2012 já entrou com muita alegria para o Mestre Galo Preto e para mim. Ele ter sido aprovado no RPV - Registro do Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco, Lei 12.196/02 foi um grande passo em nosso trabalho na preservação da memória do coco e de seus atores históricos. Parabéns ao Mestre e a toda comunidade da cultura popular. Este texto trata de todo processo de reconhecimento do patrimônio imaterial do Galo. Divulguem, multipliquem essa notícia...
L'Omi.
Mestre Galo Preto e Alexandre L'Omi L'Odò. Foto de João Rogério Filho.
Viva ao Patrimônio Vivo do Mestre Galo Preto
Por Alexandre L’Omi L’Odò. 30 de dezembro de 2011.
Hoje
foi um dia muito feliz para mim, enquanto produtor e amigo do querido
Mestre Galo Preto e sobre tudo muito mais especial ainda para o próprio
mestre que foi reconhecido oficialmente pelo Estado de Pernambuco como
um Patrimônio Vivo da cultura.
Isso
tem uma relevância muito grande para a história das culturas populares
no Brasil, já que pouco se escreveu sobre a memória destes e destas que
sempre foram os pilares mestres na construção da identidade nacional.
Sobretudo, ainda podemos destacar que a cultura popular com seus
protagonistas, idosos ou não, dão o tom totalmente particular a este
país que ainda se utiliza de forma não equânime da imagem colorida e
única da diversidade desses brinquedos populares e brincantes para
fortalecer o seu turismo cultural que na absoluta maioria dos casos
desqualificam estes marcos turísticos com pagamentos de cachês
desrespeitosos ou simplesmente dão o esquecimento total a todos e todas.
Contudo,
Pernambuco é um dos poucos estados da federação brasileira que tem uma
política de reconhecimento oficial nos termos do patrimônio imaterial
para seu povo. Isso é um avanço para um Estado que por natureza tem uma
diversidade esplendida em manifestações culturais de diversas matrizes –
indígenas, africanas e portuguesas.
O
Concurso do Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco – RPV, instituído
pela Lei 12.503, de 27 de dezembro de 2004, vem desde 2005,
reconhecendo e valorizando, através da concessão do título de
“Patrimônio Vivo de Pernambuco”, mestres e mestras, manifestações da
cultura popular e tradicional representativas da cultura pernambucana e,
também concede bolsas vitalícias de apoio financeiro aos premiados. Os
artistas e grupos também ganham a possibilidade mais amplamente de
expandir seus trabalhos, tendo melhor acesso aos editais (privilégio por
ser Patrimônio) e também devem repassar seus conhecimentos aos mais
novos, visando à perpetuação e sustentabilidade da cultura e memória
pernambucana. Só quem tem mais de 20 anos de trabalhos comprovados em
documentações dentro da cultura e tradição de Pernambuco e que sejam
residentes no Estado pelo menos a vinte anos que podem concorrer ao
Prêmio. Além do mais, os premiados sempre são pessoas de grande
relevância e contribuição para a cultura do povo. De fato Mestres e
mestras e grupos que tem em sua trajetória uma forte ligação com a
imaterialidade do imaginário pernambucano.
Já
há três anos venho colocando o Mestre Galo Preto para concorrer a este
sonhado prêmio. Durante mais de 4 anos, venho realizando pesquisa e
inventariando a memória do Mestre e seus documentos comprobatórios. Este
trabalho rendeu um catálogo histórico, com grande parte de sua
cronologia documental e memória oral, que retratam o perfil genial e
fortemente universal do Sr. Tomaz Aquino Leão, o guerreiro de 76 anos - o
Galo Preto.
Este
trabalho foi fundamental para convencer o Conselho Estadual de Cultura
da importância histórica para a cultura popular deste coquista e
embolador. Também, com a produção em audiovisual do seu filme “Galo
Preto, o Menestrel do Coco”, 46’min. de Wilson Freire e produção minha,
que pudemos fazer relembrar e refrescar a memória dos veteranos mestres e
estudiosos artistas do Conselho Estadual de Cultura. Além disso, também
fiz uma coleção de pequenos shows em DVD e de algumas participações em
CDs e Documentários onde o Mestre aparece.
Tudo
isso junto, com meus esforços em estar sempre lembrando nos sites e nos
meios de comunicação como jornais etc. da importância de Galo Preto,
que rendeu este merecido e tardio reconhecimento.
