
A unidade do PT para a vitória de Dilma
Geraldo Magela
Deputado Federal, Secretário Nacional de Assuntos Institucionais da Executiva Nacional do PT e Secretário de Habitação, Regularização e Desenvolvimento Urbano do GDF
Não há nenhuma dúvida para os petistas de que a eleição de 2014 terá características diferentes de todas as outras eleições disputadas pelo nosso partido até agora. A situação internacional demonstra que estamos no caminho certo, mas que precisamos, cada vez mais, construir internamente as condições de independência em relação à economia de outros países. As medidas adotadas de controle dos juros e de combate à inflação dão a conta certa das ações do governo em acertar a política econômica com atenção especial para a superação das desigualdades sociais, objetivo tão perseguido e alcançado desde o início da era petista no Planalto.
As oposições tentam costurar acordos e acertos internos que lhes garantam o mínimo de competitividade. Grande parcela da mídia nacional assume a torcida e as articulações favoráveis às forças oposicionistas, buscando resgatar privilégios antigos e, sobretudo, estabelecer uma disputa ideológica sem precedentes. A iniciativa na política, hoje, é disputada claramente por setores da mídia sem nenhum pudor, como ocorreu no processo do julgamento do “mensalão”, quando parcelas da imprensa ditaram o ritmo e o resultado do processo.
Parte de nossos aliados, mesmo sem projetos e programas alternativos, se joga em busca de mais espaços, fazendo ataques muitas vezes sem fundamentos razoáveis à hegemonia política do PT. Colocam-se, assim, como forças auxiliares daqueles que por décadas governaram o Brasil sob o jugo do capital internacional.
As conquistas da população brasileira durante a década de governos petistas são inquestionáveis. Estamos prestes a comemorar a saída da condição de pobreza absoluta de todos os brasileiros. Comemoramos a situação de pleno emprego e crescimento da renda dos trabalhadores. Temos o maior número de jovens nas escolas técnicas e nas universidades de toda a história do país. A democracia se aprofunda e se aprimora com ações concretas de nosso governo.
É neste quadro que nos encontramos às vésperas das inscrições de nossas chapas para o próximo PED partidário. Os Processos de Eleições Diretas, implantados para garantir a participação dos filiados na vida partidária, têm sido momentos de afirmação de nossos compromissos com a população brasileira. Ao elegermos nossos representantes de forma direta, democraticamente, damos ao país a demonstração de que valorizamos o debate, respeitamos as diferenças e construímos nossa unidade de ação num programa de transformações sociais que vem sendo implantado pelo governo federal, pelos nossos governos estaduais e municipais e sendo defendido nos parlamentos pelos nossos representantes, e, nas ruas, pelos nossos militantes.
Desde a sua implantação, o PED tem se caracterizado pelas nossas disputas de projetos e visões de partido. Muitas vezes, as diferenças nos empurram para composição de distintas chapas e, em outras, para alianças pontuais. Já tivemos disputas de concepção e já tivemos disputas apenas táticas. Hoje, a disputa mais importante não está no seio do partido, mas no embate de nosso partido com os que se opõem a nós no projeto nacional. Mesmo reconhecendo que existem diferenças entre nossas tendências, especialmente de métodos, é forçoso também reconhecer que o centro de nossa tática não está na disputa interna.
Também devemos admitir que aquilo que foi conhecido por muito tempo como “campo majoritário” que hegemonizava a política interna já não tem a mesma unidade e muito menos a mesma consistência de outros tempos. As últimas disputas no campo do Congresso Nacional demonstram muito bem que é necessária a formação de novos blocos e campos para formular as políticas de ação no parlamento. No Partido, as decisões do último Congresso demonstram que não havia plena unidade em nenhum dos campos partidários. Isto resultou em resoluções políticas corretas para a conjuntura, por que foram formuladas para a disputa externa, o que nos unificou. Já as decisões de organização partidária foram confusas e erráticas. Hoje temos um partido mais burocratizado e menos democrático, mais dependente das lideranças pessoais, das máquinas sindicais e dos mandatos parlamentares e submetido aos interesses de cargos em governos.
Por outro lado, é obrigatório reconhecer que a assunção de Ruy Falcão à Presidência Nacional abriu a perspectiva de o partido ser dirigido sem uma visão hegemonista, com a possibilidade de ampliação do diálogo e da participação das diversas forças partidárias.
Com a clareza das dificuldades que enfrentaremos nos momentos seguintes e da necessidade de uma forte e firme unidade partidária, creio que é chegada a hora de apostarmos no desafio de alterarmos o modelo de disputa interna.
O PED de 2013 não traz uma disputa estratégica entre nós. Não temos, hoje, tantas diferenças de concepção que justifiquem a disputa renhida de chapas ou lideranças de blocos. As nossas diferenças sobre organização partidária não serão objeto de enfrentamento no PED, mas no Congresso do próximo ano. Já a necessidade de mantermos a iniciativa política; de aprofundarmos nosso projeto de governo no plano nacional; de estabelecermos novos parâmetros para a disputa na sociedade, especialmente num novo marco das comunicações; de ampliarmos nossa presença no parlamento; de ampliarmos nossa participação nos governos estaduais; de dialogarmos com a sociedade para aprovar no Congresso a reforma política, tudo isso nos une.
Não creio que devamos desconhecer nossas diferenças, apenas devemos saber como trabalhar para que elas diminuam e fazer com que aquilo que nos unifica seja mais forte e mais importante do que aquilo que nos separa.
Vejo como uma boa oportunidade para nossa tendência, que o Movimento PT, surgido do combate ao hegemonismo e às disputas entre campos enrijecidos, busque criar as condições para que o PED seja transformado num momento de unidade partidária e de mobilização de nossa militância pelas nossas bandeiras históricas e conjunturais. Ao invés de priorizarmos a disputa entre nós, que construamos um diálogo partidário para garantir nossa vitória nos próximos embates.
O que proponho é que apresentemos a todas as forças internas a idéia de construirmos uma chapa de unidade, com um diálogo franco sobre nossas dificuldades e nossos desafios e que o PED seja transformado num momento de ampla mobilização nacional dos filiados e militantes. Que as amarras que dificultam a participação de nossa base partidária sejam soltas e que a fraternidade seja a marca deste momento partidário. A base do programa desta aliança deve ser a construção das condições para a reeleição de nossa Presidenta Dilma, da ampliação de nossa participação nos parlamentos, da ampliação de nossa participação nos governos estaduais, da ampliação da influência dos movimentos sociais nas políticas públicas e na conquista de direitos, no aprofundamento e aprimoramento da democracia no país e no aperfeiçoamento de nossa organização partidária.
Isto, certamente, criará condições internas adequadas para dialogarmos sobre as situações regionais e conseguirmos encaminhar soluções apropriadas para todas elas.
O que deve nos mover é a convicção que a conjuntura exige, de todos nós, desprendimento e concessões para colocarmos o objetivo maior sobre todos os demais. O objetivo maior é a recondução de nossa companheira Presidenta Dilma à Presidência da República. A este objetivo todos os demais deverão ser submetidos. Cabe a cada um de nós dar sua parcela de contribuição. Se tivermos a coragem de abrir este diálogo, é possível que consigamos convencer a todos. Se nem todos forem convencidos, mas a maioria se prontificar a construir esta unidade, já será uma vitória. Este é o nosso desafio!
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Atenciosamente,
Cleiton de Souza Moreira
Coordenador- Secretaria Nacional de Assuntos Institucionais -SNAI-PT
