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Um ponto de coleta, uma ponte para um futuro mais sustentável
Sabemos que é urgente reduzir a quantidade de lixo que geramos. E isso só é possível através da mudança de hábitos já tão naturalizados e de muita conscientização social. Apesar de representar apenas 0,01% de todos os seres vivos do planeta, um estudo publicado pelo periódico Proceedings of the National Academy of Sciences afirma que desde o início da civilização a humanidade é responsável pela eliminação de 83% dos mamíferos selvagens e de metade das plantas do mundo.
A mudança na maneira como atuamos no mundo é primordial para que a gente possa continuar existindo e, enquanto caminhamos nesse processo de transformação, nós do Aldeia 445 entendemos que podemos somar esforços. Nos tornaremos mais um ponto de coleta de resíduos recicláveis e também daqueles que precisam de um descarte especial.
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É por isso que anunciamos o Coleta Aldeia 445: agora, para começar, vamos coletar lixo eletrônico, medicamentos e lâmpadas para dar o destino correto a cada tipo de resíduo. Qualquer pessoa pode descartar o lixo por aqui, de acordo com o nosso cronograma de coleta. Também estamos super abertos a novas sugestões de resíduos que possam ser coletados. É com o esforço individual e a conscientização coletiva que podemos nos movimentar e transformar.
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Coleta de lixo eletrônico:
de 11 a 15 de junho
Na primeira semana do mês vamos coletar lixo eletrônico, que correspondem a computadores, cd's e dvd's, impressoras, cartuchos, celulares, televisores (exceto os antigos de tubo), cabos e fios, fontes, pilhas, baterias e eletrônicos em geral.
Em caso de dúvida, entre em contato com a gente.
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Coleta de medicamentos:
de 18 a 22 de junho
Medicamentos vencidos não devem ser descartados em lixo comum, já que apresentam um grande risco ao solo, água e à saúde pública. Atualmente, a “logística reversa” obriga que farmácias e drogarias recebam os medicamentos para encaminhar para o descarte correto, e é isso que iremos fazer também aqui no Aldeia 445.
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Coleta de lâmpadas:
de 25 a 29 de junho
Lâmpadas fluorescentes, halógenas ou incandescentes também precisam do descarte adequado. Apesar das lâmpadas incandescentes e LEDs não possuírem nenhum componente químico, as lâmpadas fluorescentes são fabricadas com mercúrio, um metal pesado e tóxico, que precisa do destino correto para reduzir o impacto ambiental.
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REPENSE O LIXO EM 6 PASSOS
Por Guilherme Turri
Ao receber o generoso convite de escrever sobre resíduos para a comunidade Aldeia, me peguei pensando quais aspectos deste assunto tão complexo eu poderia abordar. Definições técnicas? Políticas públicas? O passivo social, ambiental e econômico? Inovação e empreendedorismo de resíduos? Aspectos culturais? Faça você mesmo?
O assunto permite horas e horas de debate e há muitos aspectos que, ao serem compreendidos, transformam-se de problemas em oportunidades (ambientais, sociais, econômicas e culturais).
No exercício de síntese, decidi compartilhar 5 conceitos que realmente alteram paradigmas e podem dar um outro futuro para nossas cidades. Ainda que apenas em pinceladas, espero que inspirem vocês a enxergar um outro quadro de possibilidades!
- Responsabilidades compartilhadas: um marco legal que nos coloca em outro lugar
Depois de décadas de debate (e muitas idas e vindas do freezer), foi aprovada em 2010 o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS 2010) que, dentre muitas coisas, traz uma mudança conceitual estruturante: LIXO é responsabilidade não apenas do Poder Público, mas também e especialmente de quem gera (seja na produção ou no consumo). Ou seja, responsabilizar-se pelos resíduos gerados não é mais uma questão de voluntarismo ambiental. É o acordo social vigente (ainda que estejamos apenas iniciando sua consolidação).
