Mecanismo de bloqueio de contato

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Hannah BLUE

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Feb 13, 2008, 3:55:42 PM2/13/08
to Midiateca da HannaH
Mecanismo de bloqueio de contato
Carmelita Rodrigues

No artigo "Síndrome do Pânico no Enfoque da Gestalt-tterapia" são
citados os mecanismos de interrupção do contato (ou mecanismos de
defesa) e a desconstrução dos mecanismos de bloqueio de contato sem,
sem no entanto, ser feito aprofundamento desses tópicos. A seguir, uma
explicação sobre alguns conceitos da Gestalt-terapia, incluindo os
mecanismos de bloqueio de contato. Em outro post, a ser editado em
breve, constarão proposições de teóricos dessa aborgadem psicológica
sobre como "desconstruir" os mecanismos de bloqueio de contato como
forma de tratar neuroses, incluindo a do pânico.Figura-fundo: O
conceito de figura-fundo, baseado nos princípios de organização da
percepção, de Wertheimer, é outro importante suporte da Gestalt-
terapia. Como explica (SCHULTZ, 1992), tendemos a organizar percepções
no objeto observado (figura) e no segundo plano contra o qual ela se
destaca (fundo). A clássica imagem de um vaso branco sobre um fundo
preto em forma de dois perfis humanos frente a frente é a
representação gráfica mais conhecida desse princípio. Transportando
essa idéia para a existência humana, chega-se ao que apregoava Kofka
(1982, in RIBEIRO, 1985): os problemas humanos não podem ser
considerados de forma isolada; por trás de qualquer configuração que
eles assumam sempre há algo mais amplo. "O que o cliente diz jamais
pode ser entendido em separado, pois a figura 'tem' um fundo que lhe
permite revelar-se e do qual ela procede. Como eu estruturo minha
percepção para perceber algo como figura e não como fundo e vice-versa
é altamente significativo" (RIBEIRO, 1985, p. 74).

Ciclo de Contato: Importante pressuposto para a Gestalt-terapia;
refere-se ao processo permanente de formação e destruição de figuras.
O homem saudável identifica sua necessidade dominante em determinado
momento (figura), escolhe a forma de satisfazê-las e se dispõe a
atender à nova necessidade (nova figura), dando curso ao fluxo
permanente de formações e dissoluções de gestalten (Ginger, 1995). Uma
necessidade satisfeita que cede lugar à outra passa a ser fundo.Se uma
vivência passada atua contra a auto-regulação do organismo, isso
significa que ela permanece no presente, será, portanto, necessário
elaborar adequadamente no aqui agora essa experiência para que deixe
de ser figura e passe a ser fundo: "(...) a necessidade dominante do
organismo, em qualquer momento, se torna a figura de primeiro plano e
as outras necessidades recuam, pelo menos temporariamente, para o
segundo plano "(PERLS, 1988, p. 23).

O caráter complexo das interações humanas impede que o Ciclo de
Contato se realize sempre da forma ideal. O mais freqüente é haver
perturbações de origem interna ou externa que provocam interrupções no
seu curso. Perls (1988) atribui a neurose ao acúmulo de "gestalten
inacabadas", necessidades interrompidas ou não-satisfeitas, sucessivas
interrupções no fluxo natural de alternância entre figura e fundo.
Repetidas vezes o indivíduo apresentaria dificuldade de ajustamento
entre o organismo e seu meio, frente a determinadas situações para ele
consideradas estressoras. Para Perls (id.), a neurose nasceria muito
mais do conflito entre o organismo e seu meio do que em decorrência de
desejos proibidos ou recalcados, como apregoava Freud.

Mecanismos de Bloqueio do Ciclo de Contato: Diante da impossibilidade
de satisfazer uma de suas necessidades e realizar bom contato ou de
poder optar pela evitação do contato, o organismo se vê obrigado a
recorrer a estratégias que assegurem sua integridade e sua
sobrevivência. Essas estratégias são as chamadas resistências ou
Mecanismos de Bloqueio do Ciclo de Contato.

