MEMO. CIRC. Nº. 05/2015 – Diretoria/FM
Manaus, 06 de fevereiro de 2015.
ILMOS. SRS.
DOCENTES E DISCENTES DA FACULDADE DE MEDICINA
ASSUNTO: Participação dos Estudantes de Medicina em atividades extracurriculares que exigem excessiva quantidade de carga-horária extra e consequências
Prezados Professores da Faculdade de Medicina e Comunidade Acadêmica da UFAM,
Através deste, estamos encaminhando a Vossa Senhoria o Ofício Nº 015/2015 - Diretoria/FM, de 30 de janeiro de 2015 (ANEXO). O documento faz análise de vários aspectos relacionados ao momento que estamos vivenciando na Faculdade de Medicina, relacionado com a solicitação de BOLSAS e realização de atividades extracurriculares pelos nossos estudantes e professores.
Com referência ao PIBEX - Programa Institucional de Bolsas de Extensão - foi verificado existirem diversos problemas que acabam por impossibilitar que um aluno de medicina realize as atividades exigidas no Edital. Um deles diz respeito à carga horária exigida ao aluno para ser cumprida. Existem outros problemas, tais como:
Deve ser frisado que a finalidade do PIBEX é de distribuir BOLSAS, tanto faz para as Ligas, como para outros projetos quaisquer. Em se tratando de Universidade, o óbvio é que devemos focar no mérito acadêmico.
A constatação preocupante é que TODOS os projetos inscritos do PIBEX descrevia um excesso de horas exigidas que devem ser cumpridas pelos alunos do curso de Medicina por semana (e também para os professores). O cálculo é bastante simples. Um aluno bolsista deve cumprir 20 horas por semana e o voluntário, 12 horas por semana. Se considerarmos que um ano tem 52 semanas, basta multiplicar por 20 (ou 12) e teremos: cerca de 1000 (mil) horas (para os bolsistas) e 600 (seiscentas) horas para o voluntário Além da carga-horária que ele está utilizando para o curso formal.
Vemos que paralelamente nossos alunos já estão cumprindo elevada e pesada carga-horária no nosso curso formal (PPC-2010; DNC-2001 e DCN-2014), totalizando cerca de 8700 horas presenciais. Se considerarmos que cada aluno deve estudar uma hora a mais para cada aula-presencial, este valor duplica, ou seja, um aluno deve cumprir cerca de 17.000 (dezessete mil) horas para se graduar em medicina.
Acreditamos que a Universidade e suas Pró-Reitorias devem nos direcionar quanto a este problema, em especial na Faculdade de Medicina. Em sendo impossível que nosso aluno cumpra a carga-horária exigida, como proceder? Tal aspecto se coloca em todo o PIBEX, nas Ligas Acadêmicas ou em quaisquer projetos.
Deve ser frisado que o Ofício Nº 15/2015 de 30/01/2015 de 30/01/2015 foi encaminhado para Reitora, bem como para as Pró-Reitorias (PROEXT, PROEG e PROPESP). Informamos que estamos disponíveis para discutir com a Câmara de Extensão para que tal assunto seja discutido conosco sobre este grave problema que nos afeta, junto com a Coordenação de Curso de Medicina e Núcleo Docente Estruturante. Acreditamos que a PROEXT esteja utilizando os mesmos critérios para avaliar os Projetos. Se existem outros parâmetros, temos a dizer que são desconhecidos pelos membros do COMEXI.
Sem outro assunto, Subscrevemo-nos.
Atenciosamente,
Prof. Dr. Dirceu Benedicto Ferreira
Diretor da Faculdade de Medicina da UFAM
Presidente do COMEXI
OF. Nº 015/2015 – Diretoria/FM ANEXO
Manaus, 30 de janeiro de 2015.
ILMOS.
PROF. LUIZ FREDERICO MENDES DOS REIS ARRUDA
MD. PRÓ-REITOR DE EXTENSÃO E INTERIORIZAÇÃO/UFAM
PROF. LUCÍDIO ROCHA SANTOS
MD. PRÓ-REITOR DE ENSINO DE GRADUAÇÃO/UFAM
ASSUNTO: Análise dos Projetos para o PIBEX 2015 e inviabilidade de execução dos mesmos, devido ao excesso de carga horária exigida para os alunos.
