Oi pessoal, aqui um artigo que encontrei na net, é de Portugal em 2011, mas faz uma explicação bem divertida da questão de fazer dinheiro "ligar a maquininha",jajaja.
Abs.
Hugo
O que pensam os 4.ªclasse, o Loução e demais esquerdistas que se acham economistas.
Pedro Cosme Costa Vieira (Professor de economia do Porto – Portugal)
Sábado, Novembro 12, 2011
Primeiro
passo.
Quando uma pessoa poupa, fica com uma notas na mão que vai depositar num banco.
Quando um pessoas gasta mais do que tem, vai ao banco pedir dinheiro emprestado.
Então,
pensam, dinheiro e crédito são a mesma coisa.
Segundo
passo.
Os PIIGS têm um
desequilíbrio nas contas externas (balança corrente). Então, tem que
continuamente entrar dinheiro fresco no país (pedido emprestado). No caso
português têm que entrar 300 milhões € por semana.
As "importações" são menores que as "exportações" em 300
milhões € por semana.
Como há dificuldade em arranjar esse dinheiro, lentamente começa a haver falta
de notas.
Como o dinheiro se denomina por "liquidez" então, a liquidez
está a diminuir.
Terceiro
passo.
A economia dos PIIGS, por terem o exterior como principal fonte de
financiamento, estão com muita dificuldade em arranjar crédito.
Os bancos estão impossibilitados de conceder novos créditos porque os
financiadores do exterior fecharam a torneira.
Conclusão.
Como pensam que crédito e liquidez é a mesma coisa e o Banco Central
Europeu pode aumentar a liquidez pela emissão de novas notas sem limite
então, concluem que o BCE quem pode resolver o problema da falta de crédito das
economias em dificuldades da Zona Euro imprimindo notas sem limite.
Parece ter lógica mas não tem.
O problema das coisas que têm lógica é que, estando erradas, são difíceis de desmontar.
O dinheiro não tem nada a ver com o crédito mas até professores catedrático de economia fazem esta confusão.
As pessoas tem as notas tão entranhadas no seu pensamento que vai ser muito difícil eu explicar que o crédito não tem nada a ver com a liquidez.
1. Imaginemos Santo Aleixo dos Mendigos antes de ter moeda.
O António não tem filhos e produz 500kg de milho por dia.
O João tem 4 filhos e também produz 500kg de milho.
O António, sabendo que quando for velhinho só vai produzir 50kg/d, quer poupar 30% do seu rendimento actual. Mas não pode constituir um stock porque o milho apodrece.
O João, quando for velhinho, vai viver bem porque os filhos vão trabalhar mas, actualmente, em casa do João passa-se fome.
Então, O António fez um contrato com o João e os seus filhos neste sentido:
O António
empresta 150kg/d de milho aos João e, quando for velhinho, os filhos do
João devolvem-lhe o milho que ele lhes emprestou.
Neste mercado de crédito não
é necessário haver moeda.
2.
Agora imaginemos que o João também não tem filhos
Então, no futuro a produção do João vai ser 50kg/d.
Se o António emprestar o milho ao João, no futuro o João não tem milho para lhe pagar o crédito.
Por mais que o João
queira, não tem milho para pagar a dívida ao António. É a sua
bancarrota.
O João diz que tem uns filhos em França que o vão ajudar na velhice mas o
António, desconfiando disso, exige-lhe uma taxa de juro muito elevada para
compensar o risco de não receber nada.
O António prefere comer tudo e ficar gordo (e trabalhar menos) sabendo que vai passar fome na velhice.
O mercado de
crédito fica pequeno e com elevado risco (especulativo).
Será que a existência de moeda resolvia
o colapso do mercado de crédito?
3. A moeda, a concha, chegou à aldeia e o João tem filhos
Cada dia, o João pede 150$ ao Banqueiro para comprar milho ao António.
O António vende o milho a 1$/kg ao João e fica com 150$.
Nesse mesmo dia, o António deposita os 150$ no Banqueiro.
Quando o António for velhinho vai levantar o dinheiro ao Banqueiro que o pede aos filhos do João que têm que vender milho ao António para poderem pagar o empréstimo.
É exactamente o mesmo resultado que quando não havia moeda.
4. A moeda chegou à aldeia e o João não tem filhos
Por mais notas que o Banqueiro emita e dê ao Banqueiro, isso não vai fazer com que apareça milho.
Quando o António for velhinho vai levantar o dinheiro ao Banqueiro que o pede ao João que também está velhinho e não tem como pagar a sua dívida. É a bancarrota do João que leva o Banqueiro à bancarrota, o António fica sem o dinheiro e não pode comprar milho.
O António, sabendo que o Banqueiro empresta o dinheiro ao João sem garantias, antecipa que vai falir pelo que não deposita lá o seu dinheiro. Então o João não tem dinheiro para comprar o milho e o António não tem a quem o vender.
