Cartilha Caminho Suave 1975 Pdf 15

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Toccara Delacerda

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Jul 11, 2024, 8:16:13 PM7/11/24
to milibeschmuds

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Entre a dcada de 50 e os anos 1990, estima-se que mais de 48 milhes de brasileiros tenham aprendido a ler seguindo as frases simples da cartilha Caminho Suave, que usava a tcnica denominada "alfabetizao por imagem", e que ainda desperta memrias afetivas de muitos adultos como a lembrana de um mtodo eficiente para ensinar a ler.

cartilha caminho suave 1975 pdf 15


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A ideia simples: associa-se imagens e letras com o objetivo de facilitar o aprendizado. A letra A escrita no corpo de uma abelha, a B na barriga de um beb, a V compe os chifres de uma vaca. Em razo dessa estratgia, criada pela professora Branca Alves de Lima em 1948, a publicao tornou-se conhecida como um mtodo de "alfabetizao pela imagem".

No se tem muitas informaes sobre a bibliografia de Branca Alves de Lima. Sabe-se que Branca nasceu, viveu e morreu na capital, So Paulo, no entanto no foi possvel encontrar dados sobre a infncia e adolescncia da menina que nasceu em um agosto de 1910, na regio do Brs. A outra moradia de Branca foi na regio de Fagundes e depois Liberdade, onde morou at sua morte no ano de 2001.

A respeito de sua formao inicial, Branca pode ter estudado a instruo primria em um Grupo Escolar da regio, pois a capital, So Paulo, foi um dos primeiros lugares a receber a implantao dessas instituies na ltima dcada do sculo XIX. Projeto republicano, o Grupo Escolar, de ensino primrio e graduado em sries, convocou configuraes no campo pedaggico da escola primria, a despeito da no homogeneizao dessas escolas no Brasil. Trata-se de uma escola pblica que serviu, a princpio, tambm para formar boa parte da elite, pois a inteno republicana de educao popular ainda demoraria a ser instalada.

A menina Branca pode ter estudado em um dos colgios confessionais da poca, espaos que atendiam filhas de uma burguesia paulista em ascenso, oferecendo uma educao religiosa e moral em regime de internato ou semi-internato. Tambm poderia ter tido uma formao domstica, possibilidade existente na histria da educao brasileira, mas, diante das incertezas, o que temos de mais concreto sua formao na Escola Normal do Brs, estabelecimento constantemente citado como formao mxima da professora.

Com o diploma de normalista em mos, aos dezenove anos, Branca iniciou sua jornada em escolas no interior de So Paulo. Em entrevista dada ao jornal O Estado de So Paulo, no ano de 1991, registrou que iniciou sua carreira profissional em uma escola rural de Jaboticabal, pois naquela poca, segundo ela, no incio da carreira era preciso lecionar, no mnimo, um ano na zona rural e aprovar, alfabetizando, no mnimo quinze alunos, para depois poder dar aulas em uma classe de uma boa escola urbana. Aparentemente, pelos dados obtidos, Branca passou bem mais que o tempo mnimo exigido. A mesma matria registrou que deu aulas em vrios grupos escolares no interior do estado e que, por onde passou, se preocupava com a dificuldade dos alunos em aprender a ler, o que ocasionava um ndice elevado de reprovao. No ano de 1936, com vinte e cinco anos, a jovem professora lecionava em um grupo escolar de So Jos do Rio Preto, onde iniciou experincias de alfabetizao com imagens associadas s slabas, obtendo bons resultados.

Branca afirmou que comeou a desenvolver sua Cartilha a partir das experincias no interior. Em suas entrevistas, investiu promissoramente na defesa de seu mtodo, justificando-o com sua experincia de alfabetizadora e seu desejo de contribuir com o ensino da escrita e da leitura.

Aps vinte e oito anos de trabalho no magistrio, em sala de aula, pois no h indcios de que tenha ocupado outros cargos na educao, Branca se aposentou. Alm do cargo de professora, Branca tambm era empresria, proprietria da Editora Caminho Suave Limitada, criada especialmente para publicar seus livros de forma autnoma. Por no encontrar nenhuma editora que acreditasse em sua publicao, em meados de 1950, Branca recebeu o apoio de familiares e amigos para abrir a prpria editora e produzir seus livros dedicados a educao.

Quando a professora Branca Alves de Lima desenvolveu um mtodo de alfabetizao baseado em imagens e publicou sua cartilha Caminho Suave em 1948, certamente no fazia ideia do fenmeno que a obra seria. Depois de observar seus alunos, ela chegou concluso de que associar imagens s palavras seria uma boa forma de as crianas aprenderem a identificar cada letra, slaba e vocbulo.

A alfabetizao no modelo da Caminho Suave era voltada a resolver um problema de um Brasil majoritariamente rural e analfabeto: a dificuldade de ensinar as crianas a unirem letras em slabas, as slabas em palavras e, assim, aprenderem a ler. De acordo com dados do Censo de 1950, 57,2% da populao brasileira era analfabeta naquele ano. Durante boa parte do sculo 19, o Brasil, assim como outros pases latino-americanos, esteve entre aqueles com os piores indicadores educacionais do mundo. O Brasil tambm era um pas predominantemente rural, e as exigncias do mercado de trabalho eram outras. Naquela poca, poucos tinham acesso escola, e a escolaridade mdia do brasileiro era de dois anos de estudo, onde as pessoas que liam textos simples eram consideradas alfabetizadas. Ento, o mtodo utilizado na cartilha era extremamente satisfatrio para aquela poca.

