17-07-10 - ESTAMOS AGINDO COMO AGIU OZANAM?- LSNSJC

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Aluizio da Mata

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Jul 17, 2010, 7:34:06 AM7/17/10
to MÍDIAVICENTINA

ESTAMOS AGINDO COMO AGIU OZANAM?
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
LSNSJC

Recebi uma tarefa que considerei difícil de ser executada. Um confrade
da SSVP me propôs que escrevesse sobre a falta de compromisso de
alguns confrades e consócias, trazendo conseqüência que afetam a vida
vicentina. O pedido dele veio da seguinte forma: - “Por este Brasil
afora, às vezes deparamos com confrades e consócias que não são
compromissados com o que o Bem aventurado Antônio Frederico Ozanam
ensinou e praticou. Alguns fingem que são vicentinos e os pobres
fingem que são assistidos".
É uma afirmativa preocupante. Pensei, inicialmente, que ela poderia
não espelhar uma realidade geral, mas resolvi analisar o que já
presenciei dentro da SSVP e cheguei à conclusão que ela é bem
possível. A principal meta do vicentino é a de se santificar através
da santificação do seu assistido. Dois pontos nos quais apenas sobre
um cada um de nós tem plena condição de conseguir: a nossa
santificação. Mesmo assim poderemos ajudar o assistido a se
santificar. Mas, é o que fazemos?
Claro que existem exceções com muitos vicentinos e com muitos
assistidos, mas o que acontece realmente nas visitas que muitos de nós
fazemos? Simplesmente cumprimos o “dever” semanal ou vamos lá
evangelizar com a Palavra de Deus e com o nosso exemplo? Tenho
questionado muito sobre isso. Nossa visita costuma ser rotineira, sem
sabor, sem atrativo. Quem de nós lê em toda visita a Bíblia para o
assistido? Quem de nós reza com ele na chegada e na saída? Quem leva
as crianças para a catequese? Olhando para o plano material, quem de
nós se esforça realmente para arranjar trabalho para os jovens filhos
dos assistidos? Quem se preocupa com seus estudos? Quem de nós é
realmente amigo do assistido?
Ozanam, com muito menos recurso, procurou viver de verdade tudo que
questionei acima. Ele não olhou as dificuldades, as distâncias, a
falta de empregos. Ele fez tudo que estava ao seu alcance. Teria ele
conseguido atingir cem por cento suas metas? Quase podemos afirmar que
não, mas não foi por falta de esforço, por falta de confiança em Deus.
Ele não se conformava com a miséria que existia naquela época, com a
desesperança dos mais pobres, com os ataques que a Igreja sofria! Ele
lutou. E como lutou!
E nós, o que fazemos?
Hoje, com muito mais recursos, com muito mais gente, com muito mais
facilidade de transporte, de meios de comunicação falamos que não
temos muito como ajudar. Será verdade ou apenas desculpa?
Por outro lado, os assistidos vão aprendendo a receber sem dar nada em
troca. Não se esforçam, pois sabem que não vamos deixar de ajudá-los.
Ainda mais agora, com os programas assistenciais que existem por aí,
parece que o vicentino perdeu a obrigação de ir a fundo nos problemas
do assistido. Como estamos acostumados apenas a levar o vale semanal,
e agora ele já não é tão mais necessário, estamos fingindo que somos
vicentinos e os pobres fingindo que são necessitados.
O que fazer então? Voltar às origens. Ler as cartas, as circulares, os
livros de orientação que nos foram legados por Ozanam e todos os
verdadeiros vicentinos que vieram com ele e depois dele. E praticar os
seus ensinamentos.
Antigamente a proclamação era esperada com ânsia. Hoje não sei se
ainda é assim. Preocupa-me ver que cada dia se torna mais difícil
arregimentar pessoas para a SSVP. Muitos dos que recentemente
aceitaram participar de uma Conferência não querem ser proclamados e
os que aceitaram não querem assumir cargos. Muitos deles nunca tiveram
a Regra nas mãos.
É a falta de compromisso com os ideais de Ozanam questionado acima.
Não me admiro agora da segunda parte do questionamento: E os pobres
fingem que são assistidos. Não nos esforçamos para estarmos preparados
para enfrentar a nova situação.
Sinceramente eu gostaria de ter o otimismo de alguns amigos meus que
escrevem sobre a SSVP, mas não consigo. Talvez seja eu que esteja fora
da realidade, mas em um Brasil tão grande e cheio de tantas
diversidades e dificuldades creio que a minha preocupação e a de quem
propôs o tema tem certa razão de ser.
Sei que o Conselho Nacional tem tentado fazer muita coisa, mas nem
todos colaboram.
Precisamos todos nós, urgentemente, analisar alguns pontos e ações,
mudar de fato e não ficar apenas vendo o tempo passar e pouca coisa
acontecer.



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