Os Polster (2001) teorizam que isso ocorre da seguinte forma: se a
pessoa sente que seus esforços para realizar um bom contato serão bem-
sucedidos, que ela é potente e está em ambiente capaz de lhe
proporcionar retorno nutridor, ela vai confrontar esse ambiente com
vontade, força e até mesmo com ousadia. Caso contrário, se seus
esforços não resultarem no que ela deseja, isso despertará nela
sentimentos perturbadores como raiva, confusão, ressentimento,
impotência e desapontamento, entre outros. Será, então, necessário
redirecionar a energia mobilizada inicialmente para a necessidade não-
satisfeita, o que poderá ser feito de muitas formas, mas todas reduzem
a possibilidade de contato pleno com seu meio. A escolha das direções
específicas para essa interação redirecionada vai depender da
preferência do indivíduo pelos canais disponíveis a eles.

Perls (1988) teorizou que há quatro distúrbios de limite, os quais
estariam por trás das neuroses: a introjeção, confluência, projeção, e
retroflexão. Os Polster (2001) acrescentaram a essa lista a deflexão;
outros teóricos da Gestalt incluem mais três: fixação, proflexão e
egotismo. A seguir, detalhamos cada um desses mecanismos de acordo com
a concepção de vários teóricos da Gestalt-terapia.

INTROJEÇÃO: Perls (1988) considera que esse é o mecanismo por meio do
qual incorporamos em nós mesmos normas, atitudes, modos de agir e
pensar que são dos outros e não verdadeiramente nossos; uma
internalização passiva do que vem de fora, quando o saudável seria
haver uma mastigação antecedendo a assimilação. O indivíduo que
introjeta não tem oportunidade de desenvolver sua própria
personalidade e, ao absorver introjetos antagônicos, cria em seu
interior campos de batalha com lutas onde nenhum dos lados ganha e que
imobiliza o desenvolvimento da personalidade. De acordo com Perls
(idem), a neurose surge se, na infância, o imperativo for contra a
natureza e apesar disso aceito de bom grado.

Ribeiro (1997) define introjeção como o processo por meio do qual o
indivíduo obedece e aceita opiniões arbitrárias, normas e valores
pertencentes aos outros, engolindo coisas alheias sem querer e sem
defender seus próprios direitos por medo da agressividade própria e da
dos outros. A pessoa que introjeta prefere a rotina, as simplificações
e as situações facilmente controláveis. Além disso, pensa que os
outros sabem melhor o que é bom para ela e gosta de ser mimada.

Para Ginger (1995), a introjeção é a base da educação da criança: "nós
só podemos crescer assimilando o mundo exterior, certos alimentos,
certas idéias, certos princípios, mas se nos contentamos em engolir
esses elementos sem os mastigar, eles não são digeridos, ficam em nós
como corpos estranhos parasitas." (p.134).

A concepção dos Polster (2001) é semelhante quanto à vulnerabilidade
da criança à introjeção. Afirmam que elas têm necessidade natural de
confiar em seu ambiente, pois no início precisam aceitar as coisas
como elas vêm ou livrar-se delas quando puderem. "A criança aprende ao
absorver o que está ao seu redor" (idem, p.87). Quando o ambiente é
confiável, o material que recebe, seja comida ou tratamento pessoal,
será nutritivo e assimilável, mas é enfiado apressadamente garganta
abaixo. E quando o ambiente não é confiável? Quando quem deveria
cuidar negligencia ou hostiliza? Segundo Tenório (2003), a introjeção
torna-se a alternativa de resistência encontrada pelo organismo que
fracassa na luta contra a imposição de algo nocivo e repugnante. "Se o
ambiente não for confiável e benéfico, o material oferecido à criança
pode ser tóxico e desagradável por ser incompatível com suas
necessidades e, caso seja introjetado, permanecerá como corpo estranho
e nocivo dentro do próprio organismo, impedindo seu processo natural
de auto-regulação e crescimento" (Idem, p.38).

