Lições da Escola Sabatina Mundial – Estudos do Segundo Trimestre de 2011
Tema geral do trimestre: Vestes da Graça
Estudo nº 09 – Um Tição Tirado do Fogo
Semana de 21 a 28 de maio
Comentário auxiliar elaborado por Sikberto Renaldo Marks, professor titular no curso de Administração de Empresas da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ (Ijuí - RS)
Este comentário é meramente complementar ao estudo da lição original
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Ijuí – Rio Grande do Sul, Brasil
Verso para memorizar: “Eis que tenho feito que passe de ti a tua iniquidade e te vestirei de finos trajes” (Zacarias 3:4).
Introdução de sábado à tarde
O grande conflito entre satanás e DEUS, tem quatro momentos essenciais:
1º) Lúcifer querendo ser semelhante ao Altíssimo. E para consegui-lo, desencadeou uma guerra de anjos contra o trono de DEUS; ele queria participar desse trono.
2º) Perdendo a guerra, derrotou Adão e Eva, e intentou ser o príncipe desse mundo.
3º) Mas no embate da cruz, JESUS em flagrante desvantagem, derrotou o ódio de satanás com o Seu infinito amor.
4º) Agora, ele se prepara para a última batalha, o Armagedom. E seu intento é desviar o maior número de seres humanos do caminho da salvação, já que mais do que isto não consegue mesmo, pois está perdido, e derrotado.
O mundo tem produzido muita guerra. Pois aqui as diferenças são resolvidas na base da violência. Na verdade, por essa via as diferenças não são resolvidas. Aparecem outras diferenças, e o mundo vai de mal a pior. É a lei do mais forte, de quem pode mais. É um planeta de estúpidos, que utilizam o conhecimento que conseguem desenvolver para fabricar armas. E ainda assim, se acham muito inteligentes. Mas pare um pouco para pensar: entre o ato de JESUS na cruz, entre as Suas palavras para oferecer o outro lado do rosto, entre o que Ele disse que não veio para ser servido mas para servir, entre a Sua declaração “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”; e a escalada de armamento, a multiplicação das guerras, da destruição e da mortandade mundo afora, da luta pelo poder, o que você acha mais lúcido, sensato e sábio?
Não é à toa que DEUS acha loucura a sabedoria desse mundo!
O mundo está piorando. E a causa primária da situação do mundo é essa guerra de satanás contra DEUS, e contra quem esteja com Ele. Pensemos um pouco sobre isso. O que Lúcifer queria, no início de sua luta? Ser semelhante ao Altíssimo. Ele queria poder para mandar, não poder para servir. E o que está gerando muitas das guerras nesse mundo? É a luta pelo poder. Onde há alguém ambicionando poder, há tensão suficiente para gerar algum tipo de conflito. Cuidado, isso também ocorre muito em nossa igreja. É preciso banir esse tipo de conflito entre nós, como fizeram os discípulos nos dias que antecederam o Pentecostes.
Lúcifer queria ser admirado ainda mais do que já era. Queria que o foco estivesse nele, não em DEUS. Essa não é, ao longo dos tempos, a obstinação da maioria das pessoas? Fazem de tudo para que as atenções se voltem a elas, não a DEUS. Cuidado com essa cilada. O mundo hoje faz de tudo para que nós, servos de DEUS, queiramos também ser vistos como belos, importantes, ricos, famosos, etc. Muito cuidado com a cilada que derrubou satanás e levou com ele 33% de todos os anjos que serviam a DEUS.
Lúcifer queria ter prestígio. Não é exatamente isso que as pessoas também buscam? Em lugar da humildade de DEUS, o ser humano está sempre lutando por destaque entre os demais.
Pois bem, agora reflitamos um pouco mais profundamente: é possível a todos terem poder para dominar sobre os demais? É possível a todos serem o foco das atenções? É possível a todos terem mais prestígio que os outros? Não é possível! Por isso, quem quer essas coisas parte para a briga, para a guerra. Ele está querendo o que muitos também querem. Então, ou gasta muito dinheiro para ser mais que os outros, ou se envolve em conflitos que nada resolvem.
Mas muita atenção ao que está escrito a seguir: para humildes, que só desejam servir, não ser servidos, sempre há lugar para mais, muitos mais. Se todos forem humildes, ao contrário do que se todos buscam prestígio, não haverá conflito algum. Esse é o reino de DEUS! Assim deverá ser a nossa igreja!!! Um lugar de gente humilde, inteligente e sábia, atraindo o mundo pela diferenciação para melhor, não para pior.
Portanto, pensemos mais um pouco: é possível todos servirem uns aos outros? É possível a todos se amarem mutuamente? É possível a todos promoverem a felicidade dos demais? Sim, é perfeitamente possível. E não há a mínima necessidade de algum tipo de conflito para conseguir essas coisas. Por isso o Reino de DEUS é de paz; mas o império de satanás é de guerra, de autodestruição.
Escolha hoje a que reino quer pertencer.
1. Primeiro dia: Zeloso por Jerusalém
DEUS, por meio de Isaías tentou evitar o desastre (exílio em Babilônia) do povo escolhido. O mesmo DEUS, mais tarde, por meio de Zacarias, após o desastre nacional, busca recompor o povo e reconstruir o templo e a cidade de Jerusalém. Agora que os pais daquela geração apanharam dos inimigos, cujos deuses eles admiravam e até adoravam, quando os filhos perceberam que esses deuses nada podiam em favor deles, estava então chegando a condição de se deixarem dirigir pelo DEUS verdadeiro. Portanto, estava chegando a hora de retornar e reconstruir a pátria que DEUS lhes deu. Se profetas foram usados por DEUS para evitar que fossem destruídos, outros estavam sendo utilizados para que se recompusessem como nação. Que mau exemplo de pais para filhos. Todos os que são pais ou mães, deveriam pensar muito, e orar mais ainda, para que suas decisões não criem situações ruins para os filhos. DEUS dá os filhos para serem cuidados com santa dedicação, mas nem sempre é assim. Aqueles pais, daquele povo, voltaram-se para ídolos, e foram derrotados pelos povos daqueles ídolos, e agora os filhos deveriam fazer a reconstrução da nação.
DEUS sempre foi bom para com Seu povo. Mas quando esse povo resolve cronicamente dar mau testemunho, DEUS Se vê na obrigação de restringir as bênçãos. E quando esse povo se afasta de DEUS, a pergunta que resta é: Como favorecer a quem não quer mais saber de DEUS? E, se mesmo assim, DEUS continuasse derramando Suas bênçãos, Ele estaria dando uma mensagem a esse povo e ao mundo, que aprova tal conduta. Tal coisa jamais DEUS fará, seria favorecer o mau testemunho. Portanto, quando um povo é fraco, quando uma igreja é fraca, quando não tem poder, ou esse poder é pequeno, algum desvio de conduta cristã existe, e precisa ser identificado, precisa haver mudança. É examinar, cada um a si mesmo, e reformar a sua vida, e DEUS, como sempre fez, voltará a ser favorável. Não esperemos a sacudidura para fazer isso.
“Caso se extinguisse a justiça e fosse possível que a misericórdia divina abrisse as portas para toda a raça humana, sem levar em conta o caráter, haveria pior condição de descontentamento e rebelião no Céu do que antes da expulsão de Satanás. Seriam quebradas a paz, a felicidade e a harmonia do Céu. A mudança da Terra para o Céu não alterará o caráter dos homens; a felicidade dos remidos no Céu resulta do caráter formado nesta vida segundo a imagem de Cristo. Os santos no Céu primeiro terão sido santos na Terra” (Maranata, O Senhor vem. MM, 1997, p. 324).
“A felicidade é o resultado de santidade e de conformidade com a vontade de Deus. Os que querem ser santos no Céu precisam primeiro ser santos na Terra; pois quando deixarmos a Terra, levaremos nosso caráter conosco, e isto será simplesmente levar conosco alguns dos elementos do Céu que nos foram comunicados pela justiça de Cristo” (Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 191).
2. Segunda: O acusador e o acusado
Veja só o que satanás fez com o sumo sacerdote Josué (não é o mesmo Josué que guiou o povo para a conquista de Canaã, esse nome quer dizer JESUS). Este sumo sacerdote estava em pé, diante do anjo do Senhor, com roupas sujas. Ah! veja só isso: ele representava JESUS no futuro, como o sumo sacerdote no Templo Celeste. A sujeira eram os pecados do povo de DEUS, a que Josué representava, como sumo sacerdote, e também os pecados dele mesmo. A cena parecia ridícula: O representante do povo perante DEUS estava sujo.
Imagine qualquer coisa parecida com um pastor, que vai pregar perante a congregação, com os trajes adequados, porém, bem sujos. De imediato ele será acusado pelo, digamos, relaxamento. Mas imaginemos que essa não seja só a sujeira dele, mas de toda a congregação. Imaginemos por um momento que a sujeira em suas roupas tenham aparecido por uma transformação dos pecados da congregação, e os dele, em forma de sujeira comum em sua roupa, e agora apareciam explicitamente.
Foi algo assim que aconteceu com o sumo sacerdote Josué. As suas roupas estavam manchadas de pecados (naqueles tempos, era sangue de animais).
Agora, continuemos pensando. O inimigo tinha ou não argumentos para acusar o sumo sacerdote? É evidente que sim. A sujeira estava ali, e quem quisesse, poderia ver. Portanto, ao menos na questão da acusação, satanás estava certo. Mas DEUS o desmascarou, e agora quem fica numa situação ridícula, é o acusador. O que foi que DEUS fez?
O anjo do Senhor tomou a palavra, isto é, interrompeu o discurso acusatório, pois por certo havia muito o que denunciar, e deu uma ordem: que as vestes sujas fossem tiradas de Josué; e ele foi vestido de vestes finas e limpas (cf. Zac. 3:4).
