A IMPORTÃNCIA DO GIZ
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Você já pensou na importância do giz?
Apesar de novos produtos que também servem para escrever sobre lousas,
o giz ainda é um produto de extrema valia.
O que seria das escolas do interior se não existisse o giz? Creio que
a mesma pergunta se poderá fazer sobre as escolas da periferia das
cidades grandes.
Retroceda um pouco é recorde como foi que você estudou. O giz foi
parte importante, até mesmo essencial, eu diria.
Mas, o giz é ainda muito mais importante do que a gente pensa. Com ele
podemos aprender, ensinar,
fazer caridade, evangelizar e muito mais.
Fiquemos apenas com as utilidades citadas acima.
Como fazer caridade com um giz, você pode estar questionando. Na
verdade, ele pode ter sido instrumento de se fazer caridade ou se
deixar de fazê-la.
Hoje, olhando para trás, vejo o quanto eu poderia ter feito a mais com
o giz dentro da Sociedade de São Vicente de Paulo. É certo de que eu e
mais algumas pessoas o usamos para ministrar palestras em Encontros de
Reflexão e em aulas da Escola de Caridade Frederico Ozanam, atual
ECAFO, mas forçando um pouco mais as lembranças, vejo que alguns dos
nossos assistidos, adultos, jovens ou crianças não sabiam nem ler nem
escrever. Não sei se por comodismo ou por achar que seriam mais bem
atendidos, preferimos encaminhá-los para escolas, as quais nem sempre
eles freqüentaram. E os anos foram passando os idosos morrendo, os
jovens ficando adultos e as crianças se tornando jovens, mas sem terem
tipo todo o proveito que o giz lhes poderia trazer. Os que ficaram nas
escolas e souberam aproveitar a oportunidade, algum beneficio tiveram.
Os que não seguiram os estudos formais não foram por nós ajudados o
quanto seria desejável.
Lembro-me da minha esposa, consócia da SSVP, dando catequese para
crianças de uma pobreza de fazer pena. Em muitas ocasiões ela usou do
giz para ensiná-las sobre as coisas de Deus em um cômodo abandonado no
meio de uma roça. Também ela, na cidade, ajudou a diversos confrades
aprenderem a ler e a escrever. Adultos que eram, tinham vergonha de
freqüentar os poucos cursos de alfabetização que existiam. Eles,
então, iam lá para nossa casa e lá ela os ensinava. Lembro-me da
alegria deles quando notavam seus próprios progressos.
Quantos dos nossos assistidos não sabem nem ler ou escrever?
A Sociedade de São Vicente de Paulo poderia ter um programa de
alfabetização para adultos que não podem ou se sentem envergonhados de
ir até a escola e para crianças que não tem como ir à aula. Nesse
caso, levaríamos a escola até eles. Claro que não falo de um programa
completo, integral, mas um programa simples, de aprendizado mínimo que
serviria para aumentar a auto-estima de cada um e dar-lhe a coragem de
ir para um curso mais abrangente.
Assim estaríamos aprendendo com a experiência dos nossos idosos
assistidos, fazendo caridade a eles e às crianças. E quanta coisa
poderíamos ensinar evangelizando...
Esta reflexão foi motivada por uma frase apenas.
Temos no nosso Grupo uma senhora que possui um mini-mercado. Ela
coloca uma tabuleta na frente do estabelecimento com frases de
pensamentos positivos, versículos ou mensagens de evangelização.
Hoje, quando passei pela frente do mini-mercado, notei que a tabuleta
estava sem nenhuma mensagem.
Estranhei e perguntei a ela por que não tinha escrito a mensagem do
dia. Ela simplesmente me respondeu: — “Acabou o giz. Vou comprar
mais”.
Será que durante todo o tempo em que militamos na SSVP não nos faltou
o giz? Ou será que nos faltou foi a coragem para trabalhar em uma
tarefa que não dá glória terrestre a ninguém, mas que certamente é
reconhecida por Deus?
Ainda é tempo. Certamente, pelo Brasil afora, existem nas cidades
grandes e no interior também, ocasiões e situações em que possamos
usar o giz e fazer o bem.
Não se incomode com o pó que o giz deixará em sua roupa, em suas mãos
e até em seu rosto. Certamente, Ozanam e São Vicente ajudarão Jesus a
limpá-lo. Quem dera que todos nós morrêssemos sujos de pó de giz por
ter ajudado alguém!
************
Para ler outros artigos do autor acesse
WWW.maikol.com.br e clique no
nome Aluizio.