um
> > conjunto mais expressivo de Estados, estribado em critérios de
> > equilíbrio econômico, político, social e geográfico, e sem
abrir
> > querelas para mágoas, ressentimentos e desconfianças, como as
que
> > parecem mover os sentimentos dos paraenses. Vale lembrar que desde
o
> > início do século 20 o País redesenha seu mapa: em 1913
tínhamos
> > cinco Brasis, o setentrional, o norte-oriental, o oriental, o
> > meridional e o central; em 1938 passamos a adotar a nomenclatura
de
> > regiões; em 1942 territórios foram criados; até se chegar, em
1970,
> > a modelo parecido com o atual, que foi ligeiramente alterado pela
> > Constituição de 88.
> > Pausas, porém, se fazem necessárias para ajustar os ciclos. Em
vez
> > de pensar em criar mais Estados, o Parlamento tem pela frente o
> > desafio de equacionar problemas urgentes, como a guerra fiscal,
que
> > consome as energias dos entes federativos. Agregar novos carros a
um
> > trem já desconjuntado é mais um empuxo para tirar a locomotiva
dos
> > trilhos.
> > A esta altura, a batalha pela divisão do Pará já abriu traumas
na
> > alma paraense. Há um sentimento divisionista embalando corações
das
> > duas alas. Para cicatrizar as feridas será preciso muito
bálsamo. Ou
> > seja, verbas, e não verbos. Ações, e não promessas.
> > Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP e
> > consultor político e de comunicação. Twitter: @GaudTorquato
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