O que representa essa ação do anjo do Senhor? Ele mesmo disse: “Eis que tenho feito que passe de ti a tua iniquidade...” ou seja, tu foste perdoado. O perdão era autêntico, não podia ser contestado, pois o pagamento da iniquidade de Josué, e do povo que ele representava, seria feito por JESUS na cruz. Esse evento ainda estava no futuro, mas Josué foi perdoado com base no que JESUS ainda iria fazer. Portanto, JESUS tornou-Se devedor perante DEUS, pois o perdão dado a Josué teria que ser pago por JESUS, no futuro.
Diante dessa ação, satanás teve que se calar, e esperar para que JESUS vencesse na cruz. Se Ele fosse ali derrotado, então sim, satanás poderia outra vez levantar a sua voz, dessa vez, contra JESUS, e anular aquele perdão dado ao sumo sacerdote Josué. Mas na cruz, satanás foi calado outra vez. Ou melhor, ele foi desmoralizado, porque dali saiu derrotado para sempre.
Agora, veja mais um pouco: que situação embaraçosa a de satanás. Ele até pode acusar o povo de DEUS, que é perdoado, mas quem lá no Céu vai dar atenção às suas acusações? Nenhum ser celeste dará atenção ao que ele diz, pois lá todos aceitam o perdão concedido aos arrependidos. Afinal, esse perdão tem pagamento, não é um ato de impunidade, como vemos muito aqui no Brasil. Portanto, ele é autêntico, ele não fere a Lei de DEUS – de que o salário do pecado é a morte.
Logo, qual é ainda hoje o motivo das acusações de satanás?
Veja bem isto: ele só acusa aqueles que receberam ou estão recebendo, ou que receberão o perdão de DEUS. Os ímpios, que não se importam com sua condição espiritual, que, portanto, são de fato condenáveis, esses ele jamais acusa. Só faz isso com os que estão no caminho da salvação. Por que motivo ele age assim?
Ele quer nos aviltar, quer nos diminuir, nos afastar da misericórdia de DEUS. Ele quer fazer-nos pensar que não temos mais salvação, que o nosso caso é perdido, que DEUS não se interessa mais por nós. Ele quer criar confusão em nossa mente. Quer nos desmoralizar, e isso também com a igreja. Ele está incutindo na mente de muitos membros algo assim: “lá na igreja tem muito pecado, tem muita gente pior que no mundo.” Então, por isso, alguns saem da igreja. E esse é um de seus objetivos: nos afastar da salvação. Ele quer que nos enfraqueçamos, que deixemos de fazer algo pela salvação das pessoas, que desistamos do reavivamento e da reforma. Enfim, para ele, a condição de Laodicéia é a ideal: um pouco dentro e um pouco fora da igreja. Assim, a obra jamais seria terminada.
Mas sabemos que não será assim. Alertamos mais uma vez: quem não se apegar aos princípios divinos, depois de muitas oportunidades, esse será sacudido resultando em ficar de fora. Então a igreja terá outras vestes, de justiça; e outro poder, do ESPÍRITO SANTO, tão combatido por esse dias. Pois chega a hora e a vez dEle agir com poder inimaginável.
3. Terça: O Anjo do Senhor
Eram três os personagens em ação naquele cenário. Havia outros observando. E um dos personagens estava em atitude passiva, como que sem saber bem o que fazer. Quem tomou a iniciativa foi satanás. Ele descarregou uma enxurrada de acusações contra Josué, o sumo sacerdote, que ficou ali parado, sem saber o que dizer, pois tudo o que ouvia era verdade. Aliás, Josué não tinha nada a fazer senão sentir-se arrependido. E DEUS, em Seu trono observava, e uma multidão de anjos também. DEUS sabia o que se passava nas mentes de todos ali, mas os demais anjos não sabiam. Por isso, DEUS já sabia o que iria fazer. Ele tinha o conhecimento do que em secreto se passava na mente de Josué. Este estava profundamente envergonhado e arrependido, embora não pronunciasse uma única palavra. Josué estava desarmado; era o representante do povo perante DEUS, e estava em pé, diante de DEUS, com vestes sujas. Ele estava representando mal o povo de DEUS. O inimigo se achava triunfante com aquela cena chocante. E queria deixar DEUS numa situação embaraçosa, pois, afinal, as suas acusações iniciais, quando ainda era Lúcifer, faziam sentido: o representante do povo de DEUS não era capaz de obedecer aos mandamentos.
Satanás sentia-se todo cheio de razão. Ele conhecia uma quantidade de pecados de Josué e do povo pelo qual esse sumo sacerdote intercedia diante de DEUS. O inimigo se achava numa posição confortável, pois, segundo ele, DEUS teria que ouvir acusações que O desarmariam. DEUS deveria ficar numa situação bem constrangedora pelo fato de Josué ser um mau e sujo sumo sacerdote, estava imundo pelos pecados. O inimigo achava-se triunfante. E tal como o caso de Jó, DEUS permitiu que satanás despejasse todos os seus argumentos contra Josué. E satanás falou o que sabia, certamente com a eloquência que lhe é peculiar. Digamos assim: ele rebaixou Josué ao nível do ridículo. E DEUS ouvia, e todos ali também ouviam. A cena era constrangedora!
Terminado o discurso acusatório, então DEUS falou, do alto de Sua santidade e pureza – palavras que deixaram calado a satanás, sem poder dizer mais uma única palavra, nem mesmo saber o que pensar. DEUS disse: “O Senhor te repreende, ó satanás, sim, o Senhor que escolheu Jerusalém te repreende; não é este um tição tirado do fogo?” (Zac. 3:2).
O que foi mesmo que DEUS disse? Vamos por partes:
=> Quem estava repreendendo? O próprio que falava, o próprio Senhor, pois ele não disse “O Senhor te repreenda” e sim, disse: “O Senhor te repreende”.
=> “O Senhor que escolheu Jerusalém te repreende”, isto é, esse povo foi por DEUS escolhido, portanto, é um povo especial, para o qual DEUS tinha um especial propósito;
=> “não é este um tição tirado do fogo?”, ou seja, não foi este Josué, e o povo do qual ele vem, retirado das condições que satanás mesmo criou e fez degenerar?
Por que razão DEUS estava repreendendo satanás? Veja só, que ironia: satanás até estava falando a verdade quanto às acusações; isso até pode ser verdadeiro, embora ele também costume mentir nessas ocasiões. Mas se acredita que, diante de DEUS, não ousasse mentir porque seria desmascarado mais fortemente, e perderia a sua oportunidade de atingir a DEUS. O inimigo teve uma oportunidade de acusar, e não a desperdiçaria pronunciando mentiras quando isso nem era necessário, pois pecados em Josué havia o suficiente, e as suas vestes o demonstravam. Então o que DEUS na verdade disse foi o seguinte: te repreendo porque foi você mesmo que levou este homem a pecar, foi você quem derrubou a humanidade nessa situação de desgraça! E agora dê uma olhada no que vou fazer. Então o anjo, nesse caso, o Filho de DEUS, JESUS CRISTO, entrou em ação. Ele declarou publicamente o perdão de DEUS para Josué, para alívio de todos, menos de satanás. Esses pecados foram perdoados porque JESUS CRISTO iria no futuro morrer para perdoá-los. Então o próprio JESUS CRISTO tirou as vestes sujas e as trocou por vestes limpas.
E agora satanás, vai falar o quê? Ali estava um homem, um sumo sacerdote, em pé, diante de DEUS, com vestes limpas. E tudo era perfeitamente legal, pois estava fundamentado no amor de DEUS que levaria JESUS CRISTO à cruz. Naquela cena se anunciava um embate entre JESUS e aquele satanás, no futuro, no Gólgota. Seria um conflito entre dois seres, para ratificar o perdão a Josué, e a todos que cressem e aceitassem a JESUS.
O inimigo teve que sair, envergonhado, sem ter uma palavra a dizer, senão amargar a sua derrota diante do amor de DEUS. E Josué, ficou ali, perdoado, puro diante de DEUS e de todos os seres celestiais. Ele estava perdoado, estava limpo.
Pode dar-se conosco o mesmo, repetir-se a história, se tão somente, envergonhados pelo nosso passado, sentirmos o desejo de sermos perdoados.
4. Quarta: Troca de roupas
Como foi o procedimento que o anjo do Senhor (esse anjo era JESUS) realizou em Josué?
Primeiro, houve uma declaração, de que ele era um tição tirado do fogo. Isto quer dizer: foi resgatado de um lugar de aflição por causa dos pecados, significando que ele estava arrependido.
Segundo, as vestes sujas foram tiradas de Josué, e isto quer dizer, os pecados dele, e do povo, foram perdoados.
Terceiro, foram postos nele veste limpas, o que quer dizer: ele agora era um ser puro, sem pecado de que pudesse ser acusado.
Então vem uma orientação a Josué, como o da prostituta prostrada diante de JESUS e seus acusadores: Disse JESUS à prostituta: “vai e não peques mais”.
A Josué foi dito: “Se andares nos meus caminhos e observares os meus preceitos, também tu julgarás a minha casa, e guardarás os Meus átrios e te darei livre acesso entre estes que aqui se encontram.” O que significam essas palavras? Se de aqui em diante tu obedeceres, julgarás o povo santo, isto é, promoverás a justiça entre esse povo, e serás um guardião dos lugares santos. Serás um homem que cuidará da santidade de Meu povo, para que seja salvo. E por fim, terás acesso entre os santos de DEUS.
Nenhuma palavra mais fora dita a satanás, o acusador. Talvez já tivesse se ausentado dali, envergonhado e derrotado. Melhor é sentir vergonha por causa do pecado e se arrepender do que sentir vergonha por causa da derrota diante de DEUS.
5. Quinta: “Uma defesa eficaz”
Tudo mudou na vida de Josué porque ele foi perdoado. Daí em diante, recebeu vestes dignas de um ser santo, e recebeu o direito de julgar o povo de DEUS. Ele recebeu o direito de ter livre trânsito entre os seres santos do Universo.