Um aspecto importante da introjeção é a insegurança que origina no
indivíduo. "A pessoa que engoliu 'sem mastigar' os valores de seus
pais, de sua escola e de sua sociedade clama que a vida continue como
antes. Ela é um terreno fértil para a ansiedade e a defensiva quando o
mundo a sua volta se transforma" (POLSTER, 2001, p. 87). Como afirma
Tenório (2003), a diminuição do contato com o meio e consigo mesmo
deixa o neurótico confuso e inseguro, sem poder identificar com
clareza suas próprias necessidades. "Ele deixa de ser criativo e
espontâneo e está sempre controlando a si mesmo para não cometer erros
ou desagradar o outro" (p. 41).

Se na neurose o indivíduo tenta desesperadamente evitar o conflito e
recuperar o equilíbrio com o meio (PERLS, 1981, in TENÓRIO 2004), a
introjeção é o caminho escolhido para essa evitação. A pessoa que
introjetou "manipula sua própria energia de modo a apoiar os padrões
introjetados, e ao mesmo tempo tenta manter seu comportamento o mais
plenamente integrado com seu senso pré-fabricado de certo e
errado" (Polster, 2001, p. 87).

Delisle (1999, in TENÓRIO, 2003) explica que a criança exposta a
situação ameaçadora ou hostil, da qual não possa fugir, vivencia um
impasse existencial o qual ela enfrenta recorrendo à única alternativa
de defesa de que dispõe: a introjeção. A experiência é, ao mesmo
tempo, ameaçadora e indispensável, uma vez que fugir dela pode
significar a rejeição ou a perda do amor dos pais, de quem depende de
forma absoluta. A criança, então se submete passivamente à experiência
tóxica. Delisle nomeia experiências tóxicas "engolidas sem mastigação"
de microcampos introjetados. Essas estruturas precisam ser mantidas
como fundo, sob o risco de serem revividos caso venham à tona. Para
evitar isso, o Self mobiliza os mecanismos de interrupção do contato.
Apesar de permanecerem no fundo, esses microcampos estão sempre
ameaçando vir à tona, uma vez que são situações inacabadas ou
gestalten abertas.

Segundo Tenório (op. cit.), as constantes ameaças de emergirem do
fundo fazem com que os microcampos introjetados contaminem as novas
figuras, distorcendo a percepção da realidade externa e causando
reedição de situações inacabadas do passado. "Esse fenômeno se
assemelha à compulsão pela repetição de Freud ou o apego da libido aos
objetos maus internalizados de Fairbairn. A repetição na neurose é,
portanto, a externalização ou projeção de microcampos introjetados no
mundo externo e a reativação das mesmas respostas defensivas" (idem, p.
43).

CONFLUÊNCIA: Perls (1988) explicou a confluência como sendo o tipo de
interação em que o indivíduo não sente haver uma barreira entre ele e
seu meio, quando sente que ele próprio e o meio são um só; as partes e
o todo são indistinguíveis entre si, como se dá entre mãe e recém-
nascido. Em estado patológico de confluência, a pessoa não consegue
fazer contato consigo mesma.

Para Ribeiro (1997), a confluência é o processo pelo qual a pessoa se
liga fortemente aos outros sem diferenciar o que é seu do que é deles;
aceita ser diferente para sentir-se semelhante aos demais e, embora
com sofrimento, obedece a valores e atitudes da sociedade e dos pais;
gosta de agradar aos outros, mesmo não tendo sido solicitada e, por
temer o isolamento, aprecia estar em grupo, agarrando-se firmemente
aos outros.

