Edwin P. Rocco
unread,Mar 4, 2016, 10:23:54 AM3/4/16Sign in to reply to author
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to Loja Lumminar n. 4261
Alethea
Alethea, do grego, quer dizer verdade. Mas é uma palavra tão grega que seu real sentido já encerra toda uma filosofia.
Lethe é o nome de um rio mitológico. Um dos cinco rios que separam o nosso mundo do reino dos mortos, Hades. Lethe quer dizer esquecimento, ocultamento. Aqueles que bebem das águas de Lethe perdem a memória.
As almas, antes de chegar a Hades, passam pelo rio Lethe, e deixam ali suas memórias. São levadas pelas águas todos os registros da vida passada. Vão-se os pais e familiares, vão-se os grandes amores, as convicções políticas, as preferências culturais; vai-se, até, o próprio nome. Lethe leva tudo o que se pode esconder nas águas turvas do esquecimento.
Mas Lethe não leva tudo. Há algumas coisas que não são jamais esquecidas. A-Lethe: aquilo que não se esquece. Aquilo que se nega ao esquecimento. Aquelas coisas que são realmente verdades, não contingências, não opiniões, não convicções ou preferências: VERDADES.
Essas verdades as almas não esquecem. Elas esquecem todas as coisas que um dia acharam belas, mas não se esquecem de que existe o Belo. Elas esquecem todas as injustiças que um dia viveram, e todas as causas justas pelas quais um dia lutaram, mas não esquecem que existe o Justo.
Nós, os vivos, não podemos conhecer essas coisas, exceto por uma lembrança. Tudo o que vivemos são imagens, confusões, ocultamentos, coisas que um dia passarão, levadas na travessia de Lethe. Mas essas coisas nos fazem lembrar, por vezes, daquelas verdades eternas. O Belo, o Bom, o Justo, as Virtudes.
Alethea, a verdade, aquilo que não se esquece.
(.../.)