Mas há uma questão importante. Sem ela, ele não seria perdoado, e satanás, na vida dele, triunfaria. Qual é essa questão?
Atente para a descrição de Josué, em Zac. 3:1. Josué estava em uma atitude humilde. Ele reconhecia que as palavras de satanás eram fundamentadas. Diferente de Adão e Eva, ele não pronunciou uma palavra em sua defesa. Estava dependendo inteiramente de DEUS. Ele, digamos, estava em atitude de falência diante de todos os presentes.
Só os humildes se arrependem. E só os humildes podem ser perdoados.
O que é uma pessoa humilde?
Um humilde diz: eu pequei, sou pecador; um vaidoso diz: eu sou o bom.
Um humilde diz: eu sou o responsável pelo mal; um orgulhoso diz: não é da minha conta.
Um humilde diz: eu preciso de ajuda; um arrogante diz: eu mesmo resolvo isso.
Viu alguma semelhança entre o que é dito pelo humilde e pelo não humilde? Os dois centram no “eu”. E qual a diferença? O humilde diz que o “eu” não vale nada, e o não humilde diz que o “eu” pode tudo. Logo, o humilde pode receber ajuda de fora, mas o não humilde não pode receber essa ajuda, pois não admite a necessidade dela.
A diferença entre a vida eterna e a morte eterna está em como nós vemos o “eu”. Se o vermos como sendo nada, pois um pecador não é mais do que nada, então DEUS pode agir em nosso favor, pois, como Josué, sentimos a necessidade de ajuda, de sermos defendidos. Mas se agirmos como o publicano numa das parábolas de JESUS, então nunca seremos justificados, pois não sentimos necessidade da justificação.
O que mais necessitamos hoje, para sermos salvos, é de humildade. Devemos pedir a DEUS para nos tornar humildes, e para isso, devemos praticar a humildade, todos os dias, em tudo o que fizermos. Podemos meditar na passagem a seguir, selecionada para entendermos um pouco mais sobre a humildade.
“Na ordenação dos doze, haviam desejado grandemente que Judas fosse um de seu número; e tinham contado com seu ingresso como um fato muito prometedor ao grupo apostólico. Ele tinha estado mais em contato com o mundo do que eles; era um homem de boas maneiras, de discernimento e habilidade para dirigir e, fazendo uma alta apreciação de suas próprias qualidades, levara os discípulos a terem-no na mesma conta. Mas os métodos que ele desejava introduzir na obra de Cristo baseavam-se em princípios mundanos e eram dirigidos por mundanos expedientes. Esperavam adquirir o reconhecimento e honra mundanos pela obtenção do reino deste mundo. A atuação desses desejos na vida de Judas, auxiliou os discípulos a compreenderem o antagonismo entre o princípio do engrandecimento próprio e o da humildade e abnegação de Cristo - princípio este do reino espiritual. No destino de Judas viram eles o fim a que propende o servir a si próprio” (Educação, 93, grifos acrescentados).
6. Aplicação do estudo – Sexta-feira, dia da preparação para o santo sábado:
Devemos buscar uma coerência entre a beleza interior e a beleza exterior. A busca dessa coerência passa pelo pedido de humildade. DEUS transforma a vida de quem é humilde, pois só os humildes se entregam 100% a DEUS. E uma entrega parcial é um passo dado rumo à salvação, mas não é suficiente. Se não completar esse passo, poderá estar perdido tanto quanto quem não deu passo algum.
Irmãos, todos os que estão lendo esse comentário, não vamos perder a vida eterna por detalhes que o mundo nos impõe. O nosso inimigo sabe que o salário da transgressão é o mesmo, sendo pecado grande, sendo pequeno e desprezível. Por exemplo, o que nós consideramos pecado grande pode ser traficar drogas, ou estuprar crianças. E o que consideramos pecado pequeno, ou nem consideramos pecado, é tomar chimarrão, ou café, ou coca-cola, por exemplo. Por isso, traficantes não somos, mas com essas coisas pequenas, milhares delas, quase uma para cada crente, delas não temos receio de perder a vida eterna. Pois, entre nós, talvez a maioria que se perder, será por essas pequenas coisas consideradas insignificantes. E lá se vai a beleza interior, que precisa ser mascarada por ornamento exterior artificial, vendido pela indústria da beleza que não é beleza.
A veste que foi colocada sobre Josué, puríssima, foi posta sobre um homem 100% perdoado, a ponto de satanás nada mais falar, pois perdeu o fundamento de suas acusações. O homem fora perdoado, ficando limpo de suas transgressões anteriores. O perdão só foi dado porque ele se havia arrependido de tudo. E o arrependimento só foi possível porque se tornara humilde.
Particularmente gosto do exemplo de Davi. Ele era humilde. Sempre que era advertido, de pronto aceitava, e se fosse o caso, se arrependia. E DEUS o amava por esse motivo. É assim que nós devemos viver – buscar a humildade para que possamos aceitar as advertências que nos vêm todos os dias, e nos arrepender e sermos perdoados. Então, como com Josué, nenhuma condenação satanás poderá requisitar sobre nós. E satanás pode ser mentiroso, mas ele respeita a DEUS, pelo poder de Sua autoridade e santidade. Aliás, ele respeita tanto, pois tem medo de DEUS, que até treme quando oramos ao nosso DEUS.
“A obra de Cristo não foi realizada de tal modo que deslumbrasse os homens com Suas aptidões superiores. Ele saiu do seio do Onisciente, e poderia haver assombrado o mundo com o grande e glorioso conhecimento que possuía; ficou, no entanto, calado e silencioso. Não era Sua missão esmagá-los com a imensidade dos Seus talentos, e, sim, andar com mansidão e humildade, para que pudesse ensinar aos ignorantes o caminho da salvação” (Fundamentos da educação cristã, 338, grifos acrescentados).
escrito entre 13 e 19/04/2011
revisado em 20/04/2011
corrigido por Jair Bezerra
Declaração do professor Sikberto R. Marks
O Prof. Sikberto Renaldo Marks orienta-se pelos princípios denominacionais da Igreja Adventista do Sétimo Dia e suas instituições oficiais, crê na condução por parte de CRISTO como o comandante superior da igreja e de Seus servos aqui na Terra. Discorda de todas as publicações, pela internet ou por outros meios, que denigrem a imagem da igreja da Bíblia e em nada contribuem para que pessoas sejam estimuladas ao caminho da salvação. O professor ratifica a sua fé na integralidade da Bíblia como a Palavra de DEUS, e no Espírito de Profecia como um conjunto de orientações seguras à compreensão da vontade de DEUS apresentada por elas. E aceita também a superioridade da Bíblia como a verdade de DEUS e texto acima de todos os demais escritos sobre assuntos religiosos. Entende que há servos sinceros e fiéis de DEUS em todas as igrejas que no final dos tempos se reunirão em um só povo e serão salvos por JESUS em Sua segunda vinda a este mundo.
Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 09 – 1º Trimestre 2011 (21 a 28 de maio)
Observação: Este comentário é provido de Leitura Adicional no fim de cada dia estudado. A leitura adicional é composta de citações do Espírito de Profecia. Caso considere-a muito grande, poderá optar em estudar apenas o comentário ou vice versa.
Comentário: Gilberto G. Theiss
SÁBADO, 21 DE MAIO
Um tição tirado do fogo
(Zc 3:4)
“Eis que tenho feito que passe de ti a tua iniquidade e te vestirei de finos trajes” (Zc 3:4).
É de suma importância entender que o grande conflito, entre Cristo e Satanás, não é uma vaga história fictícia ou uma bela utopia montada para conter a promiscuidade ou violência. O grande conflito é real e ao longo dos anos têm extraído dos seres humanos suas mais íntimas decisões no que tange a redenção eterna ou perdição eterna. As coisas da vida, as ideologias, sonhos e realizações que tanto nos enche os olhos nos fazem não levar muito a sério o enredo espiritual que dramaticamente nos envolve. As ambições muito bem arquitetadas por satanás revestidas de beleza e significado nos faz elaborar boas justificativas para desacreditar em Deus ou, no mínimo, nos fazer distanciar Dele.
É bem realidade que estamos inseridos nesta guerra espiritual que, se observarmos no decorrer de todas as histórias do mundo antigo, perceberemos que a religião sempre foi decisiva ou marcante em todas as épocas. Isto demonstra claramente que existe algo místico, sobrenatural e fundamentalmente religioso em todas as facetas da vida e da existência. Mesmo em nossos dias, por mais que tentem separar a fé da ciência, da sociologia, da filosofia ou da política, percebe-se nitidamente que pode estar havendo mais religião em um sistema filosófico ateu do que em uma religião propriamente dita. A maneira como estes indivíduos combatem a religião fazem de suas crenças tão religiosas quanto.
A guerra neste planeta está em curso. Anjos estão se movimentando por todos os lados e nossa mente é o centro ou campo desta grande batalha. Se não estivermos atentos e se não vigiarmos as avenidas da alma (sentidos) seremos frágeis nos tornando prezas fáceis nas mãos dos nossos inimigos: as potestades do inferno. A salvação e os meios para alcança-la se tornou um dos temas mas controversos mesmo dentro da própria religião e será este tema que abordaremos mais uma vez nesta semana.
Leitura Adicional
“A transgressão quase alcançou os seus limites. A confusão enche o mundo, e breve cairá grande terror sobre os seres humanos. O fim está mui perto. O povo de Deus deve se preparar para o que está prestes a sobrevir ao mundo como avassaladora surpresa” (Orientação da Criança, pág. 555).