Polster & Polster (2001) acrescentam que um indivíduo pode fazer
contratos de confluência também com a sociedade e como esta não
reconhece esse acordo, o indivíduo vai se defrontar com a insatisfação
e o ressentimento. Como parte do acordo unilateral, vai se comportar,
adaptar-se e fazer todas as coisas que pensa que a sociedade exige,
aprova ou incentiva. Em confluência ele está, na verdade, tentando
fazer uma barganha, da qual espera obter retribuição ao seu
desempenho. Com esse objetivo, se esforçará para ser bem-sucedido,
estimado ou famoso e livre de doenças ou de dificuldades pessoais.
"Ele não faz as coisas apenas porque gosta; ele não está
suficientemente em contato consigo mesmo para saber quando gosta do
que faz. Concentra-se, sobretudo, em saber se os outros gostam do que
ele faz" (op. cit, p.108). Mas por ser um acordo desigual (em geral os
demais envolvidos nem sabem do contrato), não há recompensa e o
indivíduo se sente magoado, ressentido, desconfiado e convencido de
que as pessoas não têm nada de bom.

Acreditamos que isso ocorra também em escala menor, no âmbito
familiar, por exemplo. Assim, parceiros de um casamento estarão
cobrando atitudes e sentimentos concernentes a um "contrato" do qual
na verdade eles não conhecem as cláusulas; irmãos estarão cobrando uns
dos outros posturas e resultados relativos à manutenção e ao bem-estar
da família, impositivamente sendo responsabilizados por atender às
expectativas criadas pelo membro que faz confluência.

PROJEÇÃO: Perls (1988) afirma que a projeção é o contrário da
introjeção: enquanto esta é a tendência a fazer a si responsável pelo
que na realidade faz parte do meio, a projeção é a tendência a fazer o
meio responsável pelo que se origina na própria pessoa. Na projeção,
segundo esse autor, há o deslocamento da barreira entre nós e o meio,
exageradamente a nosso favor, de modo que seja possível negar e não
aceitar as partes de nossa personalidade que consideramos difíceis,
sem atrativos ou ofensivas.

Apesar da introjeção ser mecanismo oposto à projeção, aquela produz
esta: "em geral, são nossas introjeções que nos levam ao sentimento de
autodesvalorização e auto-alienação que produz a projeção. Porque
nosso herói introjetou a noção de que boas maneiras são mais
importantes que a satisfação de imperiosas necessidades pessoais,
porque ele introjetou a crença de que a gente deve 'sorrir' e
suportar', deve projetar e até mesmo expulsar seus impulsos que são
contrários ao que agora considera atividades externas" (PERLS, 1988, p.
50).

Segundo Perls (id.), a projeção é o mecanismo usado por excelência
pelo paranóico persecutor e desconfiado que acusa os outros da
agressividade própria projetada sobre as pessoas. "a paranóica tem
sido, caso após caso, a personalidade mais agressiva que, incapaz de
suportar a responsabilidade de seus próprios desejos, sentimentos e
vontades, se liga a objetos e pessoas do meio. Sua convicção de que
está sendo perseguida é de fato a afirmação de que gostaria de
perseguir outros"(idem, p. 49). "A pessoa super-alerta, super-
cautelosa que afirma querer ter amigos, ser amada, mas diz, ao mesmo
tempo, que 'você não pode confiar em ninguém, que todos estão a fim de
saquear o que puderem', é uma projetiva por excelência" (Perls, 1988,
p.51).

Os Polster (2001) afirmam que a projeção é própria do indivíduo que
não pode aceitar seus sentimentos e ações porque não deveria sentir ou
agir desse modo. Esse deveria tem origem nas introjeções que o levam a
considerar seus sentimentos genuínos inadequados ou suas ações
erradas. Isso resulta em um dilema, que o projetor resolve negando-se
a reconhecer seu próprio ato perturbador e, em vez disso, o atribui a
outra pessoa.

