Papo de Domingo! Sétimo Domingo Comum

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Alexsander Cordeiro

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Feb 17, 2012, 12:16:00 PM2/17/12
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SÉTIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM B


''Nunca vimos uma coisa assim''
(Mt 2,12)

Olá amigos sentinelas da manhã! Vemos diante de nossos olhos tantas coisas... Tantos são os fatos que nos impressionam ou que apenas passam desapercebidos. Uma vez visitei um escultor. Ele tinha em seu ateliê um bloco de pedra. Eu vi uma pedra horrorosa... Perguntei a ele o que era, e ele me disse: é uma imagem de São Paulo apóstolo. Ele já enxergava o potencial daquela pedra bruta. 
Quantas vezes agimos assim? Nem percebemos o que temos diante dos olhos... Nossa capacidade, por vezes limitada, nem sempre vê positivamente o que o futuro nos reserva. 


O que Isaías viu? 
O Profeta Isaías fala para um povo em desesperança. Estão todos em exílio, na Babilônia. Já não havia mais culto no templo - que fora destruído por Nabucodonosor, nem mesmo uma organização social básica que garantisse a continuidade das tradições de Israel. Nada. O povo havia perdido quase tudo do que havia conquistado ao longo dos séculos. Muitos perderam a esperança... Já não acreditavam ser possível continuar o caminho da fé iniciado pelos patriarcas e selado em Moisés no monte Sinai. Se Deus não era capaz de salvar seu povo, então ele não era Deus de verdade - afirmavam muitos. 
Não foram poucos que, tendo a desilusão diante dos olhos, abandonaram a fé de seus antepassados. A grande maioria vivia a lamentar o presente sombrio, recordando os grandes prodígios feitos pelo Senhor no passado. E é para estes que o Isaías dirige esta palavra que nos é lida: "Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já  estão surgindo: acaso não as reconheceis?" (Is 43,18-19).
Aos que somente conseguiam ver desgraças, Isaías aponta mais longe, convidando a reler a história sob a ótica de Deus. O Senhor não havia libertado o povo da escravidão no Egito de forma grandiosa? Então porque não poderia abrir rios em terra seca e estradas no deserto para que seu povo retornasse ao lar? O profeta convidava a olhar adiante... A enxergar longe e nem sequer recordar das obras do passado, mas perceber como Deus estava já realizando obras maiores que as antigas. 


O que São Paulo viu? 
São Paulo viu sua vida ser transformada radicalmente por um Deus que não o abandonou, nem sequer olhou para seus pecados, mas confiou nele e lhe fez apóstolo das nações, realizando suas promessas para com todos aqueles que ouviam, por meio de sua pregação, o Evangelho da Vida. Deus jamais foi "não" na vida do apóstolo, sempre confirmando suas promessas. Por esse motivo, Paulo jamais disse não aos pedidos do Senhor. Sua Palavra foi sempre "amém", isto é, assim seja. "Com efeito, é nele que todas as promessas de Deus têm o seu 'sim' garantido. Por isso também, é por ele que dizemos 'amém' a Deus, para a sua glória." (2Cor 1, 20). 
Como dizer "não" a um Deus que jamais se fecha à possibilidade de nos garantir vida plena? Como dizer "não" a um Deus que é sempre abertura, doação e amor a nós? Quanto mais nos damos a Deus e seu projeto de amor, mas Ele se derrama a nós. Deus nunca se esgota! Isso São Paulo o viu durante toda a sua vida. 

O que os escribas viram? 
O episódio do Evangelho é marcado por quatro olhares... Escribas, Jesus, o Paralítico sem nome e seus amigos. Todos estão diante de uma situação deveras inusitada e apresentam seus olhares... 
O primeiro grupo que se nos destaca é o dos Escribas. Estes, acostumados a um Deus escrito em um livro, não entendiam que dentro daquela casa estava um Deus Vivo, feito carne, habitando e agindo entre nós em Jesus Cristo, Senhor Nosso. Como aquele homem podia perdoar pecados? Questinavam-se... Como realizava tantos prodígios? 
Os Escribas tinham conhecimento, mas não tinham fé... Sabiam tudo acerca das escrituras. Mas, como os seus antepassados, interlocutores de Isaías, só conseguiam olhar para trás, não para o futuro que se descortinava diante de seus olhos. Não entendiam que o  "sim" de Deus às suas promessas estava acontecendo bem ali, diante de seus olhos. 

