Nos Matamos O Cao Tinhoso Pdf 24

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Cre Wallace

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Jul 12, 2024, 11:57:10 PM7/12/24
to kuisenneowi

No conto Ns matamos o Co-tinhoso, do escritor moambicano Lus Bernardo Honwana, Ginho conta como ele e seus colegas matam, a tiros, um cachorro solitrio, faminto e adoentado, aparentemente inofensivo, que vive prximo escola que frequentam. Ele trata, em larga extenso, dos antecedentes do ato, com nfase no desprezo de que o chamado Co-tinhoso vtima, entre seres humanos e mesmo entre outros cachorros, e, em menor medida, de seus efeitos, com foco na significativa conversa que trava com o amigo Quim, sem deixar de abordar, entre os dois extremos da histria, os ltimos instantes da vida do animal. Das vrias entradas de leitura que o conto oferece, a que mais nos interessa a via da construo de certa concepo de masculinidade, com forte presena j na infncia das principais figuras da narrativa e apresentada com traos contraditrios, de confirmao e negao.

Atualmente, o livro compostaopor oito contos, todos com histrias independentes, mas que conversam de alguma maneira entre si. O principal deles, Ns Matamos o Co Tinhoso!, contm 39 pginas, e tambm o maior. Nele, seguimos o narrador-personagem Ginho que precisa, com a colaborao de outros meninos, dar cabo de um co velho e muito ferido, o co tinhoso. No incio do conto h uma descrio arrastada da monotonia do cotidiano de todas as personagens (animais e crianas, principalmente) que aos poucos vai sendo substituda por uma onda crescente de violncia e crueldade, j prenncio de uma atmosfera local em transformao.

Nos Matamos O Cao Tinhoso Pdf 24


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O segundo conto, Inventrio de Mveis e Jacentes, acompanha um narrador deitado, sem sono, que nos apresenta os cmodos de sua casa, sua grande famlia e os mveis, todos numa imobilidade que iguala pessoas e coisas, como um smbolo de estagnao em que o pas estava imerso.

importante estar atento s crticas espalhadas pelos contos, como o racismo, a violncia contra a mulher, o anseio por liberdade e a opresso imposta aos dominados. Afinal, tudo isso pode ainda ser observado no mundo moderno e so assuntos que a Fuvest costuma abordar.

Colaborou: Carlos Alberto Escoza, professor de Lngua Portuguesa do Colgio Rio Branco; Amanda Oscar, professora de literatura e redao, autora do material de lngua portuguesa, produo de texto e assessora pedaggica do Sistema pH

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A Editorial Fundza e a Universidade Pedaggica de Maputo (UP-Maputo) vo realizar, hoje, das 14h s 17h30, na Biblioteca Central (Museu) daquela instituio, o Simpsio 60 anos de Ns matamos o co-tinhoso. A iniciativa acadmica pretende celebrar uma das mais icnicas obras literrias do pas, e, simultaneamente, discutir a sua importncia para a actualidade sociocultural dos moambicanos.

O Simpsio 60 anos de Ns matamos o co-tinhoso vai contar com intervenes de Lus Bernardo Honwana, do Reitor e do Director da Faculdade de Cincias da Linguagem, Comunicao e Artes da UP-Maputo, Jorge Ferro e Paulino Fumo, respectivamente. O programa de actividades inclui a participao de ensastas que iro apresentar ao pblico o resultado das suas mais recentes pesquisas sobre a obra de Honwana. So os casos de Aurlio Cuna e Cremildo Bahule.

Durante o Simpsio 60 anos de Ns matamos o co-tinhoso, ser lanado O inventrio da memria, organizado pelo ensasta e jornalista Jos dos Remdios. Trata-se de um livro que rene ensaios de 18 autores distribudos pelos seguintes pases: Moambique, Angola, Portugal, Brasil, Estados Unidos e Canad. Na colectnea, cada ensasta pde analisar pelo menos um dos sete contos de Ns matamos o co-tinhoso como forma de, nas celebraes dos 60 anos da primeira edio do livro, reflectir sobre a realidade moambicana, africana e mundial atravs da anlise literria.

O inventrio da memria um livro constitudo por 18 ensaios, que perfazem 253 pginas. Alm dos autores acima referenciados, a edio da Fundza composta por artigos de Ana Mafalda Leite, Sara Jona Laisse, Marta Banasiak, Vanessa Riambau Pinheiro, Svio Freitas, Fbio Salem Daie, Gustavo Rckert, Maiane Pires Tigre, Ndia Chamussora, Luzia Moniz, Elsio Miambo, Agostinho Gonalves, Cntia Acosta e Lidiana de Moraes.