Para Ribeiro (1997) a projeção é o processo pelo qual a pessoa tem
dificuldade de identificar o que é seu e atribui aos outros ou ao mau
tempo, a responsabilidade pelos seus fracassos; desconfiando que todos
sejam prováveis inimigos, sente-se ameaçado pelo mundo em geral,
pensando demais antes de agir e identificando facilmente nos outros
dificuldades e defeitos semelhantes aos seus e, tendo dificuldade de
assumir responsabilidades pelo que faz, gosta que os outros façam as
coisas no seu lugar.Perls (op. cit.) enxerga projeção em algumas
criações artísticas, como no trabalho do romancista: ele precisa se
literalmente projetar em cada um dos personagens, ser os personagens
para conseguir descrever suas emoções e reações. Apesar disso, o
escritor não sofre confusão de identidade, como ocorre aos neuróticos,
e sabe quando seus personagens saem e quando entram. O neurótico usa a
projeção em relação ao meio e também em relação a ele mesmo. Assim,
tende a se desapropriar dos seus próprios impulsos e de si mesmo.

RETROFLEXÃO: De acordo com Perls (1988), quando uma pessoa
retroflexiona um comportamento, trata a si mesma como quis tratar a
outras pessoas ou objetos. Pára de dirigir suas energias para fora, na
tentativa de provocar mudanças no meio que satisfaçam suas
necessidades e redireciona sua atividade para dentro, colocando-se
como alvo do comportamento. Torna-se, ao mesmo tempo, agente e
paciente da ação; inimigo de si mesmo.

De acordo com Perls, Hefferline e Goodman (1951/75, in TENÓRIO, 2003)
na retroflexão as energias e ações são direcionadas ao único objeto
disponível no campo: sua personalidade e seu corpo. O retroflexor, em
geral, se culpa e se arrepende do que faz; sente-se inadequado e
insatisfeito nas suas relações com o meio e, na tentativa de evitar
frustração, culpa e arrependimento, corrige e revisa várias vezes o
que já fez.

Polster & Polster (2001) teorizam que a retroflexão é uma função
hermafrodita na qual o indivíduo volta contra si mesmo aquilo que
gostaria de fazer com outra pessoa ou faz consigo o que gostaria que
lhe fizessem:

Suponha que a criança cresça num lar em que as pessoas, embora não
abertamente hostis, sejam inacessíveis e insensíveis a suas
manipulações naturais. Quando ela chora, não há colo em que possa se
aconchegar. Afagos e carícias são ainda mais difíceis de acontecer.
Logo ela aprende a consolar-se e mimar a si mesma, pedindo pouco para
as outras pessoas. Mais tarde, ela compra a melhor comida para si
mesma e a prepara amorosamente; compra roupas finas para si mesma
(2001, p.97).

Esse comportamento, segundo os Polster, deriva da introjeção resumida
na frase "meus pais não vão dar atenção a mim", estendida
genericamente para "ninguém vai dar atenção a mim, então tenho que
fazer isso por mim mesma". Essa criança pode optar por retrofletir
impulsos hostis ou ternos. "Birras, golpes, gritos ou mordidas foram
consistentemente suprimidos. Mais uma vez temos o conteúdo genérico
introjetado, 'eu não deveria ficar com raiva deles' que é encoberto
pela defesa retroflexiva; ela volta a raiva contra si mesma" (idem).

Resumidamente, Perls (1988) diferencia os quatro mecanismos teorizados
por ele: "o introjetivo faz como os outros gostariam que ele fizesse;
o projetivo faz aos outros aquilo que os acusa de lhe fazerem; o homem
em confluência patológica não sabe quem está fazendo o que a quem e o
retroflexor faz consigo o que gostaria de fazer aos outros" (p. 54).

