Olha, eu também sou de Marinha. Estou no curso de especialização em Aviação. Apesar de pouco tempo de Serviço Ativo, entendo plenamente sua situação. Convivi com militares que fracassaram em seus projetos de vida por conta da malograda carreira. Isto é fruto da adoção de um plano administrativo malfadado, que levianamente desprezou a realidade social das praças, contaminando todo um sistema. Em razão desta política de promoção, toda uma geração teve destruido os sonhos de uma vida digna.
Quem perde com isso é a Nação.
Tenho uma carreira bem mais tranqüila que sua geração. A Marinha mudou muito. Infelizmente, muitos tiveram que sangrar bastante para que se alcançasse a atual fase.
Pelo que relatam, durante os anos 80 a vida à bordo ainda era marcada pela arbitrariedade e abuso de poder; Um frontal desrespeito aos princípios mais nobres tutelados pela Ordem Jurídica. O Homem vem antes do militar. Deve-se preservar a sua integridade, sob pena de desvio da finalidade precípua do Direito, qual seja, a busca pela efetiva harmonia da sociedade sob os postulados de JUSTIÇA. Não se pode jamais prescindir do destinatário das normas: o HOMEM. A função do Estado é proporcionar a felicidade à sua gente. Esse é o dever do administrador.
Pois bem, a Justiça Federal tem reconhecido o direito ora pleiteado. Mas com certo tempero. Ou seja, não tem como desprezar o arcabouço jurídico militar sobre a matéria é criar um diploma legislativo que resgate todas as perdas sofridas pela classe. Por mais grave que seja a situação, o juiz não pode legislar. Deve, porém, valer-se da hermenêutica jurídica para fazer valer o Estatuto dos Militares.
Desta forma, o STJ acolheu a tese de quebra de hierarquia como critério hábil para promover o pessoal do QESM. Há algumas decisões neste sentido.
Faça uma pesquisa na jurisprudência. É possível ser promovido, na antiguidade correta, com base neste argumento.