Desmascarando Iehoshua de Nazaré – O Talmud de Babilônia – Parte III
Ben Stada e Ben Pandira - Referências do Talmud de Babilônia - Tratado Sanhedrin 67a e Tratado Shabbath 104b
Referências ou comentários registrados em notas de
rodapé sobre o fato do nome do pai de Yeshu ha-Notzri ser Pandira estão contidos no Talmud de Babilônia Tratado Sanhedrin 67a e Tratado Shabbath 104b. Na realidade, os nomes Pandira ou Panteiri são formas hebraico-aramaicas de um nome grego. No idioma hebraico, a terceira consoante do nome é escrito quer com a letra Dalet (Pandeira), quer com a letra Tet (Panteiri). A comparação com outras palavras gregas transliteradas para o idioma hebraico indica que esta palavra no original em idioma grego deveria conter a letra Delta como sua terceira consoante, e assim a única possibilidade para o nome grego do pai de Yeshu ha-Notzri é o nome Panderos. Como nomes gregos eram comuns entre judeus durante a
época dos Macabeus, não é necessário supor que ele fosse grego, como alguns autores afirmaram.
Referências ou comentários registrados em notas de rodapé sobre o nome Ben Stada também estão contidos no Talmud de Babilônia Tratado Sanhedrin 67a e Tratado Shabbath 104b. Nestes comentários registrados Yeshu ha-Notzri é referido como Ben Stada e que pessoas também interpretaram Ben Stada como um milagreiro, bruxo, feiticeiro ou praticante de artes mágicas.
Outros afirmavam que ele sofria de demência, que ele tinha levado judeus a se desencaminharem, que era um impostor e que foi preso com ajuda de testemunhas ocultas ou infiltradas entre os seus seguidores, e em seguida foi apedrejado na cidade de Lod (Lida). [Lod é uma cidade situada a pouco mais de cinqüenta quilômetros da cidade de Jerusalém. A cidade de Lod está localizada na região central de Israel. Nesta cidade encontra-se o maior aeroporto de Israel, o Aeroporto Internacional Ben Gurion. Lod é uma cidade multiétnica, comportando judeus e árabes.] De acordo com isto, é interessante observar a passagem do Evangelho de Marcos 3,20-21:
Dirigiram-se em seguida a uma casa. Aí afluiu de novo tanta gente, que nem podiam tomar alimento. Quando os seus o souberam, saíram para o reter; pois diziam: “Ele está fora de si.” (Marcos 3,20-21)
Pergunta-se aqui o seguinte: Neste contexto, está fora de si é um sinal de demência de Iehoshua de Nazaré? Também é interessante notar que Iehoshua de Nazaré, segundo relatos dos Evangelhos, foi traído e preso com a ajuda de Judas Iscariotes, um dos seus seguidores. Esta traição está relatada nas
seguintes passagens dos Evangelhos:
Evangelho de Mateus 26,14-16; Evangelho de Mateus 26,21-25; Evangelho de Mateus 26,47-50;
Evangelho de Marcos 14,10-11; Evangelho de Marcos 14,17-20; Evangelho de Marcos 14,43-46;
Evangelho de Lucas 22,1-6; Evangelho de Lucas 22,21-23; Evangelho de Lucas 22,47-48;
Evangelho de João 13,1-4; Evangelho de João 13,21-30; Evangelho de João 18,1-8;
Toda a informação que temos sobre Ben Stada é oriunda de trechos do Toseftá e do Baraitá, trechos estes que estão contidos nos tratados, já mencionados, do Talmud de Babilônia. Algumas pessoas afirmavam que ele tinha trazido encantamentos oriundos do Egito em um corte localizado na carne do seu corpo, outros afirmavam que ele era um louco, um trapaceiro. Devido a isto, Ben Stada foi apanhado pelo método da testemunha escondida, sendo apedrejado na cidade de Lod. Vale apena saber que o profundo misticismo egípcio influenciou pessoas de outras religiões quando ali se estabeleciam para morar. Este miscismo egípcio era caracterizado por
