Fonte: http://www.icoletiva.com.br/secao.asp?tipo=artigos&id=29
(pesquisa realizada em março/2003)
Pedagogia do parangolé - novo paradigma em educação presencial e online
Marco Silva
Font
Fonte: http://www.icoletiva.com.br/secao.asp?tipo=artigos&id=29 (pesquisa
realizada em março/2003)
Pedagogia do
parangolé - novo paradigma em educação presencial e online
3)
Pedagogia do
parangolé - novo paradigma em educação presencial e online
Marco Silva
Assim como inspira a
inquietação dos programadores da TV, a interatividade também pode despertar o
interesse dos professores para uma nova comunicação com os alunos em sala de
aula presencial e online. Afinal, tanto a mídia de massa quanto a sala de aula
estão diante do esgotamento do mesmo modelo comunicacional que prevaleceu no
século XX: a transmissão que separa emissão e recepção, a lógica da
distribuição.
O termo apareceu na década de 1970 no contexto da crítica
à mídia unidirecional e virou moda a partir de meados dos anos 80 com a chegada
do computador com múltiplas janelas (windows) em rede. Janelas que não se
limitam à transmissão, permitem ao usuário adentramento labiríntico e
manipulação de conteúdos.
Em nossos dias, mesmo ganhando maturidade
teórica e técnica com o desenvolvimento da internet e dos games, o termo
interatividade sofre banalização quando usado como "argumento de venda" em
detrimento do prometido mais comunicacional. Basta ver a enxurrada de aplicações
do termo, desde shampoo interativo e tênis interativo até mesmo a escola
interativa, nesse caso apenas por estar equipada com computador e internet e não
por superar a velha pedagogia da transmissão.
Vale a pena atentar para o
sentido depurado do termo interatividade que encontra seus fundamentos na arte
"participacionista" da década de 1960, definida também como "obra aberta" por
Umberto Eco. O "parangolé" do artista plástico carioca Hélio Oiticica é um
exemplo maravilhoso dessa arte.
Interagir não é assistir
O
parangolé rompe com o modelo comunicacional baseado na transmissão. Ele é pura
proposição à participação ativa do "espectador" - termo que se torna inadequado,
obsoleto. Trata-se de participação sensório-corporal e semântica e não de
participação mecânica. Oiticica quer a intervenção física na obra de arte e não
apenas contemplação imaginal separada da proposição. O fruidor da arte é
solicitado à "completação" dos significados propostos no parangolé. E as
proposições são abertas, o que significa convite à co-criação da obra. O
indivíduo veste o parangolé que pode ser uma capa feita com camadas de panos
coloridos que se revelam à medida que ele se movimenta correndo ou dançando.
Parangolé de H. Oiticica - 1964


Oiticica o
convida a participar do tempo da criação de sua obra e oferece entradas
múltiplas e labirínticas que permitem a imersão e intervenção do "participador",
que nela inscreve sua emoção, sua intuição, seus anseios, seu gosto, sua
imaginação, sua inteligência. Assim a obra requer "completação" e não
simplesmente contemplação. Segundo o próprio Oiticica, "o participador lhe
empresta os significados correspondentes - algo é previsto pelo artista, mas as
significações emprestadas são possibilidades suscitadas pela obra não previstas,
incluindo a não-participação nas suas inúmeras possibilidades também".
Esta concepção de arte (ou "antiarte", como preferia Oiticica),
inconcebível fora da perspectiva da co-autoria, tem algo a sugerir ao professor:
mesmo estando adiante dos seus alunos no que concerne a conhecimentos
específicos, propõe a aprendizagem na mesma perspectiva da co-autoria que
caracteriza o parangolé e a arte digital. O professor propõe o conhecimento. Não
o transmite. Não o oferece à distância para a recepção audiovisual ou "bancária"
(sedentária, passiva), como criticava o educador Paulo Freire.
Desafio para o professor
Inspirado no parangolé, o professor
propõe o conhecimento aos estudantes, como o artista propõe sua obra potencial
ao público. Isso supõe, segundo Thornburg & Passarelli, "modelar os domínios
do conhecimento como 'espaços conceituais', onde os alunos podem construir seus
próprios mapas e conduzir suas explorações, considerando os conteúdos como ponto
de partida e não como ponto de chegada no processo de construção do
conhecimento". A participação do aluno se inscreve nos estados potenciais do
conhecimento arquitetados pelo professor de modo que evoluam em torno do núcleo
preconcebido com coerência e continuidade. O aluno não está mais reduzido a
olhar, ouvir, copiar e prestar contas. Ele cria, modifica, constrói, aumenta e,
assim, torna-se co-autor. Exatamente como no parangolé, em vez de se ter obra
acabada, têm-se apenas seus elementos dispostos à manipulação.
