Monteiro
unread,Nov 4, 2011, 5:06:07 PM11/4/11Sign in to reply to author
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to MDDvtm - MOVIMENTO DEMOCRACIA DIRECTA vtm
Porque voto contra.
O direito á greve, foi uma conquista da classe operária, através do
movimento sindical.
Apesar do termo proletariado ser um conceito usado pelos partidos de
esquerda, deriva do latim proletarii que descreve os cidadãos de
classe mais baixa, uso portanto sem qualquer conotação política.
A história das Sociedades é marcada pela luta das classes. Isto
acontece desde o sistema da escravatura, até aos dias de hoje, no
capitalismo.
É neste último sistema económico, entretanto, que a luta de classes
atinge a sua plenitude, uma luta entre os donos dos meios de produção
e do outro lado os que vendem a sua força de trabalho, logo, entre
patrões e operários há uma constante luta pela distribuição da riqueza
criada.
É desta luta quotidiana, inerente ao capitalismo, que surgem as
primeiras formas de organização dos trabalhadores, elas nascem como
resultado do esforço espontâneo dos operários para impedir ou atenuar
a exploração.
Os primeiros sindicatos nascem exactamente na Inglaterra - considerada
o "berço do capitalismo". Foi neste país que se realizou a primeira
revolução burguesa da história, dirigida por Cromwell, em 1640. Após
muitos avanços e recuos, a classe burguesa consolidou-se no poder,
acumulou capital, e realizou a primeira revolução industrial.
Para alcançar os maiores lucros possíveis, a burguesia inglesa imporá
jornada de trabalho que atingiam até 16 horas diárias, os salários
eram os mais reduzidos possíveis e as condições de trabalho, as mais
precárias, o recurso ao trabalho infantil será banal e sem quaisquer
tipos de direitos.
Mais ou menos o que acontece hoje na China e nos países asiáticos para
onde foram e continuam ir as grandes empresas dos países ocidentais.
Aliás a chamada "globalização" não é mais que a fuga do capital para
os países onde o lucro a ganhar será o maior possível, onde não existe
os constrangimentos dos direitos dos trabalhadores, do qual o que mais
impacto tem, para as empresas, é sem dúvida o direito á greve.
Direitos obtidos com grande sacrifício, desde os tempos da
clandestinidade, aos assassínios de dirigentes sindicais.
Com o crescimento das lutas operárias, como boicotes, a destruição das
máquinas, paralisações e o dilema de não poder negociar já que as
associações dos trabalhadores eram ilegais, é que o parlamento da
Inglaterra irá aprovar, em 1824, a primeira lei sobre o direito de
organização sindical da classe operária.
Conquista que permitirá um poderoso aumento da força do
sindicalismo.
Ainda neste período, fruto da experiência concreta, o proletariado
também desenvolverá a luta política, superando a pressão apenas por
reivindicações de carácter económico e específico.
Surge o movimento cartista na Inglaterra, que representou um salto na
acção operária. O nome deriva de uma
"carta", elaborada em 1837-38, em que os trabalhadores reivindicam
maiores liberdades políticas. Direito de voto para todos, abolição do
sistema pelo qual só podiam se candidatar os que tivessem renda, voto
secreto etc.
O cartismo é já um ponto de partida na luta por liberdades
democráticas e por uma sociedade mais justa.
Ele será duramente reprimido, noutros países também a classe operária
desenvolverá lutas políticas sendo a mais célebre a participação na
Comuna de Paris. Foi a primeira experiência em que a classe operária
alcançou o poder político apesar de curta duração.
Como sabemos essa ousadia custou milhares de vidas mas promoveu
reformas até então impensáveis, algumas só a pouco tempo
concretizadas.
Seria fastidioso enumera-las, mas salientava por ex. a igualdade entre
sexos, a abolição do serviço militar obrigatório, a redução do horário
de trabalho para oito horas.Etc
Em Portugal com o fim do fascismo, no dia 25 de Abril, a nova
constituição restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades
fundamentais.
Beneficiando assim todos os portugueses, dos direitos alcançados pelo
proletariado, conquistados ao longo do tempo, com enormes
dificuldades.
Direitos permanentemente postos em causa pelo patronato, e agora
também pelo próprio estado.
Parece-me a mim útil, que se reconheça que os mais importantes, e por
isso mesmo,os mais difíceis de alcançar, direitos conquistados, não
eram possíveis sem o recurso á greve.
Não podemos na minha modesta opinião, pôr em causa um direito tão
importante, que como atrás tenho referido foi essencial para obter um
maior equilíbrio na redistribuição da riqueza, e assim podermos
usufruir, do nível de vida que hoje é comum nos países desenvolvidos.
Falamos de coisas que hoje parecem banais, como o ordenado mínimo,
horário de oito horas, férias pagas, aumentos anuais, etc.
Todos reconhecemos evidentemente, que houve também pela parte do
movimento sindical, excessos. Mas não é porque certas pessoas gozam de
falsas baixas médicas que vamos cessar com o direito há baixa.
O percurso histórico do movimento sindical português foi, desde os
seus primórdios até aos dias de hoje, muito tortuoso.
Na análise do seu percurso, desde as associações mutualistas, de
carácter quase corporativo, até aos nossos dias, em que múltiplas
correntes, tendências e até organizações co-habitam no espaço do
movimento sindical, não se pode nunca perder do horizonte que os
sindicatos, têm como função e obrigação defender os interesses sócios
laborais dos trabalhadores, sendo o diálogo construtivo a melhor forma
de atingir os objectivos.
Há pois ainda, um grande caminho a percorrer, com a agravante como
temos assistido nos últimos anos, a uma decadência inquietante da
democracia, que assemelha-se hoje mais a uma oligarquia.
Penso, que a democracia directa, é passo a dar, e o MDD vai nesse
sentido.
Para promover o crescimento do MDD, parece-me que esta medida de
acabar com o direito á greve, é desmobilizador, de as pessoas que como
eu pertencem á classe operária, e vêm esta medida como um retrocesso
perigoso.
Um direito que no futuro, que todos nós almejamos será desnecessário,
já que numa sociedade justa não haverá a necessidade deste tipo de
pressão nas empresas.
Será mais como uma lembrança, e porque não, uma homenagem a todos
aqueles que morreram a tentar alcançar aquilo que hoje temos como
adquirido.
O MDDVTM,está aí, e para alcançar os objectivos teremos que crescer em
qualidade é certo, mas, também em quantidade.
Afigura-se que esta medida, é neste caso, contraproducente.
Um abraço, e mãos há obra.
António Monteiro
Figueira da Foz