“O "tempo de angústia como nunca houve" está prestes a manifestar-se sobre nós; e necessitaremos de uma experiência que agora não possuímos, e que muitos são demasiado indolentes para obter. Dá-se muitas vezes o caso de se supor maior a angústia do que em realidade o é; não se dá isso, porém, com relação à crise diante de nós. A mais vívida descrição não pode atingir a grandeza daquela prova. Naquele tempo de provações, toda alma deverá por si mesma estar em pé perante Deus. "Ainda que Noé, Daniel e Jó" estivessem na Terra, "vivo Eu, diz o Senhor Jeová, que nem filho nem filha eles livrariam, mas só livrariam as suas próprias almas pela sua justiça." Ezeq. 14:20” (O Grande Conflito, págs. 622 e 623).
“O último grande conflito entre a verdade e o erro não é senão a luta final da prolongada controvérsia relativa à lei de Deus. Estamos agora a entrar nesta batalha - batalha entre as leis dos homens e os preceitos de Jeová, entre a religião da Bíblia e a religião das fábulas e da tradição” (O Grande Conflito, pág. 582).
“Os que se colocam sob a liderança de Deus, para ser por Ele guiados, compreenderão a constante corrente dos acontecimentos que Ele ordenou. Inspirados pelo Espírito dAquele que deu a vida pela vida do mundo, não se deixarão ficar por mais tempo impotentes, apontando para as coisas que não podem fazer. Vestindo a armadura do Céu, sairão à peleja, dispostos a agir ousadamente em favor de Deus, sabendo que Sua onipotência lhes suprirá as necessidades” (Testimonies, vol. 7, pág. 14).
“Devemos estudar os grandes sinais da estrada que indicam os tempos em que vivemos. ... Devemos orar agora com o máximo fervor para estarmos preparados para as lutas do grande dia da preparação de Deus” (Carta 97, 1895).
DOMINGO, 22 DE MAIO
Zeloso por Jerusalém
(Zc 1 e 2)
Muitas das vezes Deus permite que sejamos oprimidos e sobrecarregados com os cuidados desta vida. Parece um paradoxo, mas é exatamente nos momentos de sofrimento que nos voltamos para Deus buscando-o como nunca. Israel havia sido dominado por Babilônia e grande infortúnio lhes sobrecarregou as esperanças. No entanto, as mensagens dadas por Zacarias lhes reacendeu novamente a esperança do cuidado e presença de Deus.
Observe que, nada pode ser mais triste para um cristão de nossos dias do que a sensação de sermos abandonados por Deus. É bem verdade que Deus jamais nos abandona, mas, quando temos esta sensação parece que o mundo está desabando bem encima de nossa cabeça. O sofrimento e a angústia deste sentimento são quase que impossível de ser suportados. Foi exatamente isto que ocorreu com muitos Israelitas. Por esta razão Deus lhes ressuscitou as esperanças dizendo: “com grande empenho, estou zelando por Jerusalém com misericórdia; a Minha casa nela será edificada, diz o Senhor dos Exércitos, e o cordel será estendido sobre Jerusalém” (Zc 1:14, 16).
Deus jamais abandona seu povo querido. Na verdade somos nós que nos afastamos Dele para aproveitarmos com mais intensidade o mundo. Este perigo todos nós corremos hoje e Deus não tem culpa alguma se colhermos muitas desgraças como o povo do passado. Se Israel voltasse arrependido Deus prontamente os aceitaria dando-lhe encorajamento para a reconstrução do tempo e de Jerusalém. A salvação não estava no templo e nem na cidade, mas, estas, poderiam ser apenas um símbolo claro do desejo do povo em voltar aos braços de Deus.
Leitura Adicional
“O profeta Zacarias, filho de Baraquias, filho de Ido começou a profetizar no vigésimo quarto dia do mês undécimo..., no segundo ano de Dario (Zc 1:7), poucos dias depois de o Senhor ter assegurado aos isralelitas, por intermédio de Ageu, que a glória da casa que estavam construindo seria maior que a glória do antigo templo construído por Salomão. A primeira mensagem de Zacarias foi uma certeza de que a palavra de Deus nunca falha, e uma promessa de bênçãos aos que ouvem a palavra segura da profecia. ....
Os israelitas retomaram com fé a obra do Senhor. As dificuldades com que eles começaram a trabalhar foram as mais desanimadoras. A adversidade havia impedido seus esforços de alcançar prosperidade temporal. A adversidade havia impedido seus esforços de alcançar prosperidade temporal. Seus campos jaziam devastados; seus escassos depósitos de provisões estavam se esvaziando rapidamente. No entanto, em face da fome, e cercados por povos hostis, eles avançaram em resposta ao apelo dos mensageiros de Deus , e começaram novamente a restaurar as ruínas do templo. Essa obra requereu muita fé, e o Senhor lhes deu garantias especiais por meio de Ageu e Zacarias de que sua fé seria ricamente recompensada, e que Sua palavra não falharia. Os construtores não foram deixados a lutar sozinhos, pois ‘com eles [estavam] os... profetas de Deus, que os ajudavam’, e o próprio Senhor dos Exércitos lhes havia declarado: Sede fortes, ‘e trabalhai, porque Eu sou convosco’ (Ag 2:4).
Misericordiosamente, o Senhor advertiu Seu povo contra o perigo de voltar às antigas formas de negligência e indiferença egoísta. Ele lhes revelou a necessidade de adorá-Lo na beleza da Sua santidade. Em anos anteriores, alguns cujos corações haviam sido contaminados pelo pecado, tinham procurado agradá-Lo com o esplendor de muitos ritos e cerimônias no belo templo, construído por Salomão, mas sua adoração não havia sido agradável a Deus, de quem está escrito: ‘Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar’ (Hc 1:13).
Nos dias escuros de apostasia, antes do cativeiro, Deus tinha declarado a Seu povo impenitente: ‘Aborreço, desprezo as vossas festas. ... ainda que Me ofereçais holocaustos e vossas ofertas de manjares, não Me agradarei deles, nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados’ (Am 5:21, 22). ‘Pois misericórdia quero, e não sacrifícios, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos’ (Os 6:6).
Os israelitas que estavam empenhados tão diligentemente na reconstrução da casa do Senhor precisavam estar constantemente cientes de que ‘não habita o Altíssimo em casas feitas por mãos humanas; com diz o profeta: O Céu é o Meu trono, e a Terra, o estrado dos Meus pés; que casa Me edificareis, diz o Senhor, ou qual é o lugar do Meu repouso? (At 7:48,49). Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos” (Review and Herald, 19 de dezembro de 1907).
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SEGUNDA, 23 DE MAIO
O acusador e o acusado
(Zc 3:1)
Embora o anjo caído seja um enganador, dissimulador e mentiroso, de um fato não podemos negar, quando ele nos acusa diante de Deus de sermos transgressores, pecadores e sem mérito algum, ele está falando de verdades incontestáveis. Todos nós somos pecadores e realmente somos indignos dos méritos de Cristo para nossa salvação. No entanto, sendo indignos ou não, Deus nos ama tanto que oferece o sacrifício de Jesus como pagamento integral por nossas vidas. Jesus pagou o resgate necessário. Nele a misericórdia e a justiça se abraçaram com o objetivo de nos inocentar diante da justiça eterna de Deus. Se aceitarmos esta grandiosa dádiva e com sinceridade devolvermos a nossa vida ao verdadeiro dono, que é Deus, então a graça provida pelo sangue derramado na cruz será nossa defesa no dia do juízo.
“Satanás sabe que os que buscam o perdão e a graça de Deus os obterão; por isto apresenta diante deles os seus pecados para os desencorajar” (Profetas e Reis, p. 587). Por isto, ele nos acusa dia e noite (Ap 12:10) e nos leva ao desespero para não buscar o perdão de Deus. Mas, quando ele levanta uma difamação a nosso respeito, se buscarmos o perdão divino, é neste momento que Jesus levanta suas mãos ao Pai para dizer que por este Ele havia morrido. O plano da salvação é perfeito, nenhuma mente humana por mais brilhante que seja seria capaz de bolar uma narrativa e elaborar uma estratégia tão complexa e perfeita como esta. A justiça e a misericórdia através de Deus puderam se abraçar perfeitamente a nosso favor. Sem dúvida, Deus é esplêndido e maravilhoso e sábio demais para cometer erros. Nós sim, somos tolos demais para não errar.
Leitura Adicional
“Uma ilustração muito viva e impressionante da obra de Satanás e da de Cristo, e do poder de nosso Mediador para vencer o acusador de Seu povo, é dada na profecia de Zacarias. Em santa visão contempla o profeta a Josué, o sumo sacerdote, "vestido de vestidos sujos" (Zac. 3:3), diante do Anjo do Senhor, suplicando a misericórdia de Deus em favor de seu povo, que se acha em profunda aflição. Satanás acha-se a Sua mão direita, para Lhe resistir. Por isso que Israel fora escolhido para preservar na Terra o conhecimento de Deus, tinham sido eles desde quando vieram a existir como nação, o objeto especial da inimizade de Satanás, e ele determinara promover sua destruição. Não lhes podia ele fazer mal algum enquanto fossem obedientes a Deus; por isso fez todo o seu poder e astúcia para os induzir ao pecado. Enganados por suas tentações, haviam transgredido a lei de Deus, separando-se assim da Fonte de sua força, tendo sido deixados a tornar-se presa de seus inimigos gentios. Foram levados em cativeiro para a Babilônia, e ali permaneceram por muitos anos. Entretanto, não foram abandonados pelo Senhor. Foram-lhes enviados Seus profetas, com repreensões e advertências. O povo foi desperto para reconhecer sua culpa, humilharam-se perante Deus e a Ele volveram com arrependimento verdadeiro. Então o Senhor lhes enviou mensagens de animação, declarando que os livraria do cativeiro e os restauraria ao Seu favor. Isso era o que Satanás estava resolvido a impedir. Já um remanescente de Israel voltara para sua terra, e procurava Satanás levar as nações pagãs, que eram agentes seus, a destruí-los por completo. Quando Josué roga humildemente o cumprimento das promessas de Deus, ergue-se Satanás ousadamente, para lhe resistir. Aponta para as transgressões de Israel como razão de não dever o povo ser restaurado ao favor de Deus. Reclama-os como presa sua, e requer que sejam entregues em suas mãos, para serem destruídos.