DEFLEXÃO: De acordo com Clarkson (1989, in TENÓRIO, 2003), defletir
significa evitar o contato direto com outra pessoa; reduzir a
consciência do impacto do contato com o ambiente tornando-o vago,
generalizado ou suave. Para Ribeiro (1997), defletir é desperdiçar
energia na relação com o outro, recorrendo ao contato indireto,
palavreado vago, inexpressivo ou polido demais.

Os Polster (2001), afirmam que a deflexão é uma manobra para evitar o
contato direto com outra pessoa; uma forma de tirar o calor do contato
real. Isso é conseguido ao se falar em rodeios, usar linguagem
excessiva, rir-se do que a outra pessoa diz, desviar o olhar de quem
fala, ser subjetivo em vez de específico, não ir direto ao ponto, ser
polido em vez de falar diretamente, usar linguagem estereotipada em
vez de uma fala original, exprimir emoções brandas em vez das emoções
intensas; falar sobre o passado quando o presente é mais relevante. "A
pessoa que deflete, ao responder à outra age quase como se tivesse um
escudo invisível, muitas vezes experiencia a si mesma como imóvel,
entediada, confusa, vazia, cínica, não-amada, sem importância e
deslocada" (id., p. 103).

Os Polster ressaltam, no entanto, que apesar de ser autolimitadora, a
deflexão pode ter base útil, como nas situações de tensão em que ser
diplomático e polido evita antagonismos sem saída ou reações
extremadas que dão caráter permanente a sentimentos apenas
temporários. Quando não há intimidade e confiança suficiente entre as
pessoas, defletir a raiva é mais sábio. O problema começa quando a
pessoa passa a depender da deflexão e não consegue discriminar quando
ela é necessária ou inadequada.

FIXAÇÃO: Para Ribeiro (1997) é o processo pelo qual um indivíduo se
apega excessivamente a pessoas, idéias ou coisas e, temendo surpresas
diante do novo e da realidade, sente-se incapaz de explorar situações
que flutuam rapidamente, permanecendo fixado em coisas e emoções, sem
verificar as vantagens disso.

Swanson (1988, in TENÓRIO, 2003) considera a fixação o oposto da
deflexão. Para ele, deflexão é voar sobre, passar rapidamente de uma
figura para outra; e fixação é ficar com o antigo e o familiar;
permanecer compulsivamente com a mesma figura. Ambas resultam na
redução da qualidade e da intensidade do contato.

PROFLEXÃO: Ribeiro (1997) define esse mecanismo de bloqueio de contato
como sendo o processo por meio do qual a pessoa deseja que os outros
sejam como ela quer, ou como ela própria o é, manipulando-os a fim de
receber deles o que precisa, seja fazendo o que eles gostam, seja
submetendo-se passivamente a eles, sempre tencionando ter algo em
troca. O indivíduo que proflexiona não se reconhece como sua própria
fonte de nutrição, lamenta profundamente a ausência de contato externo
e a dificuldade do outro para satisfazer às suas necessidades.

Croker (1981, in TENÓRIO, 2003) explica que a proflexão pode ser
melhor entendida se colocada em paralelo com a retroflexão. Enquanto
na retroflexão a pessoa faz a si mesma o que gostaria de fazer ao
outro ou o que lhe fizessem, na proflexão a pessoa faz ao outro o que
gostaria de fazer a si mesma ou que o outro lhe fizesse. O proflector
não desiste de conseguir que as outras pessoas façam alguma coisa por
ele ou para ele e, quando não consegue seu intento, redobra suas
manipulações para ter sucesso. Como ocorre com o retroflexor, o
proflector também teme demonstrar suas carências e fragilidades e
pedir diretamente, ao outro o que necessita. O proflector deseja que o
outro imite seu gesto, faça o mesmo que ele faz ou responda conforme
sua expectativa; empenha energia para manipular o outro de forma a
obter o que deseja, em vez de usá-la diretamente para expressar esse
desejo.

