[mgf-clinica] Sedentarismo

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Luis Coentro

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May 23, 2010, 5:56:03 AM5/23/10
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Como é que codificam o sedentarismo na ICPC2?

Luís Coentro
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Jaime Sousa

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May 23, 2010, 12:15:19 PM5/23/10
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Luís
 
Não se codifica. Também não codifico a prática de exercício físico enérgico (factor de risco para lesões desportivas), nem a prática de desportos radicais que é possivelmente de maior risco para a saúde do que o sedentarismo, nem o hábito de conduzir a mais de 120 km / h, ou de não usar cinto de segurança.
 
Nem tudo é codificável com a ICPC.
 
Ainda ontem estava a fazer uma revisão (mais uma) das regras da ICPC para preparar uma comunicação para o MGF.net.talks e voltei a ler que uma das razões para se usar uma classificação específica dos CSP é a sua faclidade de aplicação, precisamente por ter menos códigos do que a CID-10. Torna-a menos específica, mas mais adequda aos CSP.
É um compromisso com o qual temos de viver - perdemos o detalhe, ganhámos na facilidade de utilização.
 
Abraço
 
Jaime

2010/5/23 Luis Coentro <luis_c...@me.com>



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Jaime Correia de Sousa

Daniel Pinto

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May 23, 2010, 12:18:27 PM5/23/10
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Concordo com o Dr. Jaime, também não codificaria. De qualquer modo, se quiseres mesmo codificar penso que não é incorrecto utilizar o código K22 - Factor de risco de doença cardiovascular ou, se o sedentarismo for entendido como factor de risco mais lato, A23 - Factor de risco NE.

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Daniel Pinto

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Jaime Sousa

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May 23, 2010, 12:23:23 PM5/23/10
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Daniel
Tinha pensado que esse código seria uma alternativa, mas apenas se o sedentarismo se associar a outros factores de risco CV.
Por alguma razão o sedentarismo não entra em nenhuma das fórmulas de cálculo de risco CV.
Abraço
Jaime

2010/5/23 Daniel Pinto <danielj...@gmail.com>

--
Jaime Correia de Sousa

Edgar Ferreira

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May 23, 2010, 12:43:32 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Uma classificação deveria ser à partida objectiva com regras bem definidas, claras para todos, mas não me parece que seja isso o que acontece.
Duvido que 2 médicos utilizem o ICPC-2 da mesma forma. Como fazer comparações assim?
Existem muitos factores de risco, o facto de não constarem em fórmulas de cálculo não quer dizer que deixem de o ser.
Geralmente em Portugal o motivo de consulta não é "saber o resultado de uma análise". Geralmente sabem-no antes de vir ao médico. No Reino Unido os resultados das análises ficam na posse do General Practitioner, pelo que o utente precisa de ir ao médico para saber o resultado da análise, o que já faz sentido para esse motivo de consulta.
É difícil fazer comparações entre países quando os sistemas de saúde estão organizados de forma diferente. À partida os motivos de consulta também terão as suas diferenças por isso.
Como fazer uso do ICPC-2 ao máximo se temos critérios diferentes para classificar?
Talvez esteja na altura de se desenvolver um novo manual de codificação que seja o menos subjectivo possível e que seja claro para todos. Ou não estamos ainda preparados para isso? Vamos primeiro experimentando, deparar-nos com as nossas dúvidas e chegando a consensos?
Para que serve afinal uma classificação que não é utilizada de forma igual por todos?
Uma classificação deveria obedecer à lei do tudo ou nada. Ou é, ou não é.
Como gostaria de ficar esclarecido em relação a toda a classificação ICPC-2.
 
Abraço,
--
Edgar Ferreira


 
Em 23 de maio de 2010 17:23, Jaime Sousa <jaime...@gmail.com> escreveu:
Daniel
Tinha pensado que esse código seria uma alternativa, mas apenas se o sedentarismo se associar a outros factores de risco CV.
Por alguma razão o sedentarismo não entra em nenhuma das fórmulas de cálculo de risco CV.
Abraço
Jaime

Daniel Pinto

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May 23, 2010, 12:53:53 PM5/23/10
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Edgar, descreves a classificação ideal, mas isso não existe. Não há em parte alguma do mundo classificações onde não exista um certo grau de variabilidade inter-classificador.

Eu diria que o problema principal com o uso da ICPC em Portugal é que a maior parte das pessoas não recebeu treino e formação suficiente para a utilizar e não tanto os defeitos da ICPC (que também os tem).


--
Daniel Pinto

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Edgar Ferreira

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May 23, 2010, 1:17:09 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Daniel,
 
Concordo, mas se à partida estivessemos munidos de um bom manual com muitos exemplos práticos ou mesmo exercícios e fundamentação na resolução dos mesmos essa falha poderia ser mais facilmente colmatada.
Não me parece exequível haver formações em ICPC-2 para todos os Médicos de Família.
Se todos tiverem acesso a um BOM manual, que lhes permita exercitar a prática da classificação de forma esclarecedora já seria um grande passo em frente.
Da mesma forma que existe o Ciberdúvidas da língua portuguesa (um site onde se podem esclarecer dúvidas da língua portuguesa) talvez o ideal fosse a existência de um Ciberdúvidas do ICPC-2, com todas as regras, com as perguntas mais frequentes e com possibilidade de colocar questões que não estivessem já respondidas. No fundo um site onde todos pudessem treinar as regras do ICPC-2, onde pudessem ver esclarecidas as dúvidas mais frequentes e que daria resposta a novas dúvidas que irão sempre surgindo.
Seria uma forma de centralizar as questões relativas ao ICPC-2, todas num só site.
Penso que facilitaria a vida a muitos de nós, seria uma forma de uniformização e de chegar mais facilmente a todos os Médicos de Família e internos.
 
Abraço,
--
Edgar Ferreira

Isabel Lourenço Ribeiro

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May 23, 2010, 1:22:47 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Concordo!
Tenho alguma dificuldade em classificar correctamente... Não tanto o A mas o S e o P
 
 
 
 
 
Isabel Lourenço Ribeiro
-------Mensagem original-------
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Daniel Pinto

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May 23, 2010, 1:40:02 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Edgar, é impossível prever todas as questões possíveis em qualquer manual. De qualquer forma, tens algumas ferramentas para aprender a utilizar a classificação. A primeira de todas é ler a introdução do livro da ICPC-2 (algo que a maioria das pessoas não faz). Depois, sugiro esta apresentação - http://www.kith.no/upload/1785/ICPC%20tutorial.ppt. Finalmente, a APMCG costuma organizar workshops sobre ICPC.

Isabel, a ICPC não classifica o A, o S e o P, classifica motivos de consulta, problemas e procedimentos, o que não é bem a mesma coisa.

Não entendam das minhas palavras que acho que tudo está feito em relação à ICPC. Muito pelo contrário. Procurando demonstrar que as pessoas têm bastantes falhas ao utilizar a ICPC fiz há tempos um trabalho de investigação com internos. Podem ler o resumo aqui http://www.cimgfsul.org/default_ficheiros/resumos.pdf (página 76).

Edgar Ferreira

unread,
May 23, 2010, 1:47:56 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Daniel,
 
Eu já li o actual manual do ICPC-2, não é totalmente esclarecedor.
Continuo a achar que workshops sobre ICPC não são a melhor estratégia para incluir todos os interessados, neste caso todos os Médicos de Família e internos. Tem que haver informação acessível e actualizada para todos.
Não creio que isso seja exequível com workshops.
Trata-se de uma classificação que é transversal a todos.
O teu trabalho de investigação ao qual me convidaste a participar não foi sobre qual a melhor estratégia para formar todos os Médicos de Família e internos no ICPC-2. Foi mais um chamar à atenção da forma pouco correcta como tem sido utilizada esta classificação e sobre a necessidade de formação.
--
Edgar Ferreira

Teresa Libório

unread,
May 23, 2010, 1:57:58 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Edgar
Aquilo que diz, traduz, exactamente, as questões que se me põem sobre a ICPC-2.
 
Todos
Haverá uma forma de contornar estas "dificuldades"?
Abraço
TL

Jaime Sousa

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May 23, 2010, 2:44:09 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Caros
Há algumas semanas, neste mesmo forum, sugeri a ideia de se fazer um blog para debater o uso da ICPC. Cheguei a falar ao Zé Nunes e ao Francisco Salgueiro, mas acabei por não contactar a Ana Pisco (são as 3 pessoas que há muitos anos vêm divulgando a ICPC) e também não tive pedalada para lançar o projecto, pois tenho estado demasiado ocupado.
Poderia ser o Daniel a fazê-lo, com a nossa colaboração; quer agarrar a ideia?
Pensem numa estrutura; eu já criei um blog para a USF e não é complicado. O mais difícil é mantê-lo e moderá-lo.
Pensem nisso.
Abraço
Jaime

2010/5/23 Teresa Libório <tliborio...@fcm.unl.pt>

--
Jaime Correia de Sousa

Luís Filipe Gomes

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May 23, 2010, 2:51:40 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com

Como sabem os que me conhecem, sou um iconoclasta.

E sempre que vejo algo de inabalável, sólido e inquestionável, sinto-me desconfortável…

 

Assim , vou fazer a pergunta:

 

Para que serve, de facto, a ICPC?

 

Nota – não vale a pena perder tempo a bater-me (considerem-me batido!!!); basta fornecer respostas, de preferência evidence-based…

 

LF

 

De: mgf-c...@googlegroups.com [mailto:mgf-c...@googlegroups.com] Em nome de Edgar Ferreira
Enviada: domingo, 23 de Maio de 2010 17:44
Para: mgf-c...@googlegroups.com
Assunto: Re: [mgf-clinica] Sedentarismo

 

Uma classificação deveria ser à partida objectiva com regras bem definidas, claras para todos, mas não me parece que seja isso o que acontece.

Duvido que 2 médicos utilizem o ICPC-2 da mesma forma. Como fazer comparações assim?

Existem muitos factores de risco, o facto de não constarem em fórmulas de cálculo não quer dizer que deixem de o ser.

