Aluizio da Mata
unread,Aug 17, 2010, 10:28:26 PM8/17/10Sign in to reply to author
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to MÍDIAVICENTINA
TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Precisamos aprender, sempre.
Não adianta! Nunca saberemos tudo o que existe para ser aprendido. Se
o saber fosse estático, um dia alguém talvez pudesse chegar até o
final de tudo que houvesse para aprender. Mas não é assim! A cada
segundo novas coisas surgem para serem aprendidas.
Nestes dias tive prova disso. Não sei se só por coincidência ou por
vontade de Deus, dois momentos se cruzaram em minha vida: a doença da
Mariana e o Diário de Kika.
A Mariana é uma menina de 4 anos, nascida no Nordeste. Portadora de
leucemia está vivendo momentos dolorosos e de expectativas ainda não
concretizadas. Precisa, urgentemente, de um transplante de medula
óssea, mas até agora não conseguiu um doador compatível. Para aumentar
as suas chances, foi transferida para São Paulo e no hospital onde
está faz tratamento que a possa deixar em condições de receber o
transplante que lhe salvará a vida, quando o doador surgir. Quais são
as expectativas de uma criança nessa situação? O que sabe ela do seu
estado de saúde? Com o que sonha? O que pede a Deus? Qual será o seu
futuro?
O Diário de Kika é um livro que foi escrito há alguns anos, mas parece
que a autora estava antevendo o que, em parte, iria acontecer com a
Mariana. Ele é um livro do qual o meu neto de 10 anos teve que fazer
uma ficha literária. Eu, como sempre gosto de fazer, ajudei-o, pois
acho que desperto nele o interessem pela leitura e pela escrita. Esse
tipo de trabalho escolar é de muito proveito, pois ensina ao aluno ter
gosto pela literatura, aprende a interpretar o texto, acompanha o
raciocínio do autor e aprende lições de vida.
O livro conta a história de uma criança de 10 anos que registra o seu
dia a dia em forma de diário, mesmo com dificuldades para escrever
pela sua limitação de conhecimento da língua e pelo seu estado de
saúde. Ela não entende porque é sem saúde; porque sofre dores; porque
não pode ir todos os dias à escola; porque não pode brincar como todas
as crianças de sua cidade pequena; Não entende também porque, de vez
em quando vê seus familiares chorando escondidos. Gosta, mas fica
desconfiada do por que todos da família lhe dão atenção especial. Seu
padrinho, que é médico, também. Até os presentes que queria ter ela
ganha, embora a sua família seja pobre. Admira a boa vontade de todos
em torná-la feliz.
Quem lê o livro percebe que a Kika vai de um crescendo em seus
registros quase que diários e depois vai decrescendo à medida que o
tratamento não surte o efeito esperado e seu estado físico vai
piorando. Já no final ela percebe seu estado de saúde, mas não diz
para ninguém, nem lamenta, nem chora. Faz perguntas a si mesma e não
sabe as respostas.
Não quero comentar o final do livro, pois acredito que com a Mariana
será diferente.
Mas, aí está a razão de ter escrito este artigo. A campanha de doação
de medula óssea está em pleno andamento no Brasil , mas não atinge
todos os possíveis doadores. Muitos adultos têm receios infundados,
como teve meu neto. Conversando com ele sobre o livro, contei-lhe o
caso da Mariana. Então ele me perguntou: - V ô, se eu doar a medula
óssea para livrá-la da leucemia, eu fico com leucemia?
Numa criança de 10 anos é natural esse questionamento, mas fico
pensando: Por que a Igreja Católica e a SSVP não fazem uma campanha de
esclarecimento nas suas Missas e reuniões? Por que não incentivam para
que apareçam doadores?
Agora complemento a observação que fiz logo no início do artigo:
aprendi que me faltou na época oportuna esclarecimentos e solicitação
para doar medula óssea. Quantas Kikas morreram por falta desses
esclarecimentos desde a minha juventude até agora?
Quantas Marianas vão ter que ficar esperando uma doação que chegue
logo para aliviar-lhes os sofrimentos?
Somos muitos vicentinos que têm condição de serem doadores, mas eles
sabem disso? Foram motivados para doarem ou pensam que se doarem
ficarão doentes também?
Bem que o Conselho Nacional poderia pensar em uma campanha dentro das
nossas fileiras, campanha essa que poderia ser chamada de VICENTINO
SOLIDÁRIO. Basta apenas um pouco de esclarecimentos e de boa
vontade.
A Mariana está no Hospital Darcy Vargas, no Morumbi- SP.
Deus lhes pague.