Apresentamos pela primeira vez ao público de língua portuguesa a
tradução de três importantíssimas obras medievais sobre as Cruzadas,
escritas pelo filósofo catalão Raimundo Lúlio (Ramon Llull,
1232-1316): O Livro da Passagem (1292), O Livro Derradeiro (1305) e O
Livro da Aquisição da Terra Santa (1309). Esses textos foram escritos
após a perda de São João d'Acre em 1291, último reduto cristão na
Palestina, fato que ocasionou o fim das Cruzadas e chocou a Europa.
Eles refletem o estado de espírito do filósofo catalão, preocupado com
o desenrolar dos acontecimentos adversos para a Cristandade do final
do século XIII.
Considerado por alguns como o Dante catalão, Lúlio expressa aqui a
teoria dos dois gládios: Cristo fez entender (Lc XXII, 38) que
tínhamos de guerrear com a pregação e com as armas contra os homens
infiéis (Livro derradeiro, I.1). Seus profundos conhecimentos do
Mediterrâneo, do Norte da África e da Palestina fazem com que ele seja
o mais bem informado escritor medieval que tratou do tema. As três
obras do presente volume abordam ainda a questão do fim dos templários
e a fusão das ordens militares, as divergências teológicas entre a
Igreja e cristãos ortodoxos, como deve ser feita a conversão de judeus
e muçulmanos, além de aspectos tático-militares sobre a guerra contra o Islã.
As traduções do latim foram feitas pelo professor Waldemiro Altoé
(UFES); e a do catalão, por Eliane Ventorim (CESAT) e Ricardo da Costa
(UFES).
O livro conta ainda com textos de dois dos maiores especialistas na
obra do autor catalão, no cenário internacional: a Introdução é
assinada por Fernando Domínguez Reboiras, do
Raimundus-Lullus-Institut, de Freiburg im Breisgau, na Alemanha; e o
Prefácio por Pere Villalba i Varneda, da Universidade Autônoma de
Barcelona.
Esta edição contém ainda um Posfácio com uma brevíssima notícia
biográfica sobre Raimundo Lúlio, assinada por Ricardo da Costa, também
integrante da Reial Acadèmia de Bones Lletres de Barcelona.
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Ricardo da Costa (Ufes)
Site: www.ricardocosta.com
Revista Mirabilia (dir.): www.revistamirabilia.com
Como pode agradar ao vulgo alguém a quem só a virtude agrada? Não se conquista
o favor popular por processos limpos. Terás de igualar-te primeiro ao vulgo,
que só te aprovará quando te considerar um dos seus. Ora, para a tua formação,
a opinião que tenhas sobre ti mesmo importa muito mais do que a dos outros. A
amizade de pessoas dúbias só se concilia por processos dúbios. Em que te
ajudará nisto a Filosofia, essa arte excelsa que a tudo sobreleva?
Precisamente
em levar-te a querer agradar mais a ti do que ao vulgo, a avaliar a qualidade,
não o número, das pessoas que emitem juízos sobre ti, a viver sem temor dos
deuses ou dos homens, a poder vencer a adversidade ou a pôr-lhe cobro. Por
outro lado, se eu te vir andar famoso nas bocas do mundo, se à tua entrada,
como a de histriões no palco, ressoarem vivas e palmas, se por toda a cidade
mulheres e crianças te tecerem louvores, como não hei-de eu lamentar-te,
sabendo como sei qual a via para se obter tal favor?
SÊNECA, Cartas a Lucílio, 29, 12.