O
professor disponibiliza um campo de possibilidades, de caminhos que se abrem
quando elementos são acionados pelos alunos. Ele garante a possibilidade de
significações livres e plurais e, sem perder de vista a coerência com sua opção
crítica embutida na proposição, coloca-se aberto a ampliações, a modificações
vindas da parte dos alunos. Uma pedagogia baseada nessa disposição à co-autoria,
à interatividade, requer a morte do professor narcisicamente investido do poder.
Expor sua opção crítica à intervenção, à modificação, requer humildade. Mas,
diga-se humildade e não fraqueza ou minimização da autoria, da vontade, da
ousadia. Seja na sala de aula equipada com computadores ligados à Internet, seja
no site de educação à distância, seja na sala de aula "infopobre", o professor
percebe que o conhecimento não está mais centrado na emissão, na transmissão.
Na era digital ou cibercultura os atores da comunicação têm a
interatividade e não mais a separação da emissão e recepção própria da mídia de
massa e da "cultura da escrita", quando autor e leitor não estão em interação
direta. Assim o professor propõe o conhecimento à maneira do parangolé. Assim
ele redimensiona a sua autoria: não mais a prevalência do falar-ditar, da
distribuição, mas a perspectiva da proposição complexa do conhecimento à
participação ativa dos alunos que já aprenderam com o joystick do videogame e
hoje aprendem com o mouse. Enfim, a responsabilidade de disseminar um outro modo
de pensamento, de inventar uma nova sala de aula, presencial e à distância,
capaz de educar em nosso tempo.
Sobre o autor:
Marco
Silva, sociólogo, doutor em educação e professor da UERJ, UNESA e UVB, é
autor do livro Sala de aula interativa (Quartet, 2000).
Site: http://www.saladeaulainterativa.pro.br/
E-mail: marcopa...@uol.com.br
Muito interessante este tipo de arte no qual o visitante/participador constroi junto com o artista a obra!! Pena que não consegui ver as fotos.
Acho sim ser possível colocar essa concepção na educação onde o aluno pode construir com o professor e juntos caminharem em busca do conhecimento. Certamente as ferramentas que existem hoje podem em muito contribuir para isso, precisamos também de criatividade... Como eu disse em um dos comentários anteriores, é isso que a Web 2.0 faz, como exemplo de novo a Wikipédia. A internet deixa de ser apenas um monte de informações as quais o internauta pode somente ler, ele pode agora também construí-la junto com outros vários internautas. |
|
boa tarde Cirlene e alun@s
boa tarde Cirlene e alun@s
Urgente,
Na minha agenda vocês estaria voltando do estágio hoje.
Mas encontrei com a Ana Paula ela falou que será na próxima semana.
Fui no centro de estágio, lá não constava o papel de controle de vocês.
Não foi repassado para eles.
Avisa-me por favor.
Um abraço
Maria Alice
Olá Maria Alice,
Nós estamos de estágio ainda. Só voltamos dia 09/06, segunda feira.
Abraços,
Letícia |
De: Maria Alice Guardieiro <profalicesoa...@gmail.com> |
Bastante sugestivo o discurso de Marco Silva, principalmente na perspectiva de nossos debates em sala sobre a necessidade de interação entre professor/aluno/conhecimento. É interessante porque ele vem reforçar as possibilidades de o professor trilhar o caminho em busca da construção do conhecimento com/pelo aluno. É certo que desafios não faltam nessa tentativa, entretanto, os resultados concretos da construção do conhecimento serão maiores e eficazes quando se tem a participação e agregação de ambas partes...
Helen Costa.
|
De: Maria Alice Guardieiro <profalicesoa...@gmail.com> |
| Obrigada Cislene, agora consegui ver as fotos!! --- Em sáb, 7/6/08, cislene gomes de freitas carneiro <cisma...@yahoo.com.br> escreveu: |
Date: Sat, 7 Jun 2008 07:35:58 -0700
From: letic...@yahoo.com.br
Subject: Re: Pedagogia do Parangolé
To: mediacao-pedagogica-e...@googlegroups.com
Gente tambem gostei muito desse texto e das ideias do Marco Silva.......Completar ao inves de somente comtemplar.....Precisariamos usar isso em tudo na nossa vida.