Geralmente em Portugal o motivo de consulta não é "saber o resultado de uma análise". Geralmente sabem-no antes de vir ao médico. No Reino Unido os resultados das análises ficam na posse do General Practitioner, pelo que o utente precisa de ir ao médico para saber o resultado da análise, o que já faz sentido para esse motivo de consulta.

É difícil fazer comparações entre países quando os sistemas de saúde estão organizados de forma diferente. À partida os motivos de consulta também terão as suas diferenças por isso.

Como fazer uso do ICPC-2 ao máximo se temos critérios diferentes para classificar?

Talvez esteja na altura de se desenvolver um novo manual de codificação que seja o menos subjectivo possível e que seja claro para todos. Ou não estamos ainda preparados para isso? Vamos primeiro experimentando, deparar-nos com as nossas dúvidas e chegando a consensos?

Para que serve afinal uma classificação que não é utilizada de forma igual por todos?

Uma classificação deveria obedecer à lei do tudo ou nada. Ou é, ou não é.

Como gostaria de ficar esclarecido em relação a toda a classificação ICPC-2.

 

Abraço,

--
Edgar Ferreira



Daniel Pinto

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May 23, 2010, 3:32:27 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Luís Filipe, eu diria que a nossa necessidade de classificar é incontornável. Precisamos de uma classificação para investigar e estudar os nossos utentes e a nossa prática, uma classificação é útil para melhor organizarmos os nossos registos clínicos agrupando os doentes em categorias nosológicas (com significado prognóstico e terapêutico), pode ser uma ferramenta muito poderosa no planeamento e gestão dos recursos em saúde, permite-nos ter uma linguagem comum (ainda que nem todos os utilizadores sejam fluentes na língua), etc.

Podemos discutir se é a ICPC-2 ou outra classificação, mas acho que é muito melhor usarmos a ICPC-2 do que a alternativa (a ICD-10).

Dr. Jaime, já sabe que não sou grande fã de blogs. Nesse formato de debate prefiro de longe um fórum. Fiz há tempos uma proposta dentro do núcleo de ICPC da APMCG para que fosse criado uma espécie de curso online, com uma parte de formação passiva ("aulas") e outro componente interactivo (fórum de discussão). Acho também que é necessário termos cá uma espécie de "comité de peritos" que esclareceria como deve ser interpretada a ICPC, para que possamos falar todos a mesma língua.

Dra. Ana, estou muito interessado em conhecer a "capacidade" de classificação dos colegas mais velhos, até porque, como não há assim tanta oferta formativa sobre ICPC, os internos aprendem na maior parte dos casos a classificar com o seu orientador. Eu diria que é muito provável que grande parte dos erros que encontrámos no trabalho junto dos internos foram "aprendidos" junto dos respectivos orientadores.


--
Daniel Pinto

Email: danielj...@gmail.com
WWW: www.danielpinto.net
Informação de contacto: www.danielpinto.net/contacto/


2010/5/23 Luís Filipe Gomes <gomes....@netcabo.pt>

Como sabem os que me conhecem, sou um iconoclasta.

E sempre que vejo algo de inabalável, sólido e inquestionável, sinto-me desconfortável…

 

Assim , vou fazer a pergunta:

 

Para que serve, de facto, a ICPC?

 

Nota – não vale a pena perder tempo a bater-me (considerem-me batido!!!); basta fornecer respostas, de preferência evidence-based…

 

LF

 

De: mgf-c...@googlegroups.com [mailto:mgf-c...@googlegroups.com] Em nome de Edgar Ferreira
Enviada: domingo, 23 de Maio de 2010 17:44
Para: mgf-c...@googlegroups.com
Assunto: Re: [mgf-clinica] Sedentarismo

 

Uma classificação deveria ser à partida objectiva com regras bem definidas, claras para todos, mas não me parece que seja isso o que acontece.

Duvido que 2 médicos utilizem o ICPC-2 da mesma forma. Como fazer comparações assim?

Existem muitos factores de risco, o facto de não constarem em fórmulas de cálculo não quer dizer que deixem de o ser.

Geralmente em Portugal o motivo de consulta não é "saber o resultado de uma análise". Geralmente sabem-no antes de vir ao médico. No Reino Unido os resultados das análises ficam na posse do General Practitioner, pelo que o utente precisa de ir ao médico para saber o resultado da análise, o que já faz sentido para esse motivo de consulta.

É difícil fazer comparações entre países quando os sistemas de saúde estão organizados de forma diferente. À partida os motivos de consulta também terão as suas diferenças por isso.

Como fazer uso do ICPC-2 ao máximo se temos critérios diferentes para classificar?

Talvez esteja na altura de se desenvolver um novo manual de codificação que seja o menos subjectivo possível e que seja claro para todos. Ou não estamos ainda preparados para isso? Vamos primeiro experimentando, deparar-nos com as nossas dúvidas e chegando a consensos?

Para que serve afinal uma classificação que não é utilizada de forma igual por todos?

Uma classificação deveria obedecer à lei do tudo ou nada. Ou é, ou não é.

Como gostaria de ficar esclarecido em relação a toda a classificação ICPC-2.

 

Abraço,

--
Edgar Ferreira



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Recebeu esta mensagem por estar inscrito no grupo "MGF Clínica". Para enviar mensagens para o grupo escreva um email para mgf-c...@googlegroups.com.
Para deixar o grupo envie um email para mgf-clinica...@googlegroups.com
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Mónica Granja

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May 23, 2010, 4:04:13 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Luís Filipe e Edgar, estou convosco. confesso que só classifiquei uma vez: há um ano e tal durante uma semana classifiquei a minha consulta. tive que estudar primeiro por umas fotocópias que uma ex-interna tinha e lá pró 4º dia comecei a ficar um pouco + à vontade. ainda assim, fiquei sem vontade de usar no dia-a-dia, acho que muito fica por saber da consulta através da ICPC:
- a regra dos motivos de consulta ser classificar no urológico se o doente diz que lhe dói os rins, mesmo que seja evidentemente uma lombalgia musculo-esquelética, deixa-me desconfortável;
- a falta de classificações específicas para uma série de problemas frequentes e o excesso de opções para outras, como é o caso das dores musculo-esqueléticas
- além disso, hei-de jurar, a maioria dos colegas que classifica fá-lo a olho, por isso, que fiabilidade para a investigação feita com estes dados?
 
compreendo toda a necessidade teórica de um sistema de classificações mas com a ICPC não consigo.

Maria Isabel Pereira dos Santos

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May 23, 2010, 4:14:58 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Considero importante classificar o A. O resto não considero . Pelo menos no momento da consulta. No S gosto de escrever o que trás o doente à consulta na sua fala. Por isso escrevo uma especie de mini narrativa.
Quanto ao A também considero existirem dificuldades mas isso não obsta a que seja importante codificar. Mais importante  será no entanto garantir que podemos extrair a informação que lá metemos. Por trás de uma classificação está uma cultura, um conjunto de valores. E estes são graças aos nosso esforços e inteligência coisas que se podem mudar. Levam tempo bem sei...é preciso puxar carroças mas enfim os movimentos humanos são assim...
 
Também considero importante classificar:
gengivites, periodontites,
 
Noutro dia quis codificar :espondilite anquilosantee também não encontrei
 
Isabel Santos

Tiago Sousa Veloso

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May 23, 2010, 5:11:51 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Estimados todos,

A minha alma clama "aleluia" por ver que há a quem o ICPC-2 deixe incomodado.
Estou na especialidade há pouco tempo, mas o ICPC-2 já é o meu pior inimigo. Só lhe reconheço uma virtude: é toda a gente (da nossa especialidade!) falar dele! Podia apontar várias falhas, mas a basta-me uma para justificar tudo o resto - darei um simples exemplo: um doente com R-99 tem pneumonite por fungos e um outro "doente" (mas perfeitamente saudável) tem desvio do septo - que ciência permite categorizá-los sob a mesma entrada?!
Outro exemplo: como é que é possível juntar algo como um lúpus e uma consolidação de fractura com topos desalinhados? O que é que estas duas patologias têm em comum?! 
A nossa especialidade pede-nos muita ciência, pois é abrangente de mais para a dominarmos por inteiro, mas desde quando é que nos autorizamos a desautorizar aquilo que a Ciência Médica construiu ao longo de toda a sua existência. O ICPC-2 é, no meu entender, óptimo para quem não percebe nada dos diagnósticos em causa. Ou para quem quer codificar procedimentos. Aliás, o ICD-10 prometeu nas suas páginas introdutórias um catálogo de codificação de procedimentos (muito virado para os cuidados primários) para a versão seguinte (ICD-11). Vamos a ver o que o futuro nos reserva...
Eu acredito que, entre o ICD-10 e o ICPC-2 há espaço para uma codificação amiga dos cuidados primários sem descurar o rigor que a Medicina em todo o seu esplendor nos exige. E é para preencher essa lacuna que também trabalho...

A todos,

BOAS CODIFICAÇÕES!

Ao dispor,

Tiago Sousa Veloso.
UCSP Foz do Douro.
 

2010/5/23 Jaime Sousa <jaime...@gmail.com>



--
Sousa Veloso jr.

Daniel Pinto

unread,
May 23, 2010, 5:52:45 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Mónica,

Eu só acho útil codificar motivos de consulta em contexto de investigação. Não vejo utilidade nenhuma num registo do género:

S: "A03 - Febre + A05 - Sentir-se doente + R05 - Tosse"
O: ...
A: "R74 - Infecção aguda do aparelho respiratório superior"
P: "R50 - Medicação / Prescrição / pedido / renovação / injecção"

Eu escrevo a história que o doente me conta. Se quiser classificar motivos de consulta, classifico, mas isso não é o S do meu SOAP. Aliás, como escrevi noutro mail hoje, é preciso perceber que a ICPC não é uma forma de classificar S, A e P! A ICPC classifica motivos de consulta (e o subjectivo pode ter muito mais que motivos de consulta), problemas de saúde (e na avaliação do RMOP pode caber mais informação para além do mero diagnóstico) e procedimentos (nem todos os procedimentos ficam no plano do RMOP, alguns são executados no exame objectivo, e o plano pode conter muito mais coisas do que procedimentos. Uma coisa é nós tentarmos encaixar a ICPC nos nossos sitemas informáticos, outra coisa é confundi-la com o método de Weed. Concordo com a Professora Isabel, no dia a dia também só codifico os problemas de saúde.

