Para repensarmos nossas práticas...
L'Omi.
Alexandre
L'Omi L'Odò demonstra como fazer oferendas sem poluir ou colocar em
risco o meio ambiente: ao invés de deixar o vasilhame, a aguardente é
posta em uma quenga de coco. Espaço aberto no mato evita que a vela
caia e cause incêndio durante a cerimônia. Imagem: DP - Bernardo
Dantas.
Oferendas sem agredir a natureza
Anamaria Nascimento
A
palavra de ordem do século 21, sustentabilidade, foi colocada como
prioridade no rol de preocupações das religiões de matrizes africana e
indígena do estado. Conhecidas por serem manifestações que cultuam
elementos da natureza e pela estreita relação com o meio ambiente, elas
encabeçam um movimento pela preservação dos recursos naturais
pernambucanos. A preocupação surgiu também na agenda pública. A falta de
informação de alguns membros das religiões afrobrasileiras acendeu uma
luz vermelha para as autoridades. Isso porque ainda existe o costume de
se jogar recipientes de vidro ou plástico no mar como oferenda ou de
descartar resíduos em matas após os trabalhos, por exemplo.
Um
guia de orientação aos religiosos quanto à necessidade de olhar para o
meio ambiente com maior cuidado, lançado pela Secretaria Estadual de
Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, aponta para as posturas que
devem ser adotadas pelos dirigentes e membros dos cultos.
A cartilha
Segundo
o secretário executivo de promoção da igualdade racial do estado, Jorge
Arruda, a cartilha Orientações para as práticas religiosas é uma forma
de mostrar a preocupação das religiões e do estado com a preservação
ambiental. “No material, que está sendo distribuído em todas as escolas
públicas estaduais e nos terreiros da Região Metropolitana do Recife,
indicamos que os objetos plásticos sejam trocados por materiais
biodegradáveis, por exemplo. Outra dica é que as velas de parafina sejam
substituídas pelas de cera de abelha.”
O
professor e integrante do Movimento Negro Unificado de Pernambuco
(MNU-PE) Carlos Tomaz frisou que a preocupação é pertinente, mas que o
preconceito contra as manifestações negras ainda são muito fortes. “É
comum ouvir pessoas falando que nós poluímos as águas, as matas. Algumas
pessoas ligadas às religiões de matriz africana, mas que não têm
consciência crítica, infelizmente, acabam sujando nossa imagem. Porém,
por cultuarmos os elementos da natureza, prezamos o cuidado do meio
ambiente.”
Saiba Mais
Espaço sagrado
Alexandre
L’Omi L’Odò, juremeiro e coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho,
destacou que a mata é um espaço sagrado e, por isso, deve ser cuidada.
“Indicamos os produtos biodegradáveis, ou seja, que a própria natureza
vai regenerar, para a realização dos trabalhos. Vai fazer uma oferenda
pra Iemanjá? Jogue apenas o líquido do perfume no mar e não o vidro. Se
for deixar cana no mato, coloque em uma quenga de coco e não em
garrafas”, aconselhou. “O povo de terreiro tem mudado em relação ao meio
ambiente. A sustentabilidade é uma preocupação atual do mundo, então,
temos que nos atualizar também”, completou.
O que diz a cartilha?
Uso de materiais
Os
dirigentes e simpatizantes das religiões de matrizes africanas devem
seguir as leis civis e naturais, primando pelas práticas adequadas na
confecção de oferendas e despachos Deve ser feita uma limpeza no local
do trabalho para que não se crie um depósito de lixo. É preciso
substituir os materiais sintéticos por orgânicos, de rápida decomposição
e absorção pela natureza
Uso de líquidos
Não se deve deixar vidros ou plásticos nos locais de oferenda. Basta despejar as bebidas no solo para a liberação dos fluidos
Uso de materiais sólidos orgânicos
Não
se deve usar materiais plásticos para a oferenda de doces, animais,
frutas e flores. Esse tipo de material demora para se decompor. O
correto é utilizar materiais de fácil decomposição, como folhas de
bananeiras.
Quanto aos locais para oferendas
Prefira
locais afastados, com pouca movimentação, onde as entregas possam
ocorrer de maneira harmônica e sem perturbações. Deve-se evitar largar
as oferendas em vias públicas, parques ou praças.
Uso de velas, cigarros e charutos
É importante estar atento ao local onde esses materiais são colocados
O uso desses materiais pode provocar acidentes, principalmente, em áreas
de vegetação. A utilização de velas, cigarros e charutos perto de
raízes de árvores, folhas e materiais inflamáveis pode causar incêndio
com danos irreversíveis ao meio ambiente.
Descarte de resíduos
Os dirigentes dos templos são responsáveis pelo recolhimento e destino dos materiais usados nas oferendas.
Lei do silêncio
Os
terreiros que usam atabaques devem respeitar os horários e as potências
dos caixas de som. É preciso respeitar os vizinhos, cumprindo os
horários permitidos por lei.
Fonte: Cartilha Orientações para as práticas religiosas de matriz africana e afrobrasileira em Pernambuco
Veja a matéria no site do jornal:
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A
pedido da minha queridíssima Laila Santana, publico aqui matéria do
Jornal Diário de Pernambuco do dia 05 de fevereiro de 2012 (Domingo) -
Caderno VIDA URBANA. A reportagem foi escrita com muito carinho por Anamaria Nascimento (anamariana...@dabr.com.br)
e todas as fotos que ilustraram o texto são do Bernardo Dantas, que com
paciência me aturou dentro da mata fazendo catimbó para os Caboclos...
Rsrs. Foi de muita satisfação minha poder contribuir com algo tão
importante para nosso ecosistema e consciência do povo. Salve a fumaça e
vamos em frente ajudando às religiões de terreiro a sairem da
obscuridade social que as colocaram. Axé.
Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
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Alexandre L'Omi L'OdòSacerdote Iyáwò L'Osùn e Juremeiro
Estudante de História - UNICAP Músico/Percussionista - Arte-educador
Pesquisador - Produtor Cultural/FonográficoGestor Cultural e Exotérico Holístico
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