Não há crédito ou então
a taxa de juro exigida pelo António é muito alta.
É exactamente o mesmo resultado que
quando não havia moeda.
5. O Baqueiro emite mais notas
Agora vamos introduzir
a estratégia que os esquerdistas precunizam: o Banqueiro emite notas à
fartazana.
Quando o João (um PIIGS) não paga a sua dívida, o Banco
Central imprime dinheiro e resgata o João.
O João, agora, pega nesse dinheiro e paga o que deve ao Banqueiro que já não
vai à bancarrota.
O Banqueiro paga ao António.
Mas para que quer o António O dinheiro? Não há milho no mercado.
O preço do milho vai
disparar porque a sua quantidade é fixa e a quantidade de dinheiro está a
aumentar.
É a inflação galopante.
É a
hiper-inflação
O António antecipando que, no futuro, o Banco Central vai emitir moeda e descontrolar
a inflação, vai exigir uma taxa de juro muito alta.
É exactamente igual a quando o Banco
Central não podia aumentar a quantidade de notas.
É exactamente igual a quando não havia
moeda.
A
moeda não resolve nenhum problema do mercado de crédito.
A moeda apenas facilita as trocas.
Como numa economia existem milhõess de bens e serviços diferentes, a
contabilização dos créditos em termos de bens e serviços torna-se impossível.
A existência de moeda permite agregar a totalidade dos créditos (100kg de
milho, 10kg de feijão, 3 pencas, duas massagens, um café, etc.) num número,
150€.
Daqui a 30 anos pode até já não haver café, mas o João recebe os 150€ e pode
desagrega-los na compra de variadíssimas quantidades de dos bens e serviços que
existirem na altura.
O que faz o BCE.
Controla
a liquidez (a quantidade de moeda em circulação) de forma a que a taxa de
inflação seja tendencialmente 2%/ano. A taxa de inflação é um problema
cultural. O Japão quer a inflação em 1%/ano, os USA, a ZE e a China querem
2%/ano, o Brasil quer 5%/ano e a Venezuela quer 25%/ano.
A China, entre 1997 e 2003, teve um objectivo de inflação
zero que trocou pelo objectivo de 2%/ano.
Naturalmente que, por diferenças culturais quanto à inflação óptima, a
Venezuela e o Brasil não podem ter a mesma moeda.
Os PIIGS e os alemães têm diferente visão quanto à inflação. Logo, não
cabem na mesma zona monetária.
O que faz o mercado de crédito.
Globalmente, Portugal gasta mais recursos (milho) do que produz. Então tem que pedir ao exterior recursos (milho) emprestados prometendo devolvê-los no futuro. No entanto, como os estrangeiros antecipam que no futuro a quantidade de recursos produzidos em Portugal será pequena, antecipam um risco elevado de não podermos pagar o que estamos a pedir emprestado pelo que não nos empreste recursos (milho).
Se o BCE emitir dinheiro (sem a correspondente poupança de alguém) e o enviar para Portugal, nós comprarmos recursos aos estrangeiros que nunca iremos devolver.
Pedir que o BCE injecte liquidez em Portugal é o mesmo que pedir que os estrangeiros nos dêem os recursos pois nunca mais vamos poder devolver a liquidez ao BCE.
O Cavaco
tem dito que queremos sair do Euro
Actualmente as cedências de liquidez (empréstimos) que o BCE tem feito aos
PIIGS são feitas à custa de dinheiro dos países do norte (o BCE compra
divida pública dos PIIGS e vende divida pública alemã).
Mas os países do Norte não querem arcar com esse prejuízo.
Os PIIGS,
onde se inclui o nosso Cavaco, estão a pressionar o BCE para subir a
taxa de inflação.
Vê-se no
mercado de crédito de longo prazo que, de certeza absoluta, a taxa de inflação
na Alemanha vai ser menor que 2%/ano. Então, o que o Cavaco está a dizer é que
Portugal não se vai manter na mesma zona monetária que a Alemanha.
Fig. 3 - Evolução da taxa de juro da dívida pública alemã a 30 anos, 2011 (fonte:bloomberg)
A evolução da taxa de juro alemã (sem risco de bancarrota) indica que, se
a Zona Euro se mantivesse com a geometria actual, a inflação de longo
prazo estabilizaria nos 3%/ano.
Agora aceita-se que a nova "Zona Euro" com a Alemanha como núcleo
terá a sua inflação estável nos 2%/ano.
Como há
pessoas sábias na Alemanha, nunca o BCE se írá transformar no BCZ - Banco
Central do Zimbabwe.
Os esquerdistas dizem que "não existem agora europeistas como havia" nem existe "solidariedade europeia".
Não há é lorpas.
http://economicofinanceiro.blogspot.com.br/2011/11/o-governador-do-bce-veio-me-consultar.html
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