Minha
colaboração neste processo foi profundamente motivada pelo imenso afeto
que tenho ao Mestre e pelo respeito à ancestralidade negra e indígena
dos meus ancestrais e dos ancestrais de Galo. Também, fui motivado pela
perspectiva de contribuir de forma ativa e visível para uma história
menos positivista de Pernambuco, já que também sou graduando em História
pela UNICAP. Acredito que com a premiação e reconhecimento do Mestre
tive meus objetivos neste processo alcançados de forma vitoriosa.
Alexandre
L'Omi L'Odò e Mestre Galo Preto no dia do anúncio do prêmio. Seguram
nas mãos a matéria de jornal do Diário de Pernambuco que trazia as boas
novas.
O
Mestre Galo Preto construiu em mim uma nova possibilidade de enxergar a
vida. Ele me deu o direito de ajudá-lo e o direito de ser ajudado por
ele, já que ele é meu mestre em cultura e ética. Prezo demais a amizade
dele e o respeito que ele teve por mim em acreditar que eu, um “menino”
de Peixinhos, pobre, sem escritório, sem carro, sem formação acadêmica
concluída e, desprovido de conhecimentos maiores de mercado cultural
pudesse ser seu produtor executivo, cultural, artístico e em alguns
momentos até empresário... (Rsrs).
Enxergo
que nossa caminhada a partir de agora será mais forte e ampla.
Conseguimos juntos a realização concreta de um grande objetivo: Colocar o
Estado de Pernambuco para reconhecer de forma pública e oficial a
contribuição importante do trabalho e talento do Mestre Galo. E como
afirmou ao Jornal Diário de Pernambuco de 28 de dezembro de 2011 o
presidente do Conselho Estadual de Cultura Marcus Accioly: “temos o Galo
Preto, que é um cantador que possui uma história com a qual Pernambuco
possui grande débito”, posso afirmar que este débito começou a ser pago
de forma ainda tímida com esta premiação..., mas mesmo assim, deixando o
Galo muito feliz e realizado.
Toda
esta situação também foi possível com o apoio de meus amigos João
Monteiro e demais do Quilombo Cultural Malunguinho, que ao longo destes
anos de trabalho vem contribuindo de forma direta e indireta na
construção desta história. Também agradeço à importante contribuição da
OTM - Organização Trajetória Mundia, na pessoa de Ademir de Brito, seu
presidente, por ter disponibilizado seu CNPJ para que eu pudesse propor
através de sua empresa o nome do Mestre Galo Preto ao VII edital do
Concurso de Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco. Finalmente
conseguimos! Obrigado ainda por nos dar suporte jurídico para nossos
negócios, projetos e shows.
À
toda comunidade do coco nordestino também devoto minhas considerações.
Estamos em rede! O povo do coco, ou os coquistas são uma rede de memória
oral independente, viva e dinâmica. São a cultura viva e o patrimônio
vivo dessa tradição diversa e rica em dança, poesia, ritmo e melodia.
Este reconhecimento do Mestre também se estende para todos estes e estas
que conhecemos e ainda vamos conhecer... Agora temos mais um
representante oficializado em termo estadual desta nossa cultua.
Mesmo
com uma oposição fraca ao nosso trabalho, vencemos (calro!). A força do
amor e da honestidade, do trabalho sério e da competência venceram os
inimigos do Mestre. Tem pessoas que não contribuem e ainda influenciam
de forma negativa no trabalho. Já houve casos de pessoas até me chamarem
de ladrão e que eu estaria usando o Galo para crescer... Querendo fazer
a cabeça do Mestre contra mim etc. Ainda quiseram convencer o mestre
Galo em acreditar que a relação dele com a Jurema e o movimento negro
seriam nocivos ao seu trabalho, demonstrando assim uma racista
contribuição à mentalidade do Mestre, que idoso poderia se influenciar
por isso. Mas ele é sábio e não ouviu estes absurdos... Estes invejosos
do crescimento do trabalho do velho não se deram conta que tudo que foi
realizado até hoje foi com muita seriedade e isso se refletiu nesta
premiação. Portanto, me sinto melhor qualificado em meu trabalho
enquanto produtor com tudo isso.
Galo
Preto é um homem sábio. Ele me ensinou uma coisa muito boa: “vamos
caminhar juntos para sermos mais fortes. Com honestidade e
cumplicidade”... Assim é!
Parabéns
também aos outros dois vencedores do prêmio: A ceramista Maria Amélia
da Silva, de Tracunhaém e o Maracatu Estrela de Ouro de Aliança. Grandes
representantes de nossas tradições.
