SIMPLICIDADE VICENTINA
Texto: Aluizio da Mata
Muitas coisas me encantam na Sociedade de São Vicente de Paulo. Uma
delas é a simplicidade.
Uma pessoa que não seja vicentina e esteja acostumada a participar de
reuniões de clubes sociais ou políticos há de estranhar, e muito, se
assistir a uma reunião de uma de nossas Conferências.
Para começar, não verá tratamento diferenciado para qualquer pessoa,
seja um médico, seja um mecânico, Seja um grande empresário ou um dono
de um pequeno comércio, seja um simples aposentado ou uma dona de
casa. Todos são tratados igualmente.
Não há lugar de honra a ser ocupado por ninguém. Se alguém se senta à
frente de todos é apenas para dirigir a reunião ou para ajudar o
presidente nas tarefas de secretaria e tesouraria.
Todos os demais membros da conferência ficam sentados em cadeiras
simples, às vezes até duras demais para corpos tão cansados da labuta
do dia a dia. Ninguém se arvora a ser melhor do que qualquer dos
confrades ou consócias. Não há diferença de tratamento, mesmo que a
pessoa seja uma autoridade ou figura proeminente na sociedade civil.
Uma prova do que estou falando vemos em momentos da reunião. Na
chamada, os nomes são simplesmente os nomes. Nenhum título é colocado;
A coleta semanal é secreta, atitude sábia, pois ninguém sabe o que o
outro colocou dentro da sacola; Todos os donativos entregues aos
necessitados são em nome da Conferência, mesmo que ele tenha sido dado
por um dos seus membros.
Talvez as únicas pessoas que possam ter um tratamento um pouco
diferenciado sejam os participantes do clero, não por sua causa
pessoal, mas por representar Jesus perante a humanidade. Infelizmente,
são poucas as ocasiões que eles nos visitam.
Em qualquer reunião de conferência, nota-se a simplicidade em tudo. Se
olharmos em volta de nós em uma das nossas reuniões semanais, veremos
a maioria dos presentes com roupas simples, podemos até dizer, bem ao
estilo das pessoas sem vaidades. Todos conversam entre si, antes e
depois da reunião. Impera, na grande maioria das vezes, uma amizade
sincera. Todos sentem prazer em encontrar alguém e bater aquele
papinho.
A Sociedade de São Vicente de Paulo é uma entidade interessante, pois
não procura se engrandecer. Não faz propaganda do seu trabalho semanal
e, às vezes, até diário. Não se vê nenhuma reportagem de rádio,
televisão, jornal ou revista dando ciência à população do trabalho que
fazemos. Nas grandes catástrofes, em qualquer parte do mundo, os
vicentinos estão lá ajudando, mas ninguém é entrevistado. Nenhum
confrade ou consócia tem seu retrato estampado na mídia.
Nessas ocasiões, muitas entidades e clubes de serviço fazem questão de
lá comparecer, e isso é bom, pois a caridade não é monopólio de
ninguém. Mas, normalmente, elas e eles são destacados pela mídia.
Outra coisa que a SSVP proporciona é a nossa satisfação em poder
ajudar, não porque queiramos que haja pobres para efetuarmos o nosso
apostolado, mas por sentir que somos úteis, sem esperar nenhum
reconhecimento, já que “pobres sempre tereis convosco”, como disse
Jesus.
A Sociedade de São Vicente de Paulo incorporou bem os ensinamentos de
Jesus, principalmente aquele que diz: “Não saiba a tua mão esquerda o
que fez a tua mão direita”, querendo dizer que a divulgação de toda
ajuda feita ao necessitado já terá tido a sua recompensa, ao contrário
daquela feita em silêncio, que terá a recompensa no Céu. Por ser uma
entidade simples, que vive fazendo a caridade, tem ela a proteção de
Deus e isso é garantia de que continuará existindo enquanto for movida
pela caridade e pela simplicidade.
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