Professora Isabel, tanto gengivite como espondilite anquilosante estão na ICPC, basta procurar. Eu sei que não é fácil procurar no livro, foi por isso que fiz uma página na internet onde é possível procurar na ICPC. Vá a http://icpc2.danielpinto.net/pesquisar/ e coloque os termos que procura na caixa de pesquisa. Há coisas que não encontra, porque a ICPC não é a ICD-10. Mas nesses casos pode procurar o código da ICD-10 no site da OMS http://apps.who.int/classifications/apps/icd/icd10online/ e depois introduzir o código na pesquisa do meu site. Uma vez que há uma correspondência entre a ICD-10 e a ICPC-2, esta é uma boa maneira de descobrir códigos de doenças raras ou que não conseguimos encontrar na ICPC.

Daniel Pinto

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May 23, 2010, 6:09:48 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Tiago, a ICPC (e aqui não só para o Tiago, é feminino, a Classificação Internacional de Cuidados Primários), como qualquer classificação obriga a perda de detalhe. No caso, o critério usado foi incluir apenas motivos, problemas e procedimentos com uma frequência igual ou superior a 1 por mil doentes por ano. Todos os outros são incluídos nas rúbricas de fundo de saco. De qualquer forma, nada te impede de escreveres no A do registo ou na lista de problemas qual é o diagnóstico concreto. Eu uso o SAM e este permite na lista de problemas escolher o código apropriado da ICD-10. Faço-o muitas vezes quando acho que vou ter dúvidas acerca do diagnóstico do doente se olhar só para o código da ICPC. O SAM também permite colocar notas na lista de problemas e escrever texto livre no A do SOAP, o que é útil para resolver esse problema que apontas. Não sei como é nos outros sistemas, mas presumo que tenham funcionalidades parecidas.

Quanto à ICD-10, lembro que nos hospitais existem médicos cuja única função é codificar utilizando a ICD-10. Esta classificação é mais detalhada, mas muito mais difícil de manusear do que a ICPC-2 e obriga os hospitais a ter pessoas altamente treinadas para o fazer. Isso não é exequível nos cuidados de saúde primários, onde cada um de nós tem de usar a classificação. Portanto, com maior detalhe e minúcia da classificação surge também maior complexidade e dificuldade na sua utilização.

Abraço,

--

A BS

unread,
May 23, 2010, 6:59:51 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Eheh. Ah, tigre.

A ICPC tem sido importante para normalizar parte do nosso trabalho. Agora, não tenhamos dúvidas que ela é sobretudo útil como método de investigação e, mais recentemente, para identificação de problemas para efeitos de pagamentos no modelo B das USF. 

Pessoalmente tenho as minhas listas de problemas todas codificadas pela ICPC e desde há muito - comecei com uma base de dados em Epi Info no século passado. No dia a dia não classificai mais nada, e isto apesar de o M1 permitir codificar S, A e P do SOAP sem grande dificuldade.

Evidence-based? Só o facto de se ter expandido a múltiplos sistemas de saúde - mas isso, convenhamos, pode ser o habitual fenómeno de arrasto e não prova coisa nenhuma.

A ICPC é útil. Não é acidente que  faça hoje parte da família de classificações da OMS.  O futuro, contudo, é outra coisa. Chama-se, provavelmente, SNOMED. Se esta tiver sucesso todas as outras, CID e ICPC incluídas, serão história.

Abraços,
Armando


No dia 23 de Maio de 2010 19:51, Luís Filipe Gomes <gomes....@netcabo.pt> escreveu:

Como sabem os que me conhecem, sou um iconoclasta.

E sempre que vejo algo de inabalável, sólido e inquestionável, sinto-me desconfortável…

 

Assim , vou fazer a pergunta:

 

Para que serve, de facto, a ICPC?

 

Nota – não vale a pena perder tempo a bater-me (considerem-me batido!!!); basta fornecer respostas, de preferência evidence-based…

 

LF


Luís Filipe Gomes

unread,
May 23, 2010, 7:01:44 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com

LF, a azul (provocando…).

 

 

Luís Filipe, eu diria que a nossa necessidade de classificar é incontornável. Sempre que fazemos um diagnóstico ou registamos um problema, estamos a classificar – mas precisamos de um código?

Precisamos de uma classificação para investigar e estudar os nossos utentes e a nossa prática, Então porque é que os códigos nunca aparecem nos trabalhos publicados? E nós centramo-nos nas pessoas, e não nas doenças (diagnósticos, códigos…)

uma classificação é útil para melhor organizarmos os nossos registos clínicos agrupando os doentes em categorias nosológicas (com significado prognóstico e terapêutico) As categorias nosológicas não exigem codificação. Posso fazer tudo isso sem usar ICPC ou outra. E eu cá não gosto de ser agrupado… Nós, especialistas de MGF, somos especialistas nos nossos pacientes.

pode ser uma ferramenta muito poderosa no planeamento e gestão dos recursos em saúde, pode ser, pode não ser, pode dar mais confusão (por exemplo ICPC versus CID 10 …) permite-nos ter uma linguagem comum (ainda que nem todos os utilizadores sejam fluentes na língua), etc. Pelos vistos não permite – a maior parte dos médicos não conhece a ICPC, por exemplo… e pelas dúvidas que vejo nas msg mais recentes, e por outras que tenho verificado ao longo dos anos (para lá da falta de discriminação)… Além disso, se eu digo “sedentarismo”, toda a gente me entende; se procuro classificar – ao contrário do esperado, aumento a entropia!!!

Luís Filipe Gomes

unread,
May 23, 2010, 7:12:49 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com

Isabel, já há muitos anos te fiz a mesma pergunta. Na altura, fiquei convencido. E até actualizei, em 2001, uma listagem da ICPC que tu tinhas elaborado numa folha A4, para utilizar com facilidade. Que depois apareceu feita pela APMCG (em anexo, a minha “versão”).

 

Só que, passados todos estes anos, fui progressivamente classificando menos. E agora (com o SAM), a coisa é tão pouco user-friendly … Prefiro investir o meu tempo na relação com os pacientes!

E nunca senti a falta da ICPC para, por exemplo, ler um artigo…

 

Assim… preciso de ser convencido outra vez!!!

 

Abraço grande, LF

 

De: mgf-c...@googlegroups.com [mailto:mgf-c...@googlegroups.com] Em nome de Maria Isabel Pereira dos Santos
Enviada: domingo, 23 de Maio de 2010 21:15
Para: mgf-c...@googlegroups.com
Assunto: Re: [mgf-clinica] ICPC

 

Considero importante classificar o A. O resto não considero . Pelo menos no momento da consulta. No S gosto de escrever o que trás o doente à consulta na sua fala. Por isso escrevo uma especie de mini narrativa.

Quanto ao A também considero existirem dificuldades mas isso não obsta a que seja importante codificar. Mais importante  será no entanto garantir que podemos extrair a informação que lá metemos. Por trás de uma classificação está uma cultura, um conjunto de valores. E estes são graças aos nosso esforços e inteligência coisas que se podem mudar. Levam tempo bem sei...é preciso puxar carroças mas enfim os movimentos humanos são assim...

 

Também considero importante classificar:

gengivites, periodontites,

 

Noutro dia quis codificar :espondilite anquilosantee também não encontrei

 

Isabel Santos

 

--
ICPC II - A.doc
ICPC II - B.doc

Luís Filipe Gomes

unread,
May 23, 2010, 7:21:54 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com

Eheh, se o Jamoulle sabe, dá-me cabo do canastro!!!

Já cá faltavas, Armando!

 

LF

 

De: mgf-c...@googlegroups.com [mailto:mgf-c...@googlegroups.com] Em nome de A BS
Enviada: segunda-feira, 24 de Maio de 2010 00:00
Para: mgf-c...@googlegroups.com
Assunto: Re: [mgf-clinica] ICPC

 

Eheh. Ah, tigre.

 

A ICPC tem sido importante para normalizar parte do nosso trabalho. Agora, não tenhamos dúvidas que ela é sobretudo útil como método de investigação e, mais recentemente, para identificação de problemas para efeitos de pagamentos no modelo B das USF. 

 

Pessoalmente tenho as minhas listas de problemas todas codificadas pela ICPC e desde há muito - comecei com uma base de dados em Epi Info no século passado. No dia a dia não classificai mais nada, e isto apesar de o M1 permitir codificar S, A e P do SOAP sem grande dificuldade.

 

Evidence-based? Só o facto de se ter expandido a múltiplos sistemas de saúde - mas isso, convenhamos, pode ser o habitual fenómeno de arrasto e não prova coisa nenhuma.

 

A ICPC é útil. Não é acidente que  faça hoje parte da família de classificações da OMS.  O futuro, contudo, é outra coisa. Chama-se, provavelmente, SNOMED. Se esta tiver sucesso todas as outras, CID e ICPC incluídas, serão história.

 

Abraços,

Armando

--

Jaime C Sousa (G-Mail)

unread,
May 23, 2010, 7:36:19 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com

Caros

 

Interessante debate. Vou aproveitar para acrescentar algo que, há muito andava para escrever.

 

Eu comecei a ensinar o uso do RMOP há cerca de 20 anos no então ICGZN e mais tarde comecei a fomentar o uso das classificações (CIPS-2-definida e ICPC, depois ICPC-2) ao nível do IMGF na Zona Norte com o Francisco Salgueiro e Pedro Moura Relvas através dos cursos que aí organizámos e que se vieram a tornar quase obrigatórios para todos os internos. Também uso a ICPC-2  de forma ininterrupta há pelo menos 11 anos. Comecei por me habituar a codificar a consulta (S, A e P) na margem do processo clínico manual e a transcrever os códigos para o Piloto 32, mantendo um registo paralelo ao manuscrito (primeiro) e ao SAM (mais tarde). Isso permitiu-me uma informação estatística importante que possibilitou, p. exº, a publicação de um artigo pela Ana Mateus (então minha interna) com base nesses dados.

