Na ExpoGestão, em Joinville, pesquisadora do MIT diz que o
paradigma das redes sociais pode dar origem a uma geração de imaturos 09/06/11 Por Daniel Cardoso O pensamento e a prática da gestão empresarial são o foco da ExpoGestão 2011. O evento, que está em sua nona edição, é promovido pela Associação Empresarial de Joinville (ACIJ), pelo núcleo de jovens empresários da ACIJ e pela Federação das Associações
Empresariais de Santa Catarina (Facisc). Até amanhã, mais de 2,5 mil pessoas deverão assistir a palestrantes de peso – como o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e Marc Alexander, gestor Global de Inovação da Intel Capital. Além das palestras, o evento conta com uma feira, aberta desde terça-feira, com cerca de 100 empresas, e uma programação com 40 workshops. Tudo isso no Centreventos Cau Hansen, em Joinville (SC).

Na primeira palestra desta manhã, dia 9, quem assumiu o microfone foi Sherry Turkle, pesquisadora e professora do prestigiado Massachussets Institute of Technology (MIT). O assunto abordado está no cotidiano tanto de famílias
quanto de empresas: o uso da tecnologia e das redes sociais. “Somos usuários ou dependentes?”, questionava o título da palestra. Sherry, depois de entrevistar usuários há mais de 15 anos, afirma que a má utilização das tecnologias é um problema inerente a diferentes gerações. “No passado, acreditávamos que os filhos deixariam os pais loucos, mas ocorreu o contrário. Foram os pais que levaram o laptop para o parque no domingo e tomavam café da manhã enviando mensagens por celular. Os filhos não recebiam a atenção devida em detrimento da tecnologia”, conta.
Com o tempo, diz ela, a nova geração assimilou esse hábito e passou a viver uma vida virtual muito intensa. Segundo Sherry, um dos reflexos disso causa é a dificuldade em ficar só, refletir sozinho e desenvolver ideias próprias. Outro ponto crítico é a criação de uma identidade (ou vida) diferente nas redes sociais. No Facebook ou Twitter, as pessoas postam
aquilo que querem sentir ou como querem ser vistas, esperando a aprovação dos outros. Diante de discordâncias ou conflitos, basta “desconectar” e tudo está – em tese – resolvido. “Quando chegam nas empresas, esses jovens acreditam que também podem se desconectar facilmente do mundo real. Mas não podem. O lema atual é: compartilho, logo existo. Mas se eles não compartilham coisas ruins, fica muito difícil para o empresário gerir sua equipe”, ressalta.
A palestra, porém, não foi dominada pelo tom negativo. Sherry refuta a ideia de que somos viciados em tecnologia. Para ela, essa ideia nos desanima e nos faz acreditar que não temos o controle da situação. Segundo a pesquisadora, a internet ainda dá seus primeiros passos junto à humanidade e temos como traçar um novo caminho por meio de um uso mais saudável da tecnologia. “Os pais precisam ensinar que não se deve twittar o tempo todo. Devem proibir o Twitter no café
da manhã, almoço ou janta. Os gestores de empresas também têm de controlar esse comportamento. Devem proibir o uso de celulares e envio de mensagens durante as reuniões”, opina. |