O texto é interessante ... principalmente levando em conta o fragmento do
texto: O professor propõe o conhecimento. Não o transmite. Não o oferece à
distância para a recepção audiovisual ou "bancária" (sedentária, passiva), como
criticava o educador Paulo Freire. que faz lembra o texto que estamos lendo
(Pedagogia da Autonomia) para a disciplina Papel do Pedago, e do importante
papel o educador na relação professor aluno.
Att,
Weder Hovadich
Citando talita costa alves <tal...@yahoo.com.br>:
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Boa tarde, tod@s
A tecnologia e a sociedade da informação touxe alguns
reflexos
negativos para o mundo contemporâneo, no entanto, é inegável que os recursos
tecnológicos como o ciberespaço tem de certa maneira aproximado e otimizado a
interatividade humana.
>>>>> Tudo na vida temos perdas e ganhos.
A meu ver tivemos muito mais ganhos.
Pedagogia parangolé feio fechar tudo que lemos, Mediação pedagógica, Novos Paradigmas Emergentes. O filme.
E o livro do Alex Primo.
E os filmes do Alex Primo, vocês tiveram a oportunidade de assisitir?
Foram poucos textos, mas todos eles de uma grande intensidade pedagógica.
E outros textos de foram lidos por vocês em todas as disciplinas.
Hoje o aluno tem contado com o conhecimento, o professor, o aluno troca entre si. Com seus pares.
No presencial não teríamos tempo para haver essa interatividade entre os textos.
Cada aluno esta sabendo o pensar do colega. É muito rico. Trocando com seu pares.
É uma nova forma de aprendizagem. Que se chama Heutagogia.
Aprendizagem na online.
Quem constrói o conhecimento e o aluno.
Vou tentar marcar um chat com Marco Silva para ele falar um pouco da Pedagogia de Parangolé. Mas sem os problemas tecnológicos.
O professor propõem uma atividade o aluno refaz a atividade e interagem com ela. E outro vai interagindo e modificando construindo.
Vou dar um exemplo de uma escola que acabei der no jornal Folha de São Paulo.
O direito ao deslumbramento
Estou gostando muito dos comentários que estão saindo.
Parabéns turma!
Um abraço
Maria Alice
São Paulo, domingo, 08 de junho de 2008 ![]() |
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Texto | Índice GILBERTO DIMENSTEIN O direito ao deslumbramento
DIANTE DA BAGUNÇA , dois jovens de uma escola particular da cidade de São
Paulo (o colégio Santa Cruz) logo perceberam que sua idéia de dar aula de
filosofia para estudantes da rede pública estava condenada ao fracasso -a classe
se dividia, basicamente, entre os que "zoneavam" e os silenciosos
desinteressados. Foram todos salvos por uma música.
Um dos argumentos para a mudança da legislação é a crítica de que parte dos recursos canalizados pelas empresas vai para ações culturais destinadas a platéias de maior poder aquisitivo e nas regiões mais ricas. Muita gente séria aceita essa crítica, mas vê com desconfiança (também corretamente) o risco de criar um fundo de cultura gerido apenas pelo governo, sujeito a vícios como a corrupção e o desperdício, sem contar os apadrinhamentos políticos. Um exemplo recente de má gestão de recursos foi o que ocorreu com o Fust, que, destinado a conectar escolas à internet, arrecadou nada menos que R$ 8 bilhões e, sem exagero, não serviu para quase nada. Argumenta-se também (mais uma vez com razão) que os empresários se sentiriam menos estimulados a colocar dinheiro na cultura se não pudessem escolher os beneficiários e, assim, valorizar sua marca.
Já vi aquele tipo de experiência dos adolescentes que usaram o rap para dar aula de filosofia aplicada dos mais diferentes modos e nos mais diversos lugares, quase sempre com resultados estimulantes. É uma fórmula eficaz para desenvolver o prazer de conhecer. É certo que a arte não deve ser condicionada a nada, deve apenas ser a expressão livre do artista, mas a arte bancada com imposto deve ter uma contrapartida em educação pública.