 

Em Agosto de 2009 parei de fazer duplo registo, passando a usar só o SAM.

 

Habituei-me a classificar as consultas e acabei por memorizar grande parte dos códigos ICPC. Agora, quando não me recordo de algum código, uso  a página da Internet do Daniel para o encontrar rapidamente.

 

Também há muito tempo decidi racional e justificadamente fazer algo pouco ortodoxo: no (S) não codifico apenas motivos de consulta. Apesar de saber que é assim que se devia fazer com a ICPC, quando estou a usar o RMOP em formato electrónico, o que me preocupa não é o uso da ICPC, mas sim o registo clínico e uso os códigos ICPC para “guardar” informação em formato de código para eventual posterior processamento, pelo que registo no (S) do SOAP, não só o MC como também sintomas referidos pelo doente.

 

Eu sei  que os puristas da ICPC poderão não concordar comigo, mas já discuti esta questão muitas vezes e assumo que deve ser assim. Quando quiser usar a ICPC para fins de investigação, então poderei ajustar às regras da ICPC.

 

Defendo que, quando usamos uma classificação como a ICPC, criada para outro fim, dentro do registo clínico electrónico (o que eu designo por RCE-OP – Registo Clínico Electrónico Orientado para a Pessoa), estamos a fazer uma adaptação  da mesma para um fim para o qual ela não foi criada, de certa forma a “forçar” a ICPC a caber dentro de uma lógica diferente. Como nessa altura a lógica a que devo dar prioridade é a lógica do registo clínico, não vejo nada de errado em se flexibilizar as regras para obter um outro benefício: descrição detalhada, pesquisável e comparável da nossa carga de trabalho, um manancial fantástico de dados epidemiológico que relacionam MC e sintomas com diagnósticos (problemas) e procedimentos.

 

Como me habituei a codificar e já sei quase todos os códigos mais frequentes de cor, acabo por digitar R05 em vez de escrever tosse, acrescentando depois em texto livre as características da tosse. Assim, preservo o código para eventual comparação / estatística e registo em texto o que deve constar do (S) do SOAP.

 

Tenho seguido com algum interesse as angústias dos colegas que necessitam de usar um instrumento com o qual não se sentem à vontade. Julgo que seria interessante um debate mais profundo sobre isto. Há um artigo Norueguês que levanta a questão da ICPC não estar a ser usada pelos MF daquele país por não se sentirem adaptados a ela e por não ser capaz de descrever alguns eventos com suficiente detalhe; ao fim e ao cabo algo que foi hoje levantado neste fórum.

 

Concordo com as questões levantadas pelo Daniel em resposta ás dúvidas dos colegas.

 

Podemos continuar por escrito, mas, um dia destes, teremos que nos encontrar de forma organizada para um debate e para criar consensos sobre o uso da ICPC no RMOP. No próximo sábado, no MGF.net.talks, tenciono já lançar algum debate.

 

Também não entendo por que tem se trabalhar com fotocópias da ICPC, quando a versão pdf está disponível na Net (envio em anexo).

 

Abraços

 

Jaime Correia de Sousa

 

De: mgf-c...@googlegroups.com [mailto:mgf-c...@googlegroups.com] Em nome de Daniel Pinto


Enviada: domingo, 23 de Maio de 2010 23:10
Para: mgf-c...@googlegroups.com

Assunto: Re: [mgf-clinica] Sedentarismo

Sixteen years of ICPC use in Norwegian primary care.pdf
ICPC an essential tool in the EPR.pdf
ICPC 2.pdf

Daniel Pinto

unread,
May 23, 2010, 7:42:07 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Daniel a verde.


On 24-05-2010 00:01, Luís Filipe Gomes wrote:

LF, a azul (provocando…).

 

 

Luís Filipe, eu diria que a nossa necessidade de classificar é incontornável. Sempre que fazemos um diagnóstico ou registamos um problema, estamos a classificar – mas precisamos de um código? O problema é que não registamos sempre o mesmo código (e quando digo código não estou a falar da ICPC-2, é no sentido de significante). Muitas vezes chamamos nomes diferentes à mesma coisa. A classificação pode ser com códigos ou com palavras, tanto faz. O que é importante é que haja um "dicionário" onde estão definidos os significados das palavras.

Precisamos de uma classificação para investigar e estudar os nossos utentes e a nossa prática, Então porque é que os códigos nunca aparecem nos trabalhos publicados? E nós centramo-nos nas pessoas, e não nas doenças (diagnósticos, códigos…) Depende dos trabalhos. Claro que depende dos trabalhos, mas o facto de não aparecer não quer dizer que não seja útil. Se eu não classificar os doentes como é que os agrupo? Como é que eu digo que o grupo A teve mais enfartes que o grupo B se eu não tiver uma definição do que é um enfarte? É para isso que serve uma classificação. Se vamos pela via filosófica, convém lembrar que as doenças são construções teóricas nossas, para podermos arrumar a realidade em caixinhas que o nosso cérebro consegue compreender. Mais uma vez, não confundir classificação em geral com ICPC em particular. A questão é que a ICPC é, até ao momento e discutivelmente, a melhor classificação que temos para usar nos cuidados primários.

uma classificação é útil para melhor organizarmos os nossos registos clínicos agrupando os doentes em categorias nosológicas (com significado prognóstico e terapêutico) As categorias nosológicas não exigem codificação. Posso fazer tudo isso sem usar ICPC ou outra. E eu cá não gosto de ser agrupado… Nós, especialistas de MGF, somos especialistas nos nossos pacientes. As categorias nosológicas não são também elas uma classificação? Somos especialistas dos nossos utentes, mas se eu quiser estudar um grupo deles não é viável olhar para as características individuais de cada um, tenho de olhar para o que é comum e preciso de os agrupar.

pode ser uma ferramenta muito poderosa no planeamento e gestão dos recursos em saúde, pode ser, pode não ser, pode dar mais confusão (por exemplo ICPC versus CID 10 …) A ICPC e a ICD-10 têm tabelas que permitem fazer a correspondência. Não percebo qual é a dúvida... permite-nos ter uma linguagem comum (ainda que nem todos os utilizadores sejam fluentes na língua), etc. Pelos vistos não permite – a maior parte dos médicos não conhece a ICPC, por exemplo… e pelas dúvidas que vejo nas msg mais recentes, e por outras que tenho verificado ao longo dos anos (para lá da falta de discriminação)… Além disso, se eu digo “sedentarismo”, toda a gente me entende; se procuro classificar – ao contrário do esperado, aumento a entropia!!! O facto de eu não saber falar uma língua não quer dizer que ela não seja útil ou que ela não preste. Em relação à falta de discriminação, já dei a minha opinião ao Tiago noutro email: não conseguimos ter simplicidade e detalhe ao mesmo tempo. A ICD-10 é altamente discriminativa, mas a sua utilização no dia-a-dia é impraticável.

--

Jaime C Sousa (G-Mail)

unread,
May 23, 2010, 7:44:04 PM5/23/10
to mgf-c...@googlegroups.com

Concordo com o Daniel

 

Jaime Correia de Sousa

 

De: mgf-c...@googlegroups.com [mailto:mgf-c...@googlegroups.com] Em nome de Daniel Pinto


Enviada: segunda-feira, 24 de Maio de 2010 0:42
Para: mgf-c...@googlegroups.com

Assunto: Re: [mgf-clinica] ICPC

Maria José Ribas

unread,
May 24, 2010, 6:39:10 AM5/24/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Concordo em pleno com o Jaime.
Sugeria que fossemos para além dos códigos em si, mas também para o que é adequado classificar em cada um dos ítems S, A e P, pois tenho tomado consciência que a maioria dos colegas tem enormes dificuldades em fazer isto. No fundo, ir para além da ICPC e pensar em RMOP.
Começar, sensatamente pelo A como prioridade e ir avançando à velocidade que cada um consegue?

Maria José

2010/5/24 Jaime C Sousa (G-Mail) <jaime...@gmail.com>

A BS

unread,
May 24, 2010, 7:58:23 AM5/24/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Caros,
Na sequência do que diz o Jaime e a Mª José reforça, direi simplesmente que (i) não tenho tempo e (ii) não vejo utilidade clínica em usar a ICPC no RMOP (que sempre usei e continuo a usar o melhor que sei). Concordo, claro, com o Jaime: uma codificação deste tipo é útil para investigação. Ou seja, para quem faz a investigação. Não é útil para o clínico, não é útil para o paciente. Claro que a investigação acaba por se reflectir na nossa prática & etc - não preciso de que me cantem as loas da utilidade da investigação. Não é contudo razoável que se introduza uma perturbação deste calibre - porque é uma perturbação, e das grandes - no fluxo normal da consulta. Só seria possível num cenário de consultas que não tem nada a ver com a realidade da MGF concreta: um cenário de ambiente protegido, sem distracções, com tempo para gerir isto tudo. Não temos ese cenário nem o teremos durante as nossas vidas (eu, pelo menos, nunca o tive). Claro que todos podemos participar em estudos de curta duração usando esta metodologia; outra coisa é o registo sistemático de Ss, As e Ps, cuja utilidade está por ser demonstrada.
 
As classificações são supostas ser instrumentos facilitadores do trabalho, não um meio para dar emprego a gestores e investigadores num ciclo autoperpetuado que não serve nem pacientes nem clínicos. Se calhar convinha pensarmos nisto. O que eu quero como médico práctico são instrumentos automáticos que me permitam escrever MENOS e não mais, que me permitam pensar EM MENOS COISAS e não em mais. Quero que as análises apareçam no meus sistema já escritas, sem ter que digitar hemogramas inteiros e bioquímicas e microbiologias à unha. Quero que os relatórios de imagiologia apareçam no meu sistema já escritos, sem ter de matar os neurónios a resumir TACs, RMNs, ecocardiogramas e que tais. Quero que o sistema informático contabilize AUTOMATICAMENTE os telefonemas que recebo. Quero poder escrever em português normal, e o sistema que, AUTOMATICAMENTE, converta a minha linguagem natural em codificação, seja ela qual for. Quero ter tempo para me concentrar nos doentes e não perder tempo com merdas, ok?
 