Senhores Pró-Reitores,
O Comitê de Extensão da Faculdade de Medicina (COMEXI da FM) recebeu 35 (trinta e cinco) Projetos inscritos no PIBEX – Programa Institucional de Bolsas de Extensão.
Depois de muita análise e discussões vemos a necessidade de expor alguns comentários acerca dos mesmos, contextualizando com o atual Curso de Medicina da UFAM, vendo-o na globalidade.
Temos a considerar o recebimento de denúncias em conversas e entrevistas que muitos estudantes de Medicina estão em tratamento psicológico e, alguns usando medicamentos. Gostaríamos também de lembrar sobre recentes casos de suicídios (um da UFAM e um da UEA). Além disso, vários professores reclamam que os alunos deixam as aulas formais para poderem participar de atividades de ligas acadêmicas, com prejuízo do andamento do curso formal. Ainda resta lembrar, que houve que da nota da última avaliação estudantil, comparado a seguir: em 2010 - 4 no ENADE e 3 no CPC, com queda registrada em 2013: 3 no ENADE e 3 no CPC.
Os comentários e sugestões da análise estão distribuídos em 7 (sete) tópicos, a saber:
I – Carga-Horária Semanal que o aluno deve cumprir para se formar no Curso de Medicina da UFAM de acordo com o novo PPC e DNC (2010).
II – Carga-Horária Semanal que o aluno deve cumprir depois de ingressar em uma Liga Acadêmica.
III – Análise, conclusões e sugestões sobre Cargas Horárias que o aluno deve dedicar às Ligas Acadêmicas para não haver prejuízo no currículo formal.
IV – Carga-Horária Semanal que o Professor deve cumprir para com o currículo formal do Curso de Medicina da UFAM de acordo com o novo PPC (2010) e DNC (2001).
V – Uso dos cenários de práticas para os alunos inscritos nas Ligas Acadêmicas dos três cursos de medicina de Manaus – FM-UFAM (Federal) + FM-UEA (Estadual) + FM-Nilton Lins (NL).
VI – Pergunta – As atividades das Ligas Acadêmicas enquadram-se (predominantemente) nos conceitos de “Atividades de Extensão” ou são “reforços das aulas da graduação”?
VII – Sintonia dos objetivos do curso de Medicina (pelas Diretrizes Curriculares Nacionais – DCN) versus “diretrizes das Ligas Acadêmicas”.
I – Carga-Horária Semanal que o aluno deve cumprir para se formar no Curso de Medicina da UFAM de acordo com o novo PPC e DNC (2001 e 2014).
Conforme mostra o QUADRO-1, o Projeto Pedagógico do Curso de Medicina (PPC-Medicina – 2010) atualmente em vigência estipula uma carga horária total de 8725 (oito mil setecentos e vinte e cinco) horas, as quais devem ser cumpridas pelo aluno para se graduar.
Considerando-se do 1º ao 8º período, verificamos que um aluno deve dedicar carga horária presencial semanal muito elevada, assim distribuída: 31, 32, 38, 29, 37, 33, 38, 35 horas semanais, respectivamente.
Ao olharmos para os dois últimos anos do curso (9º ao 12º períodos) verificamos que a carga-horária-semanal é ainda maior para o aluno no “Internato” ou “Estágio”. Nestes 2 anos o aluno deve cumprir um total de 4500 (quatro mil e quinhentas) horas, divididas em 5 (cinco) módulos, o que significa que estará ocupado por 900 (novecentas) horas por módulo. Isto leva que o aluno dedique 60 (sessenta) horas semanais no “internato”. Em resumo: durante esta fase, o aluno deve dedicar-se exclusivamente aos módulos, impedindo que o mesmo realize quaisquer atividades extras.
Ao analisarmos do 1º ao 4º ano da medicina (1º ao 8º períodos), verificamos que um aluno deve estar presente nas aulas teóricas e/ou práticas o dia todo, de segunda-feira até sexta-feira (além dos sábados que também tem algumas aulas), perfazendo uma carga horária (média) de 35 horas semanais. Isso nos faz verificar que um aluno está ocupado durante todo o período da manhã e da tarde, respeitando-se, é claro, os horários vagos para o almoço e jantar.