leituras e ensinamentos secretos, rituais privados e fiéis professavam ser a ligação deste mundo material com o mundo espiritual, uma ligação entre o céu e a terra. Exemplos disto são encontrados em passagens dos Evangelhos:
Eis por que lhes falo em parábolas: para que, vendo, não vejam e, ouvindo, não ouçam nem compreendam. (Mateus 13,13)
Jesus pôs-se novamente a ensinar, à beira do mar, e aglomerou-se junto dele tão grande multidão, que ele teve de entrar numa barca, no mar, e toda a multidão ficou em terra na praia. E ensinava-lhes muitas coisas em parábolas. (Marcos 4,1-2)
Era por meio de numerosas parábolas desse gênero que lhes anunciava a palavra, conforme eram capazes de compreender. E não lhes falava, a não ser em parábolas; a sós, porém, explicava tudo a seus discípulos. (Marcos 4,33-34)
Pergunta-se aqui o seguinte: Neste contexto, ensinar sob forma de parábolas para que ninguém as entenda e nem compreenda, e ensinar tais parábolas de forma explicada a sós com os discípulos, pode ser considerado como ensinamentos secretos proferidos por Iehoshua de Nazaré? Além do mais, por que este mistério? Os egípcios que exerciam estas práticas religiosas não falavam sobre o céu, mas falavam em ir para o céu e de lá voltar. O interessante é notar que, segundo os Evangelhos, Iehoshua de Nazaré faz várias referências muito
curiosas ao céu. Como exemplo, citamos as seguintes passagens dos Evangelhos:
“Digo-vos, pois, se a vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus.” (Mateus 5,20)
“Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furam nem roubam.” (Mateus 6,20)
“Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu, o Filho do homem que está no céu.” (João 3,13)
“Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. (João 6,38)
“Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.” (João 6,51)
O que é identificado nas passagens do Talmud de Babilônia Tratado Sanhedrin 67a e Tratado Shabbath 104b é que havia um homem chamado Ben
Stada, o qual foi considerado um praticante de feitiçaria. Segundo os comentários de tais passagens, a sua mãe era chamada de Miriam, semelhante ao nome Maria, como mencionado nos Evangelhos, mas também era referida como Stada, expressão aramaica que significa ela desencaminhou-se, e o seu pai era denominado Pappos Ben Yehudah. Por fim, Miriam teve um caso amoroso com Pandira, do qual nasceu Ben Stada. Alguns historiadores identificam Ben Stada com Ben Pandira, e que tanto um como outro é Iehoshua de Nazaré, e que Miriam era referida como Cabelereira de Mulheres (Megadla Nashaia) [Yad Rama - R. Meir Halevi Abulafia]. A expressão Miriam Megadla Nashaia é bem semelhante à Maria Magdalena, uma personagem conhecida dos Evangelhos. O interessante é notar que, segundo os Evangelhos, a gravidez de Maria de Nazaré é narrada com um certo mistério. Para isto, vamos examinar a passagem do Evangelho de Mateus 1,18-19:
Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo. José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente. (Mateus 1,18-19)
O que podemos identificar aqui, segundo esta
passagem, é que o pai de Iehoshua de Nazaré não é José, mas uma outra pessoa, o qual o Evangelho de Mateus 1,20-23 afirma que é o Espírito Santo. Mais adiante, o autor do Evangelho de Mateus 1,22-23 afirma que a obra da gravidez de Maria de Nazaré foi da autoria do Espírito Santo para que se cumprisse o que o Eterno falou pelo Profeta Isaías (Yeshayáhu), citando a passagem Isaías 7,14.
Mateus 1,22-23 Tudo isto aconteceu para se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7,14), que significa: Deus conosco.
Isaías 7,14: Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal:
uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará ‘Deus Conosco’.
