18-09-10- EH! EU NÃO APRENDO MESMO? - LSNSJC

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Aluizio da Mata

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Sep 17, 2010, 12:37:06 PM9/17/10
to MÍDIAVICENTINA
É! EU NÃO APRENDO MESMO?
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Não tem jeito. Parece que eu não aprendo.
Como vicentino sou um dos primeiros a incentivar que ninguém dê esmola
na rua, pois conhecemos bem as maneiras que algumas pessoas encontram
para inspirar a nossa piedade e conseguir sempre alguns trocados que
nem sempre sabemos se serão bem utilizados.
Em várias ocasiões prometi a mim mesmo que não daria esmola na rua e
sempre que posso tenho cumprido tal promessa. Quando me pedem dinheiro
para comida levo a pessoa até um bar, compro o almoço ou o lanche e
espero que ela o coma, para depois ir embora. Tem dado resultado.
Mas existem outras situações que me pegam “de jeito”. Uma dela é
quando envolve pessoas idosas ou crianças doentes. Nesses dias
passados tive ocasião de viver duas situações. Numa delas eu estava
passando perto de um hospital e uma senhora idosa me parou para pedir
alguns reais para comprar remédios. Conversei com ela, me inteirei de
qual era o seu problema. Ela me mostrou uma receita com três
medicamentos que deveria tomar. Seguindo a minha regra de não dar
dinheiro na rua, peguei a receita e fui com a mulher até uma farmácia.
Pedi ao atendente que aviasse um dos remédios receitados. Tive o
cuidado de pedir a ele que carimbasse a receita informando que aquele
medicamento já fora adquirido. Creio que ela estava dizendo a verdade
quando disse que não tinha como comprá-los, pois na mesma hora tomou
um dos comprimidos que lhe comprei. Ah! Só para efeito de uma
comparação que farei a seguir, o remédio custou pouco mais de R$
25,00.
Dias depois estava em frente da minha casa aguando uma jardineira,
quando uma mulher aparentemente nova se acercou e m e perguntou:
— Moço, o senhor compra rifa beneficente?
Eu lhe respondi: — Depende qual seja o motivo.
Ela que estava com uma criança de dois anos no colo disse que era para
pagar um exame de ultra-sonografia pedido por um médico (que sei quem
é) que iria operar a criança. Tinha o umbigo bem estofado e o médico
não tinha conseguido localizar os testículos do menino. O exame
custaria R$ 120,00, mas seria feito por R$ 100,00. E ela me mostrou o
pedido médico. A operação ficará em mais de R$ 2000,00. O marido dela,
trabalhador na roça, não tem como arcar com as despesas.
Comprei o bilhete da rifa e já pensava em falar com ela que daria a
metade do custo do exame(eu o faria através da Conferência), mas
resolvi ficar calado. Disse apenas que ela me procurasse no dia que
viesse fazê-lo, para ver se eu poderia ajudar em mais alguma coisa.
Como ela mora em uma pequenina cidade vizinha, perguntei-lhe como iria
embora. Ela disse que iria usar do dinheiro da rifa para pagar a
passagem que era de R$ 8,00. Para ajudá-la um pouco mais, tirei R$
10,00 e lhe dei para pagar o bilhete. Ela agradeceu muito e ficou de
me procurar quando voltasse.
Aí que me fez escrever este artigo: ela não voltou. Pelo menos ainda!
Não me pareceu que ela estivesse mentindo. Quem sabe ainda não
arranjou todo o dinheiro necessário para o exame?

Fico agora pensando: É! Eu não aprendo mesmo!
Mas logo a seguir me vem outro pensamento: Não adianta, sou assim
mesmo, quando fala mais alto o coração. Em certas circunstâncias,
principalmente quando envolvem idosos e crianças, prefiro agir como
agi.
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