Grokkar
Hoje, tive a oportunidade de
conhecer um livro chamado "Um estranho numa terra estranha", de Robert Heinlein,
Ficção científica da década de 60, cuja
personagem principal é Valentine Michael Smith.
Michael Smith é filho de dois astronautas da
primeira expedição da humanidade ao planeta Marte.
Nascido naquele planeta e deixado órfão após a
morte de toda a tripulação, Smith foi criado em meio à cultura dos habitantes
nativos do planeta,
seres assexuados, sem corpo físico, cujas
mentes vivem num mundo alternativo, dotados de grande poder e de grande
conhecimento e sabedoria.
Mais que ficção, o livro trás muitos
questionamentos à sociedade, falando sobre política, economia, poder, sexo,
ecologia, religião...
é como se um observador olhasse nossos
comportamentos com uma visão pura, sem os signifcados que damos às coisas e
situações.
Michael Smith falava da palavra marciana
"grokkar", talvez para tentar explicar sua mente evoluída a quem não podia
entender,
como se uma criança de hoje estivesse tentando
explicar a um humano de 2.000 anos atrás, o funcionamento de um video game ou de
um aparelho celular.
"Grokkar" é quando a gente interage tanto com alguma
coisa, tentando compreendê-la e senti-la, que passa a ser aquela coisa, em sua
totalidade e realidade no eterno presente.
Por exemplo, Michael está
andando na rua e é abordado por um assaltante armado, ele tenta "grokkar" a
arma, mas não consegue "sentir", "perceber", "ser" algo de bom com a arma...
e se nada há de bom na arma, ela não pode ser
real... e se não pode ser real, ela não tem significado real, ela não existe...
e é assim que a arma, surpreendentemente, desaparece aos olhos de
todos...
Numa outra passagem, Jubal - um orientador de Michael - tenta
lhe explicar o que é religião e Michael Smith entende o conceito de Deus somente
como "alguém que grokka",
o que inclui cada pessoa, planta e animal
vivente. Na verdade, o universo manifestado todo.
Isto o leva a expressar o conceito marciano da
singeleza da vida na frase "Tu és Deus", uma de suas preferidas.
Na
língua marciana, "grokkar" significa algo mais profundo que "entender
completamente", "amar", "unir-se a", "fazer comunhão com", é mais como
"tornar-se aquilo a que se observa"...
na sua simplicidade e pureza, Michael reconhece
as "verdades", não a realidade aparente, a partir de sua própria
divindade.
Entendo que "grokkar" talvez não seja uma palavra marciana
fictícia, mas o "SER UM", com tudo e com todos, numa sinergia amorosa onde
somente a realidade imortal é real e,
a partir desse princípio, todas as formas de
manifestação.
Somos "aquele que vê", que tem consciência, que tem paz,
que é livre e sabe amar.
Só precisamos tomar consciência desse
olhar que "grokka" para sermos um
Michael.