Será divulgada nesta semana, durante seminário em São Paulo sobre lei de incentivo cultural, uma pesquisa do Datafolha que, entre outros pontos, mostra um forte crescimento da freqüência aos museus entre os paulistanos. Esse é um exemplo de dinheiro mais bem empregado. De acordo com a pesquisa, 65% dos que foram a exposições neste ano são estudantes de escolas do ensino fundamental e médio; 47% pertencem às classes C, D e E. É claro que esse seria o recurso mais bem empregado se os professores soubessem (e poucos sabem) como usar aquela visita ao museu para tornar mais atrativo o que eles ensinam em sala de aula. Isso significa que as verbas de incentivo à cultura deveriam contemplar não só o acesso mais amplo aos bens culturais mas também a capacitação de educadores.
O direito à educação é, em essência, o direito ao deslumbramento permanente ante a vida. Nada melhor que a arte para servir de introdução a essa aventura. O deslumbramento com as coisas belas revela o que nós somos e o que podemos ser -por isso, e só por isso, aqueles meninos e meninas aceitaram discutir filosofia tomando como ponto de partida a letra do rap.
PS- Na coluna passada, escrevi sobre Dona Gema, a professora de escola pública da periferia de São Paulo que ajudou Sandra Corveloni, vencedora do prêmio de melhor atriz em Cannes, a se deslumbrar pelo aprendizado. Fazia das aulas uma festa, com sua "contação" de histórias, suas lições de artes plásticas e suas cantigas de roda. A atriz não lembrava o sobrenome da professora. Nem mesmo sabia se estava viva. Com a ajuda de internautas, consegui localizá-la. Chama-se Gema Aparecida Cerqueira. Ela explica o fascínio que exercia em crianças como Sandra porque tentava se comportar como se fosse um mágico sempre trazendo surpresas de uma mala ou cartola -daí sempre recorrer à arte. No final do ano, ela mesma produzia um presente para cada um de seus alunos. Aposentada, ela só usa seus encantos para educar os netos. Se voltasse a dar aulas hoje na periferia, talvez a situação desanimadora a levasse a desejar fazer uma única mágica: a de desaparecer -e deixaríamos de fazer gente como Sandra aparecer com sua arte. |
O texto de Marcos Silva nos mostra que com a interatividade o aluno deixa de ser um mero receptor e passa a fazer parte no processo de comunicação,
As relações educativas são dinâmicas, possibilitando a todos a interagir no próprio processo, rompendo com velhos modelos pedagógicos.A interatividadepossibilita que professores e alunos trabalhem juntos na construção do conhecimento.
O professor passaa ser não apenas o transmissor, mas o mediador no processo de construçaõ do conhecimento.
Márcia
---------- Forwarded message ----------
From: cislene gomes de freitas carneiro <cismadi...@yahoo.com.br>
Date: 7 jun, 09:11
Subject: Pedagogia do Parangolé
To: MEDIACÃO PEDAGÓGICA E INFORMATICA EDUCATIVA
Gente tambem gostei muito desse texto e das ideias do Marco
Silva.......Completar ao inves de somente comtemplar.....Precisariamos
usar isso em tudo na nossa vida.
Gostaria de poder ter mais tempo para desfrutar de tudo que a
internet nos oferece de bom.....Sao tantos sites, tantos textos bons e
tanta coisa para aprender...
Pessoal para ver as fotos que tem nesse texto é so entrar nesse
sitehttp://www.saladeaulainterativa.pro.br/que a professora ja tinha
colocado nesse email. É o site do Marcos Silva, e clicando na opçao
texto temos este , quase no final da pagina.
Abraços
Letícia <leticia...@yahoo.com.br> escreveu:
Muito interessante este tipo de arte no qual o visitante/
participador constroi junto com o artista a obra!! Pena que não
consegui ver as fotos.
Acho sim ser possível colocar essa concepção na educação onde o
aluno pode construir com o professor e juntos caminharem em busca do
conhecimento. Certamente as ferramentas que existem hoje podem em
muito contribuir para isso, precisamos também de criatividade...
Como eu disse em um dos comentários anteriores, é isso que a Web
2.0 faz, como exemplo de novo a Wikipédia. A internet deixa de ser
apenas um monte de informações as quais o internauta pode somente ler,
ele pode agora também construí-la junto com outros vários internautas.
