Administradores milionários...

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Moderador (Vitor Mendes)

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Mar 31, 2009, 12:31:30 PM3/31/09
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http://www.correiodamanha.pt/noticia.aspx?contentid=1AAE8D76-CCFA-4BF2-80A6-DA17CFC4B79A&channelid=00000181-0000-0000-0000-000000000181

 

Investigação: União de cooperativas controla sector dos lacticínios

Administradores milionários

A Lactogal, a maior empresa de lacticínios da Península Ibérica, que funciona numa lógica de cooperativa e que, juntamente com a Agros, controla mais de 80 por cento do mercado da produção do leite em Portugal, paga ordenados milionários aos seus quadros superiores. Os administradores ganham entre 410 e 900 mil euros por ano. Os produtores de leite, os últimos da cadeia, vão receber, a partir de quarta-feira, menos quatro cêntimos por litro. A Lactogal pagava-lhes, em média, 30 cêntimos, desceu para 26, depois de invocar um decréscimo na procura e dificuldades no escoamento do leite.

Nos supermercados, o preço continua a subir. No ano passado o aumento foi de cerca de dez por cento. Mas a crise parece passar ao lado de quem gere o maior grupo produtor de lacticínios.

ORDENADOS MILIONÁRIOS

A Lactogal tem nove administradores com salários astronómicos. Por mês recebem entre 29 a 61 mil euros (o declarado em sede de IRS, a dividir por 14 meses), que são pagos por várias empresas ligadas à cooperativa.

No topo da lista está o comendador Casimiro Almeida. O ex-agricultor, que hoje é número um da Lactogal, declara agora mais de 850 mil euros de rendimentos daquela empresa e 60 mil por ser, ao mesmo tempo, administrador da Proleite.

Segue-se Fernando Mendonça, o patrão da Agros. Neste caso, a Lactogal paga-lhe quase metade, 413 mil euros por ano, mas acrescem 89 mil da PSN Norte, 60 mil da Agros SGPS e 47 mil da Agros. Feitas as contas, são 610 mil euros por ano, ou seja, 43 mil euros por mês.

Os valores não diferem em muito dos pagos aos restantes administradores. Simão Daniel Alves ganha 416 mil euros/ano pela Lactogal, 60 mil pela Agros SGPS e ainda mais 64 mil por duas sociedades participadas. Nos 550 mil euros/ano está Alberto Cardoso. Seguem-se Manuel Gomes e Honorato Ribeiro com vencimentos por ano de 413 mil. Pouco menos recebem Óscar Brandão, José Passinhas e Joaquim Cardoso. O CM não conseguiu, nesses casos, confirmar os montantes exactos.

O ministro da Agricultura já pediu a Bruxelas uma investigação ao sector do leite em Portugal.

'A AGROS TEM ANDADO A BRINCAR COM OS PRODUTORES'

Eles são quem produz o leite, mas cada vez mais são o elo mais fraco. Depois do negócio das quotas, que os produtores tiveram de comprar (alguns gastaram 200 mil euros) e que agora não valem praticamente nada, têm visto, pelo menos desde Janeiro de 2008, o preço que a Agros e a Lactogal lhes paga a baixar 'assustadoramente'. Basta referir que, há um ano, o litro do leite era pago ao produtor a 38 cêntimos e, nos últimos dois meses, foi a 30. Agora, já no próximo dia 1 de Abril, baixa para 26 cêntimos (isto em média, já que os produtores não recebem todos o mesmo valor). Adelino Balseiro tem 250 cabeças de gado, a norte do concelho de Barcelos e diz que, nesta altura, o preço não paga os custos de produção. 'Estamos a trabalhar para aquecer e a Agros tem andado a brincar com os produtores', diz Adelino Balseiro, referindo que 'enquanto o preço pago ao produtor baixou, as rações, os adubos, as palhas e as silagens passaram para o dobro'. Mas a revolta dos produtores não está apenas no que recebem da Agros e da Lactogal. Está também na forma como estas uniões de cooperativas têm sido administradas e 'blindadas à participação dos produtores'. Manuel Vilaça, produtor de leite de Braga, dá um exemplo concreto: 'As eleições para a Agros costumavam ser em finais de Maio; este ano realizaram-nas em Abril e avisaram os associados apenas dez dias antes, para que não houvesse a possibilidade de aparecer qualquer lista concorrente'. De resto, os produtores estão todos ansiosos pelo cumprimento do anúncio do ministro Jaime Silva, segundo o qual foi pedida a Bruxelas uma fiscalização exaustiva ao sector do leite em Portugal. Segundo declarou, o governante quer evitar o monopólio no sector.

