A FORMAÇÃO TEOLÓGICA DA LIDERANÇA LEIGA

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Prof. Ms. Isaías Jr.

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Oct 4, 2014, 5:34:22 PM10/4/14
to Prof. Ms. Isaias Junior

Queridos amigos e irmãos...

A paz!!

Vale a pena ler a entrevista abaixo e refletir acerca da importância do conhecimento bíblico-teológico para a liderança da igreja...

A FORMAÇÃO TEOLÓGICA DA LIDERANÇA LEIGA

Entrevista com Solano Portela

 foto de Solano Portela

Além de atuar na direção geral e administrativo-financeira de diversas empresas nacionais e multinacionais, o nosso entrevistado da quinzena é o diretor de planejamento e finanças do Mackenzie, instituição presbiteriana de ensino que abriga mais de 40.000 alunos da pré-escola ao doutorado, nos colégios e na Universidade Presbiteriana Mackenzie. 

O Presbítero Solano Portela tem formação teológica em nível de mestrado feita nos Estados Unidos (Biblical Theological Seminary) e preside a Junta de Educação Teológica da IPB, que coordena e supervisiona os oito seminários e os três Institutos bíblicos oficiais da denominação através de Juntas de Educação Teológicas regionais. 

Entre outros assuntos refletimos aqui sobre a relevância do curso de teologia para os líderes leigos, a viabilidade dos profissionais voltarem para o banco das escolas e a concorrência dos centros de treinamento de igrejas e denominações. 

Sabemos que as igrejas têm investido em centros de treinamento próprios. Este tipo de iniciativa concorre com as faculdades teológicas? 

Solano – O treinamento teológico sempre foi de interesse primário das igrejas e denominações. São elas que devem primar para que as convicções teológicas sobre as quais estão firmadas sejam perpetuadas de geração a geração. As faculdades teológicas surgiram sequencialmente aos seminários denominacionais, e hoje em dia existem várias interdenominacionais. Não são as igrejas que surgem agora com “centros de treinamento”, mas é o inverso – as faculdades teológicas substituíram os “centros” que existiam antes. Que há um objetivo comum em ambos, não há dúvida, mas não devemos falar em “concorrência”. Esse “investimento” nada mais é do que um retorno saudável às origens do treinamento teológico, que prioriza a proficiência bíblica e a devoção, em vez do mero fornecimento de um “diploma reconhecido pelo MEC”, que, infelizmente, tem sido o alvo de algumas faculdades e alunos. 

Existe uma percepção geral de que os cursos de teologia estão se esvaziando. Os centros acima seriam os responsáveis por isso? Estariam eles mais preparados para o público leigo? 

Solano - Os cursos de teologia estão se esvaziando porque a igreja está deixando de ser pro-ativa no que diz respeito à identificação das vocações ministeriais. Nas últimas décadas enfatizamos demasiadamente o subjetivismo nessa área – a pessoa é que define se ela é “chamada” ou não. O “Senhor” fala diretamente a cada um, e não por intermédio da igreja e do conselho dos mais experientes. Na Bíblia vemos alguns chamados excepcionais, mas acredito que o que caracteriza a normalidade para a Igreja de Cristo é o Corpo. Isto se dá pela atuação dos mais experientes e qualificados – conformes diretrizes de 1 Tm 3 e Tt 1 – observando a forma de dedicação à palavra e os dons específicos, e separando esses para o ministério da Palavra. Meu ponto é que as igrejas têm ficado meramente passivas, esperando que os vocacionados se encaminhem ao estudo teológico e ao treinamento pastoral. Identifiquem; encorajem; providenciem os meios; supervisionem; façam-nos colocar em prática o treinamento recebido – isso preencherá os cursos de teologia. Por outro lado, muitos cursos têm demonstrado uma propensão à autofagia e estão se destruindo de dentro para fora pelo academicismo, por uma espiritualidade vazia e pelo liberalismo teológico – que despreza a integridade da Palavra de Deus. Isso não contribui para sua perenidade. 

Qual deve ser a formação teológica da liderança leiga da igreja em sua opinião? 

Solano – A maior possível. O estudo da teologia não é só para uma casta privilegiada. Alguns aspectos mais técnicos, relacionados com as línguas originais, podem ser secundários para a liderança leiga, mas certamente o estudo bem ministrado da história da igreja, da apologética, da exegese, da teologia própria, e até da homilética, contribuirá para o alinhamento do rumo da igreja com os objetivos da Palavra de Deus. Vejo com muito otimismo o ressurgimento de um interesse de vários líderes leigos em serem treinados. Na minha denominação (IPB) muitos presbitérios ou igrejas locais têm organizado tais treinamentos, em cursos de um ano. Normalmente eles têm boa procura e freqüência. Temos que abandonar a idéia de pensar que tudo é tarefa e obrigação dos pastores, mas temos que ser bem treinados para liberá-los ao pastoreio do rebanho e apoiá-los em suas responsabilidades. 

