Ao discutir a frase da Carta de São Paulo aos Romanos, que "a caridade não seja fingida", o frade capuchinho considerou que no campo da caridade na Igreja há um aspecto que precisa de conversão: o ato de ficar julgando uns aos outros.
O
fato de julgar não é em si algo mau, esclareceu, o que é
verdadeiramente mau é "o veneno do nosso julgar": "o rancor, a
condenação".
Perante o Papa, cardeais, bispos, sacerdotes e
religiosos presentes na capela Redemptoris Mater do Palácio Apostólico,
Cantalamessa explicou que, "em si, julgar é uma ação neutra"; "o juízo
pode terminar tanto em condenação quanto em absolvição e
justificação".
"São os juízos negativos os que a palavra de Deus
reprime e elimina, aqueles que condenam o pecador junto com o pecado,
aqueles que olham mais para a punição do que para a correção do irmão",
disse.
"Para estimar o irmão, é preciso não estimar demais a si
mesmo - prosseguiu -; é necessário ‘não ter uma visão alta demais de
si próprio'". "Quem tem uma ideia muito alta de si mesmo é como um
homem que, à noite, tem diante dos olhos uma fonte de luz intensa: não
consegue ver nada além dela; não consegue ver a luz dos irmãos, seus
dotes e seus valores."
"‘Minimizar' deve se tornar o nosso verbo
preferido nas relações com os outros: minimizar os nossos destaques e
minimizar os defeitos alheios. Não minimizar os nossos defeitos e os
destaques alheios, como somos tantas vezes levados a fazer; é
diametralmente o oposto!"
A fofoca
A fofoca mudou de
nome, chama-se ‘gossip', afirmou Cantalamessa. "Parece ter virado coisa
inocente, mas é uma das que mais poluem a vida em grupo".
"Não
basta não falar mal dos outros; precisamos também impedir que os outros
o façam em nossa presença; fazê-los notar, mesmo que silenciosamente,
que não estamos de acordo."
"Em muitos locais públicos está
escrito ‘Aqui não se fuma'. Antigamente havia até alguns avisos de
‘Aqui não se blasfema'. Não faria mal acrescentar, em alguns casos,
‘Aqui não se fofoca'".