--- Em dom, 1/6/08, Maria Alice Guardieiro
<profalicesoaresguardie...@gmail.com> escreveu:
De: Maria Alice Guardieiro <profalicesoaresguardie...@gmail.com>
Assunto: Pedagogia do Parangolé
Para: mediacao-pedagogica-e...@googlegroups.com
Data: Domingo, 1 de Junho de 2008, 9:45
boa tarde Cirlene e alun@s
O Ideal seria isto, mas como não temos tempo vamos conversando por
aqui.
Cada um faz sua leitura, às vezes no presencial o aluno fica meio
tímido de falar, algo que não tem nada a ver. No virtual não existe
isto.
Alex e o Marco Sliva eles possuem algo muito interessantes, uma visão
diferente da educação.
http://www.saladeaulainterativa.pro.br/
-- Estive com o Marco Silva no congresso e com Carlos Seabra ele
propôs fazer outro chat.
Leia esse texto do Marco Silva.
Fonte:http://www.icoletiva.com.br/secao.asp?
tipo=artigos&id=29(pesquisa realizada em março/2003)
Pedagogia do parangolé - novo paradigma em educação presencial e
online
Marco Silva
Font
Fonte:http://www.icoletiva.com.br/secao.asp?
tipo=artigos&id=29(pesquisa realizada em março/2003)
Pedagogia do parangolé - novo paradigma em educação presencial e
online
3)
Oiticica o convida a participar do tempo da criação de sua obra e
E-mail: marcoparang...@uol.com.br
Maria Alice
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armazenamento!
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Na Pedagogia do Parangolé, deve acontecer aquilo que debatemos sempre em sala de aula: o professor é o mediador e não mais o detentor do saber.
Sendo assim, tem que estar disposto a ensinar e aprender, é uma via de mão-dupla, deve estar aberto a novos conhecimentos.
A interatividade significa, nesta perspectiva como nos menciona o texto, não somente a escola ter computadores e internet mas deve superar a velha "Pedagogia da transmissão".
boa tarde Cirlene e alun@s
O Ideal seria isto, mas como não temos tempo vamos conversando por aqui.
Cada um faz sua leitura, às vezes no presencial o aluno fica meio tímido de falar, algo que não tem nada a ver. No virtual não existe isto.
Alex e o Marco Sliva eles possuem algo muito interessantes, uma visão diferente da educação.
http://www.saladeaulainterativa.pro.br/
-- Estive com o Marco Silva no congresso e com Carlos Seabra ele propôs fazer outro chat.
Leia esse texto do Marco Silva.
Fonte: http://www.icoletiva.com.br/secao.asp?tipo=artigos&id=29 (pesquisa realizada em março/2003)
Pedagogia do parangolé - novo paradigma em educação presencial e online
Marco Silva
Font
Fonte: http://www.icoletiva.com.br/secao.asp?tipo=artigos&id=29 (pesquisa realizada em março/2003)
Pedagogia do parangolé - novo paradigma em educação presencial e online
3)
Pedagogia do parangolé - novo paradigma em educação presencial e online
Marco Silva
Assim como inspira a inquietação dos programadores da TV, a interatividade também pode despertar o interesse dos professores para uma nova comunicação com os alunos em sala de aula presencial e online. Afinal, tanto a mídia de massa quanto a sala de aula estão diante do esgotamento do mesmo modelo comunicacional que prevaleceu no século XX: a transmissão que separa emissão e recepção, a lógica da distribuição.
O termo apareceu na década de 1970 no contexto da crítica à mídia unidirecional e virou moda a partir de meados dos anos 80 com a chegada do computador com múltiplas janelas (windows) em rede. Janelas que não se limitam à transmissão, permitem ao usuário adentramento labiríntico e manipulação de conteúdos.
Em nossos dias, mesmo ganhando maturidade teórica e técnica com o desenvolvimento da internet e dos games, o termo interatividade sofre banalização quando usado como "argumento de venda" em detrimento do prometido mais comunicacional. Basta ver a enxurrada de aplicações do termo, desde shampoo interativo e tênis interativo até mesmo a escola interativa, nesse caso apenas por estar equipada com computador e internet e não por superar a velha pedagogia da transmissão.
Vale a pena atentar para o sentido depurado do termo interatividade que encontra seus fundamentos na arte "participacionista" da década de 1960, definida também como "obra aberta" por Umberto Eco. O "parangolé" do artista plástico carioca Hélio Oiticica é um exemplo maravilhoso dessa arte.