O sumo sacerdote não se pode defender, nem ao seu povo, das acusações de Satanás. Não alega que Israel esteja livre de falta. Em suas vestes sujas, simbolizando os pecados do povo, com os quais ele arca como representante seu, está ele perante o anjo, confessando a falta deles, mas ao mesmo tempo alegando seu arrependimento e humilhação, confiando na misericórdia de um Redentor que perdoa o pecado e, com fé, suplicando as promessas de Deus” (Testemunhos para a Igreja, v. 5, p. 467-469).
“Josué representa os que estão buscando a Deus e guardam Seus mandamentos. Desde a queda, Satanás tem procurado trazer desonra sobre a causa de Deus. A palavra de Deus declara que ele é o acusador dos irmãos. À medida que o fim de aproxima, ele trabalha com determinação cada vez maior para levar o povo de Deus à condenação. Satanás é representado como aquele que apresenta os enganos e erros que levou o povo de Deus a cometer, alegando-os como um motivo pelo qual o Senhor não deve abençoá-los nem guardá-los. Ele afirma que é seu direito fazer com eles o que lhe agrada. Para nós, é impossível compreender seus planos se não tivermos o Espírito de Deus habitando no coração. É o cuidado dos anjos celestiais que nos impede de ser destruídos pelo poder cruel de Satanás, pois os que buscam a Deus e estão se preparando para a vinda de Cristo são objetos de sua inimizade. Ele está em constante busca para leva-los à reprovação diante de Deus. Ele é representado como quem resiste à obra de Jesus em favor de Deu povo. ‘O sumo sacerdote Josué... estava diante do Anjo do Senhor, e Satanás estava à mão direita dEle, para se lhe opor. Mas o Senhor disse a Satanás: O Senhor te repreende, ó Satanás; sim, o Senhor, que escolheu a Jerusalém, te repreende; não é este um tição tirado do fogo?’” (Zc 3:1,2; Signs of the Times, 2 de junho de 1890).
“Como Satanás acusou Josué e seu povo, assim em todos os séculos ele acusa os que buscam a misericórdia e o favor de Deus. Ele é o "acusador de nossos irmãos", e os acusa "de dia e de noite". Apoc. 12:10. A controvérsia se repete em relação a casa alma que é liberta do poder do mal, e cujo nome é escrito no livro da vida do Cordeiro. Jamais é alguém recebido na família de Deus sem que se exalte a decidida resistência do inimigo. Mas Aquele que foi então a esperança de Israel, sua defesa, justiça e redenção, é a esperança da igreja hoje.
As acusações de Satanás contra os que buscam ao Senhor não são movidas pelo desprazer pelos pecados deles. Ele exulta nos defeitos do seu caráter; pois sabe que é unicamente por suas transgressões da lei de Deus que ele obtém poder sobre eles. Suas acusações nascem unicamente de sua inimizade por Cristo. Através do plano da salvação, Jesus está quebrando o poder de Satanás sobre a família humana, e libertando as almas do seu poder. Todo o ódio e malignidade do arqui-rebelde se inflamam quando ele contempla as evidências da supremacia de Cristo; e com diabólico poder e astúcia ele trabalha para tirar dEle os filhos dos filhos dos homens que aceitaram a salvação. Ele leva os homens ao ceticismo, procurando que percam a confiança em Deus e fiquem separados do Seu amor; tenta-os a quebrar a lei, e então os reclama como seus cativos, contestando o direito de Cristo lhos arrebatar.
Satanás sabe que os que buscam o perdão e a graça de Deus os obterão; por isto apresenta diante deles os seus pecados para os desencorajar. Ele está sempre buscando ocasião contra os que estão procurando obedecer e apresentar o melhor e mais aceitável serviço a Deus, fazendo parecer corruptas todas essas iniciativas. Mediante astúcias sem conta, as mais sutis e mais cruéis, procura ele assegurar a sua condenação.
O homem não pode, em sua própria força, enfrentar as acusações do inimigo. Com suas vestes manchadas de pecado e em confissão de culpa, ele está perante Deus. Mas Jesus, nosso Advogado, apresenta uma eficaz alegação em favor de todo aquele que, pelo arrependimento e fé, confiou a guarda de sua alma a Ele. Ele defende sua causa, e mediante os poderosos argumentos do Calvário, derrota o seu acusador. Sua perfeita obediência à lei de Deus deu-Lhe poder no Céu e na Terra, e Ele reclama de Seu Pai misericórdia e reconciliação para com o homem culpado. Ao acusador do Seu povo Ele declara: "O Senhor te repreenda, ó Satanás. Estes são os que foram comprados com o Meu sangue, tição tirado do fogo." E aos que nEle descansam em fé, Ele dá a certeza: "Eis que tenho feito com que passe de ti a tua iniqüidade, e te vestirei de vestidos novos." Zac. 3:4” (Profetas e Reis, p. 586-587).
TERÇA, 24 DE MAIO
O Anjo do Senhor
(Êx 3:2-14; Zc 3:1,2)
Josué estava vestido de vestes que representam bem nossa condição diante de Deus e dos homens. A sujeira nela contida era demonstração clara de nossa natureza e condição desfavorável. Somos completamente indignos e mesmo praticando boas obras ainda estaremos em dívida com a justiça divina. O anjo do Senhor que apareceu para Josué é o mesmo Anjo que hoje está intercedendo por nós no santuário celestial. Jesus, o príncipe da paz, o Deus conosco, Miguel que se levanta em defesa de Seu povo, como sumo sacerdote, hoje, está realizando uma obra de juízo a nosso favor. Ele é nosso advogado e está nos defendendo por suas obras e santidade. Ao mesmo tempo está desenvolvendo em nós sua imagem para que sua graça seja completa em nossa vida. O mesmo poder que nos habilita a sermos justos diante de Deus é o mesmo que nos prepara mente, corpo e espírito para habitar no Céu.
Não precisamos temer já que temos este poderoso Anjo a nosso dispor. Tudo o que temos que fazer é, jamais se afastar dEle, e se por ventura, pelas coisas da vida, algo nos acontecer, não fique parado no chão, levante-se e se agarre aos pés da cruz para que Ele possa se levantar a nosso favor novamente. Não devemos fazer planos para pecar, mas, se por ventura isto ocorrer, corramos para os braços de Deus. Lembre-se que Ele conhece nossas mais profundas intenções e serão por elas que seremos julgados.
Leitura Adicional
“O povo de Deus é aqui representado como delinqüente, em juízo. Josué, como sumo sacerdote, pede uma bênção para seu povo, que está em grande aflição. (Zac. 3.) Enquanto suplica a Deus, Satanás está a sua direita, como antagonista. Acusa os filhos de Deus e faz seu caso parecer tão desesperador quanto possível. Expõe ao Senhor seus pecados e faltas. Aponta seus erros e fracassos, esperando que pareçam aos olhos de Cristo num caráter tal, que não lhes prestará auxílio em sua grande necessidade. Josué, como representante do povo de Deus, está sob condenação, cingido de vestes imundas. Consciente dos pecados de seu povo, está opresso de desânimo. Satanás carrega sua alma com um sentimento de culpa que o faz sentir-se quase sem esperança. Todavia, ali permanece como suplicante, com Satanás disposto contra ele” (Parábolas de Jesus, págs. 166 e 167).
“A promessa feita a Josué destina-se a todo o povo remanescente de Deus: "Se andares nos Meus caminhos [não em vossos próprios caminhos] e observares os Meus preceitos, também tu julgarás a Minha casa e guardarás os Meus átrios, e te darei livre acesso entre estes que aqui se encontram." Zac. 3:7. Quem são esses "que aqui se encontram"? Os anjos de Deus. Pudessem os nossos olhos ser abertos, como o foram os do servo de Eliseu, em Dotã, e veríamos anjos maus ao nosso redor, impondo sua presença sobre nós, à espera de uma oportunidade para tentar-nos e vencer-nos; mas também veríamos santos anjos nos protegendo, e com sua luz e poder repelindo os anjos maus” (Historical Sketches, págs. 155 e 156).
“A descrição que Zacarias faz de Josué, o sumo sacerdote, é uma impressionante representação do pecador pelo qual Cristo está intercedendo para que seja levado ao arrependimento. Satanás acha-se em pé à mão direita do Advogado, resistindo à obra de Cristo e pleiteando contra Ele que o homem é sua propriedade, visto que o escolheu como seu dominador. Mas o Defensor do homem, o Restaurador, o mais poderoso dos poderosos, ouve os reclamos e as alegações de Satanás, e lhe responde: "O Senhor te repreende, ó Satanás; sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreende: não é este um tição tirado do fogo? Ora, Josué, vestido de vestidos sujos, estava diante do anjo. Então falando, ordenou aos que estavam diante dele, dizendo: Tirai-lhe estes vestidos sujos. E a ele lhe disse: Eis que tenho feito com que passe de ti a tua iniqüidade, e te vestirei de vestidos novos. E disse eu: Ponham-lhe uma mitra limpa sobre a sua cabeça. E puseram uma mitra limpa sobre a sua cabeça, e o vestiram de vestidos; e o anjo do Senhor estava ali". Zac. 3:2-5” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 275).
“Aqui encontramos uma representação do povo de Deus de hoje. Como Josué estava diante do Anjo, ‘trajando de veste sujas’, assim estamos na presença de Cristo, vestindo roupas de injustiça. Cristo, o Anjo, diante de quem Josué se apresentava, está agora intercedendo por nós junto ao Pai, assim como aqui é representado como estando a interceder por Josué e por seu povo que estava em grande aflição, e Satanás agora, como então, se põe a resistir a seus esforços” (Historical Sketches, p. 154).