O que os amigos do paralítico viram? 
Quantas pessoas ao redor de Jesus naquele dia!!! Impressionante a acorrência de pessoas para ouvir, ver e tocar Jesus, experimentando nEle a realização das promessas feitas pela boca dos profetas. O povo via em Jesus o "sim" de Deus acontecendo no meio deles. Diferente dos Escribas, esta gente simples e desletrada reconheceu Jesus como a Palavra feita carne. 
Dentre estes, destaca-se o grupo de pessoas que viram um paralítico. E que, já tendo experimentado a força das palavras e obras de Jesus, sonharam... E não desistiram enquanto não apresentaram seu amigo ao Senhor. Eles sabíam que Ele era o "sim" de Deus, e que, por mais que as condições fossem adversas, por mais que tudo ao seu redor indicasse que não seria possível, eles queríam "ver Jesus" e apresentar seu amigo paralítico. Eles decidiram amar... Eles também se fizeram "sim".

O que Jesus viu? 
Jesus viu o amor... Viu a população ao seu redor que queria ouvi-lo. E viu o coração aberto e disponível daqueles que não mediram forças para ajudar seu amigo. O Senhor viu o amor!!! E como seu coração é somente amor, não podia deixar de compartilhar com aqueles homens o que Ele mesmo era: perdão, cura e vida - o "sim" de Deus. 
Jesus perdoou os pecados de fechamento e isolamento que certamente paralisavam aquela comunidade e os impedia de amar. Mas ao contato com o Mestre foram restaurados. A cura daquele paralítico simbolizou a cura de todo um povo, a cura das relações daquelas pessoas. E mais... A cura de seus olhos, acostumados a ver somente o horror, a discriminação, a guerra. Agora, a partir daquele momento, com a manifestação da misericórdia do Senhor, aquela comunidade podia olhar mais longe, e esperar a realização plena do Reino de Deus, manifesto em Jesus Cristo. 

O que o paralítico viu... 
O paralítico: um alguém sem nome. Não se sabe por que causas ele estava paralisado. Sabe-se, porém, que toda enfermidade era tida pelos judeus como consequência do pecado. Portanto, certamente era alguém que se via como um rejeitado por Deus. E se era rejeitado por Deus, sentia-se muito mais rejeitado pelas pessoas que viviam ao seu redor. Era, com certeza, alguém infeliz não tanto porque sofria fisicamente, mas muito mais porque sofria moral e socialmente. 
Mas este homem viu algo impressionante! Pessoas que, tendo sido curadas pelo Senhor, agora desejavam ser como o Senhor. E estas pessoas, após experimentarem que Deus é sempre mais vida, não suportaram ver aquele ser humano paralizado fisica e espiritualmente. 
Este paralítico viu seus amigos o levarem em sua maca... Viu o povo impedir-lhe de encontrar-se com aquele novo Rabi, que falava como nunca outro havia falado. Viu seus amigos não desanimarem. Foi levado a um telhado... Foi baixado com cordas. E após tanto esforço, viu seu perdão dado, o que lhe curou sua visão desesperançosa. E viu mais... Além do perdão, recebeu a graça de pode CAMINHAR DE NOVO. Sua cura, mais do que física, foi total! Recebeu a graça de poder viver em abundância. 

E nós, o que vemos? 
O que temos diante dos olhos? O que percebemos no mundo de hoje? Em que grau de esperança se baseia nossa fé? Como percebemos as pessoas que estão ao nosso redor? Como vemos nosso mundo? Para nós, tudo e todos são apenas desgraças? Em quem temos esperado? No Senhor da Vida? Temos realmente a fé de que a vida é mais forte que a morte?









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Em Cristo!

PE. ALEXSANDER CORDEIRO LOPES
             Assessor do Setor Juventude Curitiba

             Fone: (41) 2105-6364
             E-mail: pe.alex...@gmail.com
             Fecebook: https://www.facebook.com/pe.alexcordeiro

“Naquilo que é essencial, unidade; naquilo que é duvidoso, a liberdade; e em tudo, caridade” (Santo Agostinho)



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