Interagir não é assistir
O parangolé rompe com o modelo comunicacional baseado na transmissão. Ele é pura proposição à participação ativa do "espectador" - termo que se torna inadequado, obsoleto. Trata-se de participação sensório-corporal e semântica e não de participação mecânica. Oiticica quer a intervenção física na obra de arte e não apenas contemplação imaginal separada da proposição. O fruidor da arte é solicitado à "completação" dos significados propostos no parangolé. E as proposições são abertas, o que significa convite à co-criação da obra. O indivíduo veste o parangolé que pode ser uma capa feita com camadas de panos coloridos que se revelam à medida que ele se movimenta correndo ou dançando.
Parangolé de H. Oiticica - 1964


Oiticica o convida a participar do tempo da criação de sua obra e oferece entradas múltiplas e labirínticas que permitem a imersão e intervenção do "participador", que nela inscreve sua emoção, sua intuição, seus anseios, seu gosto, sua imaginação, sua inteligência. Assim a obra requer "completação" e não simplesmente contemplação. Segundo o próprio Oiticica, "o participador lhe empresta os significados correspondentes - algo é previsto pelo artista, mas as significações emprestadas são possibilidades suscitadas pela obra não previstas, incluindo a não-participação nas suas inúmeras possibilidades também".
Esta concepção de arte (ou "antiarte", como preferia Oiticica), inconcebível fora da perspectiva da co-autoria, tem algo a sugerir ao professor: mesmo estando adiante dos seus alunos no que concerne a conhecimentos específicos, propõe a aprendizagem na mesma perspectiva da co-autoria que caracteriza o parangolé e a arte digital. O professor propõe o conhecimento. Não o transmite. Não o oferece à distância para a recepção audiovisual ou "bancária" (sedentária, passiva), como criticava o educador Paulo Freire.
Desafio para o professor
Inspirado no parangolé, o professor propõe o conhecimento aos estudantes, como o artista propõe sua obra potencial ao público. Isso supõe, segundo Thornburg & Passarelli, "modelar os domínios do conhecimento como 'espaços conceituais', onde os alunos podem construir seus próprios mapas e conduzir suas explorações, considerando os conteúdos como ponto de partida e não como ponto de chegada no processo de construção do conhecimento". A participação do aluno se inscreve nos estados potenciais do conhecimento arquitetados pelo professor de modo que evoluam em torno do núcleo preconcebido com coerência e continuidade. O aluno não está mais reduzido a olhar, ouvir, copiar e prestar contas. Ele cria, modifica, constrói, aumenta e, assim, torna-se co-autor. Exatamente como no parangolé, em vez de se ter obra acabada, têm-se apenas seus elementos dispostos à manipulação.
O professor disponibiliza um campo de possibilidades, de caminhos que se abrem quando elementos são acionados pelos alunos. Ele garante a possibilidade de significações livres e plurais e, sem perder de vista a coerência com sua opção crítica embutida na proposição, coloca-se aberto a ampliações, a modificações vindas da parte dos alunos. Uma pedagogia baseada nessa disposição à co-autoria, à interatividade, requer a morte do professor narcisicamente investido do poder. Expor sua opção crítica à intervenção, à modificação, requer humildade. Mas, diga-se humildade e não fraqueza ou minimização da autoria, da vontade, da ousadia. Seja na sala de aula equipada com computadores ligados à Internet, seja no site de educação à distância, seja na sala de aula "infopobre", o professor percebe que o conhecimento não está mais centrado na emissão, na transmissão.
Na era digital ou cibercultura os atores da comunicação têm a interatividade e não mais a separação da emissão e recepção própria da mídia de massa e da "cultura da escrita", quando autor e leitor não estão em interação direta. Assim o professor propõe o conhecimento à maneira do parangolé. Assim ele redimensiona a sua autoria: não mais a prevalência do falar-ditar, da distribuição, mas a perspectiva da proposição complexa do conhecimento à participação ativa dos alunos que já aprenderam com o joystick do videogame e hoje aprendem com o mouse. Enfim, a responsabilidade de disseminar um outro modo de pensamento, de inventar uma nova sala de aula, presencial e à distância, capaz de educar em nosso tempo.
Sobre o autor:
Marco Silva, sociólogo, doutor em educação e professor da UERJ, UNESA e UVB, é autor do livro Sala de aula interativa (Quartet, 2000).
Site: http://www.saladeaulainterativa.pro.br/
E-mail: marcopa...@uol.com.br