Porém, no Estudo do Evangelho de Mateus 1,22-23 discutimos que a passagem de Isaías 7,14 não possui ligação alguma com Iehoshua de Nazaré. Para uma melhor compreensão e para que não haja dúvidas, precisamos discutir o início deste versículo, já que ele é sempre omitido pelos apologistas cristãos. Como afirmado em Isaías 7,14, o Eterno prometeu que daria um sinal, mas a quem daria e por quê? Para conhecer as respostas, recorremos às informações da própria Bíblia, mais precisamente no Capítulo 7,1-9 do livro de Isaías. Naquela época, o Reino do Norte (Efraim) se aliou a Rasin, rei de Arão em uma tentativa de se libertar do perigo assírio. Como o Reino do Sul (Judá) não participou da coalizão
entre o Reino do Norte e Arão, estes dois temeram que o Reino de Judá se tornasse aliado da Assíria. Assim, eles resolveram atacar o Reino do Sul, para destronar o rei Acaz e colocar no seu lugar o filho de Tabeel, rei de Tiro. Acaz, temendo ser cercado pelos exércitos adversários, efetuou uma verificação da reserva de água da cidade de Jerusalém. Mas Isaías vai ao seu encontro e tranqüiliza o rei Acaz, mostrando que não haverá perigo, pois continua válida a promessa de que a dinastia do rei David será preservada, desde que se confie totalmente nas providências do Eterno. O sinal prometido a Acaz é o seu próprio filho, do qual a rainha, uma jovem, está grávida. Este menino, que está para nascer, é o sinal de que o Eterno continua permanecendo no meio do seu povo. Daí o nome Emanuel, que significa Deus Conosco. Assim, de acordo com o contexto do Capítulo 7,1-9 do livro de Isaías, observamos que o Eterno promete um sinal ao rei Acaz e este sinal é justamente o
filho do próprio rei que está por nascer. Fora disto é distorcer a interpretação do texto.
Assim, está explicado o porque da passagem de Isaías 7,14 não poder ser aplicada a Iehoshua de Nazaré. Desta forma, o adultério de Maria de Nazaré torna-se evidente, e, portanto, a sua possível e futura difamação de ser referida como Stada, embora não registrada nos Evangelhos, torna-se bastante evidente. Portanto, é necessário criar uma história para livrá-la da difamação.
Vale apena salientar que no Toseftá, Ben Stada é chamado de Ben Sotera ou Ben Sitera. O nome Sotera parece
ser a forma hebraico-aramaica do nome grego Soteros. As formas Sitera e Stada podem ter surgido como más interpretações e erros de soletração, onde a letra hebraica Yod substitui a letra hebraica Vav e a letra hebraica Dalet substitui a letra hebraica Reish. No Talmud de Babilônia Tratado Sanhedrin 67a estão registradas discussões em notas de rodapé sobre o fato de Ben Stada ser confundido com Yeshu ha-Notzri. Isto provavelmente resultou do fato de que ambos terem sido condenados à morte por apedrejamento devido aos ensinamentos deles estarem associados à feitiçaria. Por outro lado, as pessoas que confundiam Ben Stada com Yeshu ha-Notzri precisaram explicar o porquê dele também ser chamado Ben Pandira. Como o nome Stada é parecido com a expressão aramaica Stat da, que significa ela desencaminhou-se, pensou-se que o nome Stada se referia à mãe de Yeshu
ha-Notzri e que ela era uma adúltera. Consequentemente, as pessoas começaram a pensar que Yeshu ha-Notzri era filho ilegítimo de Pandira. Estas idéias estão de fato registradas em comentários no Talmud de Babilônia Tratado Sanhedrin 67a. Como Ben Stada viveu na época 100 d.e.c., época em que Israel continuava dominado pelo Império Romano, e o nome Pandira se assemelhava com o nome Panteiri encontrado entre os soldados romanos, supôs-se que Pandira tinha sido um soldado romano estacionado em Israel. Será que este argumento explica a histórica denúncia efetuada no ano de 178 d.e.c. pelo filósofo Celsus quando escreveu uma obra denunciando as fraudes do Cristianismo?