QUARTA, 25 DE MAIO
Troca de roupas
(Zc 3)
As vestes são um símbolo e como todo e qualquer símbolo, há uma verdade oculta por trás dele. Neste caso em específico, Deus está revelando que as vestes de justiça própria de Josué e do povo precisavam ser substituídas pela veste de justiça de Cristo. Desta forma, as vestes simbólicas de Jesus inocentam Josué e o povo de seus pecados. É claro que as vestes de Jesus não nos inocentam quando recusamos seu chamado e quando não nos preocupamos em fazer de nossa vida um troféu de vitórias nas mãos de Deus. A graça de Cristo nos salva e também, através do tempo, nos transforma à semelhança de Jesus. Nosso caráter passa a ser regenerado dia a dia se tornando semelhante ao caráter de Cristo. Mas, o mais importante neste episódio é a garantia que Deus nos dá de sermos aceitos no Céu nos méritos daquele que é único digno de ser aceito pela justiça divina. É neste mérito que nossa vida passa a ser, perante Deus, como se jamais tivéssemos pecado. Isto nos leva a crer que, mesmo no Antigo Testamento, a salvação também era pela graça e jamais fora pelas obras.
Quão felizes e tranquilos podemos ficar quando sabemos que, mesmo não merecendo o Céu, Jesus oferece sua graça maravilhosa como passaporte para a eternidade. Nossa roupa precisa ser abandonada; ou seja, o senso de querer oferecer algo por nossa salvação deve ser rejeitado. Isto não significa que não devemos lutar para sermos diferentes. Lembre-se que “Todo aquele que diz que O conhece, deve andar como Ele andou” (I Jo 2:6). A mesma graça que salva é a mesma que nos conduz as deveres da vida (Santificação, p. 81 e 87).
Leitura Adicional
“Jesus refere-Se a Seu povo como um tição tirado do fogo, e Satanás compreende o que isto significa. Os infinitos sofrimentos do Filho de Deus no Getsêmani e no Calvário foram suportados para que Ele pudesse livrar Seu povo do poder do maligno. A obra de Jesus pela salvação das almas que perecem é como se Ele pusesse a mão no fogo para salvá-las. Josué, que representa o povo de Deus, trajado de vestes sujas, está em pé diante do anjo; como, porém, o povo se arrepende perante Deus pela transgressão de Sua lei, e se estende ao alto, pela mão da fé, para apegar-se à justiça de Cristo, Jesus diz: "Tirai-lhes as vestes sujas e vesti-os com vestes novas." (Zac. 3:4.). É unicamente pela justiça de Cristo que somos habilitados a guardar a lei. Os que adoram a Deus em sinceridade e verdade, afligindo a alma perante Ele como no grande dia da expiação, lavarão as vestes do caráter e as alvejarão no sangue do Cordeiro. Satanás procura confundir a mente humana com engano, de modo que os homens não se arrependam e creiam, e sejam removidas suas vestes sujas. Por que vos apegareis a vossos deploráveis defeitos de caráter, obstruindo assim o caminho, para que Jesus não possa trabalhar em vosso favor?
Durante o tempo de angústia, a posição do povo de Deus será semelhante à posição de Josué. Eles não desconhecerão a obra que prossegue no Céu em seu favor. Compreenderão que o pecado está registrado junto a seus nomes, mas também saberão que os pecados de todos os que se arrependem e lançam mão dos méritos de Cristo serão cancelados. ... Aqueles que manifestaram verdadeiro arrependimento pelo pecado, e por viva fé em Cristo, são obedientes aos mandamentos de Deus, terão os nomes retidos no livro da vida, e serão reconhecidos diante do Pai e dos santos anjos. Jesus dirá: "Eles são Meus; adquiri-os com o Meu próprio sangue." (Signs of the Times, 2 de junho de 1890).
QUINTA E SEXTA, 26 e 27 DE MAIO
Uma defesa eficaz
(Zc 3; Ef 2:8-10; Jo 14:15; Rm 6:1-4)
Infelizmente muitos ainda não entenderam o que significa ser salvo pela graça e pela graça somente. Infelizmente, muitos ainda se esforçam em oferecer a Deus suas obras para que sejam aceitos. Deus aceita nossas boas obras e deseja que a tenhamos. No entanto, Ele não as aceita como pontos de salvação. Devemos sim, ter boas obras e viver uma vida o mais irrepreensível possível. O único erro que podemos incorrer neste processo é em tentar fazer de nossa vida irrepreensível como um objeto de troca para sermos salvos. Nossas obras são frutos da salvação que opera em nossa vida através da graça. Elas evidenciam que realmente aceitei e me entreguei a Cristo. Ela serve para evidenciar aos homens o tipo de cristianismo valoroso e real que vivo. Este testemunho é necessário para que o evangelho alcance as pessoas com poder. Porém, são apenas resultados do poder de Deus na vida dos sinceros e não penhor para a salvação.
Ellen White declara que: “Conquanto devamos reconhecer nosso estado pecaminoso, temos de confiar em Cristo como nossa justiça, nossa santificação e redenção. Não podemos contestar as acusações de Satanás contra nós. Cristo, unicamente, pode pleitear eficazmente em nosso favor, Ele é capaz de silenciar o acusador com argumento baseados, não em nossos méritos, mas nos Seus” (Testemunhos Para a Igreja, v.5, p. 472).
Por outro lado é bem verdade que, se falarmos desequilibradamente da verdade que envolve salvação e santificação, poderemos incorrer no risco de ser levados ao legalismo ou ao liberalismo. A respeito de santificação, acredito que o autor da lição bem fundamentou seu ponto de vista afirmando que: “Após Josué ter sido revestido com as vestes de santidade, sua vida deveria refletir essa santidade”. “Devemos exercer todo o poder concedido por Deus, para que possamos vencer o pecado. Quando há tantas promessas de vitórias aos que se entregarem a Cristo, nenhum pecado deve ser tolerado ou desculpado em nossa vida. A vida de Cristo provou que podemos viver em obediência à lei de Deus. Quando pecamos, é porque escolhemos fazer isso. É muito importante que sempre pensemos, longa e detidamente, nas implicações dessa escolha”.
Leitura Adicional
“Que experiência pode ser alcançada junto ao trono da misericórdia, o qual é o único lugar seguro de refúgio! Podeis compreender que Deus garante Suas promessas, e não temer o resultado de vossas orações, ou duvidar de que Jesus é vosso fiador e substituto. Ao confessardes vossos pecados, ao vos arrependerdes de vossa iniqüidade, Cristo toma sobre Si a vossa culpa e vos imputa Sua justiça e poder. Aos que estão contritos de espírito, dá Ele o áureo óleo do amor, e os ricos tesouros de Sua graça. É então que podeis ver que o sacrifício do eu a Deus mediante os méritos de Cristo, torna-vos de infinito valor; pois vestidos com as vestes da justiça de Cristo podeis tornar-vos filhos e filhas de Deus. Os que se aproximam do Pai, reconhecendo o arco da promessa, e pedem perdão no nome de Jesus, receberão o que pedem. Já às primeiras expressões de arrependimento, Cristo apresenta a petição do humilde suplicante perante o trono como Seu próprio desejo em favor do pecador. Diz: "Eu rogarei por vós ao Pai." João 16:26” (Para Conhecê-Lo [MM 1965], p. 77).
“O divino Autor da salvação nada deixou incompleto no plano feito; cada aspecto do mesmo é perfeito. O pecado do mundo inteiro foi colocado sobre Jesus, e a divindade deu o mais alto valor ao sofrimento da humanidade em Jesus, para que todo o mundo fosse perdoado pela fé no Substituto. O maior culpado não precisa temer que Deus não perdoe, pois pela eficácia do sacrifício divino será suspenso o castigo da lei. Por Cristo o pecador pode volver ao concerto com Deus.
Quão maravilhoso é o plano da redenção em sua simplicidade e plenitude! Não somente providencia o pleno perdão do pecador, mas também a restauração do transgressor, abrindo um caminho pelo qual ele pode ser aceito como filho de Deus. Pela obediência, pode ele ser possuidor de amor, paz e alegria. Sua fé o pode unir, em sua fraqueza, a Cristo, fonte da divina força; e pelos méritos de Cristo ele pode encontrar a aprovação de Deus, porque Cristo satisfez as exigências da lei, e atribui Sua justiça ao coração contrito e crente. ...
Que amor, que maravilhoso amor, foi manifestado pelo Filho de Deus! ... Cristo traz o pecador da mais funda degradação, e purifica-o, refina-o, enobrece-o. Contemplando a Cristo como Ele é, o pecador é transformado e elevado ao próprio cume da dignidade, um assento com Cristo em Seu trono. ...
O plano da redenção providencia para toda emergência, e para toda carência do ser humano. Se, de qualquer modo, ele fosse deficiente, o pecador poderia encontrar alguma desculpa a alegar pela negligência de suas condições; mas o infinito Deus tinha conhecimento de toda necessidade humana, e ampla providência foi tomada para satisfazer cada necessidade. ... Que pode então dizer o pecador no grande dia do juízo final, quanto ao motivo por que recusou dar atenção, a mais completa e zelosa, à salvação a ele oferecida?” (Review and Herald, 10 de março de 1891).
Lição 9 – Um tição tirado do fogo
Diogo Cavalcanti
As roupas têm o poder de tranquilizar ou de desestabilizar emocionalmente as
pessoas. Quando estamos com a roupa adequada para o ambiente ou a situação, nos
sentimos confiantes e aceitos, pois estamos em harmonia com o padrão social.
Por outro lado, quando usamos uma vestimenta inadequada para a situação, nos
sentimos deslocados. Muitos já tiveram pesadelos em que se viram de pijama numa
festa, descalços na rua, ou mesmo sem qualquer roupa, se escondendo pelas ruas.
