Re: Inutilidade Do Sofrimento Pdf 11

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Sofie Kovalcheck

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Jul 11, 2024, 7:23:18 AM7/11/24
to kewindlanand

Apesar de muitas pessoas se sentirem prisioneiras das suas rotinas, repetem constantemente os mesmos erros que as fazem sentir-se mal. Veem as dificuldades como obstáculos impossíveis de ultrapassar, em vez de perceberem as oportunidades fantásticas que nos oferecem. No entanto, é possível quebrar este ciclo vicioso e vivermos de maneira positiva, com realismo e com a certeza que podemos conduzir a nossa própria vida. Maria Jesús Alava Reyes, com mais de 25 anos de experiência no campo da psicologia, reúne neste livro, reflexões, pautas de comportamento, exercícios de auto controlo e numerosos testemunhos que nos ajudam a quebrar com o nosso sofrimento inútil e olhar a vida, não como uma tragédia, mas como um presente, cheio de oportunidades, que devemos aproveitar dia após dia.

Podemos somar a esses muitos outros casos, de maiores ou menores consequências. Convido-os a considerar os seguintes aspectos: são situações de perda, ou de ameaça de perda, que envolvem preocupações e sofrimentos. O que chama a atenção é que uma parte desse sofrimento poderia ser evitado se a forma como foram conduzidos fosse outra.

inutilidade do sofrimento pdf 11


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Segundo o meu amigo ateu Ludwig Kripphal, comentando um artigo que escrevi, se Deus está connosco nos momentos de maior sofrimento significa que A fasquia para a excelência de Deus parece estar cada vez mais baixa. Ninguém diria ser um bom médico aquele que, podendo curar a criança, ficava em vez disso a sofrer com ela enquanto a deixava morrer.

Mas por que, afinal, temos de sofrer? E por que as pessoas boas não sofrem menos que as más? Como justificar o sofrimento de crianças e bebês inocentes? Por que a vida é assim? Porque é, meu amigo, minha amiga. Jovens sofrem. Idosos sofrem. Pobres sofrem. Ricos sofrem. Todo mundo sofre. Sofrer é, como já dissemos, algo inevitável, algo natural.

Penso que não. O bom da vida, amigo leitor, não está em chegar rápido às respostas, mas, sim, em aprender a conviver com as perguntas e em descobrir nossos limites, nossas incompetências, nossa inutilidade para certas coisas ou situações. É por isso que, se o sofrimento bater à nossa porta, temos é de abri-la logo e dar a ele as boas-vindas.

As exigências de satisfação do mundo externo e de mudança do mundo interno, apesar de serem destacadas por Freud separadamente, são intrínsecas. Ao final do artigo, ele destaca que essa oposição é infecunda, já que a situação psíquica abrange ambas. Gaulejac (2014Gaulejac, V. (2014). Neurose de classe (M. B. Medina & N. Takeuti, Trad.). São Paulo, SP: Via Lettera .), em discussão sobre as raízes sociais da neurose, destaca que essa frustração, proveniente tanto da impossibilidade de encontrar novo objeto de investimento quanto da impossibilidade do sujeito em se adequar, pode ser compreendida mediante discurso social. O sofrimento desencadeado pela frustração pode surgir também quando o discurso social desvaloriza e desautoriza as figuras de identificação desse sujeito. A desvalorização narcísica é assim sentida quando a imagem que os outros refletem é uma imagem negativa. O eu é desse modo, atacado em sua imagem e seus objetos de identificação são retirados.

Os indivíduos por falta são calados, apagados, afastados. Gaulejac (2006Gaulejac, V. (2006). As origens da vergonha (M. B. Medina, Trad.). São Paulo, SP: Via Lettera.) afirma que isso acontece porque esses indivíduos provocam repulsa nos demais sujeitos. A miséria, assim como outras situações sociais como a loucura e a velhice, parece encarnar tudo o que a sociedade moderna abomina: impossibilidade de consumo, decrepitude e morte. Gaulejac ressalta que essas condições sociais são interpretadas pela sociedade como sendo consequência de um problema moral - inércia, conformismo, preguiça. Há uma desconfiança em relação ao sujeito miserável. Cria-se o imaginário de que não se pode confiar em alguém que deliberadamente não cuida de si e se acomoda à miséria. O sujeito em sofrimento social, na verdade, é rejeitado porque denuncia a falha da sociedade em cuidar de seus membros. São eles que denunciam a perversidade do contrato narcísico.

Apresentaremos alguns excertos da narrativa de Ivone seguidos de análises e considerações a partir das teorias apresentadas. Na análise da narrativa, focalizamos a análise do discurso da idosa e a forma como as instâncias ideais se manifestaram na narrativa. Assumimos os seguintes objetivos: identificar e analisar como os discursos sociais hegemônicos se fazem presentes no discurso da idosa; analisar a manifestação de aspectos afetivos que evidenciam o sofrimento psíquico-social, como: a) sentimento de culpa; b) sentimento de inferioridade; c) dificuldade diante do complexo de Édipo e suas figuras de identificação; e d) isolamento e fechamento sobre si.

A vergonha decorrente desse processo de exclusão se torna, muitas vezes, constituinte da identidade. Dessa forma, a escuta desse sofrimento não pode estar desligada da compreensão sociopolítica da exclusão social. Além de possibilitar um campo para que o sujeito fale, é necessário que aquele que o escuta, escute a reverberação desse sofrimento em si mesmo. Gaulejac (2006Gaulejac, V. (2006). As origens da vergonha (M. B. Medina, Trad.). São Paulo, SP: Via Lettera.) argumenta que

É nesse contexto de intensa pressão, cujos efeitos ainda imprevistos já incluem a perda do emprego - realidade corriqueira para docentes com vínculos de trabalho precários com instituições públicas e privadas, porém já configurada também para docentes e pesquisadores estáveis de universidades públicas tradicionais, sobretudo em razão da adoção das novas formas de avaliação de desempenho que preveem punições por baixa produtividade -, que as queixas de nossos colegas são produzidas. Seu potencial de crítica não decorre apenas da veracidade dos fatos que espelham as situações que as produzem, mas do sofrimento que explicita. E é sobre ele que se discorre nesta brevíssima reflexão sobre a transformação da produtividade acadêmica em imperativo moral.

Se o sofrimento decorrente da consciência da opressão não nos calar, sua força poderá se tornar libertadora, permitindo reafirmar o valor daquilo mesmo que fazemos com amor: a formação, a pesquisa e a crítica.

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