Abraços,
Armando
(17 já cá cantam, fora uma dúzia de telefonemas, e logo à tarde há mais)

No dia 24 de Maio de 2010 11:39, Maria José Ribas <maria...@gmail.com> escreveu:
Concordo em pleno com o Jaime.
Sugeria que fossemos para além dos códigos em si, mas também para o que é adequado classificar em cada um dos ítems S, A e P, pois tenho tomado consciência que a maioria dos colegas tem enormes dificuldades em fazer isto. No fundo, ir para além da ICPC e pensar em RMOP.
Começar, sensatamente pelo A como prioridade e ir avançando à velocidade que cada um consegue?

Maria José

2010/5/24 Jaime C Sousa (G-Mail) <jaime...@gmail.com>

Caros

 

Interessante debate. Vou aproveitar para acrescentar algo que, há muito andava para escrever.

 

Eu comecei a ensinar o uso do RMOP há cerca de 20 anos no então ICGZN e mais tarde comecei a fomentar o uso das classificações (CIPS-2-definida e ICPC, depois ICPC-2) ao nível do IMGF na Zona Norte com o Francisco Salgueiro e Pedro Moura Relvas através dos cursos que aí organizámos e que se vieram a tornar quase obrigatórios para todos os internos. Também uso a ICPC-2  de forma ininterrupta há pelo menos 11 anos. Comecei por me habituar a codificar a consulta (S, A e P) na margem do processo clínico manual e a transcrever os códigos para o Piloto 32, mantendo um registo paralelo ao manuscrito (primeiro) e ao SAM (mais tarde). Isso permitiu-me uma informação estatística importante que possibilitou, p. exº, a publicação de um artigo pela Ana Mateus (então minha interna) com base nesses dados.

 

Em Agosto de 2009 parei de fazer duplo registo, passando a usar só o SAM.

 

Habituei-me a classificar as consultas e acabei por memorizar grande parte dos códigos ICPC. Agora, quando não me recordo de algum código, uso  a página da Internet do Daniel para o encontrar rapidamente.

 

Também há muito tempo decidi racional e justificadamente fazer algo pouco ortodoxo: no (S) não codifico apenas motivos de consulta. Apesar de saber que é assim que se devia fazer com a ICPC, quando estou a usar o RMOP em formato electrónico, o que me preocupa não é o uso da ICPC, mas sim o registo clínico e uso os códigos ICPC para “guardar” informação em formato de código para eventual posterior processamento, pelo que registo no (S) do SOAP, não só o MC como também sintomas referidos pelo doente.

 

Eu sei  que os puristas da ICPC poderão não concordar comigo, mas já discuti esta questão muitas vezes e assumo que deve ser assim. Quando quiser usar a ICPC para fins de investigação, então poderei ajustar às regras da ICPC.

 

Defendo que, quando usamos uma classificação como a ICPC, criada para outro fim, dentro do registo clínico electrónico (o que eu designo por RCE-OP – Registo Clínico Electrónico Orientado para a Pessoa), estamos a fazer uma adaptação  da mesma para um fim para o qual ela não foi criada, de certa forma a “forçar” a ICPC a caber dentro de uma lógica diferente. Como nessa altura a lógica a que devo dar prioridade é a lógica do registo clínico, não vejo nada de errado em se flexibilizar as regras para obter um outro benefício: descrição detalhada, pesquisável e comparável da nossa carga de trabalho, um manancial fantástico de dados epidemiológico que relacionam MC e sintomas com diagnósticos (problemas) e procedimentos.

 

Como me habituei a codificar e já sei quase todos os códigos mais frequentes de cor, acabo por digitar R05 em vez de escrever tosse, acrescentando depois em texto livre as características da tosse. Assim, preservo o código para eventual comparação / estatística e registo em texto o que deve constar do (S) do SOAP.

 

Tenho seguido com algum interesse as angústias dos colegas que necessitam de usar um instrumento com o qual não se sentem à vontade. Julgo que seria interessante um debate mais profundo sobre isto. Há um artigo Norueguês que levanta a questão da ICPC não estar a ser usada pelos MF daquele país por não se sentirem adaptados a ela e por não ser capaz de descrever alguns eventos com suficiente detalhe; ao fim e ao cabo algo que foi hoje levantado neste fórum.

 

Concordo com as questões levantadas pelo Daniel em resposta ás dúvidas dos colegas.

 

Podemos continuar por escrito, mas, um dia destes, teremos que nos encontrar de forma organizada para um debate e para criar consensos sobre o uso da ICPC no RMOP. No próximo sábado, no MGF.net.talks, tenciono já lançar algum debate.

 

Também não entendo por que tem se trabalhar com fotocópias da ICPC, quando a versão pdf está disponível na Net (envio em anexo).

 

Abraços

 

Jaime Correia de Sousa

 

 

--

Edgar Ferreira

unread,
May 24, 2010, 9:40:50 AM5/24/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Penso que estamos todos interessados em ver todo o nosso trabalho facilitado e não dificultado.
Transcrição de exames, trabalho de secretário não é propriamente tentador e faz-nos perder tempo e alguma paciência.
Contudo penso que devemos fazer outra discussão.
 
A investigação em MGF é fundamental e tem sido amplamente promovida.
A utilização de uma classificação como a ICPC-2 pode ser muito útil para trabalhos de investigação e clinicamente para o estudo individual da lista de cada um.
A ICPC como forma de registo pode facilitar imenso a investigação na nossa área, embora muito possa ser investigado sem esse tipo de registos.
Qual a representatividade de um trabalho de investigação feito com os registos de um médico ou de uma USF ou UCSP?
Teria todo o interesse recorrer a amostras mais significativas. Muito poderia ser feito em estudos retrospectivos se uma quantidade significativa de médicos fizesse os seus registos através de uma mesma classificação.
Para isso teriam que utilizar a classificação da mesma forma.
A ICPC pode ser um empecilho para quem não queira fazer investigação e dedicar-se meramente à clínica, utilizando-o somente para outros fins.
A questão que eu coloco é.
 
Haverá utilidade na utilização da ICPC-2 adaptada ao RMOP por médicos que tenham interesse em fazer investigação ou pelo menos em contribuir para uma base de dados de registos para que outros recorram (com a devida autorização) na realização de estudos retrospectivos mais representativos?
 
Caso haja poderiam uniformizar entre si os registos e constituir no fundo um núcleo de investigação.
Por outro lado, para quê perder tempo com esse trabalho se o melhor mesmo é fazer estudos prospectivos com condições mais controladas e com melhor qualidade mesmo que se perca a representatividade?
 
Digam de vossa justiça.

Mónica Granja

unread,
May 24, 2010, 10:17:20 AM5/24/10
to mgf-c...@googlegroups.com
citando A B Sá, venho aplaudir e subscrever
"O que eu quero como médico práctico são instrumentos automáticos que me permitam escrever MENOS e não mais, que me permitam pensar EM MENOS COISAS e não em mais. Quero que as análises apareçam no meus sistema já escritas, sem ter que digitar hemogramas inteiros e bioquímicas e microbiologias à unha. Quero que os relatórios de imagiologia apareçam no meu sistema já escritos, sem ter de matar os neurónios a resumir TACs, RMNs, ecocardiogramas e que tais. Quero que o sistema informático contabilize AUTOMATICAMENTE os telefonemas que recebo. Quero poder escrever em português normal, e o sistema que, AUTOMATICAMENTE, converta a minha linguagem natural em codificação, seja ela qual for. Quero ter tempo para me concentrar nos doentes e não perder tempo com XXX"

Nuno Sousa

unread,
May 24, 2010, 10:43:44 AM5/24/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Armando

como sabes, o Monitor analisa os textos do SOAP de médicos para sugerir algumas correcções relacionadas com classificação de alguns problemas de saúde pela ICPC-2. Fá-lo com uma especificidade de cerca de 90 % e com uma sensibilidade que nunca quantifiquei fora da USFD mas que na USFD tem valores a rondar os 85%.
 
eu penso que ainda estamos longe de poder ter um sistema que, em tempo real, e sem a ajuda dos nossos neurónios, faça a conversão automática dos nossos textos do SOAP numa codificação.
 
aqui o estar longe não é por um problema de programação (essa até seria exequivel), mas sim por causa da lentidão dos nossos PC's, ou seja, com as velocidades de processamento actuais, eu presumo que quando dissesses ao PC "analisa os meus textos" ele dir-te-ia "podes ir beber um café"
 
as restantes sugestões que fazes são muito mais exequíveis
 
quanto às minhas práticas de codificação pela ICPC, não codifico, por regra, nem motivos nem procedimentos.
 
abraço
 
ns
--
Dr. Nuno Sousa
Unidade Saúde Familiar Dafundo
nuno.m....@gmail.com
917426407

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Luís Filipe Gomes

unread,
May 24, 2010, 11:45:16 AM5/24/10
to mgf-c...@googlegroups.com

Nem mais. LF

 

De: mgf-c...@googlegroups.com [mailto:mgf-c...@googlegroups.com] Em nome de A BS
Enviada: segunda-feira, 24 de Maio de 2010 12:58
Para: mgf-c...@googlegroups.com
Assunto: Re: [mgf-clinica] Sedentarismo

 

Caros,

Na sequência do que diz o Jaime e a Mª José reforça, direi simplesmente que (i) não tenho tempo e (ii) não vejo utilidade clínica em usar a ICPC no RMOP (que sempre usei e continuo a usar o melhor que sei). Concordo, claro, com o Jaime: uma codificação deste tipo é útil para investigação. Ou seja, para quem faz a investigação. Não é útil para o clínico, não é útil para o paciente. Claro que a investigação acaba por se reflectir na nossa prática & etc - não preciso de que me cantem as loas da utilidade da investigação. Não é contudo razoável que se introduza uma perturbação deste calibre - porque é uma perturbação, e das grandes - no fluxo normal da consulta. Só seria possível num cenário de consultas que não tem nada a ver com a realidade da MGF concreta: um cenário de ambiente protegido, sem distracções, com tempo para gerir isto tudo. Não temos ese cenário nem o teremos durante as nossas vidas (eu, pelo menos, nunca o tive). Claro que todos podemos participar em estudos de curta duração usando esta metodologia; outra coisa é o registo sistemático de Ss, As e Ps, cuja utilidade está por ser demonstrada.