Vale conhecer: a promessa da Coca-Cola para 2030 em ter capacidade de recolher 100% das suas embalagens colocadas no mercado.
- Segregação em 3 frações na origem: a base de tudo!
Está mais que provado pelos últimos 40 anos de tentativas que botar tudo no mesmo saco e contar com tecnologias posteriores para a devida separação e tratamento dos resíduos custa caro e não funciona. O único modelo viável é: o gerador (cidadão/organização) faz a separação no momento do descarte, em 3 frações: recicláveis secos, compostáveis (orgânicos) e rejeitos.
Vale conhecer: o site da prefeitura de San Francisco que permite que estabelecimentos comerciais customizem o adesivo padrão e obrigatório das lixeiras da cidade, colocando seu logo e imagens dos resíduos que mais se adaptam a realidade do estabelecimento.
- Compostagem: uma tecnologia livre e de código aberto
Quando se fala em resíduos, a primeira coisa que vem na mente é reciclagem. Contudo, apenas 32% dos resíduos domésticos são recicláveis. A maior parte (52%) dos resíduos domésticos é orgânico (compostável), mas a gente simplesmente junta com os 16% de rejeitos (que tem como destinação correta os aterros) e perde uma fortuna, pagando pra aterrar e perdendo o potencial econômico social e ambiental do adubo. A compostagem é um processo biológico controlado para decomposição deste tipo de resíduo que gera ao final um subproduto utilizável na agricultura e jardinagem (adubo). Existem muitas técnicas distintas, mas o mais importante é que o Brasil já conta com diversas possibilidades livres de propriedade intelectual, totalmente adaptáveis aos diversos contextos (urbano/rural, grandes/pequenos volumes). Devemos cobrar do poder público esta trilha tecnológica (em detrimento de comprar incineradores, que são máquina gigantes e caras, vendidas como refugo por países europeus) e, também, iniciar a compostagem doméstica.
Vale conhecer: o vídeo da Kiss the Ground sobre a compostagem.
- Descentralização: a lógica urbana e econômica que deve reger a gestão de resíduos
A gestão de resíduos sempre seguiu uma lógica industrial onde diversos caminhões movem-se para uma só direção, pagos por um só contrato. Além das emissões de carbono e do trânsito de caminhões gerado, a lógica de centralizar também afeta a própria produção de inovações, seja no tratamento dos resíduos, seja em seu gerenciamento. A descentralização de territórios, técnicas, atores e da própria economia dos resíduos é uma luta política de longo prazo, na qual devemos nos engajar.
Vale conhecer: a Revolução dos Baldinhos, em Florianópolis-SC, que há anos composta os resíduos orgânicos de mais de 100 famílias da comunidade Monte Cristo.
- Pagamento de Serviços Ambientais:
A Prefeitura de São Paulo paga aproximadamente 300 reais/tonelada para que os resíduos domésticos sejam coletados e aterrados pelas concessionárias. Se no organizássemos em nosso bairro para fazermos a compostagem dos resíduos que geramos, deveríamos receber algo próximo a este valor para sustentar nossa operação. (A conta é mais complexa e favorável ao nosso lado, pois a compostagem tem ganhos ambientais em relação ao aterramento que também deveriam ser computados). O pagamento de serviços ambientais é uma das lutas políticas da descentralização da gestão de resíduos.
Vale conhecer: o aplicativo CATAKI, no qual catadores autônomos podem ser contactados para recolher recicláveis, mediante a um valor previamente definido.
Por fim, vale dizer que, para além de conceitos e técnicas, a principal ferramenta para a transformação da nossa relação com resíduos é a PRÁTICA. Iniciem algo, busquem aliados, tentem um caminho, façam com as mãos, errem e aprendam. É a prática que cria as soluções.
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Guilherme Turri trabalha com consultoria em estratégias de resíduos sólidos urbanos e
foi coordenador de estratégia, conteúdo, pesquisa e mobilização do projeto Composta
São Paulo. Vira e mexe, aparece no Aldeia. (guilher...@gmail.com)
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