Numa visão do profeta Zacarias, o sumo sacerdote Josué passou por essa
situação frustrante. Estava com a roupa errada no lugar errado. Suas roupas,
que deveriam representar a santidade e a justiça de Deus, estavam imundas e
indicavam a deplorável condição espiritual do sacerdócio e do povo judeu após o
cativeiro babilônico. Uma restauração espiritual era necessária para que a
nação se restabelecesse na Palestina. As vestes sujas de pecado deveriam ser
substituídas pelas roupas de justiça providas pelo Anjo de Yahweh.
Ao estudar essa impressionante visão do Antigo Testamento, é preciso levar em
conta seu panorama histórico, os personagens e o simbolismo bíblico por trás de
cada ato de um drama real que envolveu o povo de Deus naquela época.
Conflito invisível
Os 70 anos de cativeiro do povo judeu em Babilônia (Jr 25:11) terminaram com a
queda dessa cidade sob as mãos de Ciro, imperador da Pérsia, no ano 539 a.C.
Cerca de um ano depois, (538/537a.C.), numa política de liberdade religiosa e
cumprindo uma profecia (Is 44:28), Ciro permitiu que aproximadamente 50 mil
judeus retornassem à Palestina (Ed 1:1-4), sob a liderança administrativa de
Zorobabel e, religiosa, de Josué (Ed 2). O grupo de exilados se dedicou à
reconstrução do Templo e concluiu seu fundamento um ano depois, em 536 a.C. (Ed
3:8-13).1
No entanto, várias dificuldades, especialmente a oposição dos samaritanos,
fizeram a reconstrução cessar. Uma resistência também começou a se levantar no
próprio império persa. Os samaritanos trabalharam diligentemente para convencer
os persas de que os judeus eram uma ameaça à região e ao próprio império (Ed
4:1-5, 24).2 Diante dessas adversidades, as famílias abandonaram o trabalho de
reconstrução do Templo e passaram a se dedicar a si mesmas.
Paralelamente a essa controvérsia internacional, um conflito era travado entre
forças espirituais do bem e do mal. Satanás queria impedir o restabelecimento
da nação judaica e a futura vinda do Messias. O conflito foi tão intenso que o
anjo Gabriel teve de se esforçar por 21 dias para convencer Ciro e outros
líderes da Pérsia a não impedir os trabalhos em Jerusalém (Dn 10:13). Graças à
ajuda de Miguel, “a vitória foi finalmente ganha; as forças do inimigo foram
contidas todos os dias de Ciro e todos os dias de seu filho Cambises.”3
Uma oposição à reconstrução se levantou em 522 a.C., quando o chamado Falso Smé
rdis assumiu o trono no lugar de Cambisses [para saber quem foi o Falso Smé
rdis, veja a nota ao fim deste comentário4]. O Falso Smé rdis, acusado por Dario
como “destruidor de templos”, decretou o fim das obras em Jerusalém, e os
exilados entenderam que isso era um sinal de que o trabalho pela Casa do Senhor
realmente deveria parar (Ag 1:2). Contudo, sete meses depois, Dario assassinou
o Falso Smé rdis e assumiu o trono.
Em face da indisposição do povo de reconstruir o Templo e renovar a fé, Deus
enviou uma seca (Ag 1:11, 12). Também enviou os profetas Ageu e Zacarias, com
mensagens de consolo, esperança e exortação. Se o Templo de Yahweh deveria ser
reconstruído na Palestina, a fé e o compromisso com Ele precisavam ser
renovados nos corações.
O povo respondeu positivamente, retomando as obras do Templo no segundo ano de
Dario (Ag 1:14, 15). Foi então que esse imperador persa emitiu um decreto
reafirmando a permissão de Ciro para a reconstrução do Templo (Ed 5:3-6:13). O
trabalho foi concluído quatro anos depois, no sexto ano de Dario (Ed 6:15).
Para ter uma visão geral dessa sequência histórica, veja o quadro a seguir:
As visões
de Zacarias
Zacarias pertencia à linhagem de Levi (Ne 12:16; Zc 1:1). Seu nome é o mais
popular do AT, com 30 ocorrências, e significa “Yahweh S e lembrou”5. Seu livro
relata oito visões, com evidentes características apocalípticas6. As três
primeiras, dos cavaleiros (1:7-17), dos quatro chifres e os quatro ferreiros
(1:18-21) e da medição de Jerusalém (cap. 2), afirmam a disposição divina de
estabelecer, abençoar os judeus, reconstruir suas edificações e punir seus
inimigos.
Se essas visões tratam do livramento externo dos exilados, as duas seguintes
(Josué e o Anjo, cap. 3; candeeiros de ouro e as duas oliveiras, cap. 4) se
referem à sua libertação espiritual. Nas duas visões, os dois líderes – Josué
(religioso) e Zorobabel (administrativo) – representam a nação perante Deus.
A visão de Josué e do Anjo se relaciona com a eliminação dos pecados do povo e
o restabelecimento do sacerdócio.7 O povo já havia voltado à própria terra, mas
ainda faltava uma reconsagração espiritual, faltava “a retirada da impureza.” 8
Nessa visão, Zacarias contemplou o sumo-sacerdote
Josué em pé diante do Anjo do Senhor e Satanás (hassatan, literalmente
“o acusador”9) posicionado à sua direita (3:1). A cena configurava um embate e
representava a situação ameaçadora pela qual o povo de Deus atravessava. A
posição do acusador ao lado direito era uma referência aos antigos julgamentos
israelitas, em que o querelante (o autor da queixa) se colocava à direita do
réu (Sl 109:6).10
O sumo sacerdote, representante do povo, estava com
as vestes “sujas”. Porém, a palavra hebraica (soim) traduzida por
“sujas” (ARA, 2ª edição) tem um sentido mais intenso. Soim é “a
expressão mais forte em hebraico para a mais vil impureza e de mais repulsivo
caráter.11 Considerando esse aspecto linguístico, as vestes de Josué não
estavam apenas sujas, mas imundas. Alguns interpretam essa imundícia como
“cinzas”12, sujeira da fornalha13, ou mesmo excremento14. Embora não se possa
provar qual era a natureza da sujeira nas vestes de Josué, elas eram símbolo
dos pecados da nação e de sua repugnância aos olhos de Deus (v. 4; cf.
Is 64:6).
Diante dos fatos, Josué não se manifestou. A ausência de palavras de sua parte
indicava seu senso de indignidade e, ao mesmo tempo, sua confiança no Redentor
de Israel. Sua mudez era uma súplica pela misericórdia divina.
O Anjo do Senhor
Satanás queria apontar os pecados da nação e dos sacerdotes, para que Deus os
rejeitasse definitivamente. O Senhor, contudo, jamais faria isso, pois é fiel à
Sua aliança, e Sua eleição é irrevogável (Jr 31:36-37; Rm 11:1, 2, 29).
Antes de o inimigo dizer uma palavra, “o Advogado divino fala”.15 “O Senhor
disse a Satanás: ‘O Senhor te repreende, ó Satanás; sim, o Senhor, que escolheu
a Jerusalém, te repreende’” (v. 2). E o acusador não ousou responder, pois
sabia que Deus não toleraria isso (Sl 9:15; Is 17:13).16
Um detalhe importante é o fato de Josué estar
diante do Anjo de Yahweh no verso 1 e de o próprio Yahweh surgir repentinamente
no verso 2 e ainda citar Seu nome em terceira pessoa. Essa construção de texto
indica que ambos são o mesmo Ser. Também confere ao Anjo de Yahweh o status de
deidade e posição semelhante à do próprio Yahweh.
Essa relação é tão clara no texto, que, para evitá-la, eruditos judeus que
escreveram a Peshita (versão siríaca do AT, 2º século a.C.), substituíram no
verso 2 a palavra Yahweh pela expressão “Anjo de Yahweh”. Eles não admitiam que
o Anjo de Yahweh tivesse a mesma posição que o próprio Yahweh.
A noção de que o Anjo de Yahweh é um ser mais do que angelical é notada
claramente em outras passagens do Antigo Testamento (Gn 16:11-13; 31:11; Jz
2:1-3; 13:22). Essas evidências indicam que o Anjo do Yahweh é uma teofania
(manifestação visível) da segunda Pessoa da Trindade, Cristo. João Calvino,
reformador francês do século 16, também pensava assim:
“Deus fala aqui e ainda dá a impressão de ser o Anjo de Jeová. Mas
isso não é inescrutável. Pois, como no último verso em que Zacarias diz que
Josué estava diante do Anjo de Jeová, sem dúvida significa Cristo, que é
chamado de Anjo e também de Jeová.”17
Nas palavras de Ellen White, “o anjo, que é o próprio Cristo, o Salvador dos pecadores, reduz ao silêncio o acusador do Seu povo.”18
Segundo ela, Cristo também é o Arcanjo Miguel: “Ainda mais: Cristo é chamado o Verbo de Deus (João 1:1-3). (...) Ele [Cristo] lhes foi revelado como o Anjo de Jeová, o Capitão do exército do Senhor, o Arcanjo Miguel”.19
Na Bíblia, Miguel (em hebraico : “q uem é como Deus?”) S e manifesta em
momentos de grande perigo para o povo de Deus, especialmente quando o conflito
contra o mal se torna mais agressivo (Ap 12:7). Miguel surge para defender e
salvar, é “um dos primeiros “príncipes”, o “grande P ríncipe” (Dn 10:13, 21;
12:1) – o mesmo título dado ao Messias (Dn 9:25).
“A literatura judaica descreve Miguel como o maior dos anjos, o verdadeiro R
epresentante de Deus, e O identifica com o “Anjo de Yahweh”, frequentemente
mencionado no Antigo Testamento como um ser divino. Ela também afirma que
Miguel era o A njo que vindicou Israel contra as acusações de Satanás no tribunal
celestial.”20
Em Judas 1:9, ao contender com Satanás pelo corpo de Moisés, Miguel disse ao
inimigo: “O Senhor te repreenda” – exatamente as mesmas palavras que o Anjo do
Senhor usou na visão de Zacarias. Portanto, o próprio Miguel que lutou pelo Seu
povo nas cortes da Pérsia batalhava por ele nas cortes celestiais.