Nos referidos comentários das passagens do Talmud de Babilônia Tratado Sanhedrin 67a são discutidos como um incitador à idolatria, um dos crimes religiosos mais terríveis para o Judaísmo [Torá Devarim (Deuteronômio) 13,6-11], foi preso. A referida passagem do Talmude de Babilônia relata o método usado para prender o incitador Ben Stada e o Evangelho de João 19,14 narra os planos para que Iehoshua de Nazaré seja executado na véspera da Páscoa.
Ouvindo estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado Lajeado, em hebraico Gábata. (Era a preparação para a Páscoa, cerca da hora sexta.) Pilatos disse aos judeus: “Eis o
vosso rei!” (João 19,13-14)
A situação de Iehoshua de Nazaré já está bastante comprometida devido aos Estudos dos Evangelhos, efetuados anteriormente, que deita por terra a possibilidade dele ter sido anunciado pelos profetas de Israel. Neste estudo, é identificado que as passagens dos Evangelhos que contêm a expressão isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo/s profeta/s somente se tornam profecias através de argumentos arbitrários dos autores dos mesmos, que os removeram do seu real contexto e os aplicaram em situações que julgaram ser convenientes. Por outro lado, devemos levar em conta as semelhanças das informações apresentadas pelo Talmud de Babilônia quando comparadas com os relatos dos
Evangelhos. Será que as passagens fraudulentas identificadas nos Estudos dos Evangelhos, realizados anteriormente, foram incluídas também para desviar a atenção de que Yeshu ha-Notzri e Iehoshua de Nazaré são a mesma pessoa, e, desta forma, esconder o passado de milagreiro e feiticeiro que ele carregava, e que por causa disto ele foi executado por apedrejamento na véspera da festa de Pêssach, e não por crucificação? De acordo com estas informações é interessante saber que, em uma determinada ocasião registrada nos Evangelhos, Iehoshua de Nazaré repele satanás afirmando que só o Eterno deve ser adorado:
O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe
mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe: “Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adoares.” Respondeu-lhe Jesus: “Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás” (Deut 6,13). (Mateus 4,8-10)
O demônio levou-o em seguida a um alto monte e mostrou-lhe num só momento todos os reinos da terra, e disse-lhe; “Dar-te-ei todo este poder e a glória desses reinos, porque me foram dados, e dou-os a quem quero. Portanto, se te prostrares diante de mim, tudo será teu.” Jesus disse-lhe: “Está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e a ele só servirás” (Deut 6,13) (Lucas 4,5-8)
Em outra ocasião, no diálogo com a samaritana, ele ensina que o verdadeiro adorador adora apenas ao Criador:
“Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade.” (João 4,23-24)
No entanto, ele permitiu, a ele próprio, de ser adorado por uma pessoa que sofria de cegueira:
Jesus soube que o tinham expulsado e, havendo-o encontrado, perguntou-lhe: “Crês no Filho do homem?” Respondeu ele: “Quem é ele, Senhor, para que eu creia nele?” Disse-lhe Jesus: “Tu o vês, é o mesmo que fala contigo!” – “Creio, Senhor”, disse ele. E, prostrando-se, o adorou. Jesus então disse: “Vim a esse mundo para fazer uma discriminação: os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos.” (João 9,35-39)
Como vemos na passagem do Evangelho de João 9,35-39 Iehoshua de Nazaré não proíbe o cego de o adorar. Esta atitude de Iehoshua de Nazaré está, por ironia, em contradição com a passagem da Epístola aos Hebreus 2,9, a qual relata que, quando ele estava vivo, se encontrava abaixo dos anjos:
Mas aquele que fora colocado por pouco tempo abaixo dos anjos, Jesus, nós o vemos, por sua Paixão e morte, coroado de glória e de honra. Assim, pela graça de Deus, a sua morte aproveita a todos os homens. (Hebreus 2,9)