Por outro lado, os alunos não vivem somente de “aulas presenciais”. Se considerarmos que para cada hora presencial o aluno deva dedicar (no mínimo) mais uma hora para estudar os conteúdos ministrados, preparar-se para os seminários, fazer revisões dos assuntos, fazer leitura de textos e outros aspectos relacionados à compreensão dos temas colocados nos encontros presenciais, podemos vislumbrar que a carga-horária semanal deverá dobrar! Desta forma, um aluno de medicina deve dedicar cerca de 70 horas semanais para o curso formal, o que é muito grande, uma vez que os alunos também necessitam de tempo livre para descansar, dormir, realizar atividades religiosas, amorosas e outros lazeres o que é natural na vida.
Isto levaria que o aluno também ficaria dedicando-se ao curso todo o período noturno (para estudar), como mostra o QUADRO-2.
II – Carga-Horária Semanal que o aluno deve cumprir depois de ingressar em uma Liga Acadêmica.
Atualmente existem mais de 20 (vinte) Ligas Acadêmicas, nas quais os alunos se agregam em torno de médicos especialistas. Uma Liga tem como objetivo geral de aprofundar-se nos temas e conteúdos que alunos consideram terem sido superficiais no curso formal. Muitas Ligas se formam juntando alunos das três faculdades de medicina de Manaus. Na Faculdade de Medicina da UFAM a maior quantidade de Ligas está vinculada a professores de dois departamentos: Departamento de Clínica Cirúrgica (DCC) (15) e Departamento de Clínica Médica (DCM) (9).
QUADRO – 1 – Dedicação do aluno ao curso formal em carga-horária-semanal presencial nas aulas teóricas e práticas estabelecidas, somadas à horas mínimas necessárias ao estudo extraclasse.
Ano |
Período |
Distribuição |
Carga HoráriaPresencialSemestral |
HorasSemanaisPresenciais (P) |
Horasde Estudo/Semana(E) |
HorasDedicadas aocurso formal/Semana(P+E) |
1º |
1º |
Início |
465 |
31 |
31 |
62 |
|
|
2º |
Início |
480 |
32 |
32 |
64 |
2º |
3º |
Intermediário |
570 |
38 |
38 |
76 |
|
|
4º |
Intermediário |
435 |
29 |
29 |
58 |
3º |
5º |
Intermediário |
555 |
37 |
37 |
74 |
|
|
6º |
Intermediário |
495 |
33 |
33 |
66 |
4º |
7º |
Intermediário |
570 |
38 |
38 |
76 |
|
|
8º |
Intermediário |
525 |
35 |
35 |
70 |
5º6º |
9º10º11º12º |
InternatoouEstágio |
900900900900900 |
6060606060 |
6060606060 |
120120 120 120 120 |
|
|
|
Obrigatórias |
8595 |
|
|
17190 |
|
|
|
Optativas |
120 |
|
|
240 |
|
|
|
Complementares |
100 |
|
|
200 |
|
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|
TOTAL |
8815 |
|
|
17630 |
Fonte: Informações do Colegiado de Curso de Medicina, conforme consta no Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de Medicina da Universidade Federal do Amazonas, Versão 2010, atualmente em vigência. Obs. 1 – O curso é diurno, com funcionamento no horário comercial, utilizando cenários de prática próprios (HUGV e Ambulatório Araújo Lima), múltiplos locais espalhados pela cidade de Manaus e interiores, conveniados com a SEMSA, SUSAM e outros órgãos públicos e fundações. Obs. 2 – A grande maioria dos alunos do curso de medicina tem a idade de 18 a 25 anos, em idade de amadurecimento biopsicossocial.
As Ligas Acadêmicas possuem regulamentos e normas próprias. Oferecem “cenários de práticas” (locais onde os especialistas trabalham) para o grupo de alunos que integram a Liga. Existem normas para seleção de “ligantes”, exigências de frequências em plantões, acompanhamentos de atendimentos clínicos e/ou cirúrgicos, processos de exclusão de “ligantes” que não cumprem com as obrigações, etc. A grande maioria das Ligas realiza atividades hospitalares. Muitas vezes parece confundir com trabalhos de “Residentes”.
Uma das exigências feitas pelas Ligas Acadêmicas é que o aluno dedique 20 (vinte) horas semanais (se for bolsista) ou 12 (doze) horas semanais (se for voluntário). Isto quer dizer que se um aluno for bolsista de uma Liga Acadêmica, ele deverá trabalhar cerca de 1000 (mil) horas por ano (52 semanas multiplicado por 20 horas semanais). Neste caso, ele deverá trabalhar 500 (quinhentas) horas por semestre relacionando-se neste tempo somente a uma especialidade médica. Ao se comparar com nosso currículo formal (PPC – 2010), verificamos que a carga horária exigida pela Liga Acadêmica é igual ou superior ao que se exige para que um aluno se estude no mesmo período de tempo para se formar na graduação (vide QUADRO - 1).