Para Tenório (2003), a proflexão pode tornar-se dolorosa quando o
outro não coopera e as manipulações falham, produzindo ressentimento,
às vezes apenas no proflector, que não tem suas expectativas
satisfeitas, às vezes no outro, por nunca conseguir agradar ao
proflector sendo o que é e agindo conforme seu próprio estilo. Como o
outro é considerado uma espécie de tela onde o proflector projeta suas
próprias expectativas sem conseguir aceitar o outro como ele é, esse
ressentimento pode ser desesperador.

EGOTISMO: Para Ribeiro (1997), é o processo pelo qual a pessoa se
coloca sempre como o centro das coisas, exercendo controle rígido e
excessivo no mundo externo, pensando em todas as possibilidades para
prevenir futuros fracassos ou possíveis surpresas. O egotista impõe de
tal forma sua vontade que negligencia na atenção ao seu meio; tem
dificuldade para dar e receber.

Dias (1994) define esse mecanismo como sendo a exacerbação da
capacidade da pessoa em se perceber ou se auto-observar; em ter
consciência de seus objetivos e do que precisa para realizá-los. A
autoconsciência exagerada impede o envolvimento com o outro, que a
pessoa se entregue no contato sem medo de perder seus próprios
limites. Ao contrário do que ocorre na confluência, a fronteira que
separa o eu do outro está rigidamente definida a ponto de impedir a
percepção de aspectos da realidade externa. "O egotista, ao prestar
muita atenção a si mesmo e às suas próprias necessidades, não enxerga
ou nega a demanda do meio, fazendo com que sua ação se torne
inadequada e seu contato insatisfatório, tendo como resultado a
frustração e mais tensão, em vez de relaxamento" (DIAS,1994, in
TENÓRIO, p.54).

Perls et al. (1997, in TENÓRIO, 2003) explicam o egotismo como um
mecanismo que interrompe o processo de ajustamento criativo no contato
final, momento em que a manifestação espontânea da ação é interrompida
por força de um bloqueio na liberação do autocontrole. Como o egotista
está sempre mais voltado para si do que para o meio, sua
espontaneidade é inibida por força da introspecção.

DESSENSIBILIZAÇÃO: De acordo com Ribeiro (1997), é o processo pelo
qual o indivíduo se torna entorpecido, frio diante de um contato;
apresenta dificuldade para se estimular; sente diminuição da
sensopercepção e em que há perda de interesse por sensações novas e
mais intensas.

Tenório (2003) pontua que há semelhança entre dessensibilização e
deflexão, já que nos dois processos ocorre diminuição da
sensibilidade, consciência e contato com estímulos externos e internos
considerados ameaçadores à estrutura do eu. Acrescenta, ainda, que
essas duas formas de bloqueio do contato são defesas básicas
existentes em qualquer tipo de neurose.