 

As classificações são supostas ser instrumentos facilitadores do trabalho, não um meio para dar emprego a gestores e investigadores num ciclo autoperpetuado que não serve nem pacientes nem clínicos. Se calhar convinha pensarmos nisto. O que eu quero como médico práctico são instrumentos automáticos que me permitam escrever MENOS e não mais, que me permitam pensar EM MENOS COISAS e não em mais. Quero que as análises apareçam no meus sistema já escritas, sem ter que digitar hemogramas inteiros e bioquímicas e microbiologias à unha. Quero que os relatórios de imagiologia apareçam no meu sistema já escritos, sem ter de matar os neurónios a resumir TACs, RMNs, ecocardiogramas e que tais. Quero que o sistema informático contabilize AUTOMATICAMENTE os telefonemas que recebo. Quero poder escrever em português normal, e o sistema que, AUTOMATICAMENTE, converta a minha linguagem natural em codificação, seja ela qual for. Quero ter tempo para me concentrar nos doentes e não perder tempo com merdas, ok?

 

Abraços,

Armando

(17 já cá cantam, fora uma dúzia de telefonemas, e logo à tarde há mais)

--

Maria Isabel Pereira dos Santos

unread,
May 24, 2010, 11:59:47 AM5/24/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Pois eu acho útil este exercicio...porque agora já não disponho do meu querido ficheiro em papel...e as referenciações, cartas aos colegas levam aquilo tudo muito bem arrumadinho.Até os planos para os doentes seguem com aquela informação. Os codigos são neste aspecto e para aquele programa meramente instrumentais Ou será que sou lorpa e o SAM permite-me ter uma listagem de problemas sem que promova a classificação dos mesmos? E os antecentes pessoais e familiares? Como fazem se não codificam?
Estou sempre a aprender....
Um abraço
IS

Em 24 de maio de 2010 16:45, Luís Filipe Gomes <gomes....@netcabo.pt> escreveu:

Nem mais. LF

 

De: mgf-c...@googlegroups.com [mailto:mgf-c...@googlegroups.com] Em nome de A BS
Enviada: segunda-feira, 24 de Maio de 2010 12:58
Para: mgf-c...@googlegroups.com
Assunto: Re: [mgf-clinica] Sedentarismo

 

Caros,

Na sequência do que diz o Jaime e a Mª José reforça, direi simplesmente que (i) não tenho tempo e (ii) não vejo utilidade clínica em usar a ICPC no RMOP (que sempre usei e continuo a usar o melhor que sei). Concordo, claro, com o Jaime: uma codificação deste tipo é útil para investigação. Ou seja, para quem faz a investigação. Não é útil para o clínico, não é útil para o paciente. Claro que a investigação acaba por se reflectir na nossa prática & etc - não preciso de que me cantem as loas da utilidade da investigação. Não é contudo razoável que se introduza uma perturbação deste calibre - porque é uma perturbação, e das grandes - no fluxo normal da consulta. Só seria possível num cenário de consultas que não tem nada a ver com a realidade da MGF concreta: um cenário de ambiente protegido, sem distracções, com tempo para gerir isto tudo. Não temos ese cenário nem o teremos durante as nossas vidas (eu, pelo menos, nunca o tive). Claro que todos podemos participar em estudos de curta duração usando esta metodologia; outra coisa é o registo sistemático de Ss, As e Ps, cuja utilidade está por ser demonstrada.

 

As classificações são supostas ser instrumentos facilitadores do trabalho, não um meio para dar emprego a gestores e investigadores num ciclo autoperpetuado que não serve nem pacientes nem clínicos. Se calhar convinha pensarmos nisto. O que eu quero como médico práctico são instrumentos automáticos que me permitam escrever MENOS e não mais, que me permitam pensar EM MENOS COISAS e não em mais. Quero que as análises apareçam no meus sistema já escritas, sem ter que digitar hemogramas inteiros e bioquímicas e microbiologias à unha. Quero que os relatórios de imagiologia apareçam no meu sistema já escritos, sem ter de matar os neurónios a resumir TACs, RMNs, ecocardiogramas e que tais. Quero que o sistema informático contabilize AUTOMATICAMENTE os telefonemas que recebo. Quero poder escrever em português normal, e o sistema que, AUTOMATICAMENTE, converta a minha linguagem natural em codificação, seja ela qual for. Quero ter tempo para me concentrar nos doentes e não perder tempo com merdas, ok?

 

Abraços,

Armando

(17 já cá cantam, fora uma dúzia de telefonemas, e logo à tarde há mais)

--
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--
Isabel Santos
Directora do Departamento de Medicina Geral e Familiar
Faculdade de Ciências Médicas
Campo dos Mártires da Pátria, 130
1169-056 Lisboa-Portugal
isabel...@fcm.unl.pt
(+351) 21 880 30 61

José Mendonça

unread,
May 24, 2010, 1:42:43 PM5/24/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Caros colegas:
 
Interessantíssimo este debate, que começou no sedentarismo e alastrou à utilidade (ou não...) de usar um sistema de calssificação próprio para Cuidados Primários (ICPC ou outro futuramente..)
Comungo de algumas das posições já aqui expressas de dificuldade do uso sistemático deste ou qualquer outro sistema de classificação para codificação de todos os passos da consulta - isso iria deixar-nos sem tempo para o que é de facto primordial na nossa especialidade, que é a consulta e a relação médico-doente.
Só o entendo numa perpectiva de investigação.
Há longos anos que me habituei a usar a ICPC para codificar os problemas de saúde constantes da "lista de problemas" com as dificuldades que já partilhei aqui e noutras mailing-lists.
Utilizei a ICPC ainda para um trabalho que efectuei sobre motivos de consulta, mas não faço esse registo regular.
Começo a ter cada vez mais certeza que é importante um debate alargado sobre o uso da ICPC, se calhar mais eficaz num formato de Worksop, embora para adiantar, se possa ir "partindo pedra" através deste ou de outro forum, para que, de algum modo, se consensualize o que é possível consensualizar.
Não conhecia a página do Daniel, a quem dou os parabéns pela iniciativa e pela pachorra...
Antes, qd tinha dúvidas, utilizava a versão electrónica "demo" da ICPC-Plus, com as dificuldades inerentes ao uso de termos em inglês que nem sempre nos ocorrem quando necessitamos de classificar...
Estes desejos do Armando são também os meus (incluindo o não ter que perder tempo com algumas merdices, eh, eh...).
Quando teremos uma aplicação informática deste tipo?
Abraços
 
José Mendonça

Jose Nunes

unread,
May 24, 2010, 8:14:41 PM5/24/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Cara(o)s,
 
Esta discussão tem sido interessante e vai continuar. É uma profecia redundante com a função  de, apenas, lembrar que o problema das codificações está e estará sempre inacabado e que qualquer classificação é datada e, por isso, se sucedem erosões.
Antes de mais, a ICPC nasceu para, e passo a citar, "recolher dados de investigação e adopção de linhas de conduta". Depois surgiram novos âmbitos de aplicação como "descrever episódios de cuidados médicos e informatizar fichas de doentes".
Sucede que se passou (ou melhor, adaptou-se) da classificação de "episódios" para a de classificação de consultas e, já estão, às vezes, a querer utilizá-la para classificar "doentes".
Nesta discussão diz-se "Uma classificação deveria ser à partida objectiva com regras bem definidas, claras para todos, mas não me parece que seja isso o que acontece.

Duvido que 2 médicos utilizem o ICPC-2 da mesma forma. Como fazer comparações assim
?"
Deveria!!! Claro que dava jeito! mas conhecem alguma classificação perfeita?
A Medicina também devia ser objectiva, mas não é!
O Daniel lembrou  (e muito bem) que a classificação é um constructo não é a realidade em si. Não confundam a classificação com a realidade! Não confundam o mapa com o território!  E pior, a ICPC já é um constructo para classificar, por sua vez, outros constructos, como são os diagnósticos.
Passámos anos a estudar para aprender a identificar as diferentes entidades nosológicas que já conhecemos e ainda há tantas que desconhecemos! Mas, apesar destes anos de estudo, a diversidade de interpretações clínicas  é enorme, pelo menos muito mais do que seria desejável. O mesmo doente com os mesmos sintomas, para um pode ter fibromialgia, para outro depressão, para outro uma síndrome de deficit postural, outro dirá uma síndrome somatoforme, aquele outro dirá que é uma somatização e outro ainda dirá que "não tem nada" e, no entanto, o doente é o mesmo e os sintomas também. Então vocês exigem de uma classificação que seja isenta de interpretações dúbias!!. Claro que devem exigir isso mas têm que partir do principio que por muito perfeita haverá sempre descrições e definições ambíguas.
A ICPC é um instrumento de comunicação, como tal recorre a códigos (ou símbolos) que como tal têm um significando que qualquer um sabe ler, contudo os seus "significados" dependem da cultura (do conhecimento). Portanto usar a ICPC exige estudo e treino, e pode-se até não estar de acordo com alguns símbolos, mas isso não significa que decida sozinho utilizar o mesmo símbolo para outro significado só porque assim o entende. Posso não estar de acordo com a existência de Fibromialgia, mas se me quiser fazer entender eu tenho que usar os critérios que definem a fibromialgia. 
CLARO QUE A ICPC ESTÁ CHEIA DE INSUFICIÊNCIAS!!
A ICPC podia ser diferente? Podia mas não seria a mesma coisa!
Até este momento é a mais usada universalmente nos cuidados de saúde primários. É uma classificação para os cuidados de saúde primários e, como tal, só discrimina problemas cuja frequência seja superior a 1caso/1000habitantes/ano. Podem desejar que ela tenha um poder mais discriminador mas tal implicaria uma perda de funcionalidade, além disso, como a classificação tem tábuas de conversão para a CID-10, então pode-se recorrer a esta quando isso é necessário mas escusamos de sobrecarregar todos com o desejo de minúcia de alguns. Os sistemas informáticos que actualmente usamos permitem facilmente essa discriminação usando a CID-10. A ICPC é uma classificação, não é uma nomenclatura ou um thesaurus.
Também partilho da ideia que na clínica quotidiana só faz sentido usar a classificação dos problemas, e isto porque é a única forma de "obter dados de morbilidade em medicina geral para os sistemas de informação de saúde nacional".
Quanto à classificação dos Motivos de Consulta e dos Procedimentos, a meu ver só faz sentido em contexto de investigação e não de rotina. Também concordo que eles deviam estar definidos. Mas uma definição de ambito universal têm o problema da lentidão da sua evolução. Qualquer evolução implica ter em conta a maioria das sensibilidades multiculturais.
De qualquer modo ,não vejo inconveniente em que se proceda localmente às definições destes componentes, desde que se explicite o âmbito (ou o limite) cultural das mesmas.
Já tenho visto internos que, de tanta preocupação em codificar os Motivos da Consulta, deixam de registar as queixas do doente e passam apenas a registar inferências, "martelando" as queixas de modo a elas "caberem" nas definições dos códigos.
Quanto ao incomodo de registar a ideia que o doente tem da sua queixa, convém esclarecer que o motivo da consulta é de facto determinado pelo doente (a não ser que a consulta tenha sido da nossa iniciativa). Ao menos, não nos apropriemos do seu significado da sua queixa. Se ele vem com uma dor no peito e pensa que é do pulmão, esse é realmente o motivo da procura, apesar de poder ser uma condrite condro-esternal. Este é um diagnóstico que resulta do meu julgamento clínico. Aquele é realmente o motivo da consulta e como tal deve ser registado, tanto mais que o que trouxe o doente à consulta não é a "dor no peito" mas sim o que ele "pensa sobre a dor no peito". Daí, e isto é uma opinião, achar que no motivo deve ser registado o que e da forma como o doente diz (e não as minhas interpretações ou inferências) e, eu sei, é uma heresia à luz da doutrina da medicina hospitalar. Mas este registo permite a qualquer momento eu rever como se apresentou e como  evoluiu o episódio. Se eu pretender codificar por qualquer motivo as "queixas do doente", isso é um trabalho que devo fazer à posterior e não no momento da consulta.
 