QUADRO-2. Ocupação dos horários semanais com atividades presenciais dos alunos do curso de medicina da UFAM com atividades curriculares, previstas no PPC, somadas às horas de estudo dos conteúdos ministrados nas aulas.
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|
Segunda |
Terça |
Quarta |
Quinta |
Sexta |
Sábado |
Domingo |
Manhã |
4Ocupado |
4Ocupado |
4Ocupado |
4Ocupado |
4Ocupado |
4Ocupado |
Vago |
Intervalo |
2Ocupado |
2Ocupado |
2Ocupado |
2Ocupado |
2Ocupado |
4Ocupado |
Vago |
Tarde |
4Ocupado |
4Ocupado |
4Ocupado |
4Ocupado |
4Ocupado |
4Ocupado |
Vago |
Intervalo |
2Ocupado |
2Ocupado |
2Ocupado |
2Ocupado |
2Ocupado |
4Ocupado |
Vago |
Noite |
3Ocupado |
3Ocupado |
3Ocupado |
3Ocupado |
3Ocupado |
Vago |
Vago |
Legenda – Números 2, 3 e 4: Horas diárias disponíveis e ocupadas pelo curso formal, com aulas teóricas e aulas práticas distribuídas ao longo do curso do primeiro até o final do oitavo período. O período da Noite, os horários de sábado à noite e domingo são sugestões e orientações dadas aos alunos, no sentido de terem tempo para estudo e/ou lazer. Observação – Pelo horário comercial, considera-se que o período da manhã estenda-se das 08:00 às 12:00 horas, seguindo-se de um intervalo para o almoço, das 12:00 às 14:00 horas. O período vespertino estende-se das 14:00 às 18:00 horas.
Olhando-se sob este prisma e sob a responsabilidade institucional da UFAM, colocamos nossa profunda preocupação com este panorama. Temos, por obrigação de ofício, que responder algumas questões importantes:
1) Qual o horário que o aluno trabalha na Liga, considerando-se que durante o dia todo ele está ocupado com as disciplinas formais do curso? Estaria ele trabalhando nos horários que deveriam estar estudando ou nos horários de lazer, impossibilitando “arejar” as mentes? Estariam trabalhando nos horários das aulas, quando deveriam estar presentes nas salas de aulas ou nos ambientes e/ou cenários práticos junto aos professores?
2) Qual a inserção da Liga na hierarquia formal da Faculdade de Medicina da UFAM? Qual a flexibilização que existe de forma que as “aulas” formais se transformem em atividades das “Ligas”?
3) As atividades e os cenários de prática oferecidas pelas “Ligas” são restritas aos integrantes do grupo, ou são abertas as oportunidades para todos os alunos do curso de medicina?
4) Qual impacto que esta sobrecarga de horas trabalhadas pode trazer para um jovem aluno que ainda está em amadurecimento biopsicossocial?
5) Como está o fenômeno do “adoecer” entre os estudantes de medicina e dos professores que assumem mais esta responsabilidade? Infelizmente, como dito anteriormente, temos notícias que existem muitos estudantes em tratamento psicológico, além do relato de casos de suicídio.
III – Análise, conclusões e sugestões sobre Cargas Horárias que o aluno deve dedicar às Ligas Acadêmicas para não haver prejuízo no currículo formal.
a) Alunos do 5º e 6º anos (9º - 10º - 11º - 12º períodos) não têm disponibilidade para trabalhar em Ligas Acadêmicas. Não existem espaços livres em suas agendas no curso formal, uma vez que já se dedicam 60 horas semanais às atividades do “Internato” ou “Estágio”.
b) Alunos do 1º ao 4º anos (1º - 2º - 3º - 4º - 5º - 6º - 7º - 8º períodos) não possuem horários disponíveis para dedicarem-se às Ligas Acadêmicas nas exigências atuais de trabalharem 20 horas semanais ou 12 horas semanais.