Por outro lado, segundo o autor de Apocalipse 19,10, um anjo se dirige a ele próprio, o autor, e afirma que só o Criador é quem deve ser adorado:
Prostrei-me aos seus pés para adorá-lo, mas ele me diz: “Não faças isso! Eu sou um servo, como tu e teus irmãos, possuidores do testemunho de Jesus. Adora a Deus.” Porque o espírito profético não é outro que o testemunho de Jesus. (Apocalipse 19,10)
Nesta passagem é identificado que Iehoshua de Nazaré e o Criador são completamente diferentes. Como é
possível entender Iehoshua de Nazaré? Será que ele mereceu ser condenado à morte por crucificação ou será que, na realidade, ele foi condenado à morte por apedrejamento? Pode-se acreditar que as narrativas dos Evangelhos ocorreram em torno do ano 30 d.e.c.? [The Jewish Life of Christ - Being the Sepher Toldoth Jeshu or Book of the Generation of Jesus - Translated from the Hebrew - Edited with an Historical Preface and Voluminous Notes by G.W. Foote and J.M. Wheeler – American Atheist, Inc., Parsippany, New Jersey (1988) – ISBN: 0-910309-02-7]; [As Contradições do Novo Testamento – Algumas Razões para não Crer no Messias dos Cristãos – Evilásio Araújo – 3ª Edição - Sinagoga Beit Israel – Brasília – Distrito Federal (2003)]; [The
Jesus the Jews Never Knew - Sepher Toldoth Yeshu and the Quest of the Historical Jesus in Jewish Sources - Frank R. Zindler - American Atheist Press, Cranford, New Jersey (2003) - ISBN: 1-57884-916-0]
Os primeiros cristãos acreditavam que o nome Ben Pandira se referia a Iehoshua de Nazaré e recebiam várias críticas a respeito da nova religião que estava surgindo. Exemplos destas críticas são da autoria do filósofo Celsus, O Platonista, quem questiona em sua obra, intitulada em inglês como On the True Doctrine – A Discourse Against the
Christians, e publicada no ano de 178 d.e.c., os porquês de muitos judeus terem abandonado a Lei de Moshê para se tornarem seguidores de Iehoshua de Nazaré. Como pôde ser possível que os seus discípulos o abandonassem quando ele foi preso? Se ele, Iehoshua de Nazaré, pessoalmente não foi capaz de se fazer acreditar em seus ensinamentos, e foi abandonado por aqueles que o conheciam e que caminhavam com ele, como então judeus convertidos que nunca conheceram Iehoshua de Nazaré poderiam ter crédito diante de outros judeus. Quanto ao episódio do batismo de Iehoshua de Nazaré, quais as testemunhas que viram a pomba descer sobre ele no rio Jordão e que testemunhas ouviram uma voz declarando que ele é Filho do Criador como relatado no Evangelho de Mateus 3,13-17, Evangelho de Lucas 3,21-22 e Evangelho de João 1,29-34? Por outro lado, há espaço no
Judaísmo para alguém ser filho predileto do Criador? O Criador precisa de um filho predileto, em particular, ou todos os seres humanos são filhos Dele? As denúncias de Celsus são mais contundentes ainda quando ele lembra que, segundo relatos dos Evangelhos, Iehoshua de Nazaré curava pessoas doentes, ressuscitava pessoas mortas, alimentava multidões com pequenas quantidades de pães e expulsava demônios e, no entanto, pergunta Celsus, não eram estes os truques realizados por mágicos e feiticeiros em mercados do Egito? Devemos lembrar aqui que o Egito foi a terra para a qual o Rabino Iehoshua Ben Perachyah e Yeshu ha-Notzri precisaram fugir. Celsus ainda lembra que o Criador conhece todas os seres humanos juntamente com seus erros e que não precisaria descer a Terra em forma humana para averiguar os erros da humanidade. Quanto ao relato da