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O primeiro e o mais extenso dos contos includos no livro, "Ns Matmos o Co-Tinhoso" narrado atravs dos olhos de um menino moambicano negro, chamado Ginho. A histria desenvolve-se volta de um co vadio que est doente, abandonado e a morrer. Ginho objecto de troa da parte dos seus colegas da escola, inclusivamente durante os jogos de futebol. Ele comea a sentir pena do co e desenvolve um sentimento de empatia em relao a ele. Um dia, o Ginho e um grupo de rapazes da sua idade so persuadidos e chantagistas pelo Doutor da Veterinria para matar o co. O Senhor Duarte representa esta aco como um jogo de caa e tenta convenc-los como um amigo. Apesar do Ginho estar emocionante ligado ao co, ele sente-se pressionado para mat-lo, de modo a ser aceite pelos seus colegas. Apesar de muitas discusses e pedidos aos outros meninos, ele no consegue convenc-los a no matar o co. A histria acaba com ele a confessar com remorso a responsabilidade que sente, apesar de no ter querido participar no crime.

Ginho descreve o co como tendo olhos azuis. Em The Golden Cage: Regeneration in Lusophone African Literature and Culture, Niyi Afolabi argumenta que a cor dos olhos ambgua, podendo ser simblica do negro colonial dominado ou do colonizador europeu.[8] Cludia Pazos Alonso escreve que o simbolismo dos olhos pode apontar para uma representao de um assimilado negro.[9]

A penltima estria na coleco de estrias Os da minha rua, escrito pelo autor angolano Ondjaki, leva o ttulo de Ns chormos pelo Co-Tinhoso. A estria narra uma experincia do autor quando toda a sua classe leu Ns matamos o Co-Tinhoso e o narrador, muito em paralelo com o protagonista do conto de Honwana, pressionado pelos outros rapazes da sua classe no chorar enquanto l para todos os seus colegas a ltima parte do conto. Quase todos os alunos e at a professora sentem o peso do conto e querem chorar num momento muito emotivo. Ondjaki fecha a estria com uma declarao que alude muito bem a um dos temas centrais do conto de Honwana: "Na oitava classe, era proibido chorar frente dos outros rapazes".[11]

"O livro de contos Ns matamos o Co Tinhoso!, de Lus Bernardo Honwana, um marco da literatura africana. Obra polmica, publicada em Moambique em 1964, foi criticada por aqueles que defendiam o colonialismo portugus, e aclamada pelos que defendiam a liberdade e a autonomia do pas.

Autor: Lus Augusto Bernardo Honwana (1942) nasceu na cidade de Loureno Marques (atual Maputo, capital de Moambique, nome atribudo aps a independncia do pas), mas foi criado em Moamba, no interior da provncia, onde seu pai trabalhava como intrprete. Filho de uma pequena burguesia letrada, ao completar 17 anos, retornou para Maputo para estudar jornalismo. Desempenhou inmeras funes polticas no decorrer da vida.

Obra: Ns matamos o Co Tinhoso! (1964) um conjunto de oito fices extremamente crticas, por vezes, poticas, em relao condio colonial moambicana. Escrito entre 1961 e 1963, foi publicado quando Honwana tinha apenas 22 anos, com extensa repercusso internacional, tendo sido traduzido para o ingls, o alemo, o sueco, o francs e o espanhol, entre outros idiomas. At hoje lido como um marco de resistncia poltica e humana.

Estilo: escrita permeada de oralidade e de bilinguismo entre o portugus e o ronga, principalmente. Por meio de descries hiper-realistas e recursos de encadeamentos de vozes, consegue extrair efeitos que mostram a opresso advinda do autoritarismo colonial.

Tempo: nem todos os contos possuem a marcao temporal precisa. No entanto, pode-se presumir pelo contexto que se trata dos anos de 1960, s voltas de 1964, ano da publicao do volume e do incio da guerra de independncia.

Importncia da obra: eleito pela Zimbabwe International Book Fair como um dos cem melhores livros africanos do sculo XX. A traduo para o ingls, de 1969, momento crtico da Guerra de Independncia Moambicana, recebe divulgao e reconhecimento internacional de forte apelo, tornando-se um libelo contra o colonialismo para vrias outras culturas.

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