homilia

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Gustavo Schuch Tessmann

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Jun 20, 2014, 8:44:30 AM6/20/14
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Jesus Cristo: o único alimento que sacia a alma


Durante a homilia por causa da celebração do Corpus Christi, o Papa
Francisco convida o Povo de Deus a "purificar a memória"


Por Redacao

ROMA, 19 de Junho de 2014 (Zenit.org) - "O Senhor, vosso Deus, vos nutriu
com o maná, que vós não conhecíeis" (Dt 8,2)

Estas palavras de Moisés referem-se a história de Israel, que Deus tirou do
Egito, da condição de escravidão, e por quarenta anos guiou no deserto em
direção à terra prometida. Uma vez estabelecido na terra, o povo eleito
chega a uma certa autonomia, um certo bem-estar, e corre o risco de esquecer
os tristes acontecimentos do passado, superados pela intervenção de Deus e
Sua infinita bondade. Por isso, as Escrituras os exortam a recordar, fazer
memória de todo o caminho feito no deserto, no tempo de fome e desconforto.
O convite de Moisés é o do retorno ao essencial, à experiência da total
dependência de Deus, quando a sobrevivência foi confiada em suas mãos, para
que o homem compreendesse que "ele não vive somente de pão, mas de toda
palavra que sai da boca do Senhor "(Dt 8, 3).

Além da fome física que homem traz dentro de si, há uma outra fome, uma fome
que não pode ser satisfeita com alimentação normal. É a fome de vida, fome
de amor, fome de eternidade. E o sinal do maná - como toda a experiência do
Êxodo - continha em si também esta dimensão: era a figura de um alimento que
satisfaz esta fome profunda que há no homem. Jesus nos dá esse alimento,
mais do que isso, é Ele mesmo o pão vivo que dá vida ao mundo (cf. Jo 6,51).
Seu corpo é verdadeira comida sob as espécies do pão; o Seu sangue é
verdadeiramente bebida sob as espécies do vinho. Não se trata apenas de um
alimento com o qual saciar os nossos corpos, como o maná; o Corpo de Cristo
é o pão dos últimos tempos, capaz de dar vida, e vida eterna, porque a
substância deste pão é o Amor.

Na Eucaristia se comunica o amor de Deus por nós: um amor tão grande que nos
alimenta com o Seu próprio ser; amor gratuito, sempre disponível a cada
pessoa com fome e necessitada de revigorar suas forças. Viver a experiência
da fé significa deixar-se nutrir pelo Senhor e construir a própria
existência não sobre bens materiais, mas sobre a realidade que não perece:
os dons de Deus, a Sua Palavra e Seu Corpo.

Se olharmos à nossa volta, percebemos que há tantas ofertas de alimentos que
não são do Senhor e que, aparentemente, satisfazem mais. Alguns são nutridos
pelo dinheiro, outros com sucesso e a vaidade, outros com poder e orgulho.
Mas a comida que nos alimenta e que realmente nos satisfaz é apenas aquela
que o Senhor nos dá! O alimento que o Senhor nos oferece é diferente dos
outros, e talvez ele não pareça tão saboroso como os alimentos que nos
oferece o mundo. Por isso, sonhamos com outras refeições, como os judeus no
deserto, que lamentavam pela carne e as cebolas que comiam no Egito, mas
eles esqueceram que as refeições eram feitas na mesa da escravidão. Eles,
nos momentos de tentação, tinham memória, mas uma memória doente, uma
memória seletiva.

Cada um de nós, hoje em dia, pode perguntar-se: e eu? Onde gostaria de
comer? Em qual mesa eu quero me alimentar? Na mesa do Senhor? Ou sonho em
comer alimentos saborosos, mas na escravidão? Qual é a minha memória? Aquela
que o Senhor me salva, ou aquela do o alho e das cebolas da escravidão? Com
qual memória sacio a minha alma?

O Pai nos diz: "Eu te alimentei com o maná que você não conhecia".
Recuperamos a memória e aprendamos a reconhecer o pão falso que ilude e
corrompe, porque é fruto do egoísmo, da autossuficiência e do pecado.

Daqui a pouco, na procissão, nós seguiremos Jesus realmente presente na
Eucaristia. A Hóstia é o nosso maná, mediante a qual o Senhor no dá a Si
mesmo. A Ele nos dirijamos com confiança: Jesus, defenda-nos das tentações
do alimento mundano que nos torna escravos; purifica a nossa memória, para
que não permaneça prisioneira na seletividade egoísta e mundana, mas seja
memória viva de tua presença na história de seu povo, memória que se faz
"memorial" do teu gesto de amor redentor. Amém.

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