É de aconselhar que se leia primeiro toda a Liturgia da Palavra.
12º DOMINGO COMUM - ANO B
-21 de Junho - B
Jesus disse ao mar : «Cala-te. Silêncio!»
A Liturgia da Palavra deste 12º Domingo Comum – B, vem na continuação do domingo anterior (11° DOM.COM.) que falava na Fé como uma semente que cresce, e dá-nos como caminho de verdade, a Fé que resiste à tentação.
Vivemos num mundo dominado pela agitação, pelo ódio, sob o terror constante da guerra e do flagelo da fome.
Mas Cristo é vida, mesmo quando Se não deixa ver muito claramente no meio da tribulação.
É Mestre e Messias, o enviado por Deus para reunir o povo santo.
A Sua Palavra é libertação do pecado, da morte e da escravidão.
Conduzidos por Ele e empenhando-nos na expansão da Sua Palavra, construiremos um mundo novo que todos desejamos seja instaurado entre os homens – mundo de paz, justiça e amor.
Na 1ª Leitura, o profeta Job, no meio do seu sofrimento, dá-nos uma prova da sua fé, apresentando o Senhor, como autor de tudo o que existe, na certeza de que é Ele que tudo governa e de que é para Ele que devemos viver e não para nós próprios :
- «Virás até aqui e não irás mais além, aqui virá quebrar-se a altivez das tuas vagas” .(1`Leitura).
Foi Ele que criou para nós as maravilhas do Universo, e fê-lo só por amor, aquele amor que o Salmo Responsorial canta :
- “Cantai ao Senhor, porque é eterno o Seu amor”.
Na 2ª Leitura, S. Paulo diz aos Coríntios, e hoje também a todos nós, que devemos ter fé n’Aquele que morreu por todos.
A partir de então todos estamos marcados pelo Seu amor.
- “Cristo morreu por todos, para que os vivos deixem de viver para si próprios, mas vivam para Aquele que morreu e ressuscitou para eles”.(2ª Leitura).
É realmente esta, a grande tentação contra a fé, o nosso amor próprio, que nos não deixa seguir o nosso ideal cristão.
Importa que cada um descubra este amor de Jesus e se torne uma nova criatura.
Paulo incarnou esta nova criatura.
Cristo não é já para ele, o fundador duma nova seita – que ele persegue – mas o centro da vida de todos os homens.
O Evangelho é de S. Marcos, e apresenta-nos Cristo que se deixou dormir para pôr à prova a fé, ainda vacilante, mas em crescimento, dos Seus discípulos.
Interpelado por eles, Cristo apenas responde :
- «Porque estais assim assustados ? Como é que não tendes fé» ?(Evangelho).
A tempestade que se desencadeara no mar, anunciava e era figura das perseguições e dificuldades futuras dos discípulos que Jesus andava a formar para guias e suporte da Sua Igreja.
Não temos que nos admirar das tentações, das dificuldades e porventura dos falhanços da Igreja de hoje, em que a fé de muitos que se dizem cristãos e católicos, só dão provas de que vivem como se Cristo continuasse a dormir.
Agora é a Igreja que lhes pergunta :
- «Como é que não tendes fé»?
Deus é o Senhor da natureza e do mar, essa realidade poderosa e avassaladora, também lhe está sujeita.
O tema da fé e da confiança em Deus nas provações ocupa o centro da Liturgia da Palavra de hoje.
O homem primitivo tinha instintivamente o sentido do sagrado, vivia as suas relações com a natureza como se houvessem seres divinos a presidirem à sucessão implacável dos acontecimentos que os abalavam.
O mundo divino fascinava-o, mas inspirava-lhe também uma espécie de terror sagrado; por isso, procurava, através dos seus ritos primitivos, tornar propícia aquela divindade que ele sentia mas que não podia ver.
O homem moderno atingiu um domínio notável sobre as forças da natureza, que cresce em cada dia, merece-lhe respeito mas não lhe incute maior terror, embora, de muitas maneiras a natureza, como que em revolta, vá apanhando de surpresa muitos dos menos acautelados.
São acontecimentos que bem podem ser tomados como um aviso de que Deus é quem nos governa e o seu poder é imenso.
Deus não pode ser considerado só nem principalmente, como fundamento, garantia ou vingador da ordem da natureza.
O Deus da fé transcende o mundo, ultrapassa as suas leis, e não pode ser alcançado só a partir do mundo e dos seus ascontecimentos.
O nosso Deus não é um Deus de falsas seguranças humanas; não é a fórmula que soluciona as nossas dificuldades e os nossos problemas; por que assim seria apenas um Deus alienante, ou um passa-culpas.
A nossa fé em Deus não pode ser feita de fugas e de irresponsabilidades; seria muito suspeita uma fé tranquila, fácil e sem problemas.
A fé é um compromisso contínuo, exactamente porque crê, apesar das tempestades nas quais é continuamente posta à prova.
Seria uma falsa fé a daqueles que buscassem a Deus só como consolação individual, que só buscassem a solução imediata das suas dificuldades de cada dia.
Na base dessa fé estaria, não a disponibilidde absoluta nas mãos de Deus, mas a tentativa de “utilizar” a Deus para resolver os próprios problemas.
Ter fé significa abandonar-se a Deus mesmo quando Ele “dorme”, porque sabemos que nenhuma dificuldade nos pode vencer; Deus já as venceu.
Isto, porém, não nos isolará no mundo, fazendo-nos passar por cima dos seus problemas, pois sabemos que o plano de Deus, é libertar o mundo do mal e que, neste processo de libertação é chamado a colaborar, lutando ao seu lado, sem desanimar.
A perseverança na fé é absolutamente necessária para o cumprimento do plano da História da Salvação...
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Sobre a necessidade e a perseverança da fé diz o Catecismo da Igreja Católica :
161. – Para obter a salvação é necessário acreditar em Jesus Cristo e n’Aquele que O enviou para nos salvar. «Porque “sem fé” não é possível agradar a Deus»(Heb.11,6) e chegar à partilha da condição de filhos seus; ninguém jamais pode justificar-se sem ela e ninguém que não «persevere nela até ao fim».(Mt.10,22-24; 24,13) poderá alcançar a vida eterna».(Conc.Vat.I : DS 3012).
162. – A fé é um dom gratuito de Deus ao homem. Mas nós podemos perder este dom inestimável. Paulo adverte Timóteo a respeito dessa possibilidade : «Combate o bom combate, guardando a fé e a boa consciência; por se afastarem desse princípio é que muitos naufragaram na fé»(1 Tim.1,18-19). Para viver, crescer e perseverar até ao fim na fé, temos de a alimentar com a Palavra de Deus : temos de pedir ao Senhor que no-la aumente; ela deve «agir pela caridade»(Gal.5,6; cf. Tg. 2,14-16), ser conduzida pela esperança e permanecer enraizada na fé da Igreja.

Como é que não tendes fé ?