ressurreição de Iehoshua de Nazaré, Celsus questiona como pôde ser possível que várias pessoas foram testemunhas de sua morte, mas, no entanto, só alguns o viram após a sua ressureição, como relatada no Evangelho de Mateus 28,1-20, Evangelho de Marcos 16,1-20, Evangelho de Lucas 24,1-50 e no Evangelho de João 20,1-31 e 21,1-25. Em sua obra, Celsus lembra aos judeus convertidos que eles estavam sonhando com um mundo ilusório, como os chamados Campos Elísios, onde todos os problemas seriam resolvidos e que o Criador seria visto em sua glória. As denúncias de Celsus contra o Cristianismo foram tão devastadoras que por pouco esta religião não foi destruída. Na época de Celsus o Cristianismo se transformava em uma seita repleta de superstições e restrita apenas a pobres e ignorantes. É à toa que o número de denominações cristãs continua atingindo a cifra dos milhares, espalhadas pelo mundo? Finalmente, Celsus denuncia que Maria de Nazaré, a
mãe de Iehoshua de Nazaré, segundo os Evangelhos, estava divorciada do seu marido, um carpinteiro, depois de ter sido provado que ela cometeu adultério. Segundo ele, foi em segredo que ela deu à luz a Iehoshua de Nazaré, sendo o seu pai biológico um soldado romano chamado Panteiri. José, no entanto, concordou em não abadoná-la. Desta forma, o adultério de Maria de Nazaré torna-se mais uma vez evidente, e, portanto, a sua possível e futura difamação de ser referida como Stada (ela desencaminhou-se), embora não registrada nos Evangelhos, torna-se mais uma vez bastante evidente. Portanto, é necessário criar uma história para livrá-la da difamação. A história, narrada segundo o Evangelho de Mateus 1,20-23, registra que Maria de Nazaré ficou grávida por obra do Espírito Santo, para que se cumprisse o que o Eterno falou pelo Profeta Isaías (Yeshayáhu), citando a passagem Isaías 7,14 a qual, como já
discutimos, não possui ligação alguma com Iehoshua de Nazaré [Contra Celsum - Origen - Translated by Henry Chadwick - Cambridge University Press - Cambridge - United Kingdon (1980) - ISBN: 0521295769]; [On the True Doctrine – A Discourse Against the Christians – Translated by R. Joseph Hoffmann – Oxford University Press, Inc. – New York, USA (1987) – ISBN: 0195041518]; [Alexandria – A Cidade do Pensamento Ocidental – Theodore Vrettos – Odysseus Editora Ltda. – São Paulo (2005) – ISBN: 85-88023-65-2].
De acordo com o escritor cristão Epiphanius de Salamis (310 d.e.c. – 403 d.e.c.), o apologista cristão Orígen de Alexandria (185 d.e.c – 232 d.e.c.) rebatendo as denúncias de Celsus afirma que Panther era o apelido de Jacob, o pai de José, o padrasto de Iehoshua de Nazaré [Patrologiae – Cursus Completus – Series Graecae – Tomus XLI (Epiphanius Constantiensis Episcopus Cypro) – Edited by Jacques Paul Migne – Published in Paris (1857-1868)]. O interessante é que esta afirmação de Orígen de Alexandria não é baseada em nenhuma informação histórica. É puramente uma suposição cujo objetivo era refutar a história sobre Panteiri narrada por Celsus. A reivindicação de que o nome da mãe de Iehoshua de
Nazaré era Maria de Nazaré e a pretensão de que o seu marido era um carpinteiro é extraída diretamente de crenças cristãs. A suposição de que o pai verdadeiro de Iehoshua de Nazaré se chamava Panteiri é baseada em uma tentativa de reconstruir a forma original do nome Pandira. Esta reconstrução foi provavelmente influenciada pelo fato de o nome Panteiri ser encontrado entre soldados romanos estacionados em Israel [Did Jesus live 100 B.C.? - An enquiry into the Talmud Jesus stories, the Toldoth Jeschu, and some curious statements of Epiphanius, being a contribution to the study of Christian origins - George Robert Stow Mead - Health Research Books - Pomeroy,
Washington, USA (1965) - ISBN: 0-7873-0603-7]; [Did Jesus Live 100 B.C.? - George Robert Stow Mead - Cosimo Books, Inc. - New York (2005) - ISBN: 1596053763]; [The Talmud 100 Years B.C. - Story of Jesus - George Robert Stow Mead - Kessinger Publishing – Whitefish, Montana, United States (2005) - ISBN: 1417988231].
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