31-07-10
QUANDO UM XINGAMENTO É ORAÇÃO
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Temos na Conferência um assistido com problemas de diabetes e suas
pernas estão roxas, com pouca circulação sanguínea, quase com
princípio de gangrena.
Ele sempre foi amistoso, sua casa muito limpa. Recebia-nos muito bem e
gostava de conversar.
Morava sozinho, embora tivesse algumas irmãs.
Por causa de seu estado físico, precisava tomar alguns remédios.
Na última consulta que fez o médico receitou muitos medicamentos,
alguns de tarja preta, que ele devia tomar durante o dia. No entanto
ele estava tomando-os inadequadamente, já que misturava os remédios em
caixas diferentes e tinha ainda o problema dos horários em que deviam
ser ministrados e que não eram seguidos.
Diversas vezes foi convidado a ir para o Lar do Idoso, onde os
remédios lhe seriam dados por enfermeiras, mas se recusava a deixar a
sua casa. Tinha medo de perdê-la.
A família, que o olhava de longe, resolveu levá-lo para casa de um
parente, em outra cidade.
Quando ele soube da decisão se transformou e xingou os vicentinos,
pois pensou que foram eles os culpados de estarem tirando-o do onde
morava.
Quando o caso foi relatado na Conferência algumas pessoas acharam que
fora ingratidão dele fazer isto, mas me veio na hora um pensamento e o
expus para todos: “Se somos caridosos e corretos com os nossos
assistidos, todo xingamento à SSVP ou ao vicentino deve ser entendido
como oração”.
Quem escutou eu dizer isto parece não ter entendido. Mas, expliquei:
Toda nossa ação deve ser para o bem do pobre, mesmo que ela ao
assistido pareça errada. Estão-se fazendo o bem, Deus sabe. Se o
assistido não entende e xinga, Deus transforma aquele xingamento em
oração. Não foi o que Jesus disse que tudo o que fizéssemos ao menor
dos irmãos era a Ele que estaríamos fazendo?
No caso narrado não tivemos nenhuma interferência na decisão da
família. E os xingamentos que aconteceram devem ser levados em
consideração ao estado daquele assistido. Passado pouco tempo ele
voltou para sua antiga casa e tudo voltou a ser como era antes.
Colocando-nos no lugar do assistido, não teríamos agido como ele
agiu?
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