Aliança incondicional
“O Senhor, que escolheu a Jerusalém, te repreende. Não é este um tição tirado
do fogo?” (v. 2). Na segunda frase de repreensão, o
Anjo ressalta dois aspectos sobre Josué e os exilados de Judá:
1°) Eles eram uma nação escolhida, e a eleição divina não tinha que ver com
méritos, mas com a soberania e o amor de Deus pelo povo, que também tinha uma
missão no mundo;
2°) Josué e os exilados eram um “tição tirado do fogo”. O povo já havia sofrido
o cativeiro como castigo último da aliança mosaica (Dt 28:41, 68). Quase foi
extinto como nação, enfrentou sérias dificuldades em Babilônia. Foi o que
sobrou de uma “fornalha de ferro” semelhante à do Egito (Dt 4:20; Jr 11:4). De
tudo o que passou pelo fogo do cativeiro, Josué e os cativos eram apenas
tições, “pedaço[s] de lenha aces a ou meio queimada.” Passaram pela disciplina
por longos 70 anos.
Por outro lado, o Senhor não os havia abandonado no crisol de Babilônia. Enviou
Ezequiel, Seu profeta, para orientá-los e dar-lhes esperança . Esteve com
Daniel na corte de Babilônia, representando os interesses dos judeus e sua
cultura religiosa. Deus jamais os abandonou quando passav am pelo fogo das
provações (Is 48:10; 43:1,2), nem mesmo quando esse fogo se acendeu numa
fornalha real para Ananias, Misael e Azarias (Dn 3:25).
Depois das provações do cativeiro, os judeus e demais israelitas eram o
precioso remanescente que deveria receber todo o cuidado e proteção divinos.
Haviam aprendido importantes lições, e dali em diante, era a ocasião de receber
as bênçãos divinas.
Vestes de graça
O Anjo entrou em ação para defender Josué, não tentando provar sua inocência.
Não negou a imundícia das vestes, mas também não permitiu que Satanás culpasse
o sacerdote. É interessante pensar que o sumo sacerdote Josué (Yehoshua,
“Yahweh salva”) foi salvo do inimigo pelo Yahweh que um dia S e tornaria Jesus
(Yehoshua, Mt 1:21) para salvá-lo do pecado.
No entanto, a intervenção salvífica não acabou ali, com a repreensão ao
inimigo. Ela se consumou na solução do problema. O âmago da questão não era o
acusador, mas a situação espiritual da nação exposta nas vestes imundas. Foi
então que o Anjo de Yahweh ordenou aos demais [anjos] presentes que lhe
retirassem as vestes imundas e que o vestissem com “finos trajes” (v. 4). Essa
é uma clara referência à salvação pela graça, algo que não vem de nós, é um dom
de Deus (Ef 2:8). Num primeiro momento, as vestes imundas foram retiradas,
representando a eliminação do pecado; num segundo momento, os finos trajes
postos sobre o sacerdote simbolizavam a justiça de Cristo.
“Eis que tenho feito que passe de ti a tua iniquidade e te vestirei de finos
trajes” (Zc 3:4). As vestes de graça são vistas aqui não somente como os trajes
sacerdotais típicos, mas como roupas festivas. Essa expressão ocorre apenas em
outra passagem do Antigo Testamento (Is 3:22) e simboliza pureza, alegria e
glória. No contexto da visão de Zacarias, a mudança de vestes representa a
restauração de Israel como nação sacerdotal (19:6).22
Assistindo a essa visão de glória para seu povo, o jovem Zacarias (Zc 2:4) se
entusiasmou, ao ponto de participar dela: notou que faltava um turbante nos
paramentos sacerdotais. Os sacerdotes antigos usavam uma mitra que continha os
dizeres “ Santidade ao Senhor” (Êx 28:36; 30:30). Zacarias ordenou que pusessem
um deles sobre a cabeça de Josué, e seu pedido foi atendido.23
Bênçãos condicionais
Com vestes finas e numa posição adequada diante de Yahweh, Josué não poderia
mudar o passado e os erros cometidos por sua nação, mas poderia construir um
novo futuro. Foi por isso que o A njo o advertiu, em nome de “Yahweh dos
Exércitos”, com uma promessa condicional: “Se andares nos Meus caminhos e
observares os meus preceitos, julgarás a Minha casa e guardarás os M eus
átrios, e te darei livre acesso entre estes que aqui se encontram” (v. 7).
Nessas palavras do Anjo, Josué recebeu uma séria advertência para se sujeitar
totalmente a Deus e observar S eus preceitos (mishneret), guardando não
somente os regulamentos sacerdotais, mas os mandamentos morais prescritos na
lei de Moisés (Torah).
Se fosse fiel, Josué também julgaria o povo . Um dos deveres do sacerdote no
antigo Israel era julgar o povo e representar Deus nas causas difíceis. Além de
prometer a restituição dessa posição diante da comunidade, Yahweh prometeu que,
se fosse fiel, Josué também teria livre acesso à corte celestial.
Esperança final
Nos versos 8 a 10, o Anjo pronuncia, em nome de Yahweh, um oráculo (profecia).
Esse oráculo é destinado a Josué e seus companheiros, “homens de presságio”. O
Anjo diz a Josué que, no futuro, Seu servo, “o Renovo” S e manifestaria (v. 8).
Renovo, uma planta nova que surge de um tronco cortado, foi a metáfora usada
para representar Israel (Is 4:2), a descendência de Davi quase destruída (Is
11:1) e, de maneira especial e evidente, o Messias, que também viria da
descendência davídica (Is 53:2; Jr 23:5). Isaías se referiu ao Renovo
messiânico diversas vezes, e foi nesse Renovo que todas as esperanças de Israel
se concentravam.
Uma pedra com sete olhos que representam a onisciência divina (4:10) estava
diante de Josué na visão. Ela seria testemunha da promessa divina de que “a
iniquidade desta T erra” seria tirada num só dia (v. 9). Essa profecia se
cumpriria literalmente no dia em que o Anjo de Yahweh, Cristo, em forma humana,
entregasse Sua vida na cruz. Quando Ele desse Sua vida, eliminaria os pecados,
expiaria a transgressão (Dn 9:24) e poria fim ao próprio sistema sacrifical do
qual Josué era a peça principal em seus dias. O véu do Templo se rasgaria de
alto a baixo, e Israel teria apenas um sacerdote no Céu (Mc 15:38; Hb 8:1, 2).
Quando o Renovo S e manifestasse e a iniquidade fosse eliminada, o povo
desfrutaria da almejada paz, debaixo de suas videiras e figueiras (v. 10).
Lições espirituais
Somos os herdeiros espirituais do sacerdote Josué e s eu povo. A exemplo deles,
temos inimigos na Terra que procuram impedir nossos planos de reconstrução, não
de muros, mas do “evangelho eterno” (Ap 14:6) no coração das pessoas.
Os inimigos são usados por Satanás, que não acusou apenas Josué e o povo judeu,
mas ainda hoje nos acusa (Ap 12:10). Assim como o povo de Deus do passado,
devemos mostrar uma fé que resista ao fogo das provações (Zc 13:9; Jr 30:7; Is
61:10; 1Pe 2:5).
Não estamos sozinhos. Temos o Anjo do Senhor em nosso favor. Ele é Cristo,
nosso Advogado (1Jo 2:1) e S umo sacerdote junto ao Pai no santuário celestial
(Hb 8:1 e 2, 4). E, nos momentos finais deste mundo, assim como o Anjo do Senhor
(ou Miguel) Se levantou em favor de Josué, Ele S e levantará por nós no “tempo
de angústia” (Dn 12:1).
Defender um povo pecador como nós é um puro ato de graça do Senhor – uma
iniciativa divina de buscar e salvar os que se haviam perdido (Lc 19:10). E Ele
não apenas repreende o acusador, mas retira de nós as iniquidades que mancham
nossas vestes morais e coloca sobre nós Seu manto puro de justiça. Por isso a
“grande multidão” que vencerá a grande tribulação é descrita como tendo
vestiduras brancas (Ap 7:13).
Não temos do que nos gloriar. Assim como o sumo sacerdote Josué, mudos
reconhecemos nossos pecados e nada falamos sobre nossos méritos, pois não os
temos. Aceitamos humildemente a graça de Cristo, Sua defesa contra o acusador e
a renovação espiritual que Ele nos concede, perdoando nossos pecados e nos
purificando de nossas injustiças (1Jo 1:9).
Assim como Josué foi instruído a andar nos caminhos de Deus e observar Seus
preceitos (Zc 3:7), entendemos que devemos guardar os mandamentos de Deus. Fazemos
isso como numa atitude também baseada na graça de Deus que já nos salvou e nos
salva a cada dia pela santificação do Espírito. Temos fé em Jesus, sim, mas
também guardamos Seus mandamentos (Ap 14:12).
E é somente graças ao Renovo, Jesus Cristo, que temos esperança. NEle se
concentram todas as nossas expectativas. Diferentemente de Josué e seu povo,
não olhamos para o Messias que ainda viria pela primeira vez para expiar
pecados. Hoje olhamos para o Messias que virá segunda vez para nos libertar para
sempre da presença do pecado. Somente então a profecia de Zacarias 3:10 se
cumprirá plenamente. Cada um se sentará debaixo de sua vide e de sua figueira e
habitará em paz para sempre.
“Às vezes, pode parecer que o Senhor esqueceu os perigos de Sua igreja, e o
dano a ela feito por seus inimigos. Mas Deus não Se esqueceu. Nada neste mundo
é tão caro ao coração de Deus como Sua igreja”.24