Em resumo:
A ICPC deve ser usada na clínica diária para classificar os Problemas (independentemente de algumas rubricas poderem ser mais discriminadas com sub-rubricas).
Os Motivos de Consulta e os Procedimentos devem ser codificados em situações especificas de investigação ou de avaliação de qualidade ou outras, mas nunca de modo rotineiro.
O investimento em termos de formação universal deve ser feito predominantemente na classificação dos problemas. Isto não quer dizer que não deva fazer parte do curriculum básico de MGF a aprendizagem na coficação de todos os componentes.
Não usem a ICPC para codificar doentes.
A consensulização dos códigos da ICPC está ao mesmo nível e, entre nós no mesmo estadio de desenvolvimento, da consensualização das formas de registo nos suportes informáticos que usamos actualmente, ou seja ,estamos entre o nível 2, nalguns locais, e, noutros, no nível 3 (para definições ver o quadro abaixo). Neste momento, por exemplo, alguémm tem a certeza onde todos registam as citologias que são feitas? Ou mesmo as Hemoglobinas glicadas?
Níveis de maturidade de um sistema de informação

Níveis

Designação

Descrição

0

Base papel

Sem sistemas computorizados. É o “pencil and paper”. Toda a actividade está totalmente baseada no papel.

1

Computorizado

Tem sistemas computorizados, mas são usados apenas pelos administrativos que se limitam a registar a produção. Não são usados pelos clínicos.

2

Computorização de toda a equipa

Tem sistemas computorizados e são usados por todos os profissionais (administrativos, médicos e enfermeiros). A unidade começou a usar o computador para armazenar informação clínica. Como a informação é armazenada como texto livre, o sistema apenas é usado como bloco de notas electrónico. Não se tira partido deste manancial de informação.

3

Codificação

Uso limitado de uma classificação (no nosso caso a ICPC). A codificação é incipiente e não está assegurada a sua consistência, isto é, que todos codificam a mesma coisa com códigos iguais. Já retiram alguns benefícios mas poucos. A maior parte do trabalho permanece por fazer.

4

Feito à medida

O sistema está desenhado de acordo com as necessidades da prática recorrendo a políticas acordadas de codificação e segundo protocolos clínicos. É compatível com os padrões de qualidade dos cuidados primários. Conseguem tirar benefícios que suplantam o esforço e o sistema de informação suporta a governação clínica como uma actividade de rotina.

5

Sem papel

A unidade não usa papel, excepto quando é uma exigência legal. Implementa áreas de desenvolvimento profissional contínuo.

 
A DISCUSSÃO CONTINUA!!!
.
Desculpem a poluição comunicacional que acabo de gerar.
 
José Mendes Nunes
USCP de Almeirim
Departamento MGF, FCM-UNL
--
José M Nunes

Luís Filipe Gomes

unread,
May 24, 2010, 8:49:08 PM5/24/10
to mgf-c...@googlegroups.com

Muito bem, José Manuel! Já estou mais satisfeito…

 

LF

 

De: mgf-c...@googlegroups.com [mailto:mgf-c...@googlegroups.com] Em nome de Jose Nunes
Enviada: terça-feira, 25 de Maio de 2010 01:15
Para: mgf-c...@googlegroups.com
Assunto: Re: [mgf-clinica] Sedentarismo

 

Cara(o)s,

 

Esta discussão tem sido interessante e vai continuar. É uma profecia redundante com a função  de, apenas, lembrar que o problema das codificações está e estará sempre inacabado e que qualquer classificação é datada e, por isso, se sucedem erosões. 

 

 

A DISCUSSÃO CONTINUA!!!

 

Até à classificação final, sempre!

LF

A BS

unread,
May 25, 2010, 2:33:12 AM5/25/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Zé, em cheio.
:))
ABS


No dia 25 de Maio de 2010 01:14, Jose Nunes <josemen...@gmail.com> escreveu:
Cara(o)s,
 
Esta discussão tem sido interessante e vai continuar. É uma profecia redundante com a função  de, apenas, lembrar que o problema das codificações está e estará sempre inacabado e que qualquer classificação é datada e, por isso, se sucedem erosões.
Antes de mais, a ICPC nasceu para, e passo a citar, "recolher dados de investigação e adopção de linhas de conduta". Depois surgiram novos âmbitos de aplicação como "descrever episódios de cuidados médicos e informatizar fichas de doentes".
Sucede que se passou (ou melhor, adaptou-se) da classificação de "episódios" para a de classificação de consultas e, já estão, às vezes, a querer utilizá-la para classificar "doentes".
Nesta discussão diz-se "Uma classificação deveria ser à partida objectiva com regras bem definidas, claras para todos, mas não me parece que seja isso o que acontece.

Alexandra Fernandes

unread,
May 25, 2010, 6:47:22 AM5/25/10
to mgf-c...@googlegroups.com, Alexandra Fernandes

Querido Armando,

 

Concordo completamente contigo! Também utilizo ferranhamente a ICPC para a codificação dos problemas de saúde, mas só a uso para codificar S e P quando está em curso algum trabalho de investigação em que veja utilidade. Na minha USF vários médicos utilizam a ICPC sistematicamente no S, A e P, e dizem que isso não lhes dificulta o trabalho, mas até agora tenho sempre resistido a isso, porque prefiro dedicar o meu tempo e atenção aos muitos e complicados doentes que todos temos…

 

Enfim, é sempre bom perceber que o meu antigo “chefe”, que ainda por cima é Prof, continua, como eu, a questionar todo o  trabalho adicional para o qual não encontra benefício inquestionável.

 

Um beijinho amigo

 

Da tua primeira interna

 

Alexandra Fernandes

Jaime C Sousa (G-Mail)

unread,
May 25, 2010, 6:12:01 PM5/25/10
to mgf-c...@googlegroups.com

Caros

 

Fico satisfeito com o debate intenso a acalorado sobre este tema. Pelos vistos este é um assunto bem sensível aí para o Sul. Por que será?

 

Citando Zé Nunes

Quanto à classificação dos Motivos de Consulta e dos Procedimentos, a meu ver só faz sentido em contexto de investigação e não de rotina. Também concordo que eles deviam estar definidos.

Sim, de acordo, mas não só; na minha opinião, faz sentido usar a classificação também com outros objectivos, entre outros:

1.       Ensino / formação – quem tem alunos e/ou internos deve proporcionar-lhes a possibilidade de treinarem o uso da ICPC; para isso, deve-se saber fazer e, para isso, deve treinar, fazendo

2.       Auto-avaliação: possibilidade de avaliar criticamente o seu próprio trabalho, avaliar que tipo de procedimentos, se associam a determinados diagnósticos (problemas)

3.       Avaliação da carga de trabalho – e não estou a pensar em termos de avaliação de indicadores

 

Citando ABS

(i) não tenho tempo e (ii) não vejo utilidade clínica em usar a ICPC no RMOP (que sempre usei e continuo a usar o melhor que sei). Concordo, claro, com o Jaime: uma codificação deste tipo é útil para investigação. Ou seja, para quem faz a investigação.

Sim, mas não só (ver acima)

(…) O que eu quero como médico práctico são instrumentos automáticos que me permitam escrever MENOS e não mais, que me permitam pensar EM MENOS COISAS e não em mais. Quero que as análises apareçam no meus sistema já escritas, sem ter que digitar hemogramas inteiros e bioquímicas e microbiologias à unha. Quero que os relatórios de imagiologia apareçam no meu sistema já escritos, sem ter de matar os neurónios a resumir TACs, RMNs, ecocardiogramas e que tais. Quero que o sistema informático contabilize AUTOMATICAMENTE os telefonemas que recebo. Quero poder escrever em português normal, e o sistema que, AUTOMATICAMENTE, converta a minha linguagem natural em codificação, seja ela qual for. 

