Ontem, na cadeira odontológica, deixei escapar uma frase que foi captada pela pior interpretação pela minha dentista, ei-la:
— Tô cansado de viver!
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a doutora quase chamou o SAMU ou o socorro do NAPS, acho que pra me ajudar e me salvar de mim mesmo, pois, ao depois, me ocorreu de que ele deva ter pensado que eu ia tentar o suicídio...
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Então pensei como nós vivemos presos à essa normalidade ridícula que todos fingem existir em que não podemos confessar em voz alta, por exemplo, que aquela relação conjugal de 40 anos, de 30 anos, de 20 anos, de 10 ou de 1 ano, não é mais suficiente pra sustentar nossas ambições de "ser feliz" [?], que aquele emprego que parecia nos levar à aposentadoria, nesse momento, nos trás angústia de medir o tempo, nos dá desânimo e nos deixa doentes, inclusive no físico...