“Quem controla o passado, controla o futuro
Quem controla o presente, controla o passado”
George Orwell, 1984
A frase de George Orwell nos ajuda a pensar sobre o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. Estamos diante de um confronto que opõe dois projetos de Nação. Esses projetos não se distinguem somente pelo que pretendem fazer daqui para a frente – de um lado, a social-democracia; de outro, um neoliberalismo neofascista – mas também pela forma como encaram o que foram os 518 anos de história do nosso pais.
De um lado, se encontra um concepção que enxerga a história brasileira como uma história de reprodução das desigualdades e dos privilégios, uma história profundamente violenta. Por isso, entende a importância da reparação histórica aos negros descendentes de escravizados, aos mais pobres que nunca tiveram oportunidades e àqueles que, entre 1964 e 1985, lutaram pelas liberdades e contra um projeto ditatorial que tinha como eixo central torturar e matar para garantir o enriquecimento de poucos. Este é o lado representado por Fernando Haddad e Manuela D´Ávila.
Do outro, estão aqueles que vêem o Brasil a partir dos olhos dos que sempre estiveram por cima. Que acham que a escravidão foi culpa dos próprios negros, que os pobre são pobres porque são preguiçosos e que, entre 1964 e 1985, a tortura se justificava contra aqueles que questionavam um modelo econômico desigual e excludente. São aqueles que ainda hoje promovem e defendem a tortura praticada em favelas, periferias e prisões. Este é o lado representado por Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão.
Se este segundo projeto for vencedor, na esteira de uma eleição marcada pelas fake news e pela violência política promovida por seus apoiadores, seus representantes buscarão promover uma imposição, à força, de sua versão da história. Mas seu objetivo não tem a ver com o passado, tem a ver com o futuro. O que eles querem é construir as bases para que nosso futuro continue sendo o dos privilégios e o da desigualdade, e tais privilégios serão inquestionáveis, pois quem ousar levantar a voz, será eliminado física e simbolicamente.
A democracia custou caro. Custou a vida de centenas de companheiras e companheiros nossos, que até hoje tem sua honra e sua luta difamadas pelo candidato militar e seus seguidores. E é somente na democracia que podemos lutar e conquistar direitos sociais, trabalhistas, civis, políticos e, enfim, direitos humanos. Por não podermos abrir mão da democracia, sob o risco de um retrocesso inimaginável, nós, ex-presos políticos, familiares de mortos e desaparecidos políticos e militantes por memória, verdade e justiça, reunidos na Plenária MVJ do Rio de Janeiro, declaramos nosso voto em Fernando Haddad e Manu 13
Coletivo RJ MVJ
Filhos e Netos por MVJ
Campanha OCUPA DOPS
Equipe Clinico Política RJ