Agora é...
...canalizar as energias desrepresadas em prol da construção de um movimento que sintetize e oriente as aspirações aparentemente difusas que dão o ar de sua graça no privatizado espaço público. Necessariamente horizontal e orgânico, este movimento implica enorme clareza sobre o que se quer conseguir, aonde se quer chegar, condição necessária à tomada de decisões quanto às ações empreendidas, o que evita inclusive o desperdício de energia com a elaboração de propostas de cunho reformador que, afinal, pela evidente falta de vontade política das classes dirigentes, só iludem os incautos. Ilusão acreditar que “classe dirigente” é a classe política. Não só os políticos, como a Política em si e toda a institucionalidade (Estado, Forças Armadas/polícias, Legislativo, Executivo, Judiciário, meios de comunicação, igrejas, escolas etc ) são meros instrumentos do Poder. Este, desde pelo menos o séc. XIX, é detido pelos capitalistas, e administrado preferencialmente na delimitação geográfica que atende pelo nome de Estado, reserva de mercado da exploração da Natureza e do Homem. A ambição desmedida dos capitalistas não vai cessar, mesmo diante dos cruéis efeitos na humanidade e da iminente destruição do Planeta, então necessário se torna mudar o Sistema, vale dizer, acabar com a Dominação. Esta se perpetua pela coerção das populações, divididas esperta e artificialmente em classes sociais, como se os interesses fossem contraditórios, mas o interesse do ser humano sempre foi o mesmo, viver em estado de bem-estar social, na paz, mas isto só será possível quando conseguirmos instituir o “governo-do-povo”, utopia alcançável apenas depois de superados todos os obstáculos interpostos. Um dos obstáculos mais significativos é justamente a disseminada crença de que o povo é incapaz - ignorante (não cursou Faculdade), desinformado (não lê jornais nem vê Internet), egocêntrico (meu pirão primeiro) -, portanto precisa ser tutelado. Acontece que os capitalistas, em sua ânsia por lucros, pauperizaram os humanos até a animalização, e então, quando necessário, pinçam as características da animalidade (amoralidade, agressividade, ressentimento, oportunismo, baixa auto-estima etc) para desclassificar o povo. Foram estas características o que ensejou a exposição de motivos justificadora da invenção (finais do séc. XIX, concomitantemente na França e nos EUA) do Sistema Representativo, falácia democrático-operacional destinada a neutralizar o potencial reivindicatório de povos que já haviam passado, ou quase, por experiências revolucionárias. Diante destes fatos, e conscientes de que governos são no geral meros escritórios de representação dos interesses das classes dominantes - existem para perpetrar veladamente, por intermédio da Administração Pública, a mesma apropriação de valor (“economizado” com a não-implementação de políticas públicas) operada desavergonhadamente pelos capitalistas no setor privado, a chamada mais-valia - a conclusão óbvia a ser tirada não é a de que certos políticos não nos representam, que uma reforma política equacionaria as coisas, mas sim a de que não só a política institucional, como também e principalmente a própria Representação, pelo eximir de responsabilidades individuais que implica, são pedras no caminho da constituição do Poder Popular, única via para a transformação das sociedades, única perspectiva de justiça social. Portanto, trabalhemos firmemente para que o povo se empodere, estejamos juntos nas multifacetadas demandas do movimento social, pois só assim a fragilidade da pulverização e a falta de organicidade serão superados. Avante sempre. Sempre horizontalmente. Interesse coletivo acima de tudo.