Fwd: {CASC} ULTIMA VERSAO MANIFESTO CASC - para divulgação

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Vera Vital Brasil

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Dec 8, 2017, 2:37:00 PM12/8/17
to Barbara Conte, Alexei Conte Indursky, cristin...@uol.com.br, Tania Kolker, Marilena Deschamps Silveira, Anna Turriani, Dario de Negreiros, Jaime Betts, Olívia Françozo, Cristiane Cardoso, gabriela serfaty, Juliana Pimenta, Eduardo Losicer, Marília Felippe, Karine Szuchman, Ana Muller, Janne Calhau Mourão, Jane de Alencar, Fátima Setúbal, José Leal, Jose Maria Gomez, José Luis Victorio, Lygia Maria Jobim, Leonardo Vieira Caldas, beatriz vieira, Maria Alice Rocha, Oscar Acselrad, João Paulo Rodrigues, Paulo Roberto Rodrigues, cristiana corsini, Cristina Mair Rauter, edu passos, Eduardo Batista, Ligia Aquino, Cristina Lutterbach, fabiana rousseaux, Miguel Scapusio, Maricel Robaina, Adriana Rio, Adriana Vaselli, Sonia Goulart, Sonia Mosquera, paola méndez, João Ricardo Dornelles, Betinho Duarte, Marcos-gmailp, Marco Antonio Nascimento Pereira, Marco Aurelio, Marco Prado, Grazielle Tagliamento, Vera Paiva, Valter Da Mata, Luis Gibier, Luis Antonio Lemos, Luis Delgado Zorraquino, Lucas Pedretti Lima, Virna Plastino, noelle resende, Alejandra Estevez, Maurice Politi, Nadine Borges, Marta Pinheiro, Marta Zappa, Marta Azzolini, Marta Elizabete Vieira, Moises Rodriguez SP, Deliberar ColetivoRJ, OcupaDops Googlegroup, luz-no...@googlegroups.com, m-v-j-...@googlegroups.com, rede-enfrentamento-...@googlegroups.com
Amig@s, segue o manifesto do CASC sobre o ataque ao Memorial da Anistia Política e à Universidade Pública/UFMG.

Para difundir amplamente!

Abraços
Vera



 



O Comitê de Acompanhamento pela Sociedade Civil da Comissão de Anistia - CASC integrado por brasileiros e brasileiras, em sua maioria perseguidos e perseguidas pelo regime de exceção instaurado em 1964, e que representam diversos segmentos sociais organizados, no uso de suas prerrogativas e atendendo à natureza e às exigências de sua função,

Manifesta:

Seu repúdio ao ataque da Polícia Federal, da Advocacia Geral da União e do Tribunal de Contas da União contra a Universidade Federal de Minas Gerais, cuja operação ironicamente e de forma maldosa foi alcunhada de “Esperança Equilibrista”, em referência direta à canção que se tornou o hino da anistia, símbolo da luta dos brasileiros pela democracia. Um ataque à universidade pública, lócus do pensamento critico, criativo e transformador e que tem sido sempre alvo de todas as ditaduras.

Além do desrespeito com a historia de luta por direitos do povo brasileiro, que hoje tem tido todas as suas conquistas arrancadas, é um sinal claro da falta de compromisso com uma política de Direitos Humanos com vistas a não repetição de crimes de lesa humanidade, numa tentativa reiterada de marginalização de militantes e gestores defensores de pautas progressistas. 

Faz-se necessário esclarecer que o projeto do Memorial da Anistia Política se articula com as lutas por Memória, Verdade e Justiça da sociedade brasileira, tardiamente acolhidas como política pública pelo Estado Brasileiro no âmbito da Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, criada pela Lei 10.559/02, no governo Fernando Henrique Cardoso. Esta Comissão foi instituída com a finalidade de reparar as vítimas de atos de exceção como prisões, torturas, exílios, demissões arbitrárias, tendo como consequência danos materiais, físicos e psíquicos, perpetrados por agentes estatais entre 1946 a 1988.  Ao longo dos anos este trabalho se desdobrou em inúmeras atividades reparadoras que objetivavam criar uma cultura democrática, de responsabilidade estatal e de paz.

O projeto do Memorial da Anistia Política que neste momento é criminalizado foi objeto de convênios e é pensado para abrigar o patrimônio documental da Comissão de Anistia, que faz parte do registro regional do Programa Memória do Mundo da Unesco, integrando o "patrimônio documental da América Latina e do Caribe".

Mas não é de hoje que o Memorial da Anistia vem sofrendo ataques. Desde 2016, por conta de entraves burocráticos e evidente desconforto do atual governo com toda agenda democrática, o CASC vem enviando memorandos aos Ministros da Justiça que se sucederam no cargo, sempre ressaltando a preocupação sobre o andamento dos trabalhos da Comissão de Anistia, em especial a paralisação das obras do Memorial, solicitando imediata liberação da última parcela do orçamento e alertando para o desperdício do dinheiro público, caso não fossem concluídas em tempo hábil.

Temos assistido, com grande pesar e apreensão, a interrupção de quase todos os trabalhos da Comissão de Anistia, como o do Projeto “Marcas da Memória”, das “Caravanas da Anistia”, com exceção do Projeto Clínicas do Testemunho que já estava em vigor e em execução pelos parceiros vencedores do edital quando o atual governo foi empossado.

Entretanto, a resposta do governo chegou através de uma ação político-policial que por si mesma nos diz da gravidade do atual momento histórico: prenderam de forma coercitiva e espetaculosa gestores de uma das maiores universidades do país. Tentam, desta maneira, construir uma narrativa que criminaliza pessoas e, sobretudo, o próprio Memorial. Por extensão, criminaliza a luta daqueles brasileiros contra a ditadura.  Criminalizam a própria democracia.

Consideramos fundamental a preservação dos tradicionais e consagrados entendimentos do Conselho da Comissão de Anistia sobre a análise dos requerimentos, e não aceitamos retrocesso na concretização dos direitos previstos na Lei 10.559/2002 e no Art. 8 do ADCT da Constituição de 1988, entendendo que ameaças de mudanças já ocorridas, ferem o próprio instituto de reparação, pilar de qualquer processo de justiça de transição no mundo.

Esperamos igualmente a continuidade do Projeto “Marcas da Memória”, que em suas edições fomentou iniciativas formuladas pela sociedade civil no campo da memória política brasileira, livros, publicações científicas, filmes, eventos, peças e projetos educativos e culturais. Não podemos deixar de mencionar igualmente a necessidade de seguimento do que tem sido no Brasil um dos mais ambiciosos e inovadores projetos de educação para os direitos humanos e para a democracia: as Caravanas da Anistia. Por sua vez, o Projeto Clínicas do Testemunho, responsável pela reparação psíquica de anistiados políticos e seus familiares, em dezembro deste ano de 2017 encerra os trabalhos de atenção clínica, sem que tenha sido lançado o terceiro edital. De igual maneira, se espera que seja dada continuidade a este trabalho inovador que tem despertado interesse nacional e internacional. 

A ação político-policial, na qual professores e gestores da UFMG e da Universidade Federal de Santa Catarina foram atingidos, é um grito de alerta a todos que defendem a democracia e se indignam com a permanência de uma cultura de ódio obscurantista, que neste momento tem colocado em risco todos os avanços acumulados na construção democrática, e na qual o MEMORIAL da ANISTIA POLITICA se agiganta como símbolo, pelo seu compromisso de zelar por esta importante realização em prol da história política, da educação para a cidadania e do aprofundamento democrático brasileiro.

Comitê de Acompanhamento pela Sociedade Civil da Comissão de Anistia - CASC

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