c) Os alunos que estão desenvolvendo atividades em Ligas Acadêmicas (bolsistas e voluntários) devem ser monitorados quanto à frequência no curso formal (aumentar a rigorosidade nas pagelas de frequências), para se verificar se existe sobreposição de atividades nas Ligas concomitantemente com as aulas teóricas e/ou práticas no curso formal. É fato descrito na grande maioria dos projetos que os alunos das Ligas Acadêmicas trabalham no HUGV e Ambulatório Araújo Lima em horário comercial. Chama a atenção que os mesmo alunos já estão ocupados, regularmente matriculados nas disciplinas formais. Os alunos estariam realizando essas atividades concomitantemente?
d) Recomendaremos que sejam feitos estudos sobre o fenômeno do adoecimento na comunidade da Faculdade de Medicina, em especial entre os alunos, uma vez que claramente existe uma sobrecarga laboral e/ou de excesso de estudos impostos aos estudantes de medicina.
e) Propomos que as Ligas Acadêmicas mudem por completo sua operacionalização e regulamentos rígidos para os estudantes, flexibilizando suas atividades. Sugere-se que seja diminuída drasticamente a carga horária semanal imposta para os alunos que se dedicam a uma determinada Liga Acadêmica. A sugestão é que, no momento, a carga-horária atual de 12 ou 20 horas semanais (totalizando 1000 horas por ano) sejam de 4 (quatro) horas semanais (no máximo) (totalizando 200 horas). Além disso, a permanência de um estudante em uma Liga não deve ultrapassar 6 (seis) meses, de forma a evitar a especialização precoce.
f) Sugere-se que as Ligas Acadêmicas atuem nas férias, à semelhança de cursos de férias. As atividades das “Ligas” seriam feitas durante 2 (duas) ou 3 (três) semanas, utilizando um dos períodos do dia (ou matutino, ou vespertino, ou em forma de plantões noturnos), sempre supervisionados por professores e/ou médicos credenciados. Os alunos que participarem destes “estágios de curta duração” (antigo nome das Ligas Acadêmicas) utilizarão as horas trabalhadas como créditos em “atividades complementares” (atividades acadêmico-científico-culturais, como está na nomenclatura do novo PPC-Medicina).
IV – Carga-Horária Semanal que o Professor deve cumprir para com o currículo formal do Curso de Medicina da UFAM de acordo com o novo PPC e DNC.
O outro lado da questão diz respeito a carga-horária que o Professor de Medicina declara que irá trabalhar na Liga Acadêmica durante um ano. Deve ser ressaltado que o Docente é contratado pela UFAM para trabalhar na Faculdade de Medicina no regime de 20 (vinte) horas semanais (20HS) ou 40 (quarenta) horas semanais (40HS).
Nos Projetos analisados pelo Comitê de Extensão (COMEXI) da Faculdade de Medicina do PIBEX (Programa Institucional de Bolsas de Extensão) foi verificado que quase todos os Professores se dispuseram a trabalhar 4 (quatro) ou 5 (cinco) horas por semana como Coordenador ou Vice-Coordenador de uma ou duas Ligas Acadêmicas.
Devemos lembrar, todavia, que os Docentes 20HS dificilmente terão carga-horária disponível para se dedicarem durante 4 (quatro) ou 8 (oito) horas semanais a uma Liga Acadêmica. Na maioria dos casos, no curso formal, a carga de trabalho presencial, frente ou junto com alunos da graduação é muito grande. No curso de Medicina existem muitas turmas para aulas práticas, divididas em grupos de 6 (seis) alunos.
A título de exemplo, uma disciplina do Departamento de Clínica Cirúrgica (DCC) com 60 (sessenta) alunos é dividida em 10 (dez) turmas de 6 (seis) alunos. Se esta disciplina tiver somente professores de 20HS, certamente não sobrará carga-horária para se dedicar a uma Liga, e muito menos a 2 (duas) Ligas Acadêmicas. Assim sendo, somente Professores contratados em 40HS ou Dedicação Exclusiva (DE) é que teriam carga-horária para se dedicarem à uma ou duas Ligas Acadêmicas. Infelizmente a maioria dos nossos Docentes atualmente está sob o regime contratual de 20HS.
V – Uso dos cenários de práticas para os alunos inscritos nas Ligas Acadêmicas dos três cursos de medicina de Manaus – FM-UFAM (Federal) + FM-UEA (Estadual) + FM-Nilton Lins (NL).