QUEIXAS NA CONCORRÊNCIA

QUEIXAS NA CONCORRÊNCIA

QUEIXAS NA CONCORRÊNCIA

QUEIXAS NA CONCORRÊNCIA

QUEIXAS NA CONCORRÊNCIA

A Autoridade da Concorrência tem, há mais de um ano, uma queixa sobre concertação de preços no sector do leite. Também a ASAE e a Secretaria de Estado da Defesa do Consumidor têm estado especialmente atentas ao funcionamento deste sector. A questão do monopólio surgiu na década de noventa, quando a Agros e a Lactogal resolveram associar-se, passando a controlar a produção e comercialização em primeira linha de mais de 80 por cento do leite produzido em Portugal. Há outras uniões, mais pequenas, como a Leicar, que tentam enfrentar o gigante do leite, mas sem qualquer hipótese.

É por isso que os produtores não conseguem contornar a questão dos preços do leite. A Agros e a Lactogal determinam que o preço a pagar passa de 30 para 26 cêntimos e não há nada a fazer.

A MULTIPLICAÇÃO DE EMPRESAS

Após a associação da Agros e da Lactogal, o grupo foi multiplicando empresas, para os diversos sectores, criando novos cargos de administração. É o caso da Agros SGPS, da Agros Comercial, da Ucanorte e até do laboratório interprofissional. Neste caso, até foram os produtores que exigiram que o laboratório fosse separado da Agros, só não esperavam que o administrador fosse o mesmo.

AGROS

FERNANDO MENDONÇA

Presidente do conselho de administração da Agros, o comendador Fernando Mendonça é também administrador da Lactogal. Ganha 610 mil/ano.

FRANCISCO MARQUES

Em sede de Segurança Social, a Agros declara pagar ao seu vice apenas 1546 euros por mês. Desconhece-se o montante dos prémios ou das ajudas de custo.

MANUEL DA PONTE

É o mais ‘desconhecido’ administrador da Agros. Além do vencimento recebe senhas de presença. Os valores que declara não são conhecidos.

SIMÃO ALVES

É um dos mais bem pagos do universo do leite. Ganha 540 mil euros por ano. É pago pela Lactogal, Agros e por mais duas empresas.

AMADEU MATIAS

Administrador da Agros e presidente da cooperativa agrícola da Póvoa de Varzim.

PORMENORES

DISPARIDADES

Os vencimentos mensais dos administradores da Lactogal (fora os prémios, ajudas de custo e senhas de presença) são de apenas 5030 euros por mês.

QUADRO INTERMÉDIOS

Luís Ferreira e Jacinto Santos, quadros intermédios da Agros, declaram ordenados mensais de 6250 e 6650. O último ainda acumula funções com um cargo na Prodística (responsável pelo transporte do leite). Aí, ganha 1546 euros por mês.

AGRACIADO POR SAMPAIO

Casimiro Almeida, o número um da Lactogal, recebeu a comenda das mãos de Jorge Sampaio.

NOTAS

REACÇÃO: CUNHA VAZ EM SILÊNCIO

A Cunha Vaz é responsável pela comunicação da Lactogal. Ontem, às perguntas do ‘CM’ a empresa de comunicação não respondeu. Da Lactogal também não houve reacções

LEITE: COOPERATIVAS, MAS P0UCO

As cooperativas foram criadas com o objectivo de defender e dar força aos produtores. No caso do leite já foi assim, mas com a união da Agros e da Lactogal o conceito passou à história

AGROS: ASSEMBLEIA GERAL 

Está marcada para o mês que vem uma assembleia geral da Agros. A antecipação das eleições, o preço pago aos produtores e os ordenados milionários dos gestores serão tema

Tânia Laranjo / Secundino Cunha / Miguel Alexandre Ganhã

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