Este
final de ano foi cheio de emoções. Agradeço à todos os amigos e amigas
que de alguma forma ajudaram nosso trabalho, agradeço ao axé dos
ancestrais e sobre tudo à fumaça sagrada da Jurema e à Malunguinho, por
ter nos guiado todo esse tempo com força e proteção. Salve a ciência!
Adupé Oxum, minha mãe soberana. Dona do brilho de minha caminhada!
Me sinto feliz por ser um catimbozeiro produtor estudante de história!
Com
o pandeiro na mão, ele traz todos os ouvidos e olhares para si. Com
forte memória e particular forma de improvisar e criar poesias na hora, o
Mestre Galo Preto correu o mundo com sua originalidade natural e
genialidade. Recentemente foi eleito pela Revista Aurora “o homem mais
elegante do mundo”, por sua grande elegância, sendo comparado até como
irmão gêmeo, em postura, da eleita a mais elegante do país, a empresária
italiana Costanza Pascolato.
Com
carisma, sorriso largo, ritmo forte e grande potencial criativo, o
Mestre Galo Preto vem conquistando muitos públicos diferentes por onde
passa. Traz em si a força e a presença da ancestralidade negra, evidente
em sua música e trabalho.
2012
será um ano muito importante em sua carreira retomada há quatro anos.
Na altura dos seus 76 anos de idade, o Mestre acabou de ser selecionado
no edital Conexão VIVO 2012, que irá levá-lo para shows em diversas
partes do país. Aprovado como Patrimônio Vivo de Pernambuco nos últimos
dias de 2011, terá a possibilidade concreta de gravar seu primeiro CD
solo nos mais de 66 anos de carreira.
Felicidade
é o nome de Galo Preto estes dias... Tendo visto o anúncio de sua
nomeação como Patrimônio Vivo no Jornal da Globo as 7h da manhã do dia
28 de dezembro de 2011, acordou para a possibilidade de ter sua história
reconhecida definitivamente. Ele tá que é sorriso só... Feliz e cheio
de energia, já planeja uma festança de aniversário no dia 12 de março
para comemorar este prêmio.
Com
uma trajetória iluminada, Galo Preto dá a possibilidade ao Brasil de
conhecer um pouco mais do coco, pois ele é didaticamente preocupado com o
repasse de seus conhecimentos de mestre. Todo show dele é uma aula de
cultura profunda. Seu repertório é sempre inédito! Tudo novo em cada
show. Shows de repente... Só o refrão é o mesmo, às vezes, quando ele
não inventa de pegar toda banda desprevenida com novas melodias e
refrões improvisados na hora. É pura diversão ver um show de Galo...
Perceber sua criatividade e velocidade em dar soluções de rima para as
músicas é fantástico.
Renovado
com mais essa vitória em sua vida, o Mestre pretende fazer de 2012 um
ano inesquecível em sua carreira. Quer gravar CD, viajar, compor, fazer
parcerias e brincar ensinando muito em todo lugar que passar.
Antes
de ser nomeado Patrimônio Vivo, ele já era Mestre Griô pelo Ministério
da Cultura, projeto aprovado em 2010. Visitou muitas escolas públicas
onde foi homenageado com trabalhos de crianças e adolescentes. Sempre
levando sua alma moderna e inovadora para o contato com os meninos e
meninas curiosos por estarem ali conhecendo um grande mestre da cultura
pernambucana.
Seu
trabalho não pára. O mestre está vivíssimo e cheio de força para
contribuir mais ainda com a memória e a cultura pernambucana,
conseqüentemente brasileira. Sua força tá na rima, no pandeiro, na
pisada forte de sua sambada. Galo Preto sempre foi Patrimônio! Este
prêmio não o legitima como mestre que ele sempre foi, mas o dá a
possibilidade de ter reconhecido de forma ampla e com uma ajuda
financeira merecida a sua trajetória difícil e bonita de vida.
Espero
que essa nossa caminhada ainda dure mais uns 76 anos... Temos que
desfrutar do verdadeiro sabor do coco nordestino ao som do Mestre Galo
Preto, um artista único no que faz e da forma que faz... Uma pérola
rara, um diamante da música nacional.
Alexandre L'Omi L'Odò
Produtor e sacerdote
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Alexandre L'Omi L'OdòSacerdote Iyáwò L'Osùn e Juremeiro
Estudante de História - UNICAP Músico/Percussionista - Arte-educador
Pesquisador - Produtor Cultural/FonográficoGestor Cultural e Exotérico Holístico
Rua da Harmonia nº.27Peixinhos - Olinda - PE
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