Esta questão é importante ser analisada, uma vez que a UFAM possui poucos cenários de prática próprios para seus alunos da Faculdade de Medicina que, na realidade são Serviços de Saúde destinados à atendimentos e internações de pacientes de Média e Alta Complexidade. São eles: Ambulatório Araújo Lima (AAL), Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV – EBSERH), Hospital Francisca Mendes (HFM).
Mesmo estando em reforma, o HUGV vem sendo utilizado (bem como os outros locais citados) como cenários de prática para todos os Cursos da área de saúde da UFAM, quais sejam: Medicina, Farmácia, Enfermagem, Psicologia, Fisioterapia, Nutrição, Odontologia, Serviço Social, etc.
Fica difícil entender como, por exemplo, a “Liga de Mastologia” venha trabalhar no Ambulatório Araújo Lima trazendo mais alunos da UEA e da Nilton Lins, sendo que nosso contingente de alunos da UFAM é extremamente grande a se considerar alunos da graduação, do internato, da Residência Médica (COREME, com 120 alunos), da Residência Multiprofissional (COREMU, com cerca de 20 alunos), do Mestrado e Doutorado. Este mesmo raciocínio utilizado serve para a maioria das Ligas Acadêmicas do Departamento de Clínica Cirúrgica e do Departamento de Clínica Médica.
VI – Pergunta – As atividades das Ligas Acadêmicas enquadram-se (predominantemente) nos conceitos de “Atividades de Extensão” ou são “reforços das aulas da graduação”?
Analisando-se os 35 (trinta e cinco) Projetos do PIBEX pela COMEXI, foi verificado que a grande maioria das Ligas Acadêmicas não se enquadram como Projetos de Extensão. Algumas delas possuem uma ou outra “Ação de Extensão”, mas não com a duração proposta de dedicação de 20 horas semanais pelos acadêmicos lá envolvidos. É claro o raciocínio de que as “Ligas Acadêmicas” são reforços dos cursos de graduação. Neste sentido, propomos que as Ligas sejam vinculadas à PROEG – Pró-Reitoria de Ensino de Graduação, junto à COPAC – Coordenação de Programas Acadêmicos. Desta forma, o montante de bolsas e outros gastos devam ser repassados para a PROEG – COPAC, desvinculando-se da PROEXT.
VII – Sintonia dos objetivos do curso de Medicina pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) versus objetivos das “Diretrizes das Ligas Acadêmicas”.
Por fim, e não menos importante, deve ser analisada a questão das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN-2001 e DCN-2014) para os cursos de Medicina, emitidas pelo Ministério da Educação (MEC), junto com o Ministério da Saúde (MS).
Entendemos que as DCN-2001 (implantadas no PPC da nossa faculdade em 2010) e as DCN-2014 colocam como obrigação legal de direcionar todos os currículos dos cursos de medicina de nosso país. Trata-se de exigência do Estado Brasileiro.
Dentre os princípios norteadores para a graduação, verificamos que a finalidade dos cursos de medicina deve ser a de formar médicos com visão generalista, para trabalharem predominantemente no Sistema Único de Saúde (SUS) como médicos generalistas e atuarem na baixa e média complexidade.
Olhando-se somente por este prisma, verificamos que as “Diretrizes das Ligas Acadêmicas” são diametralmente opostas às “Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Medicina” (do MEC). De fato, não há sintonia das Ligas Acadêmicas com as DCN (2001 e 2014). Podemos pensar nos seguintes exemplos: (a) Mil horas a mais dedicadas à Liga do Transplante (além das 8600 horas do curso) irá fortalecer a concepção no estudante do trabalho generalista? (b) Mil horas a mais exigidas dos alunos para se dedicarem à “Liga de Nefrologia” estão reforçando os princípios generalistas? (c) Mil horas a mais para os alunos se dedicarem à liga de Cirurgia Plástica está em sintonia com as DCN?
Concluímos que quaisquer “Ligas Acadêmicas” ou “Trabalhos direcionados ao Ensino” ou “Atividades de Pesquisa” ou quaisquer outros tipos de programas que envolvam alunos e estejam em sintonia com as Diretrizes Nacionais Curriculares devem ser premiados com “bolsas” para os alunos. Outrossim, caso existam adequações e/ou correções nos diferentes aspectos apontados neste ofício, que nosso Parecer seja discutido e deliberado na Câmara de Extensão.
Sem outro assunto para o momento, subscrevemo-nos,
Atenciosamente
Prof. Dr. Dirceu Benedicto Ferreira
Diretor da Faculdade de Medicina da UFAM