https://www.youtube.com/watch?v=E_XPnCYEKd8
Em 3 de outubro de 2017, foi realizada Sessão Solene Fúnebre
do Conselho Universitário e do Conselho de Curadores da Universidade Federal de
Santa Catarina (UFSC) em homenagem ao reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo. O
reitor, que cometeu suicídio em Florianópolis, foi vítima de abuso de
autoridade em 14 de setembro, quando foi preso sem provas de crime e exposto na
grande mídia como criminoso em mais uma operação policial e judiciária repleta
de pirotecnia e sensacionalismo.
Lédio Rosa de Andrade, desembargador do Tribunal de Justiça (TJ-SC) e professor
de Direito da UFSC, amigo pessoal de Luiz Carlos, fez um chamamento para que o
Brasil abra os olhos para o momento que atravessa. "O momento é grave, é
perigoso, e precisa de ação", afirmou.
O desembargador lembrou da luta por democracia junto com Luiz Carlos e outros
jovens, nos tempos de aluno da UFSC, na época da Ditadura Militar. "Achávamos
que tínhamos derrubado a ditadura. Cometemos um erro. Porque os ditadores de
espírito nunca morrem, eles estão sempre aí. Estão aqui neste momento, alguns
deles. Esperando a hora de voltar, sempre", desabafou. "Essa luta
[contra a ditadura] nunca acaba. Se nós descansarmos, eles voltam",
completou.
Lédio também criticou a atuação da grande mídia e de alguns setores do
Judiciário nas operações de combate à corrupção. "Em nome da liberdade de
imprensa, se exerce a liberdade de empresa privada para impor desejos privados
à coletividade. Em nome da liberdade de julgar, neofascistas humilham,
destroem, matam", destacou.
O professor de Direito encerrou seu discurso convocando o País a combater as
práticas fascistas que vêm tomando conta da Nação antes que seja tarde demais.
"Esta noite fiquei a pensar quando a Humanidade errou e não parou Hitler
no momento certo, quando a Humanidade errou e não parou Mussolini no momento
certo... Eles estão de volta. Será que vamos errar de novo e vamos deixá-los
tomar o poder?", conclamou. "A democracia não permite descanso. Eles
[os fascistas] estão de volta. Temos que pará-los", completou.