Posteriormente Branca chamou a ateno do governo aps muitos de seus alunos do interior de So Paulo, aprenderem com mtodo. Em 1971, o material foi recomendado pela diretoria de Educao do estado de So Paulo e alcanou os programas do Ministrio da Educao (MEC). Pulou de 790 mil exemplares, em 1972, para 1,8 milho em 1975 e quase 2,5 milhes em 1980, seu recorde. At hoje, o material de alfabetizao mais vendido da histria do Brasil. Foram mais de 40 anos com o livro e milhes de brasileiros alfabetizados com a ajuda da cartilha.

Os mtodos de alfabetizao so divididos em dois grandes grupos, onde temos os sintticos e os analticos. Os mtodos sintticos partem das menores estruturas e vo para as maiores, como, por exemplo, aprender as vogais, depois as slabas e depois palavras. J os analticos fazem basicamente o contrrio, partindo de textos e frases, dividindo-as em slabas e letras posteriormente.

Apesar de a cartilha Caminho Suave fazer um mix dos mtodos, tudo era muito superficial, causando uma baixa qualidade no ensino. As principais crticas ao livro estava em seu vocabulrio pobre e sem muitos exemplos, fazendo com que muitas coisas ficassem de fora do aprendizado do aluno. Em suma, aprender frases separadas ou palavras separadas, fazia com que o aluno no se interessasse pela leitura.

Essas metodologias comearam a receber crticas 1980, principalmente pela baixa qualidade na alfabetizao da populao. As pessoas sabiam escrever o prprio nome e ler algumas coisas simples, porm no conseguiam interpretar textos minimamente complexos.

Anna Helena Altenfelder, doutora em psicologia da educao e presidente do Conselho de Administrao do Centro de Estudos e Pesquisas em Educao, Cultura e Ao Comunitria (Cenpec), explica que estudos que surgiram no final da dcada de 80, a partir das pesquisas sobre a psicognese da lngua escrita, da psicloga argentina Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, causaram uma "revoluo" no que se sabia sobre ensinar a ler.

A partir dessas reflexes surgiu o construtivismo, onde se defendia que o aluno como o centro de tudo e o professor como mediador. O professor seria uma parte importante, produzindo mais conhecimento para o aluno que apenas regras simples de leitura. Aprender determinadas regras e smbolos, no era significado que o aluno poderia ler um poema, uma carta, etc.

A cartilha Caminho Suave acabou perdendo seu posto em 1996, quando o MEC acabou retirando o livro do Programa Nacional do Livro Didtico (PNLD). Os critrios avaliativos, por meio do ento criado Guia de Livros Didticos, do ano de 1996, exclua obras com erros conceituais, livros considerados desatualizados ou que portassem lies preconceituosas e discriminatrias. Surpreendentemente, o principal motivo foi que novos estudos psicolingusticos e sociolingusticos, mostraram que apenas associar a imagem no a melhor opo para se aprender a ler e escrever. Novos mtodos foram utilizados e dessa forma, novos livros teriam que ser adotados nas escolas pblicas de todo o Brasil.

A principal crtica que a cartilha foca em ensinar a criana a decifrar cdigos a partir da repetio de frases sem muita relao com o cotidiano, o que apenas uma das etapas da alfabetizao. Falta treinar a criana para se familiarizar, reconhecer e gostar de ler todos os tipos de texto usados socialmente, criando uma relao com a leitura.

A exposio restrita da criana ao mundo da leitura apresentado pela Caminho Suave, na viso dos especialistas, ainda mais prejudicial para as famlias mais vulnerveis, para quem a escola o nico momento do dia de contato com a cultura da linguagem escrita. Nas famlias de renda e escolaridades mais altas, a restrio pode ser compensada pelo contato com jornais, livros, internet, receitas e outros tipos de material escrito.

MTODO: Na primeira parte, 102 exerccios preparatrios visam o desenvolvimento viso-motor e auditivo. O intuito memorizar as letras e associ-las aos sons e contornos correspondentes. O exerccio 74 pede para ligar as letras aos desenhos. No 75, a atividade treinar o contorno.

PROBLEMA: O processo de alfabetizao vai alm das habilidades motoras ou da percepo visual. Ele se passa, especialmente, nas hipteses que a criana formula ao tentar associar as palavras que v ao significado, e isso ocorre quando ela reflete sobre a escrita. A mera aquisio de habilidades mecnicas ajuda pouco na aprendizagem.

MTODO: A alfabetizao pela imagem prope uma associao entre uma palavra-chave, a ilustrao que a representa e o contorno da letra. A ideia que a imagem apoie a memorizao das slabas e a ligao com o significado. A escolha de frases simples prioriza o repertrio de slabas j vistas nas lies anteriores, segundo a sequncia, e trabalha com repeties para refor-las.

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