Cremos que nunca houve um tempo de tantas seitas e heresias. De que forma a formação teológica ajudaria a liderança em lidar com isso? 

Solano – Temos que ter a convicção de que conhecimento teológico se deriva da Palavra de Deus. Temos que voltar à doutrina de suficiência e inerrância das Escrituras. Essa é uma escolha de Deus e não nossa. Ele não decidiu nos legar a Bíblia para que fosse uma peça de museu, anacrônica, sem relevância aos nossos dias; ou para que extraíssemos nossas convicções teológicas do último “guru” evangélico de plantão – daquele que diminui a soberania de Deus para que caiba em nossas falíveis mentes ou do que torna Deus servo de nossos desejos. A formação teológica adequada procurará discernir o que Deus fala em Sua Palavra, e avidamente buscará aplicar essas verdades aos nossos dias, com uma humildade que vem acondicionada na coragem necessária de ser diferente dos tempos, mas fiéis à Bíblia. 

Muitos líderes das igrejas são profissionais já formados e experientes em suas áreas de origem. Não seria difícil uma pessoa com este perfil voltar para o banco da escola? 

Solano – Profissionais já formados e experientes, se são competentes, sabem que o que existe para aprender é sempre muito mais do que o que já sabemos. Se há apreço e amor pela Igreja de Cristo, pela qual ele verteu o seu próprio sangue; se há convencimento de que precisamos saber mais sobre os seus ensinamentos; haverá submissão a uma rotina de aprendizado, a um “retorno aos bancos”. Meu conselho é que tais cursos para a liderança leiga sejam ministrados em meio expediente de sábados alternados e, talvez, uma noite em semanas alternadas. Pode ser que leve um tempo maior para o treinamento necessário, mas não é realista compatibilizar várias outras atividades, principalmente no caos de trânsito e deslocamento das grandes metrópoles, com um treinamento que apresente demandas de freqüência diária. 

O que uma faculdade de teologia pode oferecer para um líder leigo que não pode ser substituído por algum outro tipo de capacitação? 

Solano – O ensino teológico em nível superior é normalmente ministrado por pessoas que levaram anos se preparando e estudando em detalhes as diretrizes da Palavra de Deus. Muitos cursos de capacitação, devido ao seu caráter voluntário e pouco sistemático, sofrem com inconstância na docência e até na seriedade dos participantes. Há menos leitura de obras relacionadas com a Igreja; há diluição ou ausência nos testes de aferição do aproveitamento; há menos tempo colocado na ministração das diversas áreas. No entanto, nem sempre é realista achar que um líder leigo conseguirá separar o tempo necessário a um treinamento teológico em nível superior. 

E a respeito dos pastores? Em sua opinião, qual a maior necessidade de conhecimento da atual liderança pastoral evangélica? 

Solano – É uma necessidade tripla. Os pastores precisam estudar mais teologia sistemática e bíblica – as doutrinas derivadas do ensinamento da Palavra de Deus. Muitos estão se esmerando no estudo da psicologia, ou da manipulação de massas – mas o Povo de Deus anseia por aqueles que tenham um sólido alicerce teológico e não fiquem ao sabor dos “ventos de doutrina”, tão velozes e destruidores nos nossos dias. A segunda necessidade é a de se aprofundarem e provarem a sua vocação na prática pastoral. Numa era onde as mega-igrejas são glorificadas, chamado pastoral tem sido confundido com competência empresarial. Observamos distanciamento, em vez de aproximação do rebanho. A terceira área é na prática da pregação. Temos observado que o papel da pregação vem sendo a cada dia mais negligenciado. O “louvor” em vez de ser entrelaçado aos vários elementos do culto, vem se transformando em um show de virtuosismo de poucos, ou de uma catarse coletiva de emotividade, sendo sempre sacrificada a pregação da Palavra – quando a Bíblia nos ensina que ela é o veículo de crescimento em entendimento e meio de conversão de pecadores. Nessa área, o grande passo que as faculdades teológicas deveriam dar é retornar ao ensino da pregação expositiva – onde textos completos são expostos, explicados e aplicados à situação dos fiéis. É o grande antídoto à multidão de pensamentos aleatórios, personalistas e anti-bíblicos que permeiam os nossos púlpitos.

 

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o sitehttp://www.institutojetro.com/ e comunicada sua utilização através do e-mailart...@institutojetro.com  

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Site: www.institutojetro.com
Título do artigo: A formação teológica da liderança leiga
Autor: Solano Portela

 

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Pr. Isaías Luis Araujo Júnior

Supervisor das Filiais – IADJ

Coordenador Pedagógico – EBD IADJ

Coordenador NERD IADJ

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(21) 2179-8570 / 99949-2149 (Vivo) /  98917-5069 (Oi)

 

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