A desconstrução dos mecanismos de defesaIntrojeção: Segundo os Polster
(2001), para desfazer a introjeção é preciso empenhar-se em
estabelecer dentro do indivíduo o senso de escolhas disponíveis a ele,
restituir sua capacidade de diferenciar 'eu' de 'eles'. Uma das formas
de se conseguir isso é pedindo que forme pares de sentenças para si
mesmo e para o terapeuta, começando com o pronome eu, e depois com o
pronome você. Outro caminho é mobilizar a agressividade do introjetor,
para que ele saia da posição de vítima. "A rebelião é necessária para
se desfazer a introjeção. Também é necessário vomitar, literal ou
figurativamente, visto que isso representa a descarga dos indesejáveis
corpos estranhos que precisam ser expelidos, mesmo que com o passar
dos anos a pessoa sinta como se eles fossem próprios dela" (p.
92).Ribeiro (1997) aponta como fator de cura da introjeção o processo
de mobilização, i.e., levar o introjetor a sentir necessidade de
mudar, de exigir seus direitos, separar as próprias coisas das dos
outros, sair da rotina, expressar sentimentos exatamente da forma como
os sente e não deixar de ter medo de ser diferente. Ginger (1995),
propõe algo semelhante: desenvolver a independência do cliente, a
responsabilidade e assertividade dele; explicitar qualquer refúgio
ilusório na introjeção.Confluência: Ribeiro (1997) propõe como fator
de cura para esse mecanismo de bloqueio o processo denominado por ele
de retirada, que consiste em a pessoa sair das coisas no momento em
que sentir que deve sair, percebendo o que é dela e o que é dos
outros; aceitar ser diferente para ser fiel a si mesma, amar o eu e
aceitar o nós quando lhe convier; procurar o novo e conviver com o
velho de forma crítica e inteligente.Polster & Polster (2001) afirmam
que o antídoto para a confluência é o contato, a diferenciação e a
articulação; que o indivíduo precisa começar a experienciar escolhas,
necessidades e sentimentos que sejam seus e não tenham de coincidir
com os das outras pessoas. O indivíduo precisa aprender que pode
encarar o terror de ser separado das pessoas com as quais vive em
confluência e permanecer vivo. Perguntas como "o que você sente
agora?", "O que você quer agora?", "o que você está fazendo agora?"
podem ajudar o confluente a focalizar seus próprios
objetivos.Projeção: Para desfazer as projeções, segundo Ribeiro
(1997), é preciso aprender a agir expressando mais confiança nos
outros, assumir responsabilidade pelos próprios atos, identificar em
si mesmo as razões dos próprios problemas e agir em nome próprio, sem
medo da própria ansiedade.

Retroflexão: Ribeiro (id.) descreve como fator de cura desse mecanismo
um contato no qual o indivíduo sinta a si mesmo como sua própria fonte
de prazer, nutrindo-se do que quer sem intermediários, relacionando-se
com as pessoas de maneira direta e clara, usando a energia para
desfrutar com os outros o prazer do momento.

Deflexão: Ribeiro (id.) propõe que a desconstrução desse mecanismo de
bloqueio ou interrupção do contato pode ser feita por meio do processo
denominado por ele de Consciência. Consiste em orientar o indivíduo a
dar-se conta de si mesmo de maneira clara e reflexiva; a levá-lo a
ficar mais atento quanto ao que ocorre a sua volta, a se relacionar
com as outras pessoas e coisas com mais reciprocidade.


Fixação: Desenvolver a Fluidez - o processo pelo qual uma pessoa se
movimenta, se localiza no tempo e no espaço, deixando posições antigas
e se renovando - é o que propõe Ribeiro (id.) como fator de cura para
esse mecanismo de bloqueio. Com a fluidez o indivíduo pode sentir-se
mais solto, espontâneo e com vontade de criar e recriar a própria
vida.


Proflexão: A interação é o processo proposto por Ribeiro (id.) como
mecanismo de cura desse tipo de resistência ao contato. Por meio da
interação, o indivíduo se aproxima do outro sem esperar nada em troca;
age de igual para igual; doa pelo prazer de doar e convive com as
necessidades alheias sem esperar retribuição; sente que estar e
relacionar-se com o outro ajuda-o a se perceber como pessoa.


Egotismo: Para Ribeiro (id.), a satisfação é o processo de cura para o
egotismo, por meio do qual o indivíduo enxerga que o mundo é composto
de pessoas; que o outro pode ser fonte de contato nutritivo; que se
pode compartilhar o prazer e a vida; e que é possível desfrutar
dividindo e que o mundo fora de si pode ser fonte de prazer.


Dessensibilização: Ribeiro (id.) propõe como processo de cura desse
mecanismo de interrupção do contato a sensação, por meio da qual a
pessoa sai do estado de frieza emocional, sente melhor a si mesma e às
coisas; sente-se mais atenta aos sinais que o corpo emite e procura
novos estímulos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: mesmas do artigo "Síndrome do Pânico da
Abordagem da Gestal-terapia.

http://psicopauta.wordpress.com/letras/
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