A CAPELA DA MINHA INFÂNCIA
Texto: Cfd Aluízio da Mata
Hoje, 27 de novembro, dia consagrado à Nossa Senhora das Graças me deu
vontade de enviar uma mensagem que considero muito especial, já que a
Mãe de Jesus é muito importante para os vicentinos. Para quem não
sabe, estas foram as palavras de Maria numa aparição a Santa Catarina
Labouré, irmã da Família Vicentina, em 27 de novembro de 1830, quando
ela mandou cunhar uma medalha que passou a ser conhecida como Medalha
Milagrosa:
"Todas as pessoas que usarem a Medalha receberão grandes graças,
trazendo-a ao pescoço". "As graças serão abundantes para as pessoas
que a usarem com confiança”.
Tempos atrás tive a oportunidade de passar perto do Hospital Nossa
Senhora das Graças, em Sete Lagoas. Eram 5 horas da manhã e parei o
carro em frente da capela. De onde estacionei, via o prédio ainda às
escuras.
De repente, pelo vitraux, percebi que alguém acendera a luz da capela.
Pouco depois as portas se abriram e pude entrar.
A minha imaginação correu no tempo e me vi anos atrás, naquele mesmo
lugar e lembrei-me de quando ainda era criança. Quantas missas havia
assistido, no mesmo horário das 5:15 h da manhã, junto com a minha
mãe. Morávamos a um quarteirão de distância.
Ao entrar na capela vi, com emoção, o mesmo crucifixo iluminado por
trás, e do lado direito do altar a mesma imagem de Nossa Senhora das
Graças, com sua coroa e raios iluminados saindo de sua cabeça e de
suas mãos, nos mostrando as bênçãos que ela derrama constantemente
sobre nós.
Vi a mesma religiosa, irmã Lourdes, já bem velhinha, mas ainda a
primeira a chegar na capela, a bater o sino chamando os fiéis
vizinhos.
Outras das antigas irmãs, já não estavam mais presentes.
Aos poucos foram chegando as pessoas, muitas das quais eu conhecera na
minha infância.
Das pessoas que assistiam as missas antigamente, muitas não mais se
encontram neste mundo, inclusive a minha mãe.
Algumas pessoas que naquela época eram mais jovens, agora já se
apresentavam idosas.
Quanta saudade!
No passar dos anos, quantas pessoas por ali também passaram. O padre
Agenor, capelão já não mais vivente, também veio à minha lembrança.
Vivia para assistir aos doentes.
Posso testemunhar a dedicação de muitas e muitas irmãs de caridade,
não só na capela, mas zelosas no hospital, onde eram um misto de tudo:
Eram enfermeiras, conselheiras, amigas.
O progresso transformou o hospital, inclusive no seu aspecto físico.
Desmancharam uma bela construção antiga e ergueram um moderno
edifício. O atendimento, que era quase pessoal (conhecia-se todo
mundo, médicos, enfermeiros, pacientes); hoje se tornou impessoal.
Quase ninguém conhece ninguém.
Somente as irmãs de caridade não mudaram. Continuam prestando um
serviço que não encontramos igual em outro lugar.
A SSVP nunca teve seus assistidos recusados naquele hospital. Eram
tratados como se clientes ricos fossem. Nos dias de visita os
vicentinos, em grande número, lá estavam presentes. Nós alegrávamos os
doentes e eles alegravam nossos corações.
Muita coisa mudou. Menos a caridade, e a Capela, que tiveram o bom
senso de nela não tocar.
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