Concordo, também quero, mas não tenho uma visão tão radicalmente depreciativa da ICPC; para mim, ela não me foi imposta, fui eu que a procurei, habituei-me a usá-la e dou-me bem com ela, mas compreendo que nem todos queiram dar esse passo. É como conduzir automóvel, inicialmente é difícil, agora consigo conversar, ouvir música e mesmo falar ao telefone enquanto se conduz.

Embora use diariamente a ICPC, sou dos que lhe encontro muitas limitações e defeitos, com os quais convivo bem, tal como referiu o Zé Nunes. Algumas das vossas objecções parecem-me pertinentes, mas daí até se lançar uma cruzada anti-ICPC ou dizer que ela está ao serviço de “gestores e investigadores auto-perpetuados” (sic), vai um grande passo.

Mas uma coisa é certa, se nós não a utilizarmos correctamente e se não definirmos bem dentro da profissão quando e como a usar, haverá sempre um burocrata em cada esquina pronto para nos exigir que o façamos, não sabendo muito bem por quê nem para quê.

 

Abraços

 

 

Jaime Correia de Sousa

 

De: mgf-c...@googlegroups.com [mailto:mgf-c...@googlegroups.com] Em nome de Jose Nunes
Enviada: terça-feira, 25 de Maio de 2010 1:15
Para: mgf-c...@googlegroups.com
Assunto: Re: [mgf-clinica] Sedentarismo

 

Cara(o)s,

toni_a...@portugalmail.pt

unread,
May 26, 2010, 1:00:32 PM5/26/10
to mgf-c...@googlegroups.com


Na sequência da ampla discussão acerca do ICPC-2 e da necessidade de facilitar o trabalho colocava à discussao a possibilidade dos laboratórios passarem a enviar os resultados das análises pedidas por nós para o nosso mail e de preferência criar um formato que permita passar esses resultados directamente para o SAM.

Alguem acha isto exequivel?

Antonieta Azeredo

USF Nascente, ACES Gondomar



________________________________________________________________________________
O email é um dos seus instrumentos de trabalho?
http://www.portugalmail.net/profissional

Edgar Ferreira

unread,
May 26, 2010, 1:34:09 PM5/26/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Quem fala para o SAM, fala para o MedicineOne, VitaCare e outros que mais.
Isso seria excelente mas há que ter alguns pormenores em consideração.
As análises são do utente ou são nossas?
 
Se são como penso do utente, deveria haver uma forma de este dar o seu consentimento para serem enviados directamente para o seu médico de família ou outros profissionais que entenda.
Ír de propósito ao Médico só para mostrar umas análises normais e o Médico perder tempo a transcrever é tempo desperdiçado para ambos. É claro que muitas vezes podemos aproveitar esses momentos para fazermos algo de oportunístico.
Precisamos de INTERFACES entre laboratórios, centros imagiológicos e os nossos sistemas de registo informatizado além de ultrapassar (penso que é fácil) algumas questões legais.
Estou ansioso para que passemos a essa fase, dedicar-nos ao que é importante!

--
Recebeu esta mensagem por estar inscrito no grupo "MGF Clínica". Para enviar mensagens para o grupo escreva um email para mgf-c...@googlegroups.com.
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http://groups.google.com/group/mgf-clinica?hl=pt-PT



--
Edgar Ferreira

Rosa Duarte Ferreira

unread,
May 26, 2010, 1:50:54 PM5/26/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Há um ano realizei um estágio num centro de atenció primària (CAP) na Catalunha e, de facto, os exames complementares de diagnóstico estavam registados no programa utilizado (OMIap). Só se tornou exequível por haver interface entre o laboratório do Hospital (para onde era enviado o sangue das colheitas efectuadas no CAP), clínicas de imagiologia, etc e o centro. De referir que a terra onde o estágio foi realizado tinha cerca de 40.000 habitantes, com muito menor quantidade de clínicas a oferecer esses serviços.
Creio que em Portugal, para já, só seria exequível o modelo de envio para o mail, em formato compatível com os programas.
Alguns laboratórios de análises clínicas, mediante consentimento assinado pelo utente, já permitem o envio dos resultados para o mail do mesmo e de forma célere.
 
Cumprimentos,
 
Rosa Duarte Ferreira

Edgar Ferreira

unread,
May 26, 2010, 2:00:17 PM5/26/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Também fiz um estágio em Newcastle e os utentes têm que ír ao seu médico para saberem os resultados das análises. As colheitas eram feitas no próprio Centro de Saúde, parece-me uma situação semelhante. A diferença é que lá não é habitual ver laboratórios privados, os exames complementares de diagnóstico ficam centralizados nos Hospitais sendo essa informação imediatamente disponível nos Centros de Saúde.
O facto de existirem tantos laboratórios privados pode dificultar esse processo cá, mas penso que todos ganhamos com isso.

--
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--
Edgar Ferreira

Maria José Ribas

unread,
May 27, 2010, 3:38:15 AM5/27/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Pelo que sei, essa possibilidade foi recentemente abordada pela ACSS e está pensada como um desejo futuro de se concretizar.

Maria José Ribas
--

António Branco

unread,
May 27, 2010, 4:05:17 AM5/27/10
to mgf-c...@googlegroups.com

É possível e os informáticos dizem que é fácil, pelo menos no Medicine One.

Tratando-se de possibilidade “recentemente abordada pela ACSS” então é melhor esperarmos sentados: não conheço nenhuma história de sucesso que tenha começado com aquela formulação – se depender do IGIF não vai acontecer !.

Já seria óptimo se nos “dessem licença” para nós fazermos…

 

António Branco

 

USF Stª Maria - Tomar

 

De: mgf-c...@googlegroups.com [mailto:mgf-c...@googlegroups.com] Em nome de Maria José Ribas


Enviada: quinta-feira, 27 de Maio de 2010 08:38
Para: mgf-c...@googlegroups.com

Pascale

unread,
May 30, 2010, 6:06:11 AM5/30/10
to mgf-c...@googlegroups.com

Discussão interessante.

Duas das nossas internas têm questionado acaloradamente a classificação dos motivos de consulta como tarefa de internato.

A Ana Pisco veio dar-nos uma Jornada de formação, relemos a ICPC2 (introdução), discutimos nos corredores ou em reunião.

Insistimos na sua importância (mas só uma ou duas semanas) sobretudo para melhorarem a argumentação delas e sentirem na pele as vantagens e desvantagens deste tipo de classificação.

Acho que foi útil sobretudo no início como ponto de partida para reflectir sobre motivos de consulta: o como esquecemos tão rapidamente o motivo e passamos logo a encaixar em problema, a necessidade de deixar por escrito as palavras do paciente para revisitá-las quando andamos às voltas para perceber como ajudar as pessoas. Neste caso a classificação é algo negativa na medida onde reforça esta tradução para mediquês das palavras do paciente. Mas pode ajudar-nos a reflectir sobre a nossa tomada de decisão: também só vejo no quadro duma investigação desenhada para tal.

 

De resto acho uma boa ajuda a classificação em A, preciso da lista de problemas (o M1 ajuda a traduzir em código e não tenho de fazer quase nada) para começar a consulta, para referenciar (os colegas agradecem as nossas novas referenciações, até alguns lembram-se de responder), para assinalar os efeitos secundários dos medicamentos, dos factores de risco específicos, etc. E é muito útil em qualidade: conseguimos cruzar muito rapidamente fibrilhação auricular / varfine/ idade por exemplo.

 

De qualquer forma, já podemos dar acesso às internas a esta discussão dos seniores: ficam com uma base de argumentação sólida para tomarem decisões.

 

Pascale

 

 

 

 


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Maria José Ribas

unread,
May 31, 2010, 4:17:10 AM5/31/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Volto a entrar na discussão para vos dar uma visão um bocadinho fora dos nossos consultórios.
É que se todos classificarmos sistematicamente o A e fizermos as listas de problemas activos, temos agora à nossa disposição o SIARS que nos pode ajudar a identificar o nº de doentes classificados com determinado problema de saúde.
Podemos desta forma começar a aproximar-nos de algumas prevalências de doenças existentes na comunidade (de uma forma rude, claro), mas que é algo que muitos de nós gostaríamos de saber.
Por outro lado, e pensando numa óptica de gestão de recursos de saúde, seria interessante finalmente poder provar que outras doenças que não a HTA e a DM são também fonte de necessidades em saúde, de tempo de trabalho dos profissionais, de morbilidade na comunidade, de gastos em saúde e isto não é investigação e usar os dados para gerirmos mehlor a nossa prática.
 
Desculpem se isto não vos diz nada, mas no conselho clínico isto é muito útil.
 
Maria José

2010/5/30 Pascale <pasc...@sapo.pt>

A BS

unread,
May 31, 2010, 6:42:38 AM5/31/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Q.E.D.!!!
 
:))
 
Abraço,
Armando

No dia 31 de Maio de 2010 09:17, Maria José Ribas <maria...@gmail.com> escreveu:
(snip)

Mónica Granja

unread,
May 31, 2010, 10:05:45 AM5/31/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Zé, isto só nos diz pouco porque para nós não existe. Se os CC dispõem destes dados, eu também devia dispôr dos meus dados a qualquer momento. Aí, eu estaria muito mais motivada para classificar os A e os antecedentes (e, por ter feed-back, fá-lo-ia com muito mais qualidade). É que andamos há demasiado tempo a ouvir que termos acesso a estes dados é uma questão de tempo (e eu a meter dados no SAM há mais de 5 anos, sem nada em troca).

Maria José Ribas

unread,
May 31, 2010, 3:21:08 PM5/31/10
to mgf-c...@googlegroups.com
Tens total razão.
Só posso responder por mim e pelo que eu faço no ACES onde trabalho.
No nosso caso, os dados respeitantes a cada Unidade estão à disposição de quem quiser e só não os fornecemos nós próprios mais activamente porque o "data mining" tira-nos horas e horas de trabalho, pelo que temos de estabelecer prioridades.
A informação é para partilhar e circular. Quanto mais informados estiverem os profissionais melhor podem tomar as suas decisões.

MJ

2010/5/31 